sábado, 10 de maio de 2014

A Filosofia do Budismo e Diferenças ao Hinduísmo


O Budismo irá se diferenciar do Hinduísmo, pois enquanto este crê no Brahman, no Deus criador, o Budismo não crê em Deus, nem em nossa alma individual. Para o Budismo, nossa consciência mais alta é a mente. O que é a mente?  É a parte do ser baseada em experiências, conhecimentos, pensamentos, parte sem forma que sobrevive à morte. O que sobrevive no Budismo?  Não é o Atma, a alma ligada ao Brahman, mas a corrente mental de cada um de nós, com impressões deixadas nela por nossas ações boas ou más. Esta corrente mental, quando é negativa, dá origem à nova experiência de vida, às reencarnações. Então, reencarnamos porque temos carma, isto é, marcas negativas em nossa mente. Quando alguém não tem mais impressões negativas na corrente mental, não se encarna mais. Liberta-se do Samsara (ciclos encarnatórios) a não ser em casos especiais, como veremos depois. Quando nossa consciência não possui mais marcas insatisfatórias, ela entra num estado de bemaventurança chamado Nirvana. Ao contrário do Hinduísmo que em meditação busca ultrapassar a mente, o budista ao meditar quer acalmar a mente para atingir a bemaventurança da mente búdica. Enquanto o Hinduísta preocupa-se com o universo em que fazemos nossa evolução, cadeias planetárias, nossa eras evolutivas, raças etc (Teorias encontradas na escola teosófica de Blavastky e em outras tantas), o Budismo dedica-se apenas em atingirmos a felicidade, nos livrarmos de nossas dores e sofrimentos. É chamado  por isso “A doutrina da dor”.Nos livrarmos de nossos medos raivas e apegos, esta é também a meta. Naturalmente, assim, todos nós, segundo o Budismo, nos tornaremos Budas. Teremos uma mente plena de bemaventurança, porém, jamais seremos um ser individual. O que é um ser individual? Um ser que tem características próprias.  O Budismo não endossa o pensamento pitagórico de que cada um de nós é um número dentro do grande esquema matemático do universo, nem que sejamos uma nota, um som, dentro do que chamava “a Música das Esferas”.  Tampouco endossa o pensamento maçônico de que cada um de nós é um tijolinho dentro da construção do grande “Arquiteto do Universo”. No Budismo, todos aqueles que atingem a mente búdica têm as mesmas percepções espirituais, suas mentes são idênticas. Formam uma Unidade, não uma Diversidade na Unidade, como pensam os hinduístas. Os budistas quando rezam, não o fazem a Deus, mas a seres iluminados e compassivos.

Buda e seus cinco primeiros discípulos.


     A mais antiga das tradições budistas é o Hinayana também chamado de Theravada. Um adepto do Theravada acha que se cada homem melhora o mundo automaticamente melhora. Então, é completamente voltado a si mesmo, através de práticas rigorosas. Persegue o ideal de chegar a ser um Arhat, um ser perfeito. Não perturba o mundo, mas também não se envolve em suas misérias e erros. Deixa que cada um siga o seu caminho.

     No séc. I da nossa era surge a escola Mahayana com grande ênfase na crença em Bodhisattvas. Estes, seres de mente já purificada, mas que sacrificam-se retornando à encarnações, apenas para ajudarem à humanidade a se livrarem de seus erros. Seu princípio é a Compaixão. No Mahayana, não só monges, mas também leigos podem chegar à mente nirvânica apenas trilhando o caminho da Compaixão.

     Temos o grande exemplo de Compaixão no Dalai Lama tibetano Tensin Giatso que embora tendo perdido trono e país, sem qualquer demonstração de mágoa, segue sempre risonho a pregar pelo mundo o Caminho Mahayana da Compaixão. O nome Dalai Lama quer dizer : “mestre grande como o oceano”.  O Mahayana tibetano foi enriquecido pelo Lamaísmo dirigido por mestres, seus Lamas e Riponchês. Utilizam liturgias, mantrans, mandalas e mudras como recursos de entendimento para seus discípulos.

Lótus, a flor sagrada do Budismo.


      Os principais preceitos do Budismo Mahayana são: A Transitoriedade Das Coisas (que nos leva ao desapego) e a Teoria do Vazio.

      O Vazio trata da forma errônea como vemos a nós e as pessoas. Quando observamos alguém ou alguma coisa nunca nos lembramos de que seus atos fora abastecidos por circunstâncias anteriores ou presentes, uma cultura, um meio geográfico, uma ocasião, ou alguém. Que aqui no mundo físico, sempre temos uma existência compartilhada com o restante do mundo, dependente dele. Por exemplo: Quando observamos uma árvore, ela nos parece tal como a vê, porque está inserida em determinado ambiente que lhe dá muito ou pouco sol, muita ou pouca água, cuidados ou não. Se recebesse outras influências, talvez seu tamanho fosse diferente, também sua cor. Até uma coisa concreta tem vida compartilhada. Se dizemos: Esta mesa é boa, é durável. Ela é assim porque a madeira que a estruturou era boa. Nada é desassociado de nada, tudo é dependente.

     O que quer o Mahayana com a teoria do Vazio?  Com a visão da vida compartilhada, compreendemos e perdoamos mais as pessoas, pois as sabemos resultado de muitas influências, não as vemos isoladas do todo. Também nos livramos de nossos orgulhos e vaidades, porque tudo o que nos orgulhamos de ser recebeu o auxílio de outrem. Os próprios ensinamentos religiosos que assimilamos , embora  apresentando conceitos diversos, foram compartilhados, dependentes uns dos outros. Assim, vemos o Islã surgindo de antigas  ideias cristãs, o Cristianismo surgindo do Judaísmo, o Budismo surgindo das ideias reencarnacionistas do Bramanismo. O monoteísmo judaico surgindo de ideias egípcias.

Kwan Yin, Bodhisattva da compaixão.


 A meditação Mahayana conta com dois tipos básicos: A Enstática e a Estática. A primeira busca um estado de equilíbrio que em que se espera cessar todo o processo sensorial. Nada a ser visualizado. Na segunda, é exigida uma imagem visual ou projeção mental, geralmente voltada para o chamado "Campo do Buda", isto é, o conjunto de seus representantes, de seres compassivos. São dadas visões belas que psicologicamente nos trazem imensos benefícios e transformações. Habitualmente chamamos estas meditações de "Induzidas". Uma imagem que naturalmente nos favorece é a de Kuan Yin a grande Bodhisattva da compaixão.
 

14 comentários:

  1. Obrigado por compartilhar estes conhecimentos.

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  2. MUITO OBRIGADO POR ESSES ENSINAMENTOS COMPARTILHADOS!
    JÁ PRETENDIA ME TORNAR BUDISTA, AGORA, MAIS DO QUE NUNCA...
    OBRIGADO

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  3. É raro encontrar sabedoria clara e objetiva na internet, obrigado.

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  4. Texto muito esclarecedor. Acredito que o Hinduísmo esteja mais próximo do Espiritismo, posso considerar assim? O Budismo é como se fosse uma reforma íntima do ser, a fim de se purificar cada vez mais ao longo do processo reencarnatório?
    Gratidão e namastê!

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    1. Concordo plenamente quanto ao que foi dito sobre o Budismo, porém quanto ao Hinduísmo acho muito diferente do Espiritismo. porque este importa numa comunicação entre encarnados e desencarnados, que não existe no Hinduísmo! Um grande abraço e sempre as ordens!

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  5. Muito bom adorei.Amo o hinduísmo frequento o templo Hare Krishna do Parque da Aclimação ,mas ainda não passei pelos preceito.

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  6. Me confundo nas pesquisas sobre o budismo, ao tempo que entendo que não crê em uma alma individual, fala sobre reencarnação??, Alguém me ajuda, estou perdida.
    ivana_mg@hotmail.com

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  7. Muito esclarecedor o texto.
    Grata.
    Paz Profunda.

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  8. Muito bom, claro e objetivo!! Gratidão <3

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