sábado, 17 de junho de 2017

A Grande Fraternidade Branca


Temos como fonte para o conhecimento da “Grande Fraternidade Branca“, grupo muito estudada pelas organizações esotéricas, também chamadas de “Loja Branca”, os arquivos ocultistas, que são relatos de vários povos, muito coincidentes, apesar da distância que tivessem entre si. Também escritos em obras de escolas iniciáticas como Teosofia, Rosa Cruz, Gnose e outras em atividade atualmente.
   É-nos contado que pelo tempo da raça lemuriana, a terceira raça a se estabelecer no planeta, segundo o Ocultismo, com os homens nos primórdios da sua evolução, estes eram guiados por seres de Luz chamados Senhores da Chama. Quando estive no Peru, observei que muitos nativos peruanos guardam esta tradição.

Os Sete Mestres da Grande Fraternidade Branca.

    Teria vindo depois o momento adâmico onde os homens estariam prontos a receberem o livre arbítrio passando a agir por eles mesmos. Provariam da árvore do conhecimento, isto é, o bem e o mal, passando a discernir por conta própria. Vieram depois as suas transgressões causadoras da época diluviana, quando então surgem o sistema avatárico e a Grande Fraternidade Branca.
    O Avatar é aquele ser que ajudará o homem, especificamente na entrada de novos ciclos que vão passar. A palavra Avatar vem de “Ava” que significa o mais velho, o ancião, o mais experiente. “Tara” significa aquele que desce para ensinar. Um exemplo de Avatar seria o Sr. Maytréia.
    A Grande Fraternidade Branca criou um sistema hierárquico onde no topo está um ser chamado Sanata Kumara, depois o Maha Choan (grande senhor). Cada um deles liderando um trabalho em prol da humanidade. Tais seres mandam suas energias para os Manús. Estes são os patriarcas, os heróis civilizadores que dão o seu genes para contribuir para os corpos dos homens que irão formar novas raças e novos agrupamentos  de países. Como exemplo de Manús ,temos Noé, Abraão, Manco Capac etc.
    Tais Manus pertencem ao 1º raio do líder condutor de povos.   A Grande Loja branca conta ainda com os bodhisatwas , instrutores do Budismo ,que passam os princípios divinos para os homens. Exemplo de um instrutor é Jesus, também o mestre kuthumi, Nesta categoria estaria o Iman Madi esperado pelos islâmicos. Trabalham em Iniciações, preparando discípulos que se dedicarão depois a passar ensinamentos. Pertencem todos estes ao 2º raio, o da instrução.
    O Maha Choan envia sua energia para os senhores dos outros cinco raios: (social, arte, ciência, união e liberdade). Tais raios são chamados por isso “A mão do Maha Choan” . Os senhores dos raios são numerosos e a maioria deles estão encarnados. Porém, geralmente trabalha-se apenas com sete deles para maior facilidade nossa.
    Cada mestre representando uma energia, forma junto aos agrupamentos de seguidores uma egrégora de energia mental que lhe corresponda em características e propósitos.  Se a característica do Mestre e a característica do grupo for, por exemplo, a Fé, uma forte egrégora energética deste tipo será criada no local de reunião, abençoando a sua redondeza.

As Sete Chamas e a Santíssima Trindade.

Quanto aos sete mestres com os quais trabalhamos, o do primeiro raio é o mestre Morya, o poder da liderança política e militar. Suas discípulas mais conhecidas foram Annie Besant e Helena Blavatski. É auxiliado pelo arcanjo Miguel.
    A Iniciação de discípulos está a cargo do mestre kuthumi do 2º raio. Sua primeira aparição conhecida foi como um persa conhecido como “O kromata” que significa “O Iluminado”. Seu auxiliar angélico é o anjo Jofiel.
    Temos depois o mestre Venesiano , do 3º raio. Segue-se o mestre Serapis, grande inspirador dos artistas. Hilarion é o mestre da Ciência Geralmente seus discípulos são pouco místicos, pela necessidade de se fixarem em coisas comprováveis. Dedica-se a todos os ramos científicos.
    Jesus é o príncipe da paz, da união e é auxiliado pela mestra Nada. Faz parte do 6º raio. Cedeu seu corpo para a manifestação do Cristo Maytréia, na Palestina. Tem como anjo auxiliar , Uriel.
    Finalmente conta-se com o mestre do cerimonial e da liberdade, Saint Germain. Sua vida é muito ligada à história da Sociedade Rosa Cruz. Conta-se que no século XIII aparece um grupo de sábios que educam um rapaz superdotado que morreu muito jovem Esse rapaz ficaria sendo o vórtice espiritual de energia que abasteceria um movimento que nasceria um século depois com Cristian Rosenkreutz e funda a Sociedade Rosa Cruz. Segue o mesmo indivíduo se reencarnando e no séc. XVIII ele aparece no leste da Europa na família Rakovizk e com o título de Saint Germain vai conviver na corte de Luís XV.
    Aqui vai a nacionalidade de alguns mestres: Maytréia é da raça celta; Kuthumi é um brâmane de Cachemira; Morya é de Rapjut; Hilarion é grego; Saint Germain é do leste europeu; Serapis é grego; Venesiano é italiano.

A Transfiguração de Jesus


Num dia de Corpos Christi nos lembramos 
da Transfiguração de Jesus.

A Transfiguração de Jesus testemunhada pelos discípulos
Pedro, André e Tiago.
      
      Jesus levou Pedro, Tiago e André às alturas do monte Tabor e ali, sob o olhar estupefato de seus discípulos, o mestre transfigurou-se.
      Segundo o relato uníssono dos três, ”Seu rosto resplandeceu como o sol e suas vestes tornaram-se tão brancas como a luz.”.
    Ali, o mestre lhes revelava através da forma, a beleza da Divindade que Ele e cada homem possuía. Uma verdade visível naquele momento, para a qual seus discípulos nunca haviam se conscientizado. Jamais haviam pensado que os abusos que o homem fazia à sua forma era o empecilho a que a sua parte interna, espiritual se manifestasse.
      Aquele mestre que nunca havia maculado a integridade de seu corpo, que vivera apenas o amor e a sabedoria, podia mostra-la. Ali, o interno do mestre, sua verdadeira alma, seu Eu superior glorificara a matéria.
       Para entendermos a Transfiguração temos que desassociar a palavra Cristo do homem Jesus. Cristo significava: “O Ungido”, título atribuído àqueles raros que alcançaram a plenitude de sua alma gloriosa, chamada “Essência Crística”.
       Assim também, tal como nos conta o Bagavad Gita, foi possível à Krishna mostrar-se em uma gloriosa manifestação física, a seu discípulo Arjuna. Sobre sua Transfiguração, diz o Bagavad Gita: “Se mil sois, ao mesmo tempo brilhassem no firmamento, a luz deles haveria de empalidecer na presença da Glória que o seu semblante irradiava, em todas as direções”. Sempre o sol, a maior beleza radiosa que conhecemos, igualando ambas as Transfigurações.
       A Cabala judaica também atribui em sua “Arvore da Vida” uma expansão mais ampla de nossa consciência quando chegamos à esfera de Tiphareth cujo título é “A beleza”, numa referência clara a esta consciência capaz de revelar um esplendor, como um sol escondido em nosso interior.  Tendo o estudo desta “Arvore” o sol como planeta relativo a esta esfera.
      Em seu belíssimo livro “de Belém ao Calvário”, Alice Bailey diz que nesta transformação acontecida ao homem externo, formal, ele é como “Uma lagarta que se transforma em borboleta”. Afirma ela, que bem no interno do homem jaz esta beleza oculta, nem sempre conscientizada, mas lutando para se libertar.
      Quando a aparência de Jesus voltou à sua normalidade formal, humana, os discípulos compreenderam qual era o mistério daquela individualidade tão ímpar demonstrada por seu mestre. Seus atos e palavras eram induzidos por aquela luz incomparável interna, aquela consciência grandiosa que ele lhes revelava.
    Lembraram-se dele a lhes dizer; “Tudo o que eu faço-vos também podeis fazê-lo”, ”Busca o Pai dentro de vós e tudo o mais vos será dado em acréscimo”. Esse tudo, enfim, lhes fora revelado!

sábado, 27 de maio de 2017

A Evolução Angélica

Anjo transfigurado em nuvem...

 A ideia de anjos foi muito comum na Antiguidade, mas atualmente quase desapareceu. A Teurgia, que é a comunicação entre homens e anjos enfraqueceu-se e conserva-se apenas nas tradições religiosas e para a maioria das pessoas a ideia de anjos não passa de uma fantasia. Explica-nos Geoffrey Hudson, grande escritor espiritualista, que a quinta raça ariana (a nossa) veio com a finalidade de desenvolver a mente concreta, aquela que gera a tecnologia, importante ao progresso da humanidade. A mente da nossa raça se fortificou se materializou muito e o percebimento de anjos, que é relativo ao nosso corpo emocional, quase desapareceu.
Arcanjo Gabriel na anunciação à Virgem Maria.
  Na Teurgia, nossa mente descortina um mundo invisível, se abre para seres de corpos astrais. Quando falo aqui corpos astrais não me refiro ao mundo dos desencarnados, mas ao mundo dos anjos.
Falemos sobre a evolução angélica: Após as mônadas, nossas unidades de consciência, terem sido envolvidas em substâncias elementais chegamos a ser um mineral. Quando chegamos a este reino mineral, houve uma bifurcação onde para um lado mônadas seguiram para a evolução humana e outras seguiram para a evolução angélica. Criou-se duas evoluções paralelas, uma desenvolvendo um homem outra um anjo. Então, a evolução de um anjo de princípio foi igual a nossa, mas depois não chegaram eles a ter a forma de um minério, de um vegetal, nem de um animal como teria o homem. O homem então nunca foi um anjo, nem o anjo nunca foi um homem, assim nos ensina o esoterismo.


Arcanjo Miguel atacando nossos
baixos instintos.
   Estas duas evoluções, humana e angélica, apesar de serem paralelas, continuam ligadas, uma vez que a evolução de um anjo depende do auxílio que ele dará ao homem e ao seu habitat. Eles são chamados de “mensageiros”, pois nos trazem energias divinas.
O nome de todos os anjos tem a terminação em “El“ que significa "divino”. Assim temos Miguel, Gabriel, Samuel, Rafael, etc.
 Os anjos geralmente atuam nos setores humanos que desenvolvemos. Assim, temos anjos da cura, anjos da arte, anjos da ciência. Com a grande potência de seus corpos astrais (emocionais), nos dão forças emocionais para atuarmos nestas áreas.
   O esoterismo afirma que ao iniciar sua evolução os anjos têm corpos visíveis tanto no mar sendo peixes, corais, algas, como no solo, sendo lagartas, borboletas, pássaros. Esta é, sem dúvida, um dos setores que mais surge como algo fantasioso ao descrente de anjos, pois pensar em um pássaro tornando-se um ser alado como um anjo lhes parece bastante imaginoso.
 Depois deste patamar evolutivo, os futuros anjos serão seres como gnomos, fadas, aqueles que chamamos de “Seres da Natureza”.  Para nós invisíveis, mas que muitos habitantes contínuos do campo dizem enxergar. Finalmente, um dia atingirão a categoria de um anjo e de um arcanjo.
  As antigas lendas celtas irlandesas afirmavam que os anjos não envelhecem e contavam então esta história:
  Oisin era um rapaz da tribo irlandesa pagã dos Fianna. Sempre desejou ultrapassar a fronteira entre o mundo dos homens para ir ao mundo da eterna juventude dos anjos.


O arcanjo Rafael curando a cegueira
do pai de Tobias (personagem bíblico)...
  Conseguiu chegar lá e durante séculos permaneceu ali com um corpo jovem. Mas um dia teve saudade da sua Irlanda e desejou visita-la. Porém, foi advertido pelos anjos de que lá havia o envelhecimento.  Para auxilia-lo, os anjos lhe deram um cavalo lhe dizendo que jamais  o desmontasse lá no mundo dos homens , pois aquele cavalo seria a sua ligação com a terra da juventude dos anjos.
 Chegando à Irlanda, viu que sua tribo pagã não mais existia; que o Cristianismo imperava ali. Um dia, viu um grupo de homens querendo colocar o alicerce de uma igreja sem conseguir levantar as pedras que o ergueriam. Como ouvira sempre os anjos dizer que se devia auxiliar os homens , quis então ajuda-los. Só que não podia desmontar do cavalo. Tentou então levantar a tal pedra com o pé. Com o esforço, a sela do cavalo rompeu, e ele caiu no chão. Quando tocou o solo, seu corpo encarquilhou-se, envelheceu repentinamente demonstrando todos os séculos que Oisin tinha de vida. Oisin tornou-se o homem mais velho que já existiu. Ciente porém, de que cada uma destas duas evoluções têm a sua própria lei.

Involução, Evolução e Reino Elemental

Involução

Quando foram criadas as mônadas, centelhas de Deus Absoluto, poderíamos chama-las de “Unidades de Consciência”. Essas unidades foram envoltas cada uma em três substâncias, como capas, chamadas de primeira substância Elemental, segunda substância elemental e terceira substância elemental.
Receberiam estas três substâncias o nome de “Reino Elemental”. São substâncias invisíveis, que propiciará à centelha expressar-se depois na forma visível de um mineral.
A este processo de nossa origem desde a criação das nossas mônada até chegarmos a ser um mineral, o esoterismo chama então de “Involução”.
A Involução resulta então em sermos seres constituídos por consciência e forma.

Evolução

É o desenvolvimento das potências da nossa centelha divina, da nossa consciência. Para que o seu desenvolvimento se dê, será necessário que as formas nas quais o manifestará, se modifiquem continuamente, recebendo formas visíveis do reino mineral, depois do vegetal, depois do animal e finalmente do reino humano.
Em cada um dos reinos por onde passamos, nossa formas vão se aprimorando mais em seus sentidos, sensibilidade e entendimentos, a fim de servir melhor à consciência que está se desenvolvendo em cada um deles. Dentro do nosso próprio reino, o humano, passamos por todas as formas estudadas pelos antropologistas desde o mais primitivo hominídeo.

Reunião de Gnomos, seres elementais da terra...

Ao desenvolvimento da consciência chamamos “Evolução”. Lembrando sempre que  estas manifestações das formas, de reino para reino, é o que possibilita e facilita nossa consciência  a expressar-se cada vez melhor.
Não existe a possibilidade de voltarmos a um reino pelo qual já passamos, pois a lei do desenvolvimento da nossa mônada é a Evolução, à volta já plenamente realizada à Divindade. Retornarmos à casa paterna como bem nos diz a” Parábola do Filho Pródigo”.

Reino elemental

  As substâncias ou essências elementais são eternas. Elas mantêm a forma corporal do homem durante o seu viver, até após a sua morte e cria novos corpos. Exemplificando: Se ferimos uma perna, a essência elemental tentará cicatrizar o local atingido, para manter a integridade corporal. Na hora da morte a substância elemental a que chamamos de “Elemental do Desejo” tenta manter a forma viva através de emoções, do corpo astral (emocional) do indivíduo.
   Depois da morte física, esta substância conservará uma forma astral e depois da chamada “segunda morte”, dará ao indivíduo uma forma mais sutil. Acompanhará também o desenvolvimento corporal de um feto até que a reencarnação do indivíduo se dê.

Elementais artificiais

   Como o homem possui uma parte mental criativa, ele é também um construtor de formas mentais. Manipula a sua própria substância elemental criando formas-pensamentos, que podem ter duração muito fugaz ou muito duradoura, dependendo de quanto o homem mantenha a sua força mental sobre elas. Tais formas não são eternas porque a mente do homem não é eterna, por isto as chamamos de elementais artificiais. Se a concentração mental sobre elas pararem elas se desintegrarão.

Fadas, seres elementais do ar...

   Tomando como exemplo a figura do Diabo, podemos dizer que se trata de um elemental artificial. O pensamento religioso tem mantido esta figura por séculos, sendo dado a ela um sentido de mal. Ela tornou-se uma forma-pensamento, um vórtice de energia maléfica a nos prejudicar. Um dia, porém, quando deixarmos de pensar nesta figura e não mais inclui-la em nossas tradições religiosas, ela se extinguirá. A sua criação veio, na verdade, da tendência de nossa mente objetiva de ver tudo pelo prisma humano da dualidade. Sempre temos de opor ao Bem o Mal. Quando nossa mente abstrata, superior, que tende à unidade, estiver desenvolvida venceremos esta ideia de dualidade.
   O mundo esotérico nos fala também de elementais artificiais chamados de “Veladores Silenciosos”. São formas pensamentos que sustentam ideias benéficas para um lar, um agrupamento etc. Então, podemos conscientemente criar uma forma–pensamento como um vórtice de energia benfazeja para determinado local, que ficará ali nos protegendo. 

sábado, 25 de março de 2017

Astros, Fenômenos Celestes e seus Mitos

O arco Iris

   O Orixá Oxumaré, segundo a Afro-Brasileira, era muito bonito, e Oxum, esposa de Xangô ,se apaixonou por ele. Xangô, desesperado de ciúmes, desafiou o rival para uma luta e nela o matou .


   Nanã ,a mãe de Oxumaré. Inconformada com a morte do filho, buscou auxílio do deus supremo Olurum. Apiedado da imensa dor de Nanã, este lhe prometeu que transformaria Oxumaré no mais belo espetáculo do céu.  Assim, criou o Arco Iris. Quando Nanã viu a beleza de seu filho tão esplendidamente representada, por fim, consolou-se.

A chuva

   Os antigos Mayas acreditavam que a Chuva originou-se de uma deusa que vivia prisioneira no tronco de uma Paineira, uma Ceiba.
   Em épocas muito remotas Chaac, o deus Maya da Chuva, deitou-se sob a sombra de uma paineira. Estava cansado de procurar paisagens formosas porque a Terra não tinha flores, nem campos verdes , era muito árida. A Paineira era sua única beleza.


   Chaac sonhou então com uma linda mulher que lhe implorava: “Por favor, liberte-me! Liberte-me! Pegue sua faca de sílex e corte as veias desta árvore. Do seu tronco é que virá o líquido que abençoará a Terra”.
   Assim, Chaac, ao acordar-se, retalhou a árvore e viu a água que corria pelo solo formando rios e cachoeiras. Destes subiam vapores que formavam nuvens molhando o chão, fazendo brotar plantas e matas.  Viu depois novamente a mesma mulher que levantava os braços em agradecimento e contava-lhe que era o espírito divino da água guardado no corpo da Ceiba.
   Em versão Maya do Arco Iris, este é aquela mulher ,que se embeleza vestindo-se de cores, para agradecer a Chaac por tê-la descoberto e libertado .

O Vento

   Foi Iansã ,conhecida como a Orixá das tempestades, quem ,por um mito Afro, criou o vento .Criou-o com o seu respirar . Era casada  com Ogum, um ferreiro que forjava armas de guerra. Porém guerras se prolongavam porque Ogum era muito lento. Suas armas demandavam muito tempo à estarem prontas.
   Iansã resolveu estão ajudar seu marido quando percebeu que ao respirar sobre as chamas da forja estas se avivavam  e o ferro derretia mais ligeiro. Então, passou a soprar incansavelmente sobre elas e assim de sua boca surgiu o primeiro vento.
   Um dia, Ogum e Iansã se separaram, mas ela não quis prejudicar o trabalho de Ogum. De longe, enviava seu sopro em direção à forja. Seu sopro atravessava distancias para a surpresa das tribos que viam uma forte brisa repentina arrastando folhas e pó.
   Quando as tribos viram que o vento as vezes ocasionava destruições, lhe deram então o nome de Tempestade. As tempestades surgiam nas  ocasiões em que Iansã, por qualquer motivo, ficava furiosa.
   Certa vez queria sair para rua com suas lindas joias e foi contrariada pelos pais, que a trancaram em casa. Então com o poder do vento que possuía, saiu em disparada pelo teto, arrasando-o e tudo o mais que encontrava pelo caminho.
   Porém , como as suas brisas transportavam também os polens das flores as multiplicando, Iansã era vista também como uma grande benfeitora.

A Lua (Yewa)

    A Lua ,num mito dos Nagôs, representa uma das tentativas deste povo de neutralizar a força do patriarcado, que oprimia a mulher em tempos longínquos.
   Quando da criação do mundo pelos Orixás, Yewa, a lua, foi uma das poucas deusas que permaneceram no paradisíaco céu de Olurum. No entanto, quando soube que o adivinho Orumilá era um dos principais defensores da supremacia masculina, resolveu descer ao mundo dos homens para vingar-se dele.
   Era muito bela. Mesmo Omulú, Orixá que jamais levantava o rosto do chão, porque o tinha mutilado pela lepra e que por isto nunca vira, no alto do firmamento, Yewa brilhando radiosa entre estrelas, apaixonou-se por ela, somente a vendo refletida numa poça de água.
   A beleza da deusa Lua era tanta que apenas o seu reflexo já deixava os homens românticos e enamorados. Disso ela iria se aproveitar para seduzir e castigar o adivinho Orumilá.
   Yewa era a deusa que mais manifestava a dualidade do caráter feminino.  Ocultava sempre uma face. Se por um lado era doce, maternal, sedutora, por outro ,sabia ser de uma sutileza maliciosa e até cruel. Então, quando desceu à Terra, sua manifestação física tinha como ela duas faces . À noite, Yewa era a deusa da beleza irresistível, mas durante o dia apresentava-se como  uma bruxa horrível e peçonhenta.


   Quando seduziu Orumilá, levou-o à uma cabana numa floresta, onde, isolado, ele ficou à sua mercê. À noite, entregava-se apaixonadamente  aos prazeres que o belo corpo da deusa lhe dava. Porém, quando  saciado, ela, que  começava a mostrar  seu outro lado, envolvia-o em ervas mágicas que o deixavam dormindo e inútil para trabalhar em suas prestigiadas tarefas adivinhantes.
   Assim, durante um longo tempo, Orumilá permaneceu como Yewa desejava: Submisso apenas à ela.
   Contudo,conta o mito , que Exu ,de quem nada se esconde e que tem o dom da ambivalência, viu a situação crítica de  Orumilá  e foi em seu socorro. Quando numa manhã Yewa deixou Orumilá adormecido na cabana e saiu até as margens de um rio, já então em sua aparência diabólica de bruxa, Exú acordou Orumilá e levou-o até ela para mostra-lhe sua outra face.
   O mito se encerra quando Orumilá em desespero a mata. Yewa retorna então ao céu como a lua que é. Porém, seu projeto de acabar com a opressão patriarcal não se consumou .
   Yewa tornou-se um astro morto, pois Orumilá a matara. Ficou na dependência do poder masculino do sol para ter brilho. Só com o seu auxílio sua face de beleza pode inspirar poetas e namorados. É também obrigada a esconder sempre , para quem está no mundo, o seu lado feio , colocando sobre si um véu negro em sua fase de Lua Nova.
  
A constelação de Orion (mito grego)

   Diana a deusa da caça grega que tinha como característica um voto de castidade que fizera, um dia apaixonou-se. Mesmo assim, conseguiu manter seus votos. Seu amado chamava-se Orion. Um dia, porém, por engano matou-o.
   O irmão de Diana era o deus Apolo que não gostava de Orion. Isto porque este sempre insistia, naturalmente, em fazê-la quebrar sua castidade.
  Certa manhã, estavam os dois irmãos caminhando numa praia quando viram no mar uma mancha bem longínqua, quase no horizonte. Apolo bem sabia que aquela mancha era Orion que saíra à nadar, mas nada disse e fez à Diana um desafio: Que ela fosse capaz de acertar com sua flecha aquela mancha tão distante.
 Ora, Diana era a mais capacitada caçadora da Grécia e suas flechas jamais erravam um alvo. Assim desafiada, Diana  esticou seu arco e preparou sua pontaria . Como sempre, acertou, e matava sem saber, o único homem que amara.
   Quando o corpo de Orion deu à praia nada consolava Diana . Zeus então, condoído, prometeu-lhe que faria do corpo de seu amado algo muito belo.
   Zeus fragmentou o corpo de Orion em milhares de estrelas e lançou-as ao céu, transformando-o na esplendida constelação de Orion.

 Raios, Trovões e Relâmpagos se unindo

   Mitos Afros nos dizem que todas as nações africanas reverenciavam Xangõ, o deus do Raio, com exceção dos Malés, tribos africanas de Maometanos. Enraivecido porque numa visita aos Malés estes estavam em orações e continuaram devotamente rezando enquanto ele, o grande rei, esperava para ser atendido, resolveu  tomar as suas terras e destruí-los.
   Procurou então a linda Yansã para ajuda-lo. Ela, tão sensual que era, logo se apaixonou por aquele homem tão imponente, logo dormiu com ele aquela noite, lhe atendendo ao  pedido de auxílio.


   Quando entraram na terra dos Malés, Iansã ia à frente anunciando  com trovões uma terrível tempestade. Lançava faixas luminosas de relâmpagos em todas as  direções  e depois entrou Xangó com seus coriscos de raios, espalhando destruição aonde chegava. Os Malés que jamais haviam visto estes fenômenos celestes assim unidos, de princípio acharam que Alá anunciava o fim do mundo, o barulho dos trovões fora com certeza o seu anúncio.  Depois compreenderam que Xangô viera castiga-los e cederam ,atirando-se de joelhos no chão para reverencia-lo como seu novo rei.  Foi assim ,que com a força dos Raios, trovões e relâmpagos, foi dominada a tribo dos Malés.
   Deste mito, a Afro Brasileira guarda uma tradição: Quando Xangô necessitou conquistar a simpatia daquele povo dominado, para agrada-lo, deixou de comer carne de porco tal como usam fazer o povos muçulmanos. Hoje, todos os ” Filhos de Xangô”  são aconselhados a não consumi-la em reverência à decisão do  senhor dos raios.

A via Láctea

   O bebê Hércules era um dos filhos bastardos do deus Zeus (Júpiter),e naturalmente, Hera, esposa de Zeus, não o suportava.  Quando tentou mata-lo colocando uma cobra em seu berço, Hércules, que foi o mais potente dos heróis gregos, com apenas meses de vida, matou a cobra  estrangulando-a em seus braços.
   Zeus, encantado com a potência deste filho, quis completa-lo dando a ele também a potência feminina divina e achou que ele deveria mamar num deusa.
   Certo dia, estando Hera adormecida, Zeus colocou este bebê com a boca sobre o seu seio. Mas, o puxar tão forte do seu mamar a acordou.
 Hera, enraivecida, lhe deu um empurrão. Como o seu seio fora sugado com violência, gotas de leite  espirraram dele com tanta força que subiram até o céu. Nele, formaram a constelação do leite: A  Via Láctea.

O Sol (mito indígena da Amazônia)
  
   Sol era o nome de um rapaz que em tempos muito antigos ajudava a preparar o Urucu que pintava e enfeitava os tribais para festejos e cultos.
Trabalhava demasiado, cortava a lenha para alimentar o fogo até a exaustão, mas era explorado e humilhado.


   O sofrimento o desesperou tanto que desejou matar-se. O Urucu quando borbulhava vermelho, alaranjado dentro das chamas, ficava lindo e o atraia.  Sol, um dia, não resistiu a tanto sofrimento e atirou-se dentro delas.
   Como uma recompensa a tanto penar, seu corpo agora alaranjado, vermelho e rosa, nas cores do Urucu, subiu aos céus, tornando-se o nosso Sol, e lá ficou dando luz e beleza a um mundo que até então era frio e vivia na penumbra.

O Encontro


  O barraco da velha Engrácia distava bastante da estação do trem. E, este percurso ela hoje iria percorrer! Arquejando, com certeza, mas o faria sim. Era cedo ainda na manhã, mas ela já se acordara. Nem pudera dormir, tão excitada estava. Antecipava a felicidade daquele encontro.
   Hoje, nem sentia o colchão, tão velho quanto ela, que sempre lhe magoava o corpo. Ao contrário, ao abrir os olhos o que fez foi logo sorrir. Como não sorrir ante a expectativa de tanta felicidade?
   Na abertura da minúscula janela, pela veneziana quebrada viu uma réstia de sol que deu alguma claridade à escuridão do barraco. Olhou na mesinha ao lado seus remédios caseiros e pensou que hoje nem precisaria deles, tão sadia se achava.

   Arrumou-se com esmero, até com uma água de cheiro foi perfumar-se. Que estranho! – pensou -  Hoje tudo lhe parecia beleza, vida, entusiasmo!
   Quando ouviu o sino da igreja bater nove horas apressou-se a sair. Iria fazer uma parada na praça, sentar-se e assim dividiria pelo meio sua espera ansiosa. Encontrou a vizinha na saída que foi logo lhe dizendo: "Como está bem e rosada hoje, Engrácia! Alguma novidade?", mas aquela não era amiga de se dividir emoções tão intensas e respondeu apressada: "Não. Nenhuma novidade!".
   Sentou-se no banco da praça e notou que o céu estava muito azul; que o orvalho havia molhado os verdes e eles estavam luzindo e as flores pareciam pintadas por um artista oculto. Será - pensou - que a praça mudara tanto ou era o seu entusiasmo que a via assim?
   A praça logo se encheu de crianças e uma bola veio cair a seus pés. Engrácia até ensaiou lhe dar um chute e as crianças riram. Aquele dia só pedia isso mesmo: Riso de criança e alegria.
   Quando o sino na matriz chamou para a missa das dez, ela levantou-se agitada.   Pensou: Será que o trem se atrasaria?
   Felicidade não podia mesmo mais conter-se, esperar para acontecer! Estranhou que suas pernas hoje pareciam quase aladas, a levavam com pouca dificuldade. Ouviu finalmente o apito do trem. Parou na plataforma, fixada na saída de quem chegava.
    Por fim, o enxergou. Sua voz  enrouqueceu, seus olhos encheram-se de lágrimas e só conseguiu dizer: Filho! Filho! E logo pensou: O mais lindo filho que alguém já gerou!
   Quando ele passou seus braços por seu ombro e encostou seus lábios em seu rosto enrugado, um vigor de juventude a percorreu, um sentido de serenidade lhe envolveu a alma. Hoje, a presença dele iria enfim encher de luz a obscuridade do seu barraco!


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Casamento na Matriz


A matriz de nossa cidade fervilhada de pessoas da classe “bem”. Eu entre elas, naturalmente. Toda nossa nata social compareceu. E não se podia fazer por menos. Naquela tarde se casava o descendente da mais destacada família de nossa comunidade.
    Nós, as mulheres leopoldenses, muito belas e chiques. Sabíamos disso. Havia euforia em nossos olhos e orgulho no de nossos maridos.
  Feita um leve genuflexão perante o altar e acomodada no banco que me coube, incontinente comecei a notar os detalhes de nossa elegância. Ali, um modelo que havia visto numa loja da capital, lá uma joia que eu juraria ser verdadeira, mas que o comentário geral já tachara como falsa. Inovações em sapatos e algumas senhoras mais ousadas portando até chapéus.
   Quando meus olhos davam por acaso no de qualquer um dos homens ou de suas caras-metades eu tinha a certeza que não só eu, mas todos nós estávamos exclusivamente ocupados com o aparato que fizéramos para aquele casório. E, enquanto a noiva não chegava, meus olhos mantiveram-se assim: daqui para ali. Numa destas excursões pelo templo, foram dar exatamente sobre a imagem do homem vestido apenas de tanga, pendurado numa cruz de madeira sobre o altar. Ora, mesmo outro que não fosse o Cristo, vestido daquele jeito, no meio da nossa gente engalanada só podia mesmo fazer os meus olhos pararem.
   Foi enquanto detinham-se ali, que comecei a sentir um mal estar ocupando-me a cabeça, como se eu estivesse completamente oca. Tal qual febre acusando infecção, através daquele sintoma, soube logo que qualquer coisa em mim e em nossa comunidade, ali tão aparatosa, andava errada. Quis serenar-me. Olhei de novo o Cristo e tentei vesti-lo, iguala-lo a nós. Desejei-o de terno impecável, brilhante no nó da gravata, sapatos luzidios, engraxados. Não fui feliz. Como jamais vi alguém vestido assim ter sua singular personalidade, pô-lo dentro destas roupas foi impossível. O máximo que consegui foi vesti-lo com aquela antiga túnica de Nazareno e sandálias de andarilho.
   Tentei então muda-lo por dentro, faze-lo pensar como nós. Nada tampouco. É possível imaginar o Cristo notando a pedra que faltava ao colar da mulher no banco ali adiante, como eu notara? Não. Ele permanecia na sua teimosa pureza, distanciado de nós. Achei melhor fazer-lhe promessas: vir ao templo apenas para orar pelo mundo. E já me sentia até melhor .Quase tão pura como se ele estivesse me banhando nas águas do Jordão.
Igreja da Matriz,
de São Leopoldo.
 Porém, irrompe a marcha nupcial... E, ah! Meus bons propósitos de cristã! O vestido da noiva fora tão comentado antes! Quem, incluindo eu, lembrou-se de orar pela ventura da noiva e esquecer o traje que levava?
   O desespero tomou-me. Aquele Cristo ali, eu estava certa, já poder algum tinha sobre mim. Sobre qualquer um de nós. A própria marcha de Mendelson tocando no coro, soava-me como se fosse aquelas trombetas romanas que anunciavam que uma decadente sociedade achava-se reunida.
   Em nossa matriz, rodeada de santos nos altares e com odor de círios nas narinas, eu precisava urgente de um milagre. O milagre que me fizesse crer na ascendência que aquele Cristo por ventura ainda tivesse sobre nós. E ele veio!... A propósito! A tempo! Com toda a beleza que o cotidiano contêm.
   Os noivos no altar. A cerimônia começando. De repente, aquele barulhinho de tamancos, pisando com cuidado e respeito lá na entrada da matriz. Sem nos voltarmos todos sabíamos quem entrava: Darcy, o retardado mais conhecido de nossa cidade. Sorriso ingênuo e confiante. Segurando nas mãos o chapéu que com humildade tirara na porta do templo. Sem orgulho, consciência pesada, ou qualquer concorrência com nossos trajes caros. Passou assim por nós e foi com todo o direito que lhe dava a casa de Deus, sentar-se lá no primeiro banco. Só o que desejava era estar junto a nós, participar com os de sua comunidade um momento de alegria.
   Entrasse ele em outro lugar onde nos reuníssemos para festejos, por certo com carinho,(quem em nossa cidade não tem carinho por ele?) mas, com firmeza, o retiraríamos. Nosso orgulho salvo assim...  Mas ali, frente aquele Cristo vestido de tanga... Mesmo em nosso aparato romano... Quem de nós ousaria uma palavra contra ele? E, lá ficou o Darcy, protegido de nossos preconceitos pela presença do Nazareno, assistindo a cerimônia inteirinha...
   Certeza ele tinha, Também tenho eu agora: a ascendência do Cristo mora intacta em nós. Mora em mim.