domingo, 8 de dezembro de 2013

Uma Visão Sintetizada De Vários Ramos Espiritualistas


Nós somos viajantes de rotas diversas que um dia alcançaremos o mesmo porto: O encontro com o Absoluto.

   ARCANA: Escola fundada em Nova York no início do século XX pela senhora Alice Bailey sobre a intuição de um mestre de nome “O Tibetano”. Preocupa-se principalmente com o discipulado de cada indivíduo, com a preparação e o compromisso daqueles que serão os canais para o trabalho dos grandes Mahatmas. Um treinamento cristão e um vigoroso chamamento à uma iniciação oriental é a proposição desta escola que prepara grupos precursores de uma nova era mais fraterna.

.Sede da Antroposofia em Basel, na Suíça.

    ANTROPOSOFIA: Escola criada em 1916 pelo teosofista Rudolf Steiner na Alemanha e Suíça. Quase extinta depois em seus países de origem, a Antroposofia espalhou-se primeiramente na Inglaterra e Canadá. Hoje está enraizada em todos os países com grande relevância no Brasil. Seguidor de Goethe, Steiner inspirou-se na universalidade deste gênio, e, sobretudo em seu gosto pelas ciências naturais e pela evolução das formas. Sua escola dedica-se à medicina, farmacologia, agricultura natural e dá um grande enfoque ao tratamento de excepcionais, dentro do místico preceito do “corpo como o templo do espírito”.

   BUDISMO: Religião indiana iniciada no século VI pelo sábio da casa dos príncipes Sokyas, cognominado “O Iluminado”, como uma reação ao elitismo bramânico da época e para atender a indivíduos mais abandonados da sociedade indiana. Por esta razão sua doutrina baseia-se nas “Quatro Nobres Verdades” versando todas sobre a dor. Sobrepujar a dor é a aquisição máxima do Budismo. Por perseguições internas, decaiu na Índia no século II da era cristã, mas permanece em outras regiões da Ásia como China, Japão, Ceilão, Birmânia e outras. Hoje é uma das grandes religiões em número de seus adeptos. Sempre lutou contra os flagelos corporais, e o sistema de castas bramânico.

   BRAMANISMO: Religião da Índia, originária do Vedismo, que teve início no século VIII AC. Nascida da ideia védica do sacrifício celebrado por sacerdotes, dela se originando o sistema de castas. Tem como princípio supremo do universo o Brama e como princípio vital do homem o Atman.  Baseia-se em dois livros sagrados: “Os brâmanes” e os “Upanishadas". O primeiro é a evolução pela sabedoria e o segundo pela união com o Absoluto. Em sua fase de decadência, duas oposições lhe foram feitas: o Jainismo e o Budismo. A devoção popular para as pessoas da Trindade indiana dirige-se contudo mais à Vishinu e Shiva , suas segunda e terceira pessoa, pois Brama é para o Bramanismo, o Pai incognoscível aos mortais.

Templo de Loto da fé Baha'i em Nova Delhi, Índia.

   BAHAISMO: Movimento religioso e social da Pérsia de origem islâmica e Sufi, fundado por Baha-u-llah .Espalhou-se em centenas de países , tendo como uma de suas grandes sedes, a “Casa de Adoração” em Illinois, USA.  A fé Baha'i traz a proposição da unidade racial e religiosa e caracteriza-se originalmente por um sistema administrativo sócio- político que se adequaria a todos os países, pois ,segundo as palavras de seu fundador, “A terra é apenas um só país e os seres humanos seus cidadãos”. Será talvez o único grupo que está conseguindo vivenciar a unidade religiosa por meio de contatos com prosélitos de outros movimentos e Igrejas.

   CIÊNCIA CRISTÃ: Escola criada no fim do século XIX em Boston, USA, pela senhora Mary Baker Eddy. É uma das mais originais das linhas cristãs pois dedica-se a restaurar a faculdade de curar que os primeiros cristãos possuíam. Trabalho de cura que usa o poder espiritual sobre a matéria. Apoia-se numa interpretação espiritual da Bíblia.

   CIRCULO ESOTÉRICO DA COMUNHÃO DO PENSAMENTO: Ordem de caráter universalista criada em 1909 por Antônio Olívio Rodrigues, em São Paulo,buscando uma cruzada de espiritualização.Traz à tona todas as doutrinas espiritualistas e ideias esparsas dos grandes pensadores,através da publicação de seus escritos. Trabalha através de seus centros de irradiações mentais. Desenvolver o poder mental e usá-lo sobre um prisma espiritual é a sua prioridade.

   CRISTIANISMO: Religião que apresentou uma perspectiva absolutamente original em sua época,e ao obediente terror do povo de Israel a seu Deus Javé. Seu próprio inspirador, Jesus, personifica em si a sensibilidade que os seguidores de Moisés haviam perdido.  Transforma o severo Deus Javé no Deus do amor, Pai de todos. Nada deixa escrito. É também sua originalidade. Apenas sua própria figura e conduta será sempre o testemunho do Divino expresso no homem. Sua religião é a doçura e o amor entre os homens. Dirige-se especialmente aos deserdados. Ensina por parábolas, bem aventuranças e identificações com a natureza para atingi-los. Buscava sua mensagem apenas na simplicidade do “Amai-vos uns aos outros”,pois só isto ,segundo ele, abrangeria todas as doutrinas e todos os profetas. No dizer de Paulo de Tarso, o testemunho pessoal do próprio Jesus é tudo no Cristianismo, pois nele, Jesus, habita substancialmente toda a plenitude da Divindade.

Chico Xavier, maior médium do Brasil.


   ESPIRITISMO: Doutrina baseada na sobrevivência da consciência em corpos sutis e na comunicação entre encarnados e desencarnados, através dos chamados “Médiuns”. Fundada em 1853 por Alan Kardec ,na França, foi logo divulgada pela Sociedade de Estudos Espíritas. Seu maior difusor foi Camille Flamarion que recebeu mediunicamente suas maiores obras. Sua doutrina é exposta no “Livro dos Espíritos”. Empenha-se no auxílio material à camadas carentes da sociedade e num vasto receituário farmacológico recebido através de seus “Médiuns”.Consola seus seguidores através do sentido de não perda daqueles que desencarnam. No Brasil, um de seus maiores e mais querido médium foi Francisco Candido Xavier.

   GNOSTICISMO: Doutrina espiritualista, criada em Alexandria por Simão, o mago, contemporâneo de Jesus. Foi uma fusão das ideias cristãs que nascia, do Helenismo, e das religiões da Caldeia, Pérsia, Índia e Egito. Difundiu o Cristianismo com uma interpretação própria, paralelamente aos discípulos de Jesus e na mesma época. Pela liberdade de interpretações pessoais, foi a religião que mais se bifurcou em seitas, restando então hoje pouco de suas antigas proposições filosóficas.  Porém, ainda conta com um ramo que lhe guarda a originalidade: os Néo-Gnósticos franceses. Foi extremamente perseguida pelo Cristianismo quando este se estruturou.

   HERMETISMO: Fundado pela lendária figura de thot chamado pelos gregos de Hermes, o Trimegisto, renova o culto esotérico do deus Egito Amom Rá ,o Sol . Foi o primeiro grande iniciador do Egito.  É a doutrina da luz interna no homem. “Tu és luz”, Segue a Luz”, são os lemas de Hermes. “O Livro dos Mortos” é o mais antigo livro atribuído ao Hermetismo. Toda a espiritualidade do Mediterrâneo é inspirada no Hermetismo: Platão, Pitágoras e a escola de Alexandria. Posteriormente, dos ensinos herméticos saem os Franco Maçons e os Rosa Cruz.O ensinamento esotérico de Hermes culmina na iniciação dada por ele a seu discípulo Asclépios. É esta uma das mais belas páginas da Antiguidade.

   ISLAMISMO: Nascida no século VII ,na Arábia, é a última das grandes religiões. Maomé, seu fundador, criou a unidade das tribos arábicas, através da crença no deus único, Alá. Recebeu a doutrina por revelação do anjo Gabriel, relatando-a no Alcorão, livro sagrado do Islã. Grandes lutas de repercussão política geraram, até ainda hoje, as divergências entre seus dois grandes ramos: Xiitas e Sunitas. Atualmente é a religião que mais influencia as decisões sócio políticas de uma nação, com o comprometimento para as relações internacionais do Irã.

   JUDAÍSMO: Religião do povo israelita, dividida em 4 períodos distintos: Religião patriarcal, religião de Moisés, religião dos profetas, religião judaica do pós-exílio.  No período pré-mosaico ela é tribal e animista, a crença em Javé é conciliada com a adoração a deuses e espíritos. Após Moisés, temos um monoteísmo mais explícito como uma reação ao politeísmo que os israelitas traziam do Egito. A linha esotérica judaica que faz oposição ao seu ortodoxismo é a Cabala com origem na Caldeia. Tem como seu principal livro sagrado “O Velho Testamento”

      MARTINISMO: Doutrina originária da Maçonaria,fundada pelos irmãos Martins em Paris, em fins do século XVIII. Faz renascer o humanismo e os direitos humanos e instituiu a participação das mulheres nos rituais e ocultismo da linha egípcia. É uma escola aberta a poucas pessoas, requerendo aos seus seguidores o guardar segredos sobre os poderes anímicos que desenvolvem, devido a origem hermética da qual a característica mais conservada é uma reservada formação individual. Esta ordem inspirou os romances místicos de Balzac.

   ROSA-CRUZ Movimento espiritualista por muito tempo secreto, nascido da Franco-Maçonaria, iniciado por Cristian Rosencreutz na Idade Média, com a proposta de ser divulgada durante um século e entrar em recesso durante outro, sucessivamente. Os Rosa Cruz foram grandes alquimistas. No princípio do século XX obteve uma ramificação de caráter mais filosófico com a ordem fundada por Max Heindel na Califórnia, que espalhou-se na América e em grande parte da Europa.

   SUFISMO : Seita do Islã que muito o aprofundou. Criada no século VIII na Pérsia. Não aceita dogmas, busca o intercâmbio com o Deus interno no homem, sendo por isso acusada de fazer blasfêmias pelo Islã ortodoxo.  É expressa principalmente no louvor à beleza da vida. Um de seus maiores mestres é Rumi um dos maiores poetas persas do século XII, que criou a famosa dança giratória dos dervixes, maneira artística de louvar a Deus. O Sufismo levou sua mensagem espiritual ao ocidente através do movimento Sufi de Inayat Khan no início do século XX.

Símbolo da Sociedade Teosófica.

   TEOSOFISMO: Nascido no século III da era cristã com a pessoa de Amônio Sacs , teve como principal seguidor o filósofo grego Plotino. Fez renascer o Platonismo e durante séculos o Teosofismo viveu sob a supremacia das ideias neo- platônicas. Em 1875 em N. York, sob inspiração de grandes mestres orientais , é criada por Helena Blavastky a Sociedade Teosófica. Esta traz para o Ocidente o conhecimento dos Mahatmas orientais que formam a Fraternidade dos adeptos brancos. Esquematiza e põe em moderna linguagem científica as grandes leis da sabedoria oriental adaptando-as ao raciocínio ocidental.

   TAOISMO: Doutrina criada pelo pensador chinês Lao Tse. Originou-se de Tao, o Caminho. Tudo tem seu caminho, uma estrela, um planeta, um rio, tudo segue o seu curso. É a ordem universal e só o homem, por seu livre arbítrio deixa o seu curso e cria o caos, no qual se enreda. É a religião do retraimento, da modéstia. Nada faz para sobressair-se. Religião de técnicas de alimentação, de sexo e respiração, visando prolongar a vida. A união do Yang e do Yin do ser e do não ser é a base do universo manifestado, onde todas as verdades são relativas. O Tao é a procedência de todos os fenômenos. Ele os ordena.

   VEDANTA: sistema iniciado por Vyasa, sendo lhe atribuído, sem certeza a data de 1.400 AC para um estudo dos Upanishadas, livro bramânico. Foi reavivado naquele que é considerado por muitos o último avatar do oriente: Ramakrisna Parahansa no início do século XIX. Ao fim deste mesmo século , seu mais chegado discípulo, Vivekananda, funda a Sociedade Vedantina em New York, com posterior propagação no Canadá e México. Hoje, seus Suwamis (instrutores religiosos) a difundem em peregrinações em toda parte do mundo. A renúncia ,as yogas,a mística e a universalidade religiosa do Bramanismo a caracteriza. A Vedanta é também conhecida como Brama Jarana (o conhecimento de Brahma). É a mais moderna concepção do Hinduísmo.

Santuário xintoísta de Itsukushima.

   XINTOISMO: A principal religião do Japão é a única originária dos grupo autóctones do país. Religião de veneração aos antepassados. O rei, Mika do, segundo creem , é o representante da deusa solar Amaterazu. O cetro do poder foi lhe dado pela deusa para que governasse as ilhas japonesas, consideradas um país de deuses, uma vez que a raça que neles habita é, pela lenda, de origem divina, descendente direta de Deus. Por razão desta crença a Teocracia se mantêm como forma de Estado.

   ZOROATRISMO: religião de cronologia incerta criada provavelmente no século VII ou VI AC, pelo profeta Zoroastro ou Zatratrusta. Este, reformou o politeísmo da Pérsia, levando-a ao Monoteismo, cujo deus único é Ahura Mazda ou Ormuz. Religião dualista onde Mazda e Ahrumam (o bem e o mal) se opõem.  Religião ética que visou sobretudo reformas econômicas, tendo o profeta elaborado um programa de agronomia com grandes consequências na vida social do Irã. No século VII, tendo o Islamismo árabe se apossado da Pérsia, o Zoroatrismo deixou de ser ali o culto oficial. Hoje o Zoroatrismo aparece mais na Índia, nos grupos denominados “Os Parsis”, fieis que fugiram para a Índia por ocasião da invasão muçulmana.

Ogun orixá da guerra no Candomblé.


   AFRO-BRASILEIRA: Ramo religioso chegado ao Brasil pelos escravos negros que aqui chegaram da África no séc. XVI. Monoteistas, acreditando num único Deus Olurum, mas com forte culto à entidades iluminadas, os Orixás. Perseguidos durante dois séculos pela Igreja, conseguiu conservar, contudo, suas crenças espalhando-as por todos os estados brasileiros. Alguns de seus ramos conservando-se puro Afro, como o Candomblé, outros aderindo a um sincretismo.  Sincretismo no qual juntam Espiritismo, Catolicismo e Afro dos Bantos de Angola. Manifestam este sincretismo principalmente dentro do culto da Umbanda .

Muitas Escolas deixaram de ser aqui citadas . Nesta tentativa de entender-nos e ao universo, contamos ainda com o esforço de grandes pensadores.  Iogas orientais que introduziram suas práticas nesta parte do mundo e uma vasta lista de ocidentais : Van Der Lew, Dion Fortune , Ubaldi , Franz Hartman, Alberto Lira, Cenira R. de Figueredo. Lorens, Rodhen, Edwin Arnold, Geofred Hudson, Mabal Colins, Goldsmith, Brunton, Raymond Bernard e tantos outros.

Contudo, tal como professava um deles ,o grande e livre pensador Krishnamurti, ao aspecto intelectual desta ilimitada questão, sobrepuja-se o ouvir-se, o perceber-se a vida em si, o todo dia que vivenciamos. As religiões valem enquanto pretexto para agrupar homens, apresentando-lhes opções, caminhos, irmanando-os numa mesma busca. Farão, porém, o papel de limitadores se tentarem impingir-lhes seus próprios valores. Sua proposição é, sem dúvida, a de um intuitivo luminar, pois apenas a busca da Verdade poderá ser alimentada em cada homem. A Verdade em si confina-se ao limite da evolução de cada ser, é a sua porção perceptível e individual. Jamais poderá ser obtida através de qualquer meio de submissão.

domingo, 24 de novembro de 2013

Seres Iluminados


Em relatos ocultistas aparecem seres altamente evoluídos que já seriam -conforme afirmam- entes já viventes antes desta manifestação em que vivemos antes deste nosso “Dia de Brama”. Os escritos védicos do Bramanismo os chamam de Pitris, Rishis, Dyan Choans etc.
   Tais seres agiriam aproveitando qualidades latentes que as mônadas possuem, para auxilia-las a evoluírem.
    Os Pitris são chamados nos Vedas de “Progenitores”, uma vez que ajudaram na criação das formas  físicas, desde as mais primevas até aquelas que, sofrendo transformações, viriam a ser a forma atual do homem, a partir da primeira ,segunda, e terceira Raça.
    Já os Rishis, em cujo ápice está um ser que o ocultismo chama de Sanata Kumara, teriam completado a obra dos Pitris, dando aos nascidos na última sub-raça da segunda Raça um ego consciente, a inteligência, a mente.  Na terceira Raça os homens, já então possuidores de uma mente, aparecem nos livros bíblicos como o homem adâmico (observamos nesse estudo que o nome Adão é genérico, referindo-se a uma humanidade com mente). Este homem adâmico já contando com uma dualidade feminina e masculina (Adão e Eva).

O Caminho da Ascensão Espiritual.
    Nesta terceira Raça, como auxílio aos homens adâmicos, que iriam agora ter acesso ao discernimento entre o Bem e o mal, é composta a chefia do que agora conhecemos como a “Grande Fraternidade Branca” contando a humanidade desde então com um Manú, um Buda e um Maha Choan que sendo vários se alternam para auxiliá-la.
    Cada um deles trabalha num dos três setores da trindade logoica: o Manu com as energias do Poder; o Buda com aquelas da Sabedoria e o Maha Choan com as do Amor.
    A palavra Manú vem da raiz da palavra Mam (o Pensador, o homem com mente) Cada Raça, a partir da terceira, terá então um Manu dirigente. Sua energia se manifestará nos condutores de povos, nos heróis civilizadores, nos patriarcas como Noé, Decalião, Abraão, Rama, Manco Capac e outros.
    Budas são os instrutores dos princípios divinos. Faz-se também representar pelos Bodhisatwas como Kuthumi e Jesus.
    O Maha Choan trabalha com cinco maneiras do Amor expressar-se, chamadas pelo ocultismo de “A mão do Maha Choan”. Dirige então os Choans (senhores, mestres).
    Estes, apesar de trabalharem em setores diferentes, se igualam pelo objetivo comum que possuem de se dedicarem à humanidade em evolução. Trabalho que nomeamos de “Magna Obra”. Juntos, estes Choans, por seus objetivos idênticos, formam então uma egrégora (montante de energia similar) que chamamos de Shambala.

Shambala a luz que se almeja alcançar.
   Ao nos fixarmos em qualquer uma das cinco qualificações que são derivadas do terceiro Raio da Trindade Logoica, que são elas: Amor atividade; Pureza, Ciência, União e Misericórdia, através de cantos, orações ritos e meditações recebemos os efluxos desta egrégora dos Choans.
    Os Choans dedicam-se também a preparação (mental e intuitiva) de um Discipulado para aqueles que desejam evoluir conscientemente guiado por um destes mestres, numa espécie de budismo Mahayana (linha em que se evolui pelo auxílio de um mestre orientador). Estes postulantes a discípulos serão conduzidos sem a necessidade da presença física do mestre, pois -como disse- serão conduzidos mental e intuitivamente. Porém, o mínimo requerido é que tenham o objetivo altruísta de servir.
    Lembremos aqui a grande cooperação dada a estes Choans pela Legião Angélica que atua junto a eles como vórtices de energias dos sete Raios.

Princípios Herméticos


   Existem maneiras da energia Divina se comportar em relação aos seres humanos. Hermes Trimegisto, o grande iniciador do Egito antigo nos deixou sete princípios que nos ajudam a compreender como a energia Divina atua em nós, nos possibilitando agir, criar e evoluir.
   Os sete princípios herméticos são: o Mentalismo, a Vibração, a Correspondência, o Ritmo, a Polaridade, a Causa e Efeito, o Gênero.
   O Mentalismo é a mais potente energia que transpassa o universo material. A mente é a responsável por nossa parte criativa. Com a mente podemos dar eternidade às coisas. Exemplificando: Alguém planejou o modelo de uma cadeira A cadeira sendo feita terá determinada durabilidade. Um dia, ficará velha, acabará. Porém, o seu modelo forjado pela mente continuará válido. Poderá ser aproveitado em novas cadeiras quantas vezes for necessário. È eterno. È criação mental.
   Nosso estado de espírito depende também do estado de nossa mente, do que pensamos. Duas pessoas distintas, vivendo a mesma situação, uma poderá estar tranquila, outra agitada, dependendo do que cada uma estiver pensando, mentalizando sobre a situação.
 
 
   Em nossa mente existem dois tipos de energia. Uma a que chamamos de mente concreta. É a menos potente. Os conceitos que com ela formulamos não ultrapassam tempo nem espaço. Exemplificando: Formulamos um conceito que não será mais válido daqui a 50 anos e também não terá valor em outro pais, para outra região será inadequado.
   A outra mente chamamos de abstrata. Esta sim é capaz de estabelecer conceitos que se ajustam a qualquer época e a qualquer local. Notemos que os conceitos emitidos pelos grandes mestres iniciados são sempre de mente abstrata. Passam-se séculos e eles permanecem válidos e são usados por vários povos indistintamente.
   Os educadores lidando com alunos, além de dar a eles os ensinamentos que se ajustam à idade, ao clima em que vivem ao local aonde habitam etc, teriam que lhes dar algo mais: Um comportamento que pudessem levar a qualquer lugar e situação só assim despertarão neles as potências de sua mente mais poderosa, a abstrata.
   O mais frequente fenômeno da mente é a telepatia. Ela é a comunicação entre seres. Verifica-se muito o poder telepático entre mentes no caso de descobertas científicas. Acontece com frequência de um cientista numa parte do mundo estar inventando algo coincidentemente igual ao que outro, à grande distância, também está arquitetando. È o pensamento criador de várias mentes se unindo num processo telepático.
   Toda a influência da nossa mente em nós mesmo, em nosso ambiente ou em outrem depende, porém de outro princípio energético o da Vibração.
   Vibração: Tudo no mundo vibra tudo está em movimento interno e externo, emite ondas vibratórias. Quando pensamos , emitimos ondas de pensamentos, Quando sentimos emitimos ondas emocionais, quando falamos ,saem de nós ondas sonoras. Mesmo o nosso corpo se estiver doente ou sadio emite ondas. Recebemos ondas de uma pedra, de uma planta. As cores que enfeitam nosso mundo os sons que nossos ouvidos percebem, as paisagens que vemos, tudo aquilo que sentimos, ouvimos, vemos ,percebemos, é fruto do intercâmbio de ondas vibratórias entre nós e tudo aquilo que nos rodeia. A Vibração é o princípio do que chamamos de simpatia ou antipatia entre pessoas, são as ondas vibratórias emocionais ou mentais de intensidades diferentes ou iguais que se combinam ou não. Também o animismo ou o carisma de alguém é parte de sua potência vibratória.  Só um mundo preenchido de ondas vibratórias permite fenômenos telepáticos.
   Outro princípio que nos deu Hermes é o da Correspondência. Tudo o que acontece num dos nossos corpos se refletirá em outro. A maioria de nossas indisposições físicas provêm do estado de nosso corpo mental ou do emocional. Qualquer pensamento de inveja, ciúme, rancor tristeza, pode abalar nossa saúde física. Também o inverso se dará. Caso cuidemos bem da saúde através de boa alimentação, boa respiração, equilíbrio entre atividade e repouso, teremos mais capacidade de usar o poder mental.
 
Hermes divinizado na figura do deus Toth.
 
   Igualmente existe um correspondência entre macrocosmo e microcosmo, nós e o nosso habitat. O sol nos influencia, a lua nos influencia. Notemos a quietude proporcionada pela hora do entardecer, quando observamos o sol em seu declínio. Porque a natureza vai repousar dos raios solares, também nós passamos a sentir a indolência do repouso.
   O Ritmo é o princípio que nos diz: Tudo retorna nada realmente termina. Na ilusão de que algo sofre uma queda, acreditamos que este algo se rompeu definitivamente. .Porém, ele retornará de tempos em tempos ritmados para um recomeço de novo ciclo ativo. Um ciclo que será reiniciado com possibilidades e potências melhores. O Ritmo é responsável pela elevação e queda das nações, criação e destruição dos mundos, pelos estados mentais do homem. È a expiração e a inspiração de Brama. Credos, costumes, filosofias nascem, crescem, amadurecem, decaem e renascem renovados em ciclos rítmicos.
   Observemos agora a Polaridade: Tudo tem dos polos. Tudo é constituído por um par de opostos.  Onde está o teu defeito se esconde a tua qualidade. Todas as coisas se equilibram ao trabalharmos o seu oposto. Cada um de nossos defeitos se transmutam para atingir  a sua qualidade  oposta.
 
O Princípio Hermético do gênero.
  
O princípio de Causa e Efeito é o que os orientais chamam de “Carma”. Tudo obedece a uma cadeia de acontecimentos. Nada acontece ao acaso. Tudo vem de uma causa e corre para sua consequência. Toda e qualquer ação provoca uma reação. O “Cabaillon” dá como exemplo uma pedra que é deslocada de um lugar montanhoso e quebra o teto de uma cabana. Como causa lá estava a chuva que amoleceu a terra que suportava a pedra. A chuva, porém também teve o seu porque e assim infinitamente encontraremos causas e efeitos. Uma cadeia de sincronizações vão nos encaminhando a acontecimentos, encontros, etc, que a nós parecem casuais , mas que nos levam a cumprir o carma positivo ou negativo que plantamos, Colhemos de acordo com o que plantamos. Se alguém planta abóbora só poderá colher abóbora.
   Os frutos de nossos plantios comportamentais, emocionais e mentais retornam as nossas mãos como efeitos para que os analisemos, revisemos e os replantemos. O último dos princípios herméticos aqui revisto é o do Gênero.
   Tudo possui um princípio masculino e feminino. Toda mente humana é tanto objetiva como subjetiva. Hoje se estuda o lado esquerdo e direito do cérebro, atribuindo-lhes estas características. As coisas são por nós assimiladas num processo subjetivo, feminino, de receber impressões. Só concluiremos, porém nosso processo mental quando, objetivamente, com nosso princípio masculino, transformarmos tais impressões em atividade, com ela criarmos, fizemos algo. Que as nossas assimilações, impressões, sejam sempre aproveitadas num processo ativo de evoluir, eis a lei do Gênero. Um ser estará sempre em desequilíbrio se for apenas passivo, sem ativar-se ou se ao contrário, for muito ativo sem ter anteriormente feito observações e assimilações. Os hebreus cabalistas em sua “Arvore da Vida” enfatizavam sobremaneira o equilíbrio entre masculino e feminino, agindo em cada ser.
   Os fenômenos telepáticos se dão mais perfeitamente entre duas pessoas quando o emissor da mensagem tem a sua parte cerebral masculina mais desenvolvida e o recebedor o seu cérebro feminino mais potente. Acontece então da energia vibratória do princípio masculino de alguém ser projetado para o princípio feminino de outrem.
   Assim, Hermes, o Trimegisto, viu as energias divinas atuando em nós. Caso pudéssemos entender estes sete princípios por ele descobertos, poderíamos então manipular a nossa evolução mais conscientemente e com muito mais propriedade.
 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Reflexões sobre o Pós-Morte

Baseadas em crenças sem qualquer valor científico, mas que perante a minha própria razão, nunca encontraram qualquer resistência a serem aceitas como verdadeiras.
Mundo manifestado--- percepções sensoriais e experiências emocionais e mentais, no mundo físico, denso.
 
 
O Pós - Morte - O Mundo Astral 
 
   No pós-morte o corpo físico já se dissolveu, mas os outros dois (astral e mental) levarão suas consciências a viverem em mundos de substâncias muito mais sutis. Creio que existem mundos invisíveis a nós que nos envolvem, feitos de substâncias menos densas do que estas em que vivemos. Para mim, é impossível, contudo, imaginar tais mundos, pois desconheço as leis divinas que regem os corpos que neles vivem e o ambiente apropriado a viverem. Certamente somos protegidos por um esquecimento destes mundos sutis para que nos fixemos em nossa condição de seres em manifestação. (entendendo manifestação como disse acima, as vivências neste mundo físico).
Quando tentamos explicar tais mundos invisíveis, geralmente criamos fantasias que nos desviam da verdade. E, o pior, nos enredamos nelas, quando transferimos ao plano astral nossos ambientes terrestres, como se aquele fosse uma réplica destes, mesmo desconhecendo as leis corporais e ambientais que estruturam tal mundo que ,creio eu, deverão ser bem diferentes das terrenas.
   Reflito que tudo o que criamos aqui para o nosso conforto material, como uma cadeira, uma cama que repousará nosso corpo denso cansado, naturalmente será desnecessário para um corpo do mundo astral cuja substância é sutil. Também um meio ambiente, uma natureza que proporciona alimentos a um corpo denso, deverão ser diversos se forem alimentar um corpo sutil, ou, provavelmente, um corpo emocional nem necessite alimentos, necessite um meio ambiente que lhe suscite apenas fortes e variadas emoções.
  Quanto à comunicação entre encarnados e desencarnados, aceito que pelas leis telepáticas que são baseadas em vibrações mentais, uma vez que conservamos no pós- morte o corpo mental, esta poderá sim, ser estabelecida. Porém, vejo esta comunicação sempre apenas como um intercâmbio entre duas consciências mentais. Nunca um intercâmbio entre corpos.
  Acredito que, quando o corpo de um desencarnado é eventualmente visto em nosso ambiente , isto será sempre resultado de um fenômeno psíquico, com que nós, vivos, projetamos e materializamos um desejo numa forma pensamento.
  Pouco provável será também existir um inferno dantesco a esperar, quem quer que seja ,no mundo além, para ser consumido num fogo ou sofrer outros castigos corporais, tal como professam as linhas religiosas cristã, islâmicas, judaicas e algumas budistas, uma vez que o calor do fogo ou outras quaisquer mutilações não afetariam um corpo que já não seria físico.


  
  Ao aceitarmos isto, de novo estamos transferindo , a um mundo que desconhecemos, através de fantasias ,as mais imaginosas, as mesmas leis e comportamentos que usamos neste nosso mundo manifestado, denso.
   Contudo, é presumível que as reflexões sobre nossos erros, sendo elas feitas no mundo astral, que é predominantemente emocional, com certeza não nos serão também agradáveis ou serão até bastante dolorosas, dependendo da intensidade de nossos delitos. Porém, sempre podemos contar com as leis divinas da misericórdia já que elas estão sempre a nos perdoar, quando nos dão uma nova oportunidade de tudo recomeçar.
   Quanto ao que acontecerá aos relacionamentos afetivos que aqui no mundo manifestado estabelecemos, nada sei também das leis de vivências e relacionamentos que governam o mundo astral, mas entendo que , mais cedo ou mais tarde, num dos mundos invisíveis a nós do pós -morte , estaremos unidos às pessoas com quem afetivamente nos relacionamos. E, imagino que essa união se dará de uma forma muito mais intensa e prazerosa, pois os relacionamentos amorosos que tivemos, creio eu, tendem a sempre a se aprimorar, a nos encaminhar a uma mais perfeita unicidade entre seres, entre almas. Jamais acreditaria em um rompimento eterno, de algo que ao iniciar-se foi marcado pelo amor. (fosse ele um intercâmbio genético, familiar ou amigável)
  Talvez no mundo invisível astral, nossa consciência emocional espere a morte, tal como aqui a esperamos, talvez temerosos , talvez esperançados, por desconhecermos também o que iremos viver após a “segunda morte”.
  Terminada uma estada de nossa consciência num corpo e num mundo astral, este corpo que fora aqui em nosso mundo físico, um dos instrumentos para a evolução de nossa alma, findará, se dissolverá.
  Creio que nossa consciência levará consigo no pós –morte, em todos os mundos invisíveis por onde passar, um registro (que os hinduístas chamam de “átomo registro" de todas as nossas ações e vivências neste mundo denso. 

 
Mundo mental - O corpo inferior mais sutil,
invisível também a nós.

 
Após a segunda morte ,nossa consciência irá viver no mundo mental. Será nele que seres evoluídos se servem da potência de sua mente, que estará muito ativa neste momento, para enviar intuições e inspirações a escritores e instrutores do nosso mundo físico a escreveram obras espiritualistas que versam sobre o amor e nos suscitam a relacionamentos mais pacíficos e amorosos, ou sobre conhecimentos espirituais que não nos prendem ao atoleiro dos fenômenos psíquicos. 

 
Nossa Alma

 
Seguindo esta estada no mundo mental, será a ocasião de nossa alma, nossa mente abstrata, liberta agora daqueles seus instrumentos que usara para manifestar-se (físico, emocional) e mental) trabalhar os conhecimentos adquiridos em suas idas a este mundo denso ,para transformá-los em Sabedoria.

 
  Acredito (apenas intuitivamente , pois nunca encontrei qualquer crença que justificasse isto) que será neste momento do pós –morte que se dará o encontro de almas afins, que já concretizaram o amor entre si , cujo amor já é recíproco. É a hora dos perdões mútuos, se erros houve a serem perdoados, de reencontrarmos aqueles a quem amamos em vidas que passamos. Será esta, acho eu, a grande alegria que nos reserva o pós-morte, pois só uma alegria tranquilizando-nos pela longa espera deste reencontro , poderá nos proporcionar o repouso perfeito que logo virá. Este reencontro será a grande lição do valor, do regozijo proporcionado pelo amor, que ali serão imprimidos em nossa consciência, lição que nossa alma coletará para a sua evolução.
 
 
O Repouso Final
 
   Finalmente chegaremos a um repouso de consciência onde questionamento e reflexões cessam, onde, aliás, tudo cessa, porque entramos no “Grande Silêncio”. Só então concretizaremos aquilo que os antigos costumavam pôr em túmulos quando alguém ia para o pós-morte: “Aqui jaz em paz”. Ficaremos na sublime paz do repouso, independentemente daquilo que tenhamos sido ou de como nos tenhamos  comportado neste mundo físico manifestado.
  A paz final do pós-morte e o encontro com nossa própria mônada é um direito de todos nós, filhos de Deus .Pelo menos é assim que penso.
  Dentro deste repouso surgirá repentinamente (assim como nos acordamos a cada manhã),uma vontade de nos ativarmos ,nos manifestarmos, uma força poderosa (que os hinduístas chamam de  “Trichna” e então nossa alma recomeça o processo de reencarne.
  Recolherá o seu átomo registro, isto é, a sua bagagem de sua vida passada e juntando depois a ela os fatores genéticos de seus pais terrenos, renascerá como um feto. Teremos então ao nascer uma estrutura composta de : Mônada, alma(individualidade) ,bagagem passada e fatores genéticos. E, nos expressaremos através de nosso instrumento inferior, nossa personalidade ,nesse mundo visível e denso.

 
Conclusão

 
Caso um psicólogo lesse este escrito, certamente diria que ponho diante de mim uma perspectiva ordenada de um pós-morte, que afastará de mim aquilo que geralmente assusta e causa medo quando o assunto é morte: O desconhecido.  Poderá até ter razão. Porém, sempre pensei que o conhecimento deslumbrante da Ciência que, auxiliado por aparelhagens cada vez mais potentes, devassa este incomensurável universo, pode não ser tudo o que  a nossa consciência pode alcançar em sabedoria; que outro tipo de conhecimento que não diz respeito à “face de Deus manifestado” estudado pela Ciência, permanecerá ainda por muitas eras oculto a  nós. Será ele um complemento a este seu fabuloso papel, mas que não caberá a ela,  Ciência, devassar.
  Creio que o espiritualismo originário da mais arcaica Antiguidade tribal, buscando o que chamamos de Deus, e que via nos astros ,como o sol apenas a Sua  representação, permanecendo teimoso, constante, ao lado das mais esplêndidas descobertas científicas (apesar de todos os erros que tal caminho espiritualista já engendrou) terá a sua razão de ser.

 
  Acho pessoalmente que estes dois desejos: O da pesquisa científica (estudando o universo passível de ser estudado por aparelhagens e experimentações) e o da busca espiritualista (querendo devassar apenas por intuições o Imanifesto) em um futuro longínquo chegarão a um conhecimento dual onde se completarão. Conhecimento que nós levará por fim à plenitude da Sabedoria que nossa mônada  contém , e que nossa alma alcançará.
  Como creio numa eternidade que se descortina à minha frente, enquanto passo várias vezes pelos períodos de vida e de pós–morte, de vida e pós–morte, sucessivamente, espero tranquila que este estado de consciência, de plenitude que atingirei num futuro, chegue.
  Naturalmente, que todas estas reflexões sobre o pós-morte ,como acima descrito, só poderão ter validade para alguém que acredita ter uma alma imortal, e que além disso creia, como eu,  em mundos ocultos, indevassáveis, nos envolvendo.
 

sábado, 24 de agosto de 2013

O Cristo: Uma revolução do pensamento. Uma ideia antecipada do Humanismo.



Ignorando o persistente debate entre facções de historiadores do Novo Testamento sobre esta questão: Seria o Cristo consciente de ser ele o Messias esperado pelas Escrituras Hebraicas e assim sempre, justamente, se autointitulando, como em muitas passagens do Evangelho o faz?  Ou talvez tais passagens seriam apenas enxertos, feitos posteriormente pela Igreja que se estruturava, para fazer de Jesus um mito que servisse aos seus propósitos?

    Sem fixar-me em tais ideias contrárias, e também deixando fora as partes do Novo Testamento em que acontecem as curas feitas por Jesus, e ainda as especulações sobre a época certa de seu nascimento, meu desejo aqui é apenas abordar os ensinamentos, transmitidos por este inigualável mestre aos seus apóstolos, segundo nos são relatados nos evangelhos daqueles dois discípulos que com ele conviveram: Matheus e João. Ensinamentos estes de uma profunda universalidade e humanidade, que não só auxiliaram seus discípulos a viverem melhor dentro de sua conturbada sociedade, mas que a nós, homens atuais, também valerão como poderosos recursos que nos tranquilizarão e guiarão para fazermos face à nossa confusa modernidade.

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 Para melhor entendermos os ensinamentos do Cristo, é necessário nos reportarmos à época que o antecedeu e com a qual ainda convivia: A do Velho Testamento, grande livro da tradição judaica.

    É de se notar o sentido absolutamente diverso que o Cristo dava as palavras: Deus, Senhor, Pai e Reino dos Céus, daquele que lhes davam os judeus do Velho Testamento.

    Para estes, Deus, Senhor, Pai, era um autoridade altamente nacionalista, pois sempre atuava em favor de Israel; senhor de um Reino, de um Céu distante a quem obedeciam a fiel e fanaticamente, sem que lhes fosse dada a oportunidade de pensarem por si próprios ,uma vez que isso ocorrendo, resultaria em uma culposa desobediência.

     Tal autoridade era algo imaginado externo a eles, que os obrigava a atos os mais cruéis, mas pelos quais recebiam sempre o beneplácito do perdão, que os isentava de culpas, uma vez que provinham de normas da autoridade daquele Senhor Deus distante, sendo, portanto inquestionáveis.

    Assim, as grandes figuras do Velho Testamento, como Josué e Moisés, os vemos inseridos em episódios onde o extermínio de uma inteira comunidade eram atos justificados por serem vistos como benéficos à Israel.

    Vemos então Josué, na tomada da cidade de Jericó, matando tudo o que encontrasse pela frente à fio de espada, nada poupando, nem crianças, velhos ou animais. Após amaldiçoar com castigos do Senhor a quem ousasse reconstruir a cidade, a queimou. Ali, para um homem de nome Acan, que ousou esconder para si bens como prata e ouro, os enterrando, o Senhor ordenou à Josué que os israelitas o apedrejassem e depois lançassem ao fogo ele, sua família e tudo que lhe pertencesse.

   Era a visão do “Olho por Olho e Dente por Dente” do Senhor justiceiro do Velho Testamento, ali se cumprindo. Por estes e outros cumprimentos de ordens, Josué, é cultuado como um modelo de perfeita obediência.

    O próprio episódio belíssimo de Moisés, atravessando o Mar Vermelho e percorrendo, numa jornada árdua, um grande deserto para salvar os israelitas do cativeiro egípcio, deixa enfraquecido o seu mérito próprio, quando é contado que ele apenas obedecia a um Senhor externo a ele. Senhor este que, surpreendentemente, o induzia também a atos os mais cruéis.

     Já ali mesmo, o Senhor lhe ordena para conclamar todos os homens pertencentes a tribo de Levi, para se vingarem daqueles que adoravam a estátua de um bezerro de ouro, que para eles representava o Senhor. “Assim havia sido ordenado a Moisés: “Mate todos os adoradores do bezerro, fossem eles irmãos, mães ou amigos” O que, naturalmente, Moisés fez”.

    Ele, por tradição hebraica de obediência às normas autoritárias do Senhor, deixou de utilizar sua própria consciência de grande líder que, por sua história passada no Egito, sabemos que era, e que lhe possibilitaria resolver por meios muito mais brandos, estes problemas que surgiam na condução do povo que levava à Terra de Canaã.

    Sempre obediente Moisés em seu 5º Livro, o “Deuteronômio” nos fala sobre os castigos dados por este terrível Deus do Velho Testamento (lV 26-14-46).

    “Se não deres ouvido à voz do Senhor teu Deus, não cuidando em cumprir tudo o que ordena , virão todas estas maldições sobre ti e te alcançarão:

     Maldito serás na cidade ou no campo, maldito será o fruto do teu ventre e as crias de tuas vacas e ovelhas. O Senhor fará que a pestilência te pegue. O Senhor te ferirá com a tísica, a febre, a inflamação, o calor ardente, com o crestamento e isto te perseguirá até que pereças. O Senhor te ferirá com úlceras do Egito, com tumores, com sarnas e pruridos de que não possas curar-te. O Senhor te ferirá com loucuras, com cegueira e perturbação de espírito.”.
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   Aquelas ordens altamente punitivas e rigorosas nada pareciam estar conseguindo para mudar as muitas infrações cometidas pelos homens de Israel.

    O Cristo, numa revolução pacífica, dirigida unicamente ao despertar de uma autoconsciência interna em cada indivíduo, tentou reverter estes episódios que enchiam de atos cruéis e vingativos o Velho Testamento e sua própria cidade.

    É de supor-se que o Cristo concebesse uma inteligência suprema magnânima que conduzia o universo e que-segundo disse- “fazia nascer igualmente o sol sobre maus e bons e cair chuva sobre justos e injustos” chamando-a conforme a linguagem de seus contemporâneos judeus, de Pai Celeste, como muitas vezes aparece nos Evangelhos, um Deus este muito diverso daquele crudelíssimo do Velho Testamento.

    É, contudo surpreendente que Jesus atribua também a nós uma consciência pensante em nosso íntimo, a que chama também de Pai, Deus e Reino dos Céus, como se fossemos nós uma extensão daquela soberba inteligência universal, que ela estivesse também a desenvolver-se dentro de nós. Senão, vejamos o que diz claramente a seus discípulos:


“Procura o Pai dentro de ti e tudo te será dado em acréscimo”

    Ideia absolutamente nova para aqueles discípulos israelitas para quem o Pai, Deus, era algo distanciado deles.

    Ao ser indagado: Quando o Reino dos Céus vai chegar?

 (promessa feita pelo Velho Testamento a quem obedecesse ao Senhor)

    O Cristo contesta:

    “Na verdade vos digo que o Reino dos Céus já está dentro de vós”

    Aqui, Jesus dá uma conotação absolutamente contrária ao Velho Testamento, ao colocar o Reino dos Céus como uma força, um verdadeiro reino que internamente possuímos e que nos traria a liberdade de pensarmos por nós e concretizarmos atos conscientemente.
    “Mestre- também lhe indagaram os discípulos- O que se assemelha ao Reino dos Céus?
   O cristo responde:

   “Ele é como um grão de mostarda que um homem plantou em sua horta, cresceu, fez-se árvore e sob seus ramos as aves do céu vieram abrigar-se.”



  Quanto a este céu interno, diz ainda Jesus:


   “Não vos preocupeis em acumular tesouros na terra, mas ajuntai para vós tesouros no céu (o que ele entendia por céu) onde as traças não comem e a ferrugem não corrói, e os ladrões não podem roubar.”

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    Quando o Cristo falava sobre dar-se valor, não à normas autoritárias, mas à uma consciência pensante interna, os Fariseus maliciosamente quiseram enredá-lo em suas próprias palavras contra o Sinédrio Judaico e lhe perguntaram: “É certo pagarmos nosso imposto, nosso tributo à Cezar?”.

   Jesus que conhecia com que malícia o arguiam lhes disse:


   “Mostrem-me um denário” 
(moeda romana)


   Assim , quando mostrado, havia nele uma efígie de Cezar. Jesus então respondeu:


“Daí á Cezar o que é de Cezar e a Deus o que é de Deus”

    Além do Cristo –como ele próprio disse- considerar também Deus como uma consciência oculta em nós, sabemos que, nesta ocasião, os judeus haviam feito deste tributo uma questão religiosa de grandes proporções, criando partidos opostos que, segundo as leis mosaicas, e se resolvida pelo Sinédrio, poderoso templo administrativo e religioso judaico, iria gerar conflitos sangrentos, principalmente contra os Publicanos, judeus empregados como cobradores de impostos para os romanos.

   O Cristo, grande pacificador, então colocou este pagamento em seu devido lugar e importância. Mostrou-lhes que aquela era apenas uma questão material e que nada tinha também a ver com as questões de foro íntimo que eram o propósito de suas pregações.  Repetiu que aquilo que desejava de seus discípulos era tão somente o desenvolvimento daquela consciência pensadora que lhes daria discernimento próprio, para distinguirem o que tinha valor material daquilo que possuía um valor espiritual. Enfim, que os seus discípulos dessem a este episódio apenas a importância que lhe era devida.

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    Completando suas ideias de termos uma voz material não discernidora e uma voz interna, duas faces distintas, o Cristo nos deixa essas palavras ditas a seus apóstolos e seguidores:


  “Ouvistes o que foi dito pelos antigos: ”Olho por Olho, Dente por Dente”. Pois eu vos digo: Não resistais a um malvado. Se alguém vos esbofetear numa face oferece-lhe a outra.”.



   Aqui, Jesus é enfático, é incansável, ao mais uma vez lhes chamar a atenção para as duas faces que possuíam: uma material, outra espiritual, abstrata, pensante, que ainda desconheciam. Enfim, se alguém lhes agredisse na face material, lhe mostrassem que possuíam uma face mais resistente, intocável. Que recorressem enfim a uma fortaleza interna para serem invulneráveis à calúnias, incompreensões, a tudo que pudesse vindo do externo, lhes abalar emocionalmente.

   A reforma às leis justiceiras do Velho Testamento, que pretendia Jesus, neste episódio, torna-se perigosamente explícita.

   Dali a muitos anos será Paulo de Tarso, seu grande divulgador, que irá novamente falar nestas duas vozes, faces, que sentia nele serem conflitantes, quando diz: “Deixo de fazer o bem que Eu quero, para fazer o mal que eu não quero”.   Lastimando Paulo, não seguir a voz interna que o levaria a praticar boas ações.


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   É verdade que do Cristo originou-se um grande tronco religioso: A Igreja Cristã. No entanto, revoltando-se contra as regras religiosas do Sinédrio, Jesus antecipou-se em mais de mil e quatrocentos anos a Thomas More, o grande humanista inglês, que em sua “Utopia” se rebelava contra os castigos cruéis, as perseguições religiosas, sendo depois decapitado pelo rei Henrique VIII.

   Antecipava-se também ao “príncipe dos humanistas”, Erasmo de Roteada, que censurava os costumes, o fanatismo, os preconceitos e todas as manifestações de ignorância de seu tempo.

     Não tendo se dedicado à Ciência ou as Artes (grandes revoluções humanísticas do sec. XIV) antecipou-se, contudo, ao pensamento humanista da entrada da idade moderna, preocupando-se com a felicidade íntima e com o relacionar-se social perfeito de um homem para com outro homem.

    Tal preocupação permeou todo o seu trabalho, seja nas palavras dadas a seus discípulos e seguidores, seja através de Parábolas.

   

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    Aproximando-se Pedro do Cristo, lhe perguntou: “Mestre, quantas vezes perdoarei a meu irmão, quando houver pecado contra mim? Até sete vezes?”.

   Responde Jesus:


  “Não digo para perdoares até sete vezes, mas, até sete vezes sete.”



    Sucedeu que estando o Cristo à mesa, muitos Publicanos e infratores vieram e tomaram lugar junto a ele. Vendo isto, os Fariseus perguntaram aos discípulos: Por que come o vosso mestre com estes pecadores?

    Jesus ouvindo, disse: 

   “Os sãos não precisam de médicos e sim os doentes. “Ide e entendei o que quero: Misericórdia e não holocaustos.  (Sacrifícios exigidos no Velho Testamento) Não vim chamar só os justos, mas também os pecadores.”.


   É de notar-se que Matheus, seu discípulo, era um Publicano, cobrador de impostos para Roma, que gerou por isso resistência dos outros discípulos para integrar-se ao grupo. O Cristo, porém, lhe abriu os braços, o escolheu, já vendo nele o que futuramente seria: Um de seus mais puros seguidores.


                                                    *********




    Escribas e Fariseus trouxeram a Jesus uma mulher que fora surpreendida em adultério. Pondo-a no meio do povo, disseram-lhe: “Mestre, esta mulher acaba de cometer adultério! Ora, Moisés, pela lei e em obediência ao Senhor, ordena que se apedreje as adúlteras. Qual sobre isto é a vossa opinião?”.

  O Cristo que estava abaixado escrevendo alguma coisa na areia, apenas disse:


  “Aquele entre vós que estiver sem pecado, que atire a primeira pedra.”


    Os homens foram então um a um se retirando, ficando a mulher a sós com Jesus e este lhe perguntou:


  “Nenhum homem te condenou?”


   Ela respondeu: Não, senhor.

   Pois eu também não te condenarei. Vai-te e não peques mais."


   Seu espírito indulgente, sempre pedindo a seus apóstolos que não se absolvessem do mesmo mal com que condenavam os outros; seu poder benéfico sobre quem o ouvia era tão grande, que esta mulher, Maria de Magdala, regenerou-se e seguiu-o como fiel discípula até sua morte.


                                                   ********


    Enfatizava o Cristo a necessidade de termos o coração livre de mágoas e rancores quando queríamos obter graças. Dizia:


   “Se fores ao altar dar a tua oferenda e lá te lembrares de que teu irmão tem queixa contra ti, vai primeiro reconciliar-te com ele, e só então depois voltes para depositar a tua oferenda.”


   Falava, sobretudo sobre a oferta dada por amor e aquela dada por ostentação.

 Segundo ele, esta ultima nada nos somava espiritualmente. Era claro neste pensar: 

“Não saiba a tua mão esquerda o que deu a direita”

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    À todas estas pérolas de sabedoria juntemos estas:


  “Por que vês uma trave no olho do teu irmão e não percebes a que trazes no teu próprio?”



  “Tudo o que desejais que os homens vos façam, fazei-o vós também a eles. Nisto é que consiste toda a lei e todos os profetas.”


  “Digo a vós outros que me ouvis: Amai o vosso inimigo. Fazei o bem a quem vos odeia. Se amais apenas aquele que vos ama, qual é o vosso mérito?”


   Quando Israel desdenhou aquele Reino dos Céus interno, aquela consciência pensante oferecida por Jesus; quando os romanos temeram sua grande influência e o Cristo foi conduzido à cruz, deixou ele esse pedido a seus discípulos, e a todos que ali já o seguiam:


   “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”


   Já na cruz, perdoou seus algozes, e minimizando aquele ato cruel, dirigiu-se talvez a seu Deus interno (ninguém sabe) lhe dizendo:


    “Pai perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem”.


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     Parábolas foram histórias em que ilustravam suas ideias humanitárias e foram elas imprescindíveis para se fazer entender por pessoas muito humildes.

    Nesta, o Cristo alertava aqueles que se consideravam muito justos e capazes, mas desprezavam os demais:


  “Dois homens subiram ao templo com o propósito de orarem. Um Fariseu, e o outro um Publicano. Ficaram lado a lado. O fariseu orava assim: Ó Senhor, graças vos dou porque não sou tão ignorante e impuro como este Publicano!

  Já o Publicano apenas batia no peito para, humildemente, pedir: Senhor sê propício e misericordioso comigo, porque sou um grande pecador!”


   Qual dos dois- perguntaram-lhe os discípulos- mereceu uma graça?  Jesus responde:


  “Só o Publicano é merecedor dela, pois só o humilde, o modesto, poderá ser exaltado.”


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    Após tantos séculos em que mantivemos um culto à figura deste mestre, através apenas de um apelo emocional, enfatizando sobremaneira seus sofrimentos na cruz (vendo-o como um Cristo esquálido e mutilado), sem darmos a atenção devida as suas mensagens humanitárias, nossa juventude cristã, volta-se agora finalmente para elas.

    Já hoje, lembram um Cristo não fixado apenas em adversidades, que conclamava seus numerosos seguidores para que em meio à atribulação de suas vidas, percebessem nelas qualquer detalhe positivo para amarem, algo que desse a elas sentido.

    Era mesmo lá, naquela situação de adversidades em que se encontrava a Judéia de seu tempo, que mostrava a seus discípulos como, em meio à vicissitudes, sempre encontrariam o que os iria encantar e entusiasmar. Assim lhes dizia:


  “Olhai os lírios do campo! Nem Salomão em toda sua grandeza, vestiu-se com tanto esplendor!”.


   Sua simplicidade ao conviver com leprosos, prostitutas e toda sorte daqueles conhecidos como “pecadores” e a lição de humildade que dá, no episódio em que lava os pés de seus discípulos, são qualidades que passam agora a ser reconhecidas como grandes valores cristãos.


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    Hoje, mais de dois mil anos após seu trabalho, uma das maiores organizações mundiais, a Igreja Católica, as vezes por bem, as vezes por mal, estruturou-se sobre a sua extraordinária personalidade. Porém, a maioria de seus seguidores ainda sentem dificuldade em concretizar seus ensinamentos.

   É, no entanto, o próprio Cristo Jesus, que ilustra, em uma de suas mais belas Parábolas, as dificuldades que um instrutor, como ele, tinha em ser entendido: A Parábola do Semeador.

   Numa visão espiritualista, o Semeador é o próprio Cristo e a terra são os homens da humanidade, acessíveis ou não à semente de sua mensagem.

  “Um semeador saiu com um cesto a semear. A primeira remessa de sementes cai fora da terra. Não germina.

    A segunda semeadura cai em meio a um solo confuso, cheio já de entulhos, de pedras que a esmagam. Também não germina.

   O terceiro cesto de sementes é jogado sobre uma terra com tão pouca profundidade, com tão pouca base, que ao primeiro dissabor, ao primeiro raio de sol mais forte , a semente que já florescera, morre. 

    Finalmente, o semeador encontra uma terra fértil, acessível, de imensa profundidade. Suas sementes então frutificam e se fazem árvores frondosas que todos em sua sombra podem abrigar-se.”.