domingo, 27 de março de 2011

O nome de meus cinco netos



O nome de meus cinco netos , Pedro, André, Tiago, Daniel e Gabriel levam minhas lembranças à figuras que sempre me cativaram dentro da história religiosa.
   Pedro e André que são irmãos, trazem os nomes de dois irmãos que viveram na época em que pelos caminhos da Terra andava o Cristo Jesus. Este, quando os encontrou , lhes disse: “Sigam-me e eu farei de vós pescadores de homens”! E ,eles assim se tornaram os seus primeiros discípulos.
   Tiago foi outro de seus seguidores . Evangelizou o norte da Espanha com o dinamismo de um gigante. Hoje, mais de 2000 anos depois, no longo percurso espanhol que leva seu nome: ” Caminho de Santiago”, recebe a gratidão de milhares de peregrinos cristãos.
   Daniel exemplificou a Fé, que vence barreiras de qualquer mal. Jogado em uma cova, fazendo face a leões que ali o matariam, ele conseguiu, pela Fé, mantê-los imóveis e inofensivos, para assim ser reconhecido como o grande profeta da Antiguidade Judáica.
   E Gabriel ? Este tem o nome de um anjo anunciador. Anuncia boas novas. Anunciou à Maria, a vinda do Cristo; Anunciou a Maomé o grande profeta que viria a ser, confiando-lhe as palavras do Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos.
   O nome de meus netos aparece assim na tradição das três grandes religiões: Cristianismo, Judaísmo e Islamismo . Grupos religiosos que vivem sectarismos tão intensos que resultam em guerras duradouras entre nações. Que meus netos continuem anti-sectários como agora são; Que esta relação de seus nomes à estas religiões lhes seja um chamamento a que sempre evitem qualquer sectarismo, seja ele racial, político, cultural, ou religioso.
   Desejo que, tal como aquelas figuras  histórias que aqui lembrei, sejam também meus netos:  “Pescadores de Homens”, Dinâmicos , Cheios de Fé, Alegres Anunciadores de Boas novas.

                                                          Vó Lelete

domingo, 20 de março de 2011

Símbolos nos templos cristãos

    Visitar templos cristãos é adentrar um manancial revelador da simbologia cristã, da vivência do Cristo e do desenvolvimento dos períodos históricos em que foram edificados.
    Aquilo que nos indica um de seus templos é a cruz que encima a sua construção. Ela logo nos relembra cada homem entrando na vida terrena, crucificado na matéria para vivenciar experiências de dualidades. Tentando harmonizar opostos como alegria e tristeza, amor e ódio etc. Simbolizados nos braços verticais e horizontais da cruz .
     A Cruz – diz Fulcanelli em sua bela obra “O mistério das catedrais”- é o crisol onde até o próprio Cristo sofreu sua Paixão. É enfim uma purgação onde renovamos sentimentos e evoluímos.
Muitos templos destacam-se por possuir em seu adro um cruzeiro de pedra, mormente as construções franciscanas. O conjunto religioso de capela e monastério dos monges Cartuxos, nos Alpes de Chartreuse (França) num cruzeiro à sua frente, dá à sua cruz o simbolismo da permanência da mensagem crística,pelo que traz escrito nele: “Mudam e mudam os mundos mas a cruz permanece sempre girando em direção aos céus”.
    O Sino é outro elemento importante na torre de igrejas e capelas. Ao soar, chama os cristãos para um contato entre o transcendente e o material. Chama o homem para que ouça a  voz divina, a harmonia cósmica.  Hoje , o som dos sinos se perdem entre a selva de edifícios de uma metrópole.  Porém, na pequenas comunidades ele faz também a função de unir seus habitantes, anunciando um novo nascimento ,um enlace e um rompimento de morte.
    O Galo é também um símbolo cristão, já usado porém dentro do paganismo. Neste, anunciava com seu canto matinal, a luz de Apolo, deus solar que chegava. No Cristianismo , ele é a presença da ressurreição, da vigilância e do chamamento.Enquanto o homem dorme (também espiritualmente)o galo vigia. Depois canta três vezes para acordá-lo.
Anuncia o surgir de um novo dia, chama o homem a um despertar, uma ressurreição.
    Já possuía um significado transcendente de vigia e chamamento ao tempo de Jesus. No Evangelho de  S.Marcos, este diz:” Sê vigilante, pois nunca sabeis quando o vosso mestre virá vos chamar. Se será esta tarde, no meio da noite ou na madrugada quando o galo cantar”. Sobre a torre de uma igreja cristã ele é o emblema solar do Cristo, a chamar para a supremacia da luz sobre as trevas humanas.
    Labirintos são também priorizados nos solos dos templos cristãos. São círculos concêntricos que interrompidos em certos trajetos tornam difícil encontrar aquele que conduz ao seu centro.O seu ponto central simboliza o mais íntimo de cada homem, onde este pode  encontrar sua própria divindade. Percorrendo os caminhos daqueles desenhos labirínticos vivemos sensações angustiantes de nos  perdermos; de frustações por crermos que jamais chegaremos ao centro, vamos enfim vivendo emoções que nos levam à interiorizações para nos conhecermos, vencermos nossos medos, para enfim atingirmos nosso próprio âmago. Uma verdadeira Iniciação.
Labirinto da catedral de Chartres, França.


    O símbolo do labirinto foi também consagrado desde os tempos mitológicos gregos. Lembremos a fortaleza de Creta onde, no mito, em  seu centro tentávamos matar nossas inferioridades, nossos monstros internos, simbolizados no Minotauro que Teseu  por fim matou para tornar-se um herói vencedor.
    Já também o mausoléu de Augusto em Roma fora construído na forma de um labirinto, talvez aproveitando a idéia grega de que, através de um labirinto, sua alma chegasse ao estado paradisíaco de vitória.
    A um cristão, além da busca por seu próprio âmago, o labirinto significava os difíceis caminhos das peregrinações, por onde alguém queria chegar a um local sagrado, a um local considerado um ônfalo, um centro do mundo.
    Quando as Cruzadas medievais do sec. XIII impossibilitaram as peregrinações à Jerusalém ,então considerada um centro sagrado para o cristão europeu, este passou a usar os labirintos desenhados no chão das catedrais, em especial aquele da catedral francesa de Chartres. Neste imenso labirinto de duzentos metros, eram feitas então viagens simbólicas à cidade santa.
    Nos altares, ali estão também as Velas com sua simbologia de luz. Elas nos lembram um tempo em que, como primitivos  tribais, dançávamos em redor de um fogo para homenagear o deus que era o sol, o fogo para os tribais. Hoje, o fogo de uma vela ainda representa o próprio Deus, um deus interno no qual nos movemos e existimos e a acendemos quando, num rito, queremos contatar e reverenciar o divino.
Pelicano alimentando seus filhos com o próprio sangue.

    O pelicano com sua lenda de que ao sentir que seus filhos estão famintos, rasga o peito com o bico para alimentá-los com o seu sangue , é o símbolo do sacrifício. Nenhum símbolo - pensam os cristãos- se ajusta tanto à figura do Cristo que como salvador sacrificou-se para ajudar a humanidade . Assim, em muitos templos cristãos em pinturas e esculturas o pelicano se faz presente. Quem visitar o deslumbrante esplendor da igreja de São Francisco na Bahia verá de tanto em tanto, em meio a sua ofuscante arte barroca, imagens de vários pelicanos negros.
    O Cristo é naturalmente o ser mais glorificado em seus templos. Já na parte externa das igrejas românicas e góticas, em seus tímpanos que sobrepõem suas portas principais ,Ele aparece em seu papel de mestre instrutor, onde é chamado de “Cristo Pantacrator”. O Cristo traz sempre numa das mãos um livro, símbolo da instrução e com a outra mão nos abençoa com um mudra onde tem levantados os dedos indicador  e médio.  Nesta concepção , o Cristo está sempre cercado pelos 4 animais do Apocalípse: o leão, o touro, a águia e o homem, identificados aos 4 evangelistas :S. Marcos ao leão, S. Lucas ao touro, S. João à águia e Mateus ao homem. No início do cristianismo esses animais eram identificados  apenas ao Cristo. Era dito que Ele viveu como um homem, morreu  como um touro imolado, ergueu-se do túmulo com  força  de um leão e ascendeu aos céus como uma águia. Posteriormente, esses animais foram identificados às  qualidades dos 4 evangelistas, sendo desde então requeridos aos discípulos de linha cristã  que desenvolvam alem da consciência do homem , a coragem do leão, a persistência do touro e o desejo de liberdade da águia. Em outras concepções do Cristo instrutor ele está apenas cercado pelos 4 evangelistas.
 Sua genealogia como descendente de Davi é expressa também em obras de arte que são as Árvores de Jessé. Este, pai de Davi, sempre principia a origem genealógica  do Cristo, dando a Ele a sua realidade histórica. Assim, no belíssimo Pórtico da Glória da catedral de Compostela entre 200 esculturas de granito, aparece na parte inferior Jessé dormindo. Segue-se para cima o rei Davi , grande músico, tocando harpa. Depois a Virgem e finalmente o Cristo.  No retábulo de ouro da catedral espanhola de Burgos, Jessé dorme enquanto de seu corpo partem galhos com as imagens dos ancestrais do Cristo. Aparecem ali em evidência  São Joaquim e santa Ana , os avós do Cristo.
O Cristo e os quatro animais do apocalipse.

    A transfiguração do cristo é outro motivo para retábulos de ouro. Neles, o Cristo está sempre acompanhado de seus três discípulos: Pedro, Tiago e João. Conta-se que os três representam ali as três energias que o mestre havia desenvolvido neles: Pedro a obediência, Tiago a valentia e João o amor. Acima, o Cristo está sempre glorioso , de braços erguidos como se atendesse a um chamado espiritual.
    Algo que nos chama a atenção nos templos cristãos são as Virgens Negras. Quando o Cristianismo difundiu-se pela Europa, encontrou ali uma grande devoção à mãe terra do Paganismo. Proliferavam os locais onde se adorava aquela energia que, vista como saída dos minérios do interior da terra, era idealizada como uma mulher  de cor negra. Sobre estes locais, a Igreja colocou depois os grandes santuários à Virgem. Na França, as famosas Notre Dames. Aproveitava-se assim a grande força votiva existente naqueles locais e o hábito de neles a Virgem ser reverenciada. Porém, mesmo hoje, em criptas subterrâneas e úmidas, que na Antiguidade eram subterrâneos considerados as moradas das deusas mães, encontramos as chamadas pelo Cristianismo de” Virgens Parituras , isto é, relativas a uma terra primitiva, à  matéria  ainda não fecundada. Bons exemplos são as da cripta da igreja de Chartres, também a Virgem negra da catedral de Le Puy  e ainda aquela da cripta de São Vitor em Marselha.
Na Provença encontramos uma grande veneração a uma Virgem negra. Esta, sem ligação com a mãe terra do Paganismo. Refere-se a uma serva negra que teria chegada ali com as três Marias que teriam vindo da Palestina após a morte de Jesus para pregarem  a mensagem crística na França. Tais Marias deram o nome à cidade: Stas. Maries de La Mer. A serva negra tornou-se ali a grande devoção dos ciganos locais. Sua estátua, dentro da catedral sai dali anualmente apenas para ser reverenciada em grandes festejos e procissões.
    Momentos históricos diversos produzem estilos diversos em templos. Assim, na Idade Media tivemos o estilo Românico, fechado, pesado escuro, com poucas aberturas revelando um homem medieval oprimido, sem oportunidade ou capacidade para externar-se.  Tal estilo duraria até o sec.XIII quando então seria substituído pelo Gótico.
Vitrais da catedral gótica de Leon, Espanha.

    O século XIII surgia com mudanças, com o homem tendo oportunidade de conhecer novos povos, novas mentalidades, despertando para a sua individualidade. Abria-se para novos mercados num renascimento de indústria e comércio. Assistia a difusão do ensino secundário, a abertura até de universidades, organizava então Ligas para defender seus direitos contra senhores e reis.
    Quando no século XIII dá-se o apogeu da literatura medieval, o homem passa a ver Deus como manifestação, abertura. Então, no estilo Gótico, o homem levanta os olhos para o alto, para as inúmeras torres pontiagudas das catedrais. A nova indústria de vitrais coloridos enfeitam as muitas janelas e rosetões das Góticas para deixar passar a luz. Deus é enfim Luz . Assim, temos entre inúmeros exemplos o templo gótico de Leon na Espanha que conta com 125 janelas de vitrais.  Um verdadeiro esplendor.
 A palavra” Gótico” é explicada de duas maneiras. Historiadores dizem ser um termo pejorativo que os arquitetos medievais deram ao novo estilo expandido na França,  termo originado de” Godos “, bárbaros franceses, visto então como um estilo de primitivos. Já os ocultistas medievais e também os atuais, explicam que o termo” Gótico “ seria uma deformação linguística da palavra” Argótico”. O argótico seria uma arte mágica. Ela define uma linguagem pela qual indivíduos comunicam seus pensamentos por símbolos, sem serem compreendidos pela maioria daqueles que os rodeiam.È enfim uma cabala simbólica. Hoje o ocultista diz de um homem astuto: Ele sabe tudo, entende o Argótico. (Fulcanelli, El mistério de las catedrales, pag 62).
    Muitos iniciados perseguidos como foi o caso dos Gnósticos e Cavaleiros Templários, estes financiadores dos templos góticos, junto aos maçons arquitetos, colocaram neles seus conhecimentos esotéricos através de simbologias que  apenas poucos entendiam.
   Temos como exemplo a estátua de um velho chamado “O Alquimista”, nas partes altas da Notre dame de Paris. Sua figura meditativa traz sobre a cabeça um gorro. Tal gorro é um sinal distintivo dos grandes Iniciados.  Foram usados também como talismã protetor pelos “sans culottes”, revolucionários franceses. Só poucos vêm nele a figura de um discípulo do caminho iniciatório. È ainda Fulcanelli na mesma obra já citada acima quem nos relata.
    Os templos medievais invariavelmente têm o seu altar-mor no Oriente, onde nasce o sol, de forma que os fieis ao entrarem neles façam frente à Palestina,onde nasceu o Cristo. Por esta disposição o grande  rozetão da fachada principal é iluminado pelo sol poente, de maneira que o fiel que adentra aquelas catedrais  saiam das trevas indo em direção à luz, ao próprio Cristo, fazendo junto ao sol um renascimento.

      
Helyette Malta Rossi

Psiquismo e Espiritualidade

   Quando contamos com um psiquismo já adiantado, temos facilidade de manipular as substâncias dos planos físico, emocional e mental e isso nos dá alguns poderes.Muitos estudantes de esoterismo, deslumbrados então por tais poderes, atribuem a si mesmos uma espiritualidade que, na realidade, não possuem.Confundem psiquismo com espiritualidade.
   Importante então distinguirmos uma coisa da outra. Conceituando Psiquismo: Psiquismo é uma ativação extra, uma excitação nas energias dos nossos corpos  inferiores.
   Espiritualidade é a ativação do nosso corpo superior. É a manifestação dos nossos corpos ou consciências espirituais no mundo físico. A um verdadeiro espiritualista não deveriam interessar poderes psíquicos, pois sua única meta deveria ser atingir a espiritualidade, expressar seus corpos superiores.

Em busca da Luz espiritual.

   Quando nossas consciências inferiores, nossos corpos físico, emocional e mental estão muito ativados, excitados surgem os fenômenos psíquicos.Tais fenômenos, se dão quando uma destas consciências inferiores se encontra com as ondas vibratórias do meio ambiente que lhe corresponde, melhor dizendo, do plano que lhe corresponde,.
   Se um dos nossos órgãos dos sentidos, por exemplo, a nossa audição,que é  uma parte da nossa percepção física, está excitado, podemos ouvir  em um ambiente um ruído imperceptível a outras pessoas.
   Qual é realmente o papel dos nossos corpos inferiores? Para existirmos neste plano de manifestação , necessitamos de nossas consciências inferiores. Elas são para nós como instrumentos, através dos quais podemos manifestar o desenvolvimento do nosso Eu superior, as potências da nossa centelha divina., de Deus em nós. Como se nosso corpo, nossas emoções e nossa mente fossem violinos com os quais  desejássemos expressar uma melodia.Necessitamos então tê-los limpos, afinados e abastecidos.
   A nossa consciência física, responsável pelo corpo físico, lutará então para sobrevivermos. Ela será o instinto de conservação, o mecanismo causador da fome que nos manterá alimentados, do sono que nos reabilita, também a responsável pela  reestruturação das células, cicatrização de tecidos etc.
   Nossa consciência emocional nos conduzirá a buscar emoções fortes, a nos envolver sentimentalmente com coisas e pessoas. É a consciência que visa a nos integrar ao meio ambiente a aos outros seres.
   Já a consciência mental quer que busquemos informações culturais e intelectuais, com as quais podemos levantar hipóteses, teorias, conjecturas, doutrinas para sermos depois, quando mais evoluídos, capazes de estabelecer conceitos eternos.
   Todos os três corpos buscam então energias com as quais se abastecer e  sobreviver.Quando este trabalho de energização está demasiado potente, nos poderão acontecer fenômenos naquele corpo onde a energia está mais excitada.
   Nossas consciências inferiores têm também recursos de compensações. Tomemos o caso de uma pessoa cega: uma vez que ela está com um dos seus sentidos prejudicados, os outros sentidos procurarão dar-lhe uma compensação,se excitando mais e o resultado será tê-los mais perceptíveis que no comum das pessoas.
   Estudaremos aqui alguns fenômenos de psiquismo , sendo então todos eles, como vimos acima, referentes aos corpos inferiores.
   No corpo físico, poderão acontecer os chamados fenômenos anímicos: 
1)      Percepção de ondas sonoras-  2) Transportes de objetos
3)Fluidos magnéticos(eletricidade, calor etc) que propiciarão rápido crescimento de plantas,combustão espontânea, curas etc.-  4) Materializações
   Chamamos atenção para o caso de curas anímicas .Podem ser passageiras. Na maioria das vezes é estabelecida pela energização no corpo físico de alguém. Porém, quando este alguém repetir o mesmo erro que causou a doença, provavelmente o mal retornará, pois bem sabemos que  todos os erros cometidos por nossos corpos inferiores se refletirão na matéria. Porque não estamos falando de consciências imortais, permanentes, mas daquelas onde tudo é provisório, inclusive uma cura.
  Há casos , entretanto, em que uma pessoa curada entra em tal estado mental freqüente de agradecimento, de amor  a quem a curou, que isto a leva a tocar a sua própria consciência espiritual, causal, atingindo então um desenvolvimento, a que podemos chamar de “mudança de freqüência vibratória”, que a cura definitivamente. Quem a curou em caráter definitivo não foi a energização anímica, pois esta teria apenas uma força curativa provisória , porém, o estado de graça, de  agradecimento em que ficou.
   Materializações são produzidas por fenômenos do ectoplasma (fluido material e vital pertencente ao plano físico –etérico. Empresta matéria visível e vida à substâncias e formas invisíveis.

Introspecção, um valor importante para a busca espiritual.  

No corpo astral, serão produzidos os fenômenos de intercâmbio com vibrações emocionais de outrem (os chamados pressentimentos) , intercâmbio com entidades desencarnadas( sendo então o fenômeno mediúnico uma excitação no nosso corpo astral que propicia o intercâmbio e percebimento de vibrações com o plano astral). Também acontecerão projeções, que são ativações do corpo emocional, fortes o suficiente para condensar a substância  nervosa, para a qual as emoções são dependentes. Naturalmente que exercícios, técnicas, treinos, ou o chamado desenvolvimento mediúnico, poderão nos dar poderes ,mas poderes psíquicos apenas.
  Os  fenômenos mentais são freqüentes e inúmeros, pois inúmeras são as formas- pensamentos deixadas nos ambientes. Além da percepção de idéias deixadas pelo chamado “ inconsciente coletivo”. Responsável por muitas das criações que imaginamos tenham sido só nossas, acontece o intercâmbio de uma mente à outra, os fenômenos  chamados telepáticos. A leitura do” registro akásico”  leva a nossa mente a passados por vezes bem remotos. .Formas –pensamentos elaborados para serem realizadas num futuro, podem ser também assimiladas pela grande força do poder mental.
   Quando usamos nossos poderes psíquicos para modificar situações, tais modificações podem até acontecer, porém serão sempre provisórias. Uma vez que foram conseguidas com um dos instrumentos inferiores, não chegarão a tocar o plano causal (espiritual onde está o antídoto para a causa das negatividade). Então, tais situações estarão sempre na dependência  de que novo carma negativo seja criado e que a mesma situação com a mesma carência retorne. Todas as aquisições que obtemos com os corpos inferiores são provisórias, como provisórios são eles próprios, a não ser que transformemos todas as energias usadas neles em conceitos de teor espiritual, eternos.
   Poderíamos então afirmar que os fenômenos  da espiritualidade são aqueles em que conseguimos: situações permanentemente modificadas; fenômenos intuitivos (que não devem ser confundidos com o fenômeno psíquico da” percepção” , posto que naqueles a nossa consciência física não percebe claramente a mensagem, mas somos levados , conduzidos a agir segundo eles). Quando a intuição acontece , na maioria das vezes , só mais tarde verificamos que fomos conduzidos, intuídos inconscientemente a agir de certa forma para que algo pudesse ser concretizado.Outro fenômeno espiritual é o das “Revelações”, que acontece aos chamados profetas, que conseguiam ir ao plano espiritual arquetípico e ler matrizes.
   Ao espiritualista é sempre temerário se dedicar aos fenômenos psíquicos, pois este hábito poderá anular as reações do homem de Vontade, do homem superior que traz em si.  Tais reações são realmente as únicas que, fazendo-nos usar a consciência infinita , nos conduzirão à evolução de nosso ser e nos darão aquisições que jamais terminarão.
   Retorno aqui à figuração de que usamos nossos corpos inferiores para obter uma melodia divina. São eles então apenas um instrumental que, devidamente respeitado e usado , nos levará ao que realmente importa: A melodia.

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                                                                                               Helyette Rossi

Última reunião com narração de história e o arquétipo do heroi.

   Nenhuma alegria se iguala aquela de reencontrarmos aqueles a quem amamos .Ela é o princípio da unicidade entre os seres agindo em nós. Eu mesma testemunhei isto no encontro que tive no dia 1º de março último, quando me reuni com meus alunos após    3 meses de distanciamento.
Como não se tratava de uma reunião ritualista, nem de meditações, nem de aulas, resolvi lhes narrar uma das histórias orientais de Malba Tahan, que sempre nos trazem muita perspicácia sobre os comportamentos humanos.
Depois, Jaime Cannes que aparece neste blogger como meu seguidor, com toda a facilidade de se expressar que possui, lhes falou sobre “ o Arquétipo do Herói “Assim, enriquecemos nosso encontro com temas que nos levaram  à reflexões, em um tarde inesquecível.
                                                Helyette Rossi

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia internacional da mulher

Hoje, dia 8 de março,após persistente luta feminina por seus direitos que culminou em 1857, quando 129 operárias têxteis de Nova York ,em greve pela redução de sua jornada de trabalho, foram queimadas quando a fábrica foi incendiada, comemoramos o Dia Internacional da Mulher
   Para me unir a esta comemoração, abordo aqui o tema “Mulher!” tentando  abordar nele  o papel da mulher dentro da ascensão de algumas sociedades e religiões . 
   Nos primórdios da civilização até aonde lembramos as eras mais arcaicas,vivia-se num sistema social de matriarcado. Nele ,a força feminina era bastante valorizada. A mulher simbolizava a grande mãe, a mantenedora da fertilidade do solo. Como não havia consciência de que a maternidade provinha do relacionamento entre sexos, a vida então originava-se toda dela, da Deusa. Ela mantinha os mistérios da vida.O culto à Grande deusa era a única religião. As comunidades cresciam  em um sistema coletivo onde todos os nomes de deusa menores eram cultuados.Eram mantidas relações de fraternidade entre as tribos matriarcais pois todas as deusas , representavam os atributos diversificados da grande mãe.
   Quando aconteceram as invasões de tribos com tendências autoritárias e guerreiras, o poder da Grande Deusa e consequentemente da mulher começou  a diminuir. Introduzia-se o Patriarcado. Porém, este foi um processo muito lento pois por séculos o poder feminino, com uma característica de mistério e sacralidade, ainda perdurou.Assim, vemos os Celtas Druidas da antiga Gália, ainda poucos séculos antes da era cristã seguirem denominando-se os Tuatha de Danã, ou Povo de Ana,   a grande Mãe e adorando Karentz a força cósmica feminina.Cultuavam-na num grande Menir em forma de porta que representava o útero feminino.Em seus ritos todos os Druidas passavam abaixados através deste Menir-porta,num simbolismos dos nascimentos que faziam através de seu útero.         

   Mesmo nas sociedades onde o homem já era o rei, o chefe da tribo, para que ele pudesse obter a sua soberania, precisava ser consagrado num ritual pela força divina feminina. Ele fazia um casamento sagrado com a mãe terra onde recebia o título de irmão consorte da Deusa.Chamava-se este rito de” Incesto sagrado “.Em alguns ritos , o rei necessitava   ejacular o seu esperma sobre a  terra para que tal casamento se consolidasse.
      Muitos povos antigos como os Incas e Maias, ainda guardando um respeito  por  este  grande  poder  feminino, conservaram    por     séculos o costume da Libação. Esta consistia em não ingerir qualquer líquido fosse ele vinho, óleos ou sucos sem antes despejar um pouco sobre o solo como uma reverência à Mãe Terra, mostrando-lhe o que fora capaz de fazer com o alimento que ela lhe dera.
    Também gregos e romanos ainda por séculos mantiveram templos para as suas vestais, guardadoras do fogo sagrado dos lares e das cidades.
   Adoraram musas inspiradoras da música e da poesia e as pitonisas que, com seus inigualáveis dons mágicos de profecias, atraiam para a Grécia consulentes de todos os povos  circunvizinhos, levando riquezas ao país.É verdade que pelo poder já masculino , tais dons femininos eram explorados, como no caso das vestais que por qualquer deslize sexual eram mortas pelo estado romano. Porém, por séculos, reis poderosos se dobraram ante suas previsões sagradas para terem sucesso em suas campanhas guerreiras.
    Só a entrada das religiões monoteístas pôs uma pá de cal sobre o antigo poder espiritual feminino, mormente o Cristianismo .A única exceção feita ao paganismo de teor feminino  pelo Cristianismo se deu quando uma pitonisa profetizou a chegada de um grande iluminado que poria fim as antigas crenças. Como a Igreja o identificou à figura de Jesus,o Cristianismo abriu as portas as imagens artísticas das pitonisas o que propiciou, bem mais tarde na época da Renascença, termos as magníficas figuras das pitonisas pintadas por Miguel Ângelo na capela do Vaticano .
    Nos primeiros séculos do Cristianismo , a Igreja ignorou completamente a mulher. Apesar de algumas mulheres tais como a negra Sara(hoje cultuada pelos ciganos provençais), Marta e Maria Madalena terem atravessado o Mediterrâneo para pregar a mensagem crística na Provençe, tal como nos contam as suas tradições locais, a Igreja  seguiu apresentando a mulher como o símbolo demoníaco do pecado, assegurando aquela velha idéia bíblica de que a mulher foi responsável pelo homem ter perdido o paraíso. Os Concílios Eucumênicos  realizados nos primeiros séculos de nossa era instituíram os dogmas da Virgindade e da Ascensão de Maria , temas femininos que, porém, em sendo dogmas, proibiam qualquer estudo a respeito dos trabalhos da mulher, sob pena de heresia.
   Porém, no sec. XIII, veio o advento dos Trovadores de Provençe , e  o tema mulher foi novamente levantado .O tratamento à mulher  foi renovado com o chamado Amor Cortez.   Também o aparecimento da doutrina    Cátara,crescendo e dando as mulheres acesso as suas iniciações contribuiu para uma reação da Igreja. Esta então buscou  a figura da Virgem Maria  para homenageá-la, e o culto Mariano cresceu sobremaneira .Enalteceu-a então sempre como a” mater dolorosa”, que presenciou a crucificação de um filho  e nunca com qualquer participação ativa no trabalho desenvolvido por Ele. Hoje estudos espiritualistas afirmam que tanto São José como a Virgem eram iniciados da Fraternidade  Essênia  da  Judéia.        Que ambos levaram seu filho Jesus a templos essênios do Egito. Porém, na Idade Média tais afirmações  seriam naturalmente abafadas e perseguidas.
    Durante séculos o casamento  de meninas crianças com reis e nobres serviam as questões políticas, e muitos nobres ambiciosos obrigaram suas filhas meninas a se prostituirem tornando-se favoritas dos reis para a ascensão social da família. Um bom exemplo disto é o da família inglesa dos Bolena, instigando suas duas filhas a serem as favoritas de Henrique VIII.
    No século XVII os ritos do Sabath de bruxarias se espalharam com a participação das mulheres. Os sabath  eram apenas recursos ingênuos com que as mulheres tentavam reagir e se vingarem da opressão em que viviam. Foi então desencadeada a chamada ” caça às bruxas”  uma onda inimaginável de perseguição à mulher., onde milhares delas foram queimadas.
    Somente no século XVIII, quando o poder da igreja foi igualado e até superado por outros poderes emergentes como a industrialização e a ciência,  o papel da mulher iniciou seu processo de reestruturar-se.
    A Maçonaria ,grande poder político,que  por séculos conservou  uma omissão a respeito da mulher,  iniciou sua reabilitação no final do século XIX ,criando a  Ordem Maçônica Místa Internacional  e várias lojas femininas, embora ainda hoje algumas lojas masculinas continuam presas a costumes seculares, que vedam à mulher o acesso aos seus conhecimentos.
    A emancipação feminina deu-se com o direito de voto feminino começando a surgir em vários países.O século XX abriu realmente o grande  momento das  mulheres. No Brasil, o direito de voto aconteceu em 1932 e neste mesmo século as mulheres haviam conquistado também o direito de disputar olimpíadas .Nele, tivemos na América  a primeira mulher presidente, Isabel Peron .Depois, neste  século atual, tivemos presidentas no Chile e na Argentina . Ao final do ano de 2010, tivemos no Brasil a primeira mulher a dirigir o pais desde o tempo do império. No passado século XX ainda  deu-se também entre nós  a criação da primeira delegacia de atendimento à mulher. E, por fim , em 1979 quando,o premio Nóbel da Paz é ganho por uma mulher ,madre Teresa de Calcutá,  a Igreja, que na Antiguidade dera à mulher, num conclave, o reconhecimento de ter uma alma por apenas um voto,agora enalteceu finalmente a mulher na figura de madre Tereza ,a grande protetora dos pobres da Índia. Cientistas, esportistas, escritoras e mulheres simplesmente carismáticas enriqueceram este período aberto no século XX.
Madre Teresa, Nobel da Paz.   

Hoje lutamos ainda por abolir as mutilações sexuais autorizadas por leis em alguns países como naqueles  africanos aonde persiste ainda a famigerada infibulação do clitóris. Porém, pouco a pouco a mulher vai  conquistando novamente o seu lugar na História
   Quanto aquilo que o analista Yung chamou de Ânima, referência a parte da psique feminina, é a própria África que nos trouxe algumas características desta Ânima. Ao entrar no Brasil, os afros nos trouxeram uma religião matriarcal onde apenas as mulheres tinham acesso à iniciação.( hoje algumas linhas desta religião perderam esta característica)
    Seria bastante importante para nós mulheres ,desenvolvermos os atributos das grandes deusas de seu panteão.Nanã, Yemanjá, Yansã,Oxun.
    Nanã, a mais velha dos orixás, nos remonta à matéria primordial. É a mulher com características de anciã ,é sábia,conselheira,controlada. Nas desavenças familiares  e desarmonias grupais só a retidão de Nanã purifica. Sua dança emita o embalar de uma criança. Nanã  embala em seu seio a família. Já  Yemanjá é o mar , o instinto materno,o desejo de procriar .Iansã é a mulher sedução sensual , a sua extrema sensualidade faz vir à tona o instinto dos homens com a fúria das tempestades. É por isso chamada de” orixá das tempestades”.Esta força é porém amenizada na mulher pela energia doce de Oxum ,o orixá da pureza.Ela é a esposa fiel de Xangô.  É o dengue, a faceirice natural e espontânea,  a sedução da inocência. Yansã e Oxum são as duas forças sedutoras da sensualidade e da inocência a se oporem dentro da mulher. 

Oxum, senhora das águas doces.

    São nos mitos antigos que encontramos as principais características da Ânima . Quando Prometeu terminou de fazer a imagem do primeiro homem, amassando o barro da terra com suas
lágrimas, o que fez do homem apenas corpo e emoção, achou que sua obra estava incompleta. Resolveu então ir ao Olimpo pedir aos deuses que criassem uma companheira que o complementasse com características divinas.Então, no céu do Olimpo  os deuses  deram atributos imortais à primeira mulher que criou .Venus lhe deu uma beleza sedutora com que faria o homem aceita-la  ,Mercúrio lhe deu a sutileza, o poder de persuadir, força que será muito forte na 
mulher. Que homem -pensou Mercúrio- resistiria as sutis persuasões de uma mulher? Hera  contribuiu lhe dando o rigor ético com que manteria o homem preso ao lar.Porém Minerva, deusa da sabedoria, lhe deu a principal característica de sua Ânima: A curiosidade.É verdade que tanto na alegoria bíblica de Eva onde ela fez o homem perder o paraíso, como na alegoria de Pândora, a curiosidade é vista como uma força negativa na mulher.Porém, tanto na alegoria do jardim do Eden como na da caixa de Pândora ,onde esta, ao destampá-la por curiosidade, deixou escapar os bens do mundo, a curiosidade será sempre vista negativamente.

   No entanto, os gregos nunca deram à Pândora o rótulo de pecadora como o Cristianismo deu à  Eva.Os gregos respeitavam tal dom como lhe sendo dado pela  sábia Minerva e que pela curiosidade seríamos, nós mulheres, levadas à pesquisas e perguntas existenciais com a qual atingiríamos a sabedoria.
    Será porém nas doutrinas da antiga Caldéia, divergente da doutrina oficial do Judaismo ,que encontraremos uma das maiores forças femininas: O rigor .No gráfico de sua Árvore da Vida , aparece ali como nossa primordial genitora, Mãe Biná ,equilibrando a potência masculina quando esta se torna licenciosa ou excessivamente paternalista.A força feminina do rigor seria então a grande  mantenedora das estruturas sociais. O primeiro sinal da decadência de uma cultura seria o enfraquecimento da ética feminina. Se a mulher decai, a sociedade decairá. Por outro lado, as sociedades onde a mulher deixou que um sistema patriarcal enfraquecesse a força feminina, terá sempre como resultante a sua dissolução , como vem acontecendo a várias delas. Porém, tal como profetizavam os antigos Caldeus, a grande mãe Biná faria  uma reação a tal comando. A mulher então iniciaria uma avalanche de revoltas e só quando conseguisse de novo se impor, uma nova sociedade mais fraterna surgiria.
 Iansã, senhora dos ventos e das tempestades.

   Existe uma outra faceta em nossa Ânima que exige de nós mulheres uma maior reflexão.  Encontramos em nós forças de perdão, de condescendência ante os erros de um homem, no entanto, somos intransigentes e rancorosas quando erros provêm de uma mulher. Somos defensoras e amigas fieis de um homem, dificilmente de outra mulher. Os gregos ilustraram isto muito bem  no mito de Hera . Sempre que Zeus dava suas escapadas amorosas traindo-a, Hera acabava sempre por perdoá-lo, porém castigava com crueldade aquela que fora objeto da atração de Zeus. Fosse porque sentimento fosse, ou de concorrência pela beleza da outra ou porque num sistema patriarcal aceitasse o direito do homem de errar e não o da mulher, Hera, conhecida como rigorosa, exigia sempre um comportamento ético irrepreensível na mulher mas jamais no homem.
    Hoje, ainda observamos isto nos países islâmicos. Ali,  onde a liberdade da mulher é muito cerceada, a grande barreira à reabilitação feminina são as próprias mulheres. Contam-nos as escritoras que deixaram as sociedades islâmicas, que mães, irmãs, sogras continuam a exigir das mulheres mais jovens atitudes retrógradas. São elas as verdadeiras mantenedoras de costumes antigos que ajudam as leis feitas pelos homens a prenderem as mulheres às velhas tradições. 
   Continuam intransigentes dentro dos lares estimulando os meninos da nova geração na desvalorização feminina.
    Reflexionarmos sobre este nosso comportamento, fazermos um equilíbrio entre a mulher senhora do lar, a mulher mãe, a mulher sedutora, tão bem expostos nos mitos afros. Tentarmos equilibrar a misericórdia com o rigor, como já nos pediam os antigos caldeus,sermos a mulher curiosa que busca através de estudos a sabedoria, abriria para nós todos os ramos do conhecimento humano. Chegaríamos enfim aquilo que Prometeu e os deuses do Olimpo sonharam para nós: Sermos o complemento perfeito para os nossos queridos companheiros de evolução: Os homens.