sábado, 12 de setembro de 2015

Arquétipos e Símbolos

Muitas vezes lemos em livros esotéricos: “Evoluir é concretizar arquétipos”. Isto é: o homem evolui na medida em que consegue captar e desenvolver arquétipos. O termo arquétipo vem da composição grega Archais + tipos que significa o tipo, o modelo arcaico, primitivo, original.
   Para entendermos o que é um arquétipo temos que saber que a cada um de nossos corpos corresponde um plano, no qual a consciência daquele corpo vive. Então, contamos com este plano físico, com o astral, o mental e também aquele que corresponde ao nosso mental abstrato que é o intuitivo, chamado então de plano arquetípico. Com ele nossa consciência abstrata faz contato para nos trazer aquilo que chamamos de intuições e revelações.

A Roda do Dharma e suas oito sendas.

   Este plano arquétipo contém gravado em sua substância as matrizes, os modelos, as leis divinas, os princípios divinos também chamados pelos indianos de Dharma. São os arquétipos que vamos trazendo às manifestações neste plano em que vivemos, como uma maneira de evoluirmos o nossos habitat, a cada um de nós, as raças, os países, enfim a todos os grupos e a todo o conjunto da humanidade. Para cada uma dessas coisas, existe então um plano, um arquétipo estabelecido. Cada vez que entramos em contato com estas idéias arquetípicas, damos um passo em prol do nosso evoluir. Quando alcançamos o plano intuitivo através da nossa mente abstrata, que é a menos desenvolvida em nós, teremos tido um dos chamados momentos de revelações, momentos intuitivos. Para trazer à manifestação esses arquétipos, estes princípios divinos, usamos o recurso dos símbolos.
   O que são símbolos? São recursos para se chegar a arquétipos. Exemplifiquemos: Na formação das primeiras raças, os homens através de suas mentes abstratas, que eram muito pouco desenvolvidas, (mas com o auxílio de seres que os orientavam para que pudessem levar adiante as civilizações e também através de sonhos), recebiam rudimentos de idéias arquetípicas destes princípios divinos, destas matrizes. Trazia-as então à manifestação pelo recurso de símbolos. Suponhamos que um homem primitivo houvesse captado, num lampejo rápido, até através de um sonho, a existência das sete notas musicais que seriam as bases da música do seu mundo futuro, (que ele depois iria desenvolver) ele poderia então desenhar ou ter a ideia de moldar uma estátua de cerâmica de sete braços. Caso captasse o princípio da Trindade (vontade, sabedoria e amor), que ele também teria de desenvolver, ele poderia criar um objeto de três pontas. Suas criações teriam sido um representação simbólica de uma matriz do plano arquetípico que ele entrou em contato. Então, cada vez que ele olhasse estas representações, sua mente voltava a contatar o plano arquetípico, até que um dia, após estar mais evoluído, conseguindo contatar com mais freqüência sua mente abstrata, captaria o princípio divino totalmente. Assim, foi através de símbolos que desenvolvemos nossa mente abstrata para usar em nosso mundo as matrizes do plano arquetípico. Hoje sabemos que o princípio da Trindade, o número três, representa o equilíbrio. Porém, não conhecemos toda a potência deste arquétipo. Na medida em que evoluímos, as cabeças científicas vão percebendo que muito mais coisas materiais podem ser criadas, usando este princípio do equilíbrio. Intimamente, vamos nos tornando também cada vez mais equilibrados.



   Hoje sabemos que os princípios que captamos não só trazem a nós conhecimentos, como nos transmitem também tipos de energias, como é o caso do princípio dos sete sons, pois cada um deles, ao serem tocados, atuam em nosso corpo emocional. Outra coisa que observamos é que também a natureza, os animais manifestam arquétipos. O princípio divino da ressurreição, de que nada morre permanentemente, está refletido na mudança das estações. Podemos, nós homens, chegar à matrizes do plano arquetípico, apenas observando o comportamento da natureza.

Labirinto, um dos atalhos para chegar ao arquétipo.

   Voltemos à afirmação inicial que dizia “Evoluir é concretizar arquétipos.” Observemos como o homem primitivo se comportava: O Totemismo era o costume tribal que atribuía a sua ancestralidade a um animal. Isto é, a tribo teria se originado num animal, que era então o totem. Para evoluírem, usavam também o princípio do arquétipo. O totem seria o símbolo do princípio, da energia que a tribo necessitava desenvolver para sobreviver e crescer. Se a tribo vivia perto do mar,  provavelmente seu totem seria um animal marinho que lhes traria a energia para dominar o principal desafio da tribo: o mar. Se a tribo vivesse na montanha o seu totem poderia ser um cabrito montês com destreza suficiente para galgá-la. Em seus ritos comiam ou banhavam-se na carne e no sangue do totem para obterem a sua energia. Confirmamos assim a máxima esotérica que diz que assimilamos a energia dos arquétipos através dos símbolos. Também nós, homens modernos, fazemos de pessoas os nossos arquétipos. Para os islâmicos, Maomé é o seu modelo de comportamento que eles seguem para evoluir. Nós, cristãos, temos nosso modelo em Jesus. Inclusive, à semelhança do que faziam os tribais, nos é oferecido na eucaristia cristã o corpo e o sangue do Cristo, para obtermos as suas energias santas.  No simbolismo da última ceia, ao distribuir pão e vinho, Jesus teria dito: “Comei e bebei da minha carne e do meu sangue.”.
   Seguimos também ideias de líderes-modelos políticos e sociais para elaborarmos nossas doutrinas. Enfim, é sempre na busca de um arquétipo, de um modelo, que buscamos o recurso para evoluirmos.
   O arquétipo e a psicologia: O analista C. G. Jung via nas fábulas mitológicas que criamos, a manifestação popular e literária de arquétipos, dos sentimentos que precisamos desenvolver ou dominar. Por isso, foi um grande estudioso de mitos. Também dizia que os sonhos também escondem arquétipos que desejamos alcançar e que nos causam ansiedade.
   Profetas: Existem homens extremamente evoluídos que têm facilidade de entrar em contato com o plano arquetípico, devido a terem uma mente abstrata muito desenvolvida. Os profetas do Antigo testamento seriam alguns deles. Ao contatarem o plano intuitivo, desvendariam as matrizes dos acontecimentos que estavam por vir. Assim, previram a vinda do Messias. Assim também Jesus teria predito a queda de Jerusalém. Assim Nostradamus teria previsto as guerras modernas. Nas matrizes imprimidas na substância do plano arquetípico está a explicação para previsões que podemos fazer sobre o futuro.

Santa Ceia, consagração do simbolismo do pão e do vinho.

   Arquétipo individual e o livre arbítrio: As crenças esotéricas dizem que para o planeta, para a ciência, para as raças, para as nações, para tudo existe um arquétipo a ser realizado mas que para cada um de nós também existe um arquétipo individual em acordo ao nosso tipo de mônada, nosso tipo de individualidade.
   “A matriz individual de cada um de nós -dizem os arquivos ocultistas- é chamado de “átomo Crístico” ou Santo ser Crístico”.  É representado simbolicamente por um bebê miniatura, dourado, que dorme em nosso chacra cardíaco.
   A cada vez que entramos em contato , através da meditação, com este símbolo, conhecemos um pouco do nosso arquétipo individual, isto é: Do nosso papel na vida, e recebemos a energia da nossa individualidade monádica, da nossa mônada.
   O dia que cumprirmos o nosso papel, o plano designado para nós, este bebê crescerá e nos tornaremos o homem-Cristo tal como aconteceu com Jesus e outros mestres.
  Cumprir arquétipos não significa determinismo. O Arquétipo nunca se choca com o nosso livre arbítrio. Os arquétipos marcam para nós a linha geral de um acontecimento, de um plano, porém a forma como chegamos a cumprir este acontecimento ou este plano depende de nós, também o tempo que levamos para concretizá-lo depende de nós. Exemplificando: Nosso arquétipo nos estabelece um plano que diz que teremos como guia espiritual um mestre de determinada linha.  Um dia, chegaremos a ele, porém os atalhos que percorreremos, a forma como vamos fazer para chegarmos a ele, o tempo que isto nos demandará, depende de nós. Se por teu tipo de mônada, tens determinado papel a cumprir dentro da ciência, um dia obrigatoriamente o cumprirás. Porém, os livros que vais ler para tuas pesquisas, quais os trabalhos científicos que farás, o tempo que demorarás a cumprir tal plano dependerá de teu esforço, de teu livre arbítrio ao executá-lo. Isto também é válido em relação ao plano das nações. A forma como chegarão a cumpri-lo depende dos esforços da totalidade dos grupos nacionais.

   A Roda do Dharma budista: Dharma quer dizer plano divino, lei e arquétipos a serem cumpridos. É simbolizada por uma roda dividida em 8 partes. Elas representam 8 sendas, 8 caminhos. Em cada um deles cumpriríamos uma lei divina, que nos levaria num dia futuro a cumprir o arquétipo do Nirvana, que é o princípio da paz e da bem-aventurança. Cada vez que completamos uma das sendas, fazemos um giro na roda da nossa vida, impulsionamos o nosso Dharma, a nossa lei individual. Enfim, chegamos mais perto do nosso arquétipo, do nosso nirvana.

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