segunda-feira, 23 de abril de 2012

A Concha (grande símbolo do Caminho de Compostela)


(Trecho extraído do meu livro:” A Influência de Crenças e Símbolos” .Informações sobre o livro pelo fone 051- 33462285)


  A chamada “Vieira” que se conserva até hoje como o emblema dos peregrinos deste caminho, tem origem do seu culto no Paganismo.

   No estudo semântico de sua palavra, aparece primeiramente nomeada de “Concha Veneriae”, o que na língua galega transformou-se em Concha Vieira. È possível que devido a ser o símbolo da fertilidade, dizendo respeito à sexualidade, portanto a palavra venéreo seja

esta a sua significação correta. Porém, lhe dão também outros significados, como Veneriae com o sentido de venerar e ainda Vieira, com o significado de Via, Caminho.


   Foi um símbolo pagão indissoluvelmente ligado à deusa Venus, que segundo o mito, surgiu na ilha de Chipre, gerada dentro de uma concha, por geração direta do céu Urano e da umidade do mar. Era chamada por isso pelos gregos de Venus Genitrix.

   Venus foi na Antiguidade a patrona das enseadas marítimas e também dos navegantes. Acreditava-se que recebia com amor maternal em seu seio os náufragos. Foi cultuada, sobre uma concha pelos Druidas que cruzavam o Caminho de Compostela e iam fazer suas asceses no Finisterra, extremo de praia galega, conhecido então no continente europeu onde , segundo crenças pagãs, sobreviventes sábios de um dilúvio ali haviam aportado e deixado suas energias espirituais.

   Na crença de que o mar seja a origem geradora da vida, e tendo a deusa de um amor tão carnal como espiritual saído de uma concha, esta passou a representa a fecundidade. A concha é então relacionada ao seio materno, à vagina feminina, ao útero, lugares de nascença.


   Quando na Idade Média os cultos pagãos do Caminho se transformaram no culto ao apóstolo Tiago, a Igreja no afã de apagar ali os ritos que tinham sempre a presença da concha entre eles, fez difundir lendas que lhe davam origem mais recente. Numa delas é contado que um cavaleiro arrastado com seu cavalo mar adentro, teve a visão do apóstolo Tiago, que surgindo o salvou empurrando-o de volta às areias. Ao chegar ali, o cavalo e o corpo do cavaleiro estavam cobertos de conchas.

Esta e outras lendas cristã fizeram com que elas passassem a ser não mais o símbolo da Venus pagã, mas do apóstolo.

   As praias da Galícia já foram ricas em conchas, e como os peregrinos que no Medievo, iam ali ao túmulo de Tiago, ao retornarem a seus países, levavam uma concha como testemunho de terem estado lá, isto as ligou definitivamente à figura do apóstolo.


   Por ser a concha o símbolo materno da concepção, é relacionada também à deusa do amor Iemanjá do culto Afro que, segundo seus mitos, foi escolhida por Olurum, o seu deus supremo, como mãe de todos os seus orixás. Hoje, no Caminho de Compostela, pela grande conotação apenas  de lembrança turística que se fez em torno da concha, sendo sua representação encontrada   em todas as espécies de materiais, ela é muito mais um recurso de comércio do que a busca sincera de um milagre espiritual. Contudo, a concha, que também deixa sair de dentro de si a mais bela das jóias, a pérola, que possuindo uma forma oval representa também o órgão gerador feminino, continua ainda sendo para muitos homens o amuleto mais perfeito da fecundidade.


   Uma das lendas do mito de Atlântida conta que seus moradores possuíam como amuleto uma gigantesca concha. Ela recebia dentro de si energias celestes que tornavam fecundos todos os empreendimentos dos atlantes. Porém estes passaram a exorbitar do poder que lhe estava sendo conferido, fazendo os mais surpreendentes desatinos no campo da magia. Um dia a concha caiu no oceano adentro e eles a perderam. Desde então a civilização atlante passou a decair, sua fecundidade material e espiritual os abandonou, Depois, de cataclismos em cataclismos o continente acabou também por afundar no mar.

   Lendas e cultos para a concha existem inúmeros, porém o que realmente imortalizou com mais perfeição este símbolo de fecundidade foi a arte de Boticelli, co seu magnífico quadro “O Nascimento de Venus”.

Iniciação & Discipulado

O Budismo nos apresenta duas principais formas de evoluirmos. Através do Budismo Hinayana e do Budismo Mahayana.  Ambas se chamam “A subida da montanha”. Na 1° se contorna a montanha, se evolui sozinho, apenas pela adoração à luz interna. Exemplo disto é o Budismo Zen . O 2° é aquele em que subimos a montanha dando a mão a um mestre, fazendo um discipulado. É deste ultimo sistema iniciatório que vamos tratar aqui.


   Ao trilharmos este caminho, temos a grata sensação de não sermos seres isolados, deixados a sós com nossas dificuldades. Sentimos que a lei divina é tão sábia na garantia da nossa evolução que mantém a possibilidade, através da lei da unicidade entre os seres, de termos um relacionamento constante com os nossos irmãos que evoluíram antes de nós, os assim chamados “irmãos mais velhos”, mais conhecidos na história esotérica como “Mestres”. É contado que eles fazem parte de um grande agrupamento de protetores da humanidade conhecido como “A grande Fraternidade Branca”. Eles intuem a mente de todos os homens que se unem emocional e mentalmente com eles. Teriam surgido como uma Fraternidade na 5° sub-raça Atlante, após um dilúvio que castigou os habitantes transgressores do continente Atlante. Seriam homens que haviam evoluído muito nas raças anteriores e buscavam auxiliar aqueles que entre tantos decaídos buscavam evoluir conscientemente. Desejavam também preparar um grupo escolhido para ser semente das idéias das novas sub-raças e raças que viriam depois. È o momento histórico que os esotéricos chamam de Portal da Iniciação. Este trabalho segue até hoje orientado por três grupos: Manus, Bodhisatwas e Choans.

   As iniciações foram muito usuais no Egito antigo, para onde chegavam pessoas de longe para fazer as iniciações de Isis e Osires. As portas dos templos iniciáticos eram abertas a todos, mas poucos chegavam ao fim da iniciação. O 1° interrogatório feito entre o sacerdote e o candidato, se este fosse julgado não preparado a conhecer os mistérios do templo ,  já era recusado. A isso Jesus se referia quando dizia “Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.” Na iniciação esotérica chamada discipulado a finalidade é além de garantir nossa própria evolução, nos preparar também para sermos cooperadores na magna Obra, que é o trabalho desenvolvido pelos membros da Grande Fraternidade Branca em favor da humanidade. Nos templos egípcios, após uma preparação de anos em matérias como música, medicina, história e naturalmente conhecimentos dos princípios divinos, o iniciando recebia o grau de iniciação chamado 2° Nascimento. Passava por provas dificílimas onde enfrentava terrores, resistências física e de resistências à seduções sensuais.O rito lhe exigia que deitasse num sarcófago a ali passasse as sensações de morte.  Finalmente, entrava em uma bem aventurança muito grande, sendo recebido como um ressuscitado. A afro brasileira, que tem origem na África, trouxe para o Brasil a tradição da iniciação. Uma noviça do Candomblé para tornar-se uma Yiawô, só após uma iniciação de sete anos, é considerada capaz da missão de servir ao orixá escolhido e transmitir depois o axé as iniciantes. Perde então a sua personalidade social externa ao terreiro, para num rito de 2° nascimento, receber um nome interno.



   Para iniciar-se um Discipulado, fazemos votos conosco mesmos para um encontro não necessariamente físico, mas intuitivo e telepático com aquele que será o orientador de nossa iniciação. (geralmente porque há uma similitude de raio entre nós e ele, do papel a cumprir etc, com a diferença que o iniciador já evoluiu muito mais) Então aqui já aparece diferença entre Hinayana e Mahayana.  O único mestre que o Hinayana adora é Maytreia, porque Maytreia é a força crística, não pertencendo aos mestres iniciadores.

   O primeiro passo na Iniciação é chamado de Caminho Probacionário. Neste degrau, cultivamos qualidades. Conhecemos a nós mesmos, identificamos nossas fraquezas. É o degrau da vigia sobre nós. Temos acesso aos fundamentos rudimentares dos Princípios Divinos. Se a par destes ensinamentos começamos o esforço de nos corrigirmos, entramos para os cuidados de um discípulo dos mestres. Assim como não colocamos professores universitários para lecionar o primário, também os mestres não se ocupam individualmente conosco, neste período pré-iniciatório. Geralmente, os fundamentos de sabedoria que recebemos são testados em ocorrências diárias, e situações difíceis nos vêm umas após outras. Então,o Caminho Probacionário é geralmente muito doloroso. Chamado também de Câmara do Aprendizado, pode levar 10, 20 anos ou uma vida toda. Geralmente a pessoa que entra nos estudos esotéricos fica deslumbrada de contar com um mestre iluminado e pensa em fazer a Iniciação em pouco tempo. Porém, não existe isto de alguém fazer um curso intensivo de Iniciação, isto é ilusão. O Probacionário requer longos preparos e testes, mas não é algo que se vença através de técnicas. Como o 2° passo vai nos colocar em contato com o mestre (contato mental, não necessariamente físico) o mínimo que nos é requerido no Probacionário é atingir um constante estado de tranquilidade emocional, uma ausência de impulsos, de rompantes, de comportamentos negativos não controlados, para nos tornarmos afins à tranqüilidade do corpo emocional do mestre. Por isso, se diz que o caminho Probacionário é o mais longo a se vencer.

   Segue-se depois o degrau do discípulo aceito. Entramos no caminho iniciatório propriamente dito, que constará de 5 degraus. A virtude, a qualidade que o discípulo mais tenha em preponderância, é a que será aproveitada pelo mestre. Geralmente, acontece uma aproximação maior do mestre, quando o discípulo possui uma virtude que o mestre esteja a necessitar no momento, para beneficiar um local, ou para abrir uma sociedade, seja ela política ou religiosa etc.As virtudes podem ser: uma capacidade de liderar, uma energia curativa, uma facilidade de escrever ,energia física etc.

   Telepaticamente o mestre vai sugestionar o discípulo com um objetivo, com um ideal a ser realizado num pequeno período. Cabe ao discípulo formular os planos para realizá-lo. O mestre apenas o observa e derrama energia sobre o trabalho. E o discípulo pode tornar-se um canal perfeito para a luz do mestre se irradiar. Se o discípulo não corresponder, o mestre vai se afastando até porque quando um discípulo inicia um trabalho, pode vir à tona defeitos como vaidade, concorrência com outros etc que impossibilita uma ligação com a pureza do mestre. Muitas vezes o trabalho externo que o discípulo inicia tem prosseguimento, mas, na realidade, a Iniciação foi interrompida.


   Se há continuidade, os graus iniciatórios se sucedem e ao discípulo são dados sempre encargos maiores porque o mestre cumpre o preceito bíblico; ”Bom e leal servo, no pouco me fostes fiel, no muito te colocarei.” Este muito se refere naturalmente não só a encargos, mas também a conhecimentos espirituais.

   A iniciação dos discípulos do ocidente é bem diferente da oriental. Geralmente os ocidentais não necessitam isolar-se da sociedade, entrar em mosteiros, seu trabalho é aproveitado dentro de uma colocação cármica de família, profissão etc .O discípulo oriental de mosteiro  segue ritos muito simbólicos, como a colocação em suas mãos de cetros , de imãs que atraem forças para a personalidade. Porém, tais cerimônias são feitas nos últimos graus das iniciações, pois atraem forças que passam pela coluna. Assim vemos como é prematuro mexermos com forças da coluna sem termos ainda preparo. Aqui, no Ocidente, nossas forças são enviadas pela intermediação do mestre se não estamos ainda nos últimos graus. Sem nos expor a perigos.

   O mestre que se une a discípulos chega a eles em relação ao raio ao qual o discípulo pertence. Em acordo ao seu raio o discípulo serve a um mestre do mesmo raio. Os do 1° raio desenvolvem a liderança ou servem a algo administrativo. É através disso que evolui. Este é um raio que provoca muita vaidade, tentações de riquezas, de poder por isto é o mais difícil de transpor, aquele que cria mais carma.

   Aqueles do 2° raio são induzidos pelo mestre a estudar simbologias, filosofias, mitologias, doutrinas para que neles descubram os princípios divinos e os transmitam se for possível. Como o discípulo mexe muito com o intelecto, às vezes se afasta da devoção à sua própria Luz, ou também entra na vaidade do poder intelectual.

   Os do 3° raio são postos em situações sociais lastimosas para os sensibilizar e fazê-los dedicar-se a elas Temos como exemplos os repórteres de guerras e cataclismas.O perigo de uma sensibilidade exagerada será a depressão, onde o discípulo perde o sentido de viver, não consegue mais  enxergar os planos divinos por trás  dos  erros humanos. Como observamos, todo o trabalho de iniciação é difícil e requer muito equilíbrio. Os discípulos do 4 ° raio têm acesso aos devas da natureza , são estimulados em seu  gosto artístico para que sirvam no setor da arte.Os do 5° raio geralmente são afastados de interesses religiosos para que se concentrem apenas na Ciência.,que requer uma dedicação mais dirigida , mais integral. Chamo aqui a atenção para este raio. Muitos esotéricos têm por hábito criticarem a ciência. Os discípulos deste raio só podem evoluir através do deslumbramento que as descobertas científicas lhes trazem. Por exemplo : Quando um cientista estuda um planeta, e se depara com a grandeza do universo ou quando estuda genética e vê a complexidade da forma, ele entra em estado de reverência pela vida, que chamamos de estado satwa, um estado de identidade com a beleza que enriquece seu corpo causal e é assim que ele evolui. E, para a humanidade são figuras chaves para o processo civilizatório.

   Aos discípulos do 6°raio é requerido organizar associações, agrupamentos, tudo o que unifique forças. Os do 7° raio são inspirados a que mudem situações cármicas que levem à liberdade. Geralmente ligam-se aos discípulos do 6° raio. Líderes que trabalham em revoluções, que lutaram com idéias para libertar seu país da opressão, pertencem ao 7° raio.

   Quando se estabelece o intercâmbio mestre-discípulo a finalidade do mestre é que ele, o discípulo, se torne um canal límpido para a sua luz. Exemplificando: Um local necessita de uma determinada virtude. Então, vários discípulos que têm aquela virtude latente ou já trabalhada, são escolhidos para difundir esta energia sobre aquele local. O mestre servirá como vórtice daquela energia e os discípulos os seus  fios condutores. Por isso existe a famosa frase difundida “Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece”. Refere-se a preparação feita no caminho probacionário e depois ao 2° grau onde o mestre aparece. Existe, porém eventual e raramente discípulos que chegam a esta encarnação com o probacionário já cumprido No probacionário o ser inferior do discípulo às vezes se rebela contra a impessoalidade que a consciência dele está dando aquele trabalho, cuja única recompensa é a sua evolução, pois no discipulado a aquisição de poderes psíquicos ou poder monetário é descartado.

   Um livro recomendado para quem entra no discipulado é o Bagavath Gita,um livro do Bramanismo pois na relação de Arjuna com Krishna são mostrados os conflitos íntimos de um discípulo. Para os iniciandos são dadas aulas durante o repouso do sono onde o mestre orientador o instrui.

   Na antiguidade, sobressaíram-se dois grandes iniciadores Hermes Trimegisto no Egito e Pitágoras ,na Grécia,sem contarmos com as centenas de iniciadores que trabalhavam anonimamente nos templos de mistérios iniciáticos.

   A iniciação é enfim um processo de auto expansão da consciência através de um discipulado.