Mostrando postagens com marcador simbolismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador simbolismo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 11 de março de 2024

Símbolos nos Templos Cristãos

 Visitar templos cristãos é adentrar um manancial revelador da simbologia cristã, da vivência do Cristo e do desenvolvimento dos períodos históricos em que foram edificados.

    Aquilo que nos indica um de seus templos é a cruz que encima a sua construção. Ela logo nos relembra cada homem entrando na vida terrena, crucificado na matéria para vivenciar experiências de dualidades. Tentando harmonizar opostos como alegria e tristeza, amor e ódio etc. Simbolizados nos braços verticais e horizontais da cruz.

     A Cruz – diz Fulcanelli em sua bela obra “O mistério das catedrais” – é o crisol onde até o próprio Cristo sofreu sua Paixão. É enfim uma purgação onde renovamos sentimentos e evoluímos.

Bourbon Marie, o sino da catetral
de Notre-Dame consagrado à Virgem Maria.

Muitos templos destacam-se por possuir em seu adro um cruzeiro de pedra, mormente as construções franciscanas. O conjunto religioso de capela e monastério dos monges Cartuxos, nos Alpes de Chartreuse (França) num cruzeiro à sua frente, dá à sua cruz o simbolismo da permanência da mensagem crística, pelo que traz escrito nele: “Mudam e mudam os mundos, mas a cruz permanece sempre girando em direção aos céus”.

    O Sino é outro elemento importante na torre de igrejas e capelas. Ao soar, chama os cristãos para um contato entre o transcendente e o material. Chama o homem para que ouça a voz divina, a harmonia cósmica.  Hoje, o som dos sinos se perdem entre a selva de edifícios de uma metrópole.  Porém, nas pequenas comunidades ele faz também a função de unir seus habitantes, anunciando um novo nascimento, um enlace e um rompimento de morte.

    O Galo é também um símbolo cristão já usado, porém, dentro do paganismo. Neste, anunciava com seu canto matinal, a luz de Apolo, deus solar que chegava. No Cristianismo, ele é a presença da ressurreição, da vigilância e do chamamento. Enquanto o homem dorme (também espiritualmente) o galo vigia. Depois canta três vezes para acordá-lo.

Anuncia o surgir de um novo dia, chama o homem a um despertar, uma ressurreição.

    Já possuía um significado transcendente de vigia e chamamento ao tempo de Jesus. No Evangelho de São Marcos, este diz: ”Sê vigilante, pois nunca sabeis quando o vosso mestre virá vos chamar. Se será esta tarde, no meio da noite ou na madrugada quando o galo cantar”. Sobre a torre de uma igreja cristã ele é o emblema solar do Cristo, a chamar para a supremacia da luz sobre as trevas humanas.

    Labirintos são também priorizados nos solos dos templos cristãos. São círculos concêntricos que interrompidos em certos trajetos tornam difícil encontrar aquele que conduz ao seu centro. O seu ponto central simboliza o mais íntimo de cada homem, onde este pode encontrar sua própria divindade. Percorrendo os caminhos daqueles desenhos labirínticos vivemos sensações angustiantes de nos perdermos; de frustrações por crermos que jamais chegaremos ao centro, vamos enfim vivendo emoções que nos levam à interiorizações para nos conhecermos, vencermos nossos medos, para enfim atingirmos nosso próprio âmago. Uma verdadeira Iniciação.

Labirinto da catedral de Chartres.

    O símbolo do labirinto foi também consagrado desde os tempos mitológicos gregos. Lembremos a fortaleza de Creta onde, no mito, em seu centro tentávamos matar nossas inferioridades, nossos monstros internos, simbolizados no Minotauro que Teseu por fim matou para tornar-se um herói vencedor.

    Já também o mausoléu de Augusto em Roma fora construído na forma de um labirinto, talvez aproveitando a idéia grega de que, através de um labirinto, sua alma chegasse ao estado paradisíaco de vitória.

    A um cristão, além da busca por seu próprio âmago, o labirinto significava os difíceis caminhos das peregrinações, por onde alguém queria chegar a um local sagrado, a um local considerado um ônfalo, um centro do mundo.

    Quando as Cruzadas medievais do sec. XIII impossibilitaram as peregrinações à Jerusalém, então considerada um centro sagrado para o cristão europeu, este passou a usar os labirintos desenhados no chão das catedrais, em especial aquele da catedral francesa de Chartres. Neste imenso labirinto de duzentos metros, eram feitas então viagens simbólicas à cidade santa.

    Nos altares, ali estão também as Velas com sua simbologia de luz. Elas nos lembram um tempo em que, como primitivos tribais, dançávamos em redor de um fogo para homenagear o deus que era o sol, o fogo para os tribais. Hoje, o fogo de uma vela ainda representa o próprio Deus, um deus interno no qual nos movemos e existimos e a acendemos quando, num rito, queremos contatar e reverenciar o divino.

    O pelicano com sua lenda de que ao sentir que seus filhos estão famintos, rasga o peito com o bico para alimentá-los com o seu sangue, é o símbolo do sacrifício. Nenhum símbolo - pensam os cristãos- se ajusta tanto à figura do Cristo que como salvador sacrificou-se para ajudar a humanidade. Assim, em muitos templos cristãos em pinturas e esculturas o pelicano se faz presente. Quem visitar o deslumbrante esplendor da igreja de São Francisco na Bahia verá de tanto em tanto, em meio a sua ofuscante arte barroca, imagens de vários pelicanos negros.

    O Cristo é naturalmente o ser mais glorificado em seus templos. Já na parte externa das igrejas românicas e góticas, em seus tímpanos que sobrepõem suas portas principais, Ele aparece em seu papel de mestre instrutor, onde é chamado de “Cristo Pantacrator”. O Cristo traz sempre numa das mãos um livro, símbolo da instrução e com a outra mão nos abençoa com um mudra onde tem levantados os dedos indicador e médio.  Nesta concepção, o Cristo está sempre cercado pelos 4 animais do Apocalipse: o leão, o touro, a águia e o homem, identificados aos 4 evangelistas: São Marcos ao leão, São Lucas ao touro, São João à águia e Mateus ao homem. No início do cristianismo esses animais eram identificados apenas ao Cristo. Era dito que Ele viveu como um homem morreu como um touro imolado ergueu-se do túmulo com força de um leão e ascendeu aos céus como uma águia. Posteriormente, esses animais foram identificados às qualidades dos 4 evangelistas, sendo desde então requeridos aos discípulos de linha cristã que desenvolvam além da consciência do homem, a coragem do leão, a persistência do touro e o desejo de liberdade da águia. Em outras concepções do Cristo instrutor ele está apenas cercado pelos 4 evangelistas.

 Sua genealogia como descendente de Davi é expressa também em obras de arte que são as Árvores de Jessé, este pai de Davi, sempre principia a origem genealógica do Cristo, dando a Ele a sua realidade histórica. Assim, no belíssimo Pórtico da Glória da catedral de Compostela entre 200 esculturas de granito, aparece na parte inferior Jessé dormindo. Segue-se para cima o rei Davi, grande músico, tocando harpa. Depois a Virgem e finalmente o Cristo. No retábulo de ouro da catedral espanhola de Burgos, Jessé dorme enquanto de seu corpo partem galhos com as imagens dos ancestrais do Cristo. Aparecem ali em evidência São Joaquim e santa Ana, os avós do Cristo.

Cruzes das catedrais bizantinas da Rússia.

    A transfiguração do cristo é outro motivo para retábulos de ouro. Neles, o Cristo está sempre acompanhado de seus três discípulos: Pedro, Tiago e João. Conta-se que os três representam ali as três energias que o mestre havia desenvolvido neles: Pedro a obediência, Tiago a valentia e João o amor. Acima, o Cristo está sempre glorioso, de braços erguidos como se atendesse a um chamado espiritual.

    Algo que nos chama a atenção nos templos cristãos são as Virgens Negras. Quando o Cristianismo difundiu-se pela Europa, encontrou ali uma grande devoção à mãe terra do Paganismo. Proliferavam os locais onde se adorava aquela energia que, vista como saída dos minérios do interior da terra era idealizada como uma mulher de cor negra. Sobre estes locais, a Igreja colocou depois os grandes santuários à Virgem. Na França, as famosas Notre Dames. Aproveitava-se assim a grande força votiva existente naqueles locais e o hábito de neles a Virgem ser reverenciada. Porém, mesmo hoje em criptas subterrâneas e úmidas, que na Antiguidade eram subterrâneos considerados as moradas das deusas mães, encontramos hoje as chamadas pelo Cristianismo de “Virgens Parituras, isto é, relativas a uma terra primitiva, à  matéria  ainda não fecundada”. Bons exemplos são as da cripta da igreja de Chartres, também a Virgem negra da catedral de Le Puy  e ainda aquela da cripta de São Vitor em Marselha.

Na Provença encontramos uma grande veneração a uma Virgem negra. Esta, sem ligação com a mãe terra do Paganismo. Refere-se a uma serva negra que teria chegada ali com as três Marias que teriam vindo da Palestina após a morte de Jesus para pregarem a mensagem crística na França. Tais Marias deram o nome à cidade: Stas. Maries de La Mer. A serva negra tornou-se ali a grande devoção dos ciganos locais. Sua estátua, dentro da catedral sai dali anualmente apenas para ser reverenciada em grandes festejos e procissões.

    Momentos históricos diversos produzem estilos diversos em templos. Assim, na Idade Media tivemos o estilo Românico, fechado, pesado escuro, com poucas aberturas revelando um homem medieval oprimido, sem oportunidade ou capacidade para externar-se.  Tal estilo duraria até o sec.XIII quando então seria substituído pelo Gótico.

    O século XIII surgia com mudanças, com o homem tendo oportunidade de conhecer novos povos, novas mentalidades, despertando para a sua individualidade. Abria-se para novos mercados num renascimento de indústria e comércio. Assistia a difusão do ensino secundário, a abertura até de universidades, organizava então Ligas para defender seus direitos contra senhores e reis.

    Quando no século XIII dá-se o apogeu da literatura medieval, o homem passa a ver Deus como manifestação, abertura. Então, no estilo Gótico, o homem levanta os olhos para o alto, para as inúmeras torres pontiagudas das catedrais. A nova indústria de vitrais coloridos enfeitam as muitas janelas e rosetões das Góticas para deixar passar a luz. Deus é enfim Luz. Assim, temos entre inúmeros exemplos o templo gótico de Leon na Espanha que conta com 125 janelas de vitrais.  Um verdadeiro esplendor.

 “A palavra “Gótico” é explicada de duas maneiras: “Historiadores dizem ser um termo pejorativo que os arquitetos medievais deram ao novo estilo expandido na França,  termo originado de” Godos “, bárbaros franceses, visto então como um estilo de primitivos. Já os ocultistas medievais e também os atuais, explicam que o termo ”Gótico“ seria uma deformação linguística da palavra” argótico”. O argótico seria uma arte mágica. Ela define uma linguagem pela qual indivíduos comunicam seus pensamentos por símbolos, sem serem compreendidos pela maioria daqueles que os rodeiam. É enfim uma cabala simbólica. Hoje o ocultista diz de um homem astuto: Ele sabe tudo, entende o argótico. (Fulcanelli, El mistério de las catedrales, pág. 62).

    Muitos iniciados perseguidos como foi o caso dos Gnósticos e Cavaleiros Templários, estes financiadores dos templos góticos, junto aos maçons arquitetos, colocaram neles seus conhecimentos esotéricos através de simbologias que  apenas poucos entendiam.

   Temos como exemplo a estátua de um velho chamado “O Alquimista”, nas partes altas da Notre-Dame de Paris. Sua figura meditativa traz sobre a cabeça um gorro. Tal gorro é um sinal distintivo dos grandes Iniciados.  Foram usados também como talismã protetor pelos “sans culottes”, revolucionários franceses. Só poucos vêm nele a figura de um discípulo do caminho iniciatório. È ainda Fulcanelli na mesma obra já citada acima quem nos relata.

    Os templos medievais invariavelmente têm o seu altar-mor no Oriente, onde nasce o sol, de forma que os fieis ao entrarem neles façam frente à Palestina, onde nasceu o Cristo. Por esta disposição o grande rozetão da fachada principal é iluminado pelo sol poente, de maneira que o fiel que adentra aquelas catedrais  saiam das trevas indo em direção à luz, ao próprio Cristo, fazendo junto ao sol um renascimento.


sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Símbolos Natalinos


   Na época que antecede o natal, quando corremos para a compra dos presentes, para a preparação da ceia, pensamos que aquela alegria que temos depois com a reunião familiar, com a troca de presentes, etc, é toda a alegria que o natal pode nos dar. Não imaginamos  então que não estamos alcançando toda a intensidade de sentimentos que um natal bem compreendido poderia nos trazer. Nesta data, geralmente repetimos a grande falha da nossa época: Viver os nossos momentos mais importantes superficialmente. Às vezes, os estamos vivendo sem nos dar conta de sua importância, só vemos que foram importantes quando já passaram. Vulgarizamos circunstâncias, datas que poderiam fazer de nós pessoas muito mais entusiastas, profundas e felizes. Poderíamos então encontrar no natal, assim como em outras datas, valores que enriqueceriam nossa vida e que consequentemente tornariam sem relevância coisas que nos angustiam as quais atribuímos uma importância que na realidade elas não têm. Todas as datas comemorativas querem por em relevância, assinalar um sentimento, uma energia que são importantes para a nossa evolução; dia das mães, dia da pátria, etc.

   O natal cristão, tradição do ocidente, comemora uma das mais tocantes mensagens que o mundo já recebeu de uma líder. Como todas as datas comemorativas ela vem acompanhada de seus componentes simbólicos: A ceia, o presépio, os magos, pinhas, etc. Vamos estudar então cada um destes símbolos:

   A CEIA: A ceia é a mais antiga das tradições natalinas. No primeiro ano após a morte de Jesus, ela é feita pela primeira vez por seus discípulos, que relembravam assim os últimos momentos em que numa ceia, estiveram reunidos com o seu Mestre. Para os 12 discípulos, enquanto eles viveram, esta decisão de relembrá-lo passa a ser mantida anualmente. Pouco a pouco, cada novo seguidor do Cristianismo passa a fazer em seu próprio lar uma ceia com a participação de todos os familiares, como uma afirmação de que haviam aceitado as mensagens deixadas pelo nazareno.

   Mais de dois mil anos após esta tradição é o ponto máximo da noite de natal. A ceia tem principalmente um sentido grupal. Quando nos sentamos frente à mesa natalina, o que deveríamos na verdade nos conscientizar é que participamos de um grupo que se identifica por ter aceitado todas as propostas que nos foram sugeridas pelo líder da Galileia, a quem dizemos seguir como cristãos que dizemos ser. Assim, o sentido grupal da Ceia poderia tirar de nós sentimentos de solidão, nos dando a felicidade de nos sabermos inseridos nas tradições de uma família, de um pais, de um credo religioso.

   Aquele gesto do mestre Galileu de na última ceia pegar um pedaço de pão e repartir com um grupo por si só contém toda a idéia de ceia: O distribuir, o repartir afeto com os participantes de um todo.

   Desde as primeiras horas anteriores ao encontro de natal ,quando caprichamos na arrumação de nossas casas ,pomos a nossa melhor roupa para a noite natalina, já devíamos viver cada um destes passos dando a eles uma conotação de sagrado, já vivê-los intensamente como se estivéssemos nos preparando para um momento importante: O de manifestar aquilo que há de mais sublime em nós: trocar afeto, dar e receber amor. Dando à Ceia um sentido solene transformaremos as energias que gastamos nela ,pois o importante certamente não é fazermos uma ação,mas achar o seu sentido, sermos  dentro dela.O importante afinal não é o fazer,mas o ser.

   O PINHEIRO.    O pinheiro é uma árvore de intensa vitalidade, de muita resistência, resiste à aridez de climas gelados. Enquanto outras árvores queimam-se, morrem, ela permanece verde. Presente dentro do nossos lares ela representa a força que a fé cristã nos dá perante qualquer adversidade. Enfim ela representa a durabilidade,a resistência do Cristianismo.

   PINHA.  Fruto dos pinheiros, ela é outro importante símbolo natalino. .Representa o fruto que podemos obter para nossa evolução, se pudermos resistir dentro de uma dificuldade. Fazemos com a pinha enfeites, decorações, mas geralmente não fazemos correlação, não somos sequer tocados pelo seu significado simbólico. Ela é a representação da esperança.Num prato de enfeite, elas estão ali dizendo :dentro de um clima gélido eu sou o fruto da sobrevivência, da força ,da resistência.

   O PRESÉPIO. O primeiro presépio surgiu no séc. XIII. Em 1223 apareceu na Itália uma figura importantíssima para que a mensagem do líder Jesus não fosse deturpada: Francisco de Assis. Num tempo em que a igreja exibia um luxo excessivo, ele passou a lutar para que a simplicidade dos primeiros seguidores do Cristo fosse recuperada. Aproveitou então a humildade do ambiente em que o mestre Galileu viveu. Chamou então um proprietário de terras, seu amigo, e em seus bosques escolheu uma gruta e construiu nela uma manjedoura. Nela, pôs feno, colocou animais, reproduzindo quanto possível a gruta de Belém. Convidou todas as famílias do vale que vieram á noite para a gruta e ali ele fez uma pregação sobre simplicidade. Nascia assim o primeiro presépio. Caso pudéssemos fazer nossas crianças concluírem que por traz de uma aparência de simplicidade pode se esconder uma personalidade com força de sábia liderança, faríamos com que nossos jovens desassociassem uma aparência de ostentação da posse da sabedoria. O presépio é enfim o símbolo da simplicidade que nos pede o Cristianismo.

   Existe no presépio outros símbolos interessantes: A CAVERNA: As manjedouras sendo estábulos onde se dá comida aos animais eram no tempo de Jesus dentro de escavações, cavernas muito comum nos terrenos pedregosos da Judeia. Para entendermos o simbolismo esotérico da caverna é necessário que vejamos a pessoa do Cristo-menino como a representação de uma força que cada um de nós traz dentro de seu coração: a força crística. A manjedoura onde nasceu o Cristo é então o símbolo do nosso coração onde se abriga esta força que numa iniciação começamos a desenvolver. È na  caverna de seu coração que o iniciando sente o pulsar  da vida divina, vê e acompanha o nascimento do seu próprio Cristo interno .

   O Cristo menino representa uma espécie de consciência divina que começa a se desenvolver na caverna do coração. Na realidade, o germe desta força sempre esteve presente, mas oculta em todos os seres humanos. Mas em determinado momento da nossa evolução ela começa a manifestar-se. Por esta razão os discípulos que entram em iniciação, são chamados de pequeninos ou crianças, também de renascidos. As palavras de Jesus de que “Um homem deve se tornar uma criança para entrar nos reinos do céu” refere-se aos discípulos que nos templos iniciáticos do Egito buscavam o seu Cristo-menino. Então para um esotérico o dia do nascimento do Cristo na caverna simboliza e comemora o 1º degrau de iniciação de um discípulo.

   OS PASTORES Quando, numa iniciação, termina-se o degrau chamado probacionário, recebe-se um sinal que nos chama a buscar a força crística, Os pastores que encontraram um anjo lhes mandando ir a uma caverna buscar o menino cristo que nascia é o simbolismo deste chamamento iniciático.

   No presépio aparece os quatro reinos; o vegetal no feno, o mineral na rocha da caverna, o animal, naqueles que ali aparecem e o humano em José Maria e o menino.

   OS TRÊS REIS MAGOS Os três magos levam ao menino presentes. A tradição religiosa nos conta que eles atravessaram desertos, vindos de terras distantes. Vejamos se podemos dar uma consistência histórica a estes personagens. A região da palestina era na época, em termos de cultura sem expressão alguma, mas existiam grandes centros culturais espalhados pelo Egito, Pérsia e Etiópia de onde a tradição nos diz terem origem os nossos personagens. Neles, se estudava matérias como geometria, filosofia e astronomia. Muitos homens passavam suas vidas nestas terras a bem de estudarem, pois estamos falando de uma época em que escolas e faculdades quase não existiam em todas cidades . Sendo a educação assim tão rara, aqueles que a tinham eram respeitados, acatados. Aqueles que estudavam a difícil matéria da astronomia, considerada então mágica, levando-se em conta o pouco recurso de aparelhagem técnica para estudá-la, eram então chamados de magos.

   Os três reis magos bem poderiam ser estudiosos de astronomia guiando-se em seu caminho como era costume pelas estrelas. Estranhamos o fato de virem três sábios tão de longe para adorarem uma criança. Vemos nisso lenda, fantasia, mas esquecemos de que a espera da vinda de messias que trariam reformas à humanidade era bastante comum na tradição dos povos antigos. Naturalmente que a vinda de um messias trazia indicadores, referências que uma vez conhecidas, dentro daqueles centros culturais, poderiam ter se enquadrado ao menino que nascia naquela família da Galileia. A adoração a um menino distante é perfeitamente compreensível na mentalidade da época.

   Estes três magos trazem em mãos três presentes: o ouro, o incenso e a mirra. Entender a simbologia destes presentes é enriquecedor para nós no natal. Para os povos antigos os elementos, as plantas, as resinas simbolizavam sentimentos humanos. Assim temos: O ouro significava o clímax de todo o esforço que um homem faz para sobreviver. Em resumo, a nossa energia física. O incenso é resultante da queima de uma planta aromática que volatizando-se sobe aos céus. Representava para os antigos as nossa energias emocionais que uma vez trabalhadas, queimadas, pode nos levar a um céu interno que, ao espalhar-se, beneficia outros. A mirra é uma goma resinosa, amarga, usada para mirrar, encolher materiais. Significava o encolhimento das amarguras de nossos pensamentos, tudo o que angustia a nossa mente, que pode ser encolhido, mirrado, para que cresçamos espiritualmente. É enfim a nossa energia mental purificada.

A tradição nos diz que os três magos chamavam-se Melquior, Gaspar e Baltazar. Que teriam vindo da Pérsia do Egito e da Etiópia. Que teriam vindo recepcionar o menino que julgavam fosse o messias esperado, oferecendo a ele sua energia física, emocional, e mental trabalhadas.  Podemos então imaginar os três a dizer ao menino: Trago a vós messias, ao vosso serviço, a minha energia física representada neste ouro. O outro: Trago ao vosso serviço a minha energia emocional purificada, representada neste incenso. O outro dizendo: Trago a vós, messias, o meu corpo mental que ponho a vosso serviço, representado nesta mirra.


   O PAPAI NOEL Não poderíamos completar qualquer estudo sobre o natal, sem analisar o papel que esta figura pode ter para as nossas crianças. Ela pode dar a elas algo que nosso mundo está perdendo: o poder de fantasiar, da imaginação. Aquela transcendência de imaginar que a figura de um velhinho bondoso, desce dos céus apenas para lhe ofertar um presente, abre à criança o caminho do abstrato, da transcendência. Porém nosso erro mais comum é fazer dele a figura de um justiceiro que não atenderá á criança se ela não for bem na escola, não se comportar etc. O Papai Noel deverá ser para uma criança um amor com que contará incondicionalmente, sempre. Abre-se assim para a criança a porta da fé nas graças divinas, no transcendente que ele levará consigo pela vida afora.

   Por que também não transformarmos os momentos em que dizemos a frase tão repetida nesta época, feliz natal, em momentos de amor? Ao invés de dizê-la mecanicamente, como um hábito de nossa cultura, não enviar a outrem um pensamento sincero, um desejo de que realize as suas aspirações mais íntimas?

Concluindo: Se me for perguntado qual entre os símbolos natalinos resume melhor o espírito de natal eu diria que é a frase: “Gloria a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade.” Ela contem todo o anti sectarismo que deveria existir nas nações cristãs. Nela não é dado louvor ao Deus deste ou daquele credo, simplesmente ao Deus das alturas e também não ao seguidor desta ou daquela religião, mas a todos os homens bem intencionados, de boa vontade, que desta forma encontrariam a tão sonhada paz.


sábado, 12 de setembro de 2015

Arquétipos e Símbolos

Muitas vezes lemos em livros esotéricos: “Evoluir é concretizar arquétipos”. Isto é: o homem evolui na medida em que consegue captar e desenvolver arquétipos. O termo arquétipo vem da composição grega Archais + tipos que significa o tipo, o modelo arcaico, primitivo, original.
   Para entendermos o que é um arquétipo temos que saber que a cada um de nossos corpos corresponde um plano, no qual a consciência daquele corpo vive. Então, contamos com este plano físico, com o astral, o mental e também aquele que corresponde ao nosso mental abstrato que é o intuitivo, chamado então de plano arquetípico. Com ele nossa consciência abstrata faz contato para nos trazer aquilo que chamamos de intuições e revelações.

A Roda do Dharma e suas oito sendas.

   Este plano arquétipo contém gravado em sua substância as matrizes, os modelos, as leis divinas, os princípios divinos também chamados pelos indianos de Dharma. São os arquétipos que vamos trazendo às manifestações neste plano em que vivemos, como uma maneira de evoluirmos o nossos habitat, a cada um de nós, as raças, os países, enfim a todos os grupos e a todo o conjunto da humanidade. Para cada uma dessas coisas, existe então um plano, um arquétipo estabelecido. Cada vez que entramos em contato com estas idéias arquetípicas, damos um passo em prol do nosso evoluir. Quando alcançamos o plano intuitivo através da nossa mente abstrata, que é a menos desenvolvida em nós, teremos tido um dos chamados momentos de revelações, momentos intuitivos. Para trazer à manifestação esses arquétipos, estes princípios divinos, usamos o recurso dos símbolos.
   O que são símbolos? São recursos para se chegar a arquétipos. Exemplifiquemos: Na formação das primeiras raças, os homens através de suas mentes abstratas, que eram muito pouco desenvolvidas, (mas com o auxílio de seres que os orientavam para que pudessem levar adiante as civilizações e também através de sonhos), recebiam rudimentos de idéias arquetípicas destes princípios divinos, destas matrizes. Trazia-as então à manifestação pelo recurso de símbolos. Suponhamos que um homem primitivo houvesse captado, num lampejo rápido, até através de um sonho, a existência das sete notas musicais que seriam as bases da música do seu mundo futuro, (que ele depois iria desenvolver) ele poderia então desenhar ou ter a ideia de moldar uma estátua de cerâmica de sete braços. Caso captasse o princípio da Trindade (vontade, sabedoria e amor), que ele também teria de desenvolver, ele poderia criar um objeto de três pontas. Suas criações teriam sido um representação simbólica de uma matriz do plano arquetípico que ele entrou em contato. Então, cada vez que ele olhasse estas representações, sua mente voltava a contatar o plano arquetípico, até que um dia, após estar mais evoluído, conseguindo contatar com mais freqüência sua mente abstrata, captaria o princípio divino totalmente. Assim, foi através de símbolos que desenvolvemos nossa mente abstrata para usar em nosso mundo as matrizes do plano arquetípico. Hoje sabemos que o princípio da Trindade, o número três, representa o equilíbrio. Porém, não conhecemos toda a potência deste arquétipo. Na medida em que evoluímos, as cabeças científicas vão percebendo que muito mais coisas materiais podem ser criadas, usando este princípio do equilíbrio. Intimamente, vamos nos tornando também cada vez mais equilibrados.



   Hoje sabemos que os princípios que captamos não só trazem a nós conhecimentos, como nos transmitem também tipos de energias, como é o caso do princípio dos sete sons, pois cada um deles, ao serem tocados, atuam em nosso corpo emocional. Outra coisa que observamos é que também a natureza, os animais manifestam arquétipos. O princípio divino da ressurreição, de que nada morre permanentemente, está refletido na mudança das estações. Podemos, nós homens, chegar à matrizes do plano arquetípico, apenas observando o comportamento da natureza.

Labirinto, um dos atalhos para chegar ao arquétipo.

   Voltemos à afirmação inicial que dizia “Evoluir é concretizar arquétipos.” Observemos como o homem primitivo se comportava: O Totemismo era o costume tribal que atribuía a sua ancestralidade a um animal. Isto é, a tribo teria se originado num animal, que era então o totem. Para evoluírem, usavam também o princípio do arquétipo. O totem seria o símbolo do princípio, da energia que a tribo necessitava desenvolver para sobreviver e crescer. Se a tribo vivia perto do mar,  provavelmente seu totem seria um animal marinho que lhes traria a energia para dominar o principal desafio da tribo: o mar. Se a tribo vivesse na montanha o seu totem poderia ser um cabrito montês com destreza suficiente para galgá-la. Em seus ritos comiam ou banhavam-se na carne e no sangue do totem para obterem a sua energia. Confirmamos assim a máxima esotérica que diz que assimilamos a energia dos arquétipos através dos símbolos. Também nós, homens modernos, fazemos de pessoas os nossos arquétipos. Para os islâmicos, Maomé é o seu modelo de comportamento que eles seguem para evoluir. Nós, cristãos, temos nosso modelo em Jesus. Inclusive, à semelhança do que faziam os tribais, nos é oferecido na eucaristia cristã o corpo e o sangue do Cristo, para obtermos as suas energias santas.  No simbolismo da última ceia, ao distribuir pão e vinho, Jesus teria dito: “Comei e bebei da minha carne e do meu sangue.”.
   Seguimos também ideias de líderes-modelos políticos e sociais para elaborarmos nossas doutrinas. Enfim, é sempre na busca de um arquétipo, de um modelo, que buscamos o recurso para evoluirmos.
   O arquétipo e a psicologia: O analista C. G. Jung via nas fábulas mitológicas que criamos, a manifestação popular e literária de arquétipos, dos sentimentos que precisamos desenvolver ou dominar. Por isso, foi um grande estudioso de mitos. Também dizia que os sonhos também escondem arquétipos que desejamos alcançar e que nos causam ansiedade.
   Profetas: Existem homens extremamente evoluídos que têm facilidade de entrar em contato com o plano arquetípico, devido a terem uma mente abstrata muito desenvolvida. Os profetas do Antigo testamento seriam alguns deles. Ao contatarem o plano intuitivo, desvendariam as matrizes dos acontecimentos que estavam por vir. Assim, previram a vinda do Messias. Assim também Jesus teria predito a queda de Jerusalém. Assim Nostradamus teria previsto as guerras modernas. Nas matrizes imprimidas na substância do plano arquetípico está a explicação para previsões que podemos fazer sobre o futuro.

Santa Ceia, consagração do simbolismo do pão e do vinho.

   Arquétipo individual e o livre arbítrio: As crenças esotéricas dizem que para o planeta, para a ciência, para as raças, para as nações, para tudo existe um arquétipo a ser realizado mas que para cada um de nós também existe um arquétipo individual em acordo ao nosso tipo de mônada, nosso tipo de individualidade.
   “A matriz individual de cada um de nós -dizem os arquivos ocultistas- é chamado de “átomo Crístico” ou Santo ser Crístico”.  É representado simbolicamente por um bebê miniatura, dourado, que dorme em nosso chacra cardíaco.
   A cada vez que entramos em contato , através da meditação, com este símbolo, conhecemos um pouco do nosso arquétipo individual, isto é: Do nosso papel na vida, e recebemos a energia da nossa individualidade monádica, da nossa mônada.
   O dia que cumprirmos o nosso papel, o plano designado para nós, este bebê crescerá e nos tornaremos o homem-Cristo tal como aconteceu com Jesus e outros mestres.
  Cumprir arquétipos não significa determinismo. O Arquétipo nunca se choca com o nosso livre arbítrio. Os arquétipos marcam para nós a linha geral de um acontecimento, de um plano, porém a forma como chegamos a cumprir este acontecimento ou este plano depende de nós, também o tempo que levamos para concretizá-lo depende de nós. Exemplificando: Nosso arquétipo nos estabelece um plano que diz que teremos como guia espiritual um mestre de determinada linha.  Um dia, chegaremos a ele, porém os atalhos que percorreremos, a forma como vamos fazer para chegarmos a ele, o tempo que isto nos demandará, depende de nós. Se por teu tipo de mônada, tens determinado papel a cumprir dentro da ciência, um dia obrigatoriamente o cumprirás. Porém, os livros que vais ler para tuas pesquisas, quais os trabalhos científicos que farás, o tempo que demorarás a cumprir tal plano dependerá de teu esforço, de teu livre arbítrio ao executá-lo. Isto também é válido em relação ao plano das nações. A forma como chegarão a cumpri-lo depende dos esforços da totalidade dos grupos nacionais.

   A Roda do Dharma budista: Dharma quer dizer plano divino, lei e arquétipos a serem cumpridos. É simbolizada por uma roda dividida em 8 partes. Elas representam 8 sendas, 8 caminhos. Em cada um deles cumpriríamos uma lei divina, que nos levaria num dia futuro a cumprir o arquétipo do Nirvana, que é o princípio da paz e da bem-aventurança. Cada vez que completamos uma das sendas, fazemos um giro na roda da nossa vida, impulsionamos o nosso Dharma, a nossa lei individual. Enfim, chegamos mais perto do nosso arquétipo, do nosso nirvana.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Hallowen


Hallowen é uma palavra inglesa que significa “algo consagrado”. Designa um dia em que com festividades e alegrias amenizamos o terror da morte que a nossa cultura cristã nos legou.

    Dia 31 de outubro nas Américas e Europa homens, mulheres e crianças vestem-se de roupas negras e fazem brincadeiras transvestidos de esqueletos, satirizando estes terrores, emprestando naturalidade à morte.

    Como exemplo de um povo da América que muito festeja este dia, temos o mexicano.

    No Hallowen, seu país inteiro para. Todas as atenções deverão se voltar aos que faleceram, mas sem perder a faceta de alegria, pois é a data em que - segundo creem - os mortos queridos estão entre nós e que devemos lembrar com júbilo tudo o que fizeram de bom.


Abóboras que no Hallowen iluminavam os campos.

    Padarias e confeitarias trabalham incessantemente preparando pães, doces e biscoitos, em formatos que lembram símbolos da morte como foices, caveiras etc, pois irão entrar em concursos para disputar os mais belos e gostosos. Esculturas com esqueletos vestidos com roupas luxuosas são exibidas em vitrines e nichos. Em muitas aldeias, na frente da porta das casas, são colocadas mesas com guloseimas que os falecidos da família mais apreciavam. Querem assim atraí-los a vir compartilhar aquela refeição com seus familiares.  Cemitérios se iluminam com tochas acesas coloridas espantando assim qualquer resquício de tristeza que ali estiver. O sentido é tornar alegre o local onde os mortos descansam.

    Tais comemorações jogam nossa lembrança aos povos da Antiguidade que mais os cultuavam neste dia.

    No Egito, nos templos de Osires acontecia o quarto dia das celebrações de Isia com procissões e oferendas à ressurreição do grande deus. Na antiga Suméria, reverenciava-se Ereshkigal, senhora do mundo subterrâneo que, tal como o Caronte grego, era também a condutora da barcaças que levavam as almas a seu reino dos mortos. Neste dia, Ereshkigal facilitava aos homens que a cultuavam, acharem as riquezas de seu subsolo, como pedras preciosas e metais valiosos. Então, esperançados, seus fieis cavavam a terra para achá-los.

    Na Grécia as celebrações eram naturalmente dedicadas à Perséfone, esposa do deus da morte Hades. Aos participantes eram oferecidas romãs, símbolo do ciclo de ida e volta de Perséfone aos reinos do solo e subsolo. Também Hécate era ali chamada neste dia pois, como guardiã dos caminhos que era, conduzia os mortos a vir ajudar bruxas e feiticeiras que desejavam ver aumentados por eles os conhecimentos que já tinham sobre o mundo do Além.


Mesa de oferenda aos mortos no México.


    Porém, o povo antigo que mais cultuou o 31 de outubro foi, sem dúvida, o Celta com sua noite do Samhain, quando acontecia o mais famoso de seus festivais. Contavam ali com as energias da “Senhora da Noite” a deusa Caillech que sempre rompia males acumulados e lhes prometia o mais importante: O intercâmbio com os seus entes falecidos.

    Esta era a única noite no ano que os Celtas levantavam as sombras que separam o mundo dos vivos do” Pais de Verão”, local que -segundo acreditavam- as almas aguardavam novas encarnações.   Seus caminhos para vir fazer anuais visitas, eram iluminados por tochas, fogueiras e luzes protegidas dentro de abóboras ocas. A visão de um campo clareado por abóboras acesas, certamente – pensavam - evitava que os habitantes do “Pais de Verão” se perdessem.

    Aproveitava-se a oportunidade para que oráculos, tais como Runas, reflexos em bacias com água etc, fossem feitos, na certeza de que as inspirações recebidas dos mortos e a sabedoria da deusa Anciã lhes dariam a resposta certa. Esta era a noite da grande prática oracular na Europa Celta. Hoje a tradição druida ainda a usa, numa preservação deste mito.

    Esta noite marcava o Ano Novo dos Celtas Estes faziam também neste período outonal o último dos festivais da colheita, onde tudo era alegria, para depois vir a semeadura, quando os grãos baixariam às profundezas da terra. Tudo isto coincidindo com as festividades de reencontro com os mortos, de maneira que almas e natureza voltassem depois juntas ao grande período invernal da hibernação.


Menina mexicana no "Dia de Los Muertos", no México.

    O Hallowen nascido no Hemisfério Norte, quando o 31 de Outubro é o Outono que precede o Inverno, estendeu-se ao nosso Hemisfério Sul. Então pela oposição das nossas estações do ano, aqui, não o relacionamos tanto à natureza, como o faziam os povos antigos europeus.  Nossa ligação ao Hallowen refere-se especificamente aos mortos, que por nossa cultura cristã são homenageados nesta época.

    Nossa Igreja quando aproveitou a grande força devocional que esta noite suscitava em povos antigos e colocou o dia do mortos nas proximidades deste seu festival, por certo, com o tempo, se redimiu de erros, conseguindo trazer a nós, seus fieis, a grande compreensão que as sociedades arcaicas tinham do rompimento entre vivos e mortos, a naturalidade com que viam o processo de morrer-se.

    Hoje, quando nossas crianças brincam alegremente na noite do Hallowen com símbolos da morte, certamente estarão vencendo os medos que por uma educação errônea, nós cristãos, lhes estávamos transmitindo.

terça-feira, 16 de julho de 2013

O Altar e seus Símbolos





O altar nasceu num tempo em que duas tribos de épocas arcaicas lutavam por um território. Um dia, chegando a um acordo, delimitavam a fronteira que separaria seus territórios. Colocavam uma grande pedra que marcaria o limite que a cada um pertencia. Esta pedra é a origem do altar. De tanto em tanto, se encontravam para comemorar o seu acordo. Cada um trazia então ao outro oferendas  de frutas, alimentos  animais e sobre a pedra, agora aplainada como uma mesa, as colocavam.
   O altar irá ganhar um sentido sagrado quando puseram um pedaço de cobre com a intenção de que o sol que era para os antigos o símbolo da Divindade, refletisse seus raios nele, estando assim presente, testemunhando e abençoando a sua união.  A pedra seria depois elevada sobre degraus, pois –segundo os antigos- quanto mais alto estivesse, mais perto da Divindade estaria.
   Assim, o altar é o local mais sagrado do templo. Perante ele, um grupo em harmonia, contata o Divino. Ele é o ponto focal mais energético do templo, concentra as energias devocionais dos fieis.
   Pantena:  Ela é o símbolo daquele pedaço de cobre que refletia para os antigos a presença do sol, da Divindade.
   Taça:  É o receptáculo que recebe e transmite as forças do Cristo. Quando preenchida pelo vinho, este simboliza o Seu sangue, a Sua vitalidade. Quando traz  o pão eucarístico, a hóstia carrega a energia do Seu corpo.
   O uso do sangue e do corpo do Cristo repete dentro do Cristianismo um rito pagão dos povos totêmicos. Os povos tribais costumavam ter os seus totens (que geralmente era um animal) como seu modelo de comportamento e fonte de energia. Em suas atividades sagradas, em seus ritos, matavam um animal que representava o totem  e deixava que seu sangue lhes escorresse pelo corpo, as vezes o bebiam.  Sua carne era distribuída como alimento entre a tribo. Assim, achavam que absorviam a energia do totem ,que, afinal, era o seu modelo de  perfeição, representando tudo o que a tribo necessitava para sua sobrevivência . Hoje, também absorvemos com o simbolismo do pão eucarístico e o vinho tomado pelo sacerdote também a vitalidade do sangue e do corpo do Cristo, nosso grande e sagrado modelo.
   A Cruz: Conforme já escrevi em meu texto intitulado “Símbolos nos Templos Cristãos”   representa o homem espiritual crucificado no limite da matéria. Vindo viver no mundo físico, a dualidade da vida, vindo vivenciar opostos como tristeza e alegria, bondade e maldade, amor e ódio, frio e calor etc. Opostos representados nos dois braços da cruz.

sábado, 16 de março de 2013

A Escada de Jacó

Interpretação Rosa Cruz
de uma alegoria bíblica
   
Jacó, o neto de Abraão, teria nos deixado uma alegoria que nos fala dos vários passos que damos durante a trajetória da nossa evolução. Ele sonhou que via uma escada que, estando apoiada no chão, era tão alta que tocava o céu. Tal escada teria sete degraus. No alto dela, lá estava Jeová, o deus de Israel, convidando Jacó a subi-la. “Jacó entendeu que aquela escada era a porta para a “terra prometida”, entendendo-se a ” terra prometida” como o clímax da espiritualidade que o homem atingirá.
O Rosa Cruz nos apresentam os degraus da escada como se cada um deles estivesse relacionado com uma montanha que aparece em sete episódios históricos vividos pelo povo judeu. Melhor dizendo, a história judaica, desde o episódio de Noé até a chegada de Jesus, teria requerido dos povos judeus sete grandes esforços evolutivos, que todo homem tem que passar em sua existência.
    Os degraus corresponderiam aos montes Ararat, Moriá, Sinai, Tabor, Gólgota e Oliveiras.
    No primeiro degrau, depois de um dilúvio devastador, Noé, reuniu todos os seus bens e chegou ao monte Ararat, onde encontra refúgio. Dali soltou depois uma pomba que voltou com um ramo de oliveira no bico. Isto lhe revelava: As terras não estavam mais cobertas pelas águas, estavam lhe esperando para fazer um novo plantio. Também nós quando, por erros nossos passamos por problemas devastadores, recebemos de Deus uma nova oportunidade de recomeçarmos levando conosco os bens espirituais que já tenhamos conquistado.

    Depois, Abraão dirigiu-se ao monte Moriá. Neste episódio lhe era requerido por Jeová um sacrifício. Sacrificar num holocausto seu único filho Isaac. Ele o pôs então sobre o altar do sacrifício, mas, por sua grande Fé, Deus o poupou. Este é o degrau da fé em Deus, da certeza de que os nossos sacrifícios serão compensados.
    O terceiro degrau da escada evolutiva refere-se ao episódio de Moisés subindo o monte Sinai. Ali ele receberia o Decálogo, um código de leis. Ninguém se adianta se não tiver disciplina, da obediência.  Geralmente quando, falamos em obediência não sabemos o que é sermos obedientes aos princípios divinos. Como exemplo, poderíamos citar o que fazemos com um animal que tem demasiada energia, tem capacidade para correr em grande espaço. Então, desobedecendo as leis de seu corpo, o pomos numa jaula minúscula onde ficará cerceado de sua verdadeira natureza.
    No quarto degrau encontramos os judeus, após atravessarem o deserto, vindos de uma escravidão no Egito, chegando ao monte Carmelo. Ali encontraram verdadeiros e falsos profetas. Como distinguir os falsos? É o degrau dos conflitos íntimos entre as nossas duas vozes internas Ele são nossos verdadeiros e falsos profetas. É o degrau do discernimento. Como exemplo podemos citar a dificuldade que os estudantes esotéricos encontram em distinguir entre psiquismo  e espiritualidade.
    Só após passar o degrau do discernimento poderemos subir o monte Tabor. Ele é o monte da Transfiguração de Jesus. È o degrau do nascimento espiritual. Neste monte Jesus leva consegue representa a obediência aos princípios divinos, Tiago representa a valentia e João é o amor.
    Depois desta transfiguração, onde transcendeu todas as diferenças religiosas e culturais, o homem terá que subir o monte do Gólgota. É o calvário da sua solidão, da incompreensão por parte de todos que o cercam. Mesmo estando em meio a um grande grupo, se sentirá só. Terá que persistir em seu ideal sem ajuda. È o teste de sua persistência e a renúncia a reconhecimentos. Como exemplo, temos o caso de Jesus seus discípulos Pedro, Tiago e João. Para transportá-lo somos ajudados por 3 forças superiores simbolizadas nas características dos discípulos. Pedro subindo sozinho o Calvário, incompreendido e abandonado.
    Porém, o último degrau refere-se aos momentos de maior paz e felicidade que um homem pode atingir. É o momento da entrega total. É Jesus no Monte das Oliveiras, onde ele se abastecia na unidade com Deus.

sábado, 27 de outubro de 2012

A Cruz Hermética ou Rosa Mundi


    Um dos emblemas mais conhecidos da  Sociedade Rosa Cruz  é  a Cruz  Hermética. Ela nos traz símbolos importantes. Em seu total é a figura de uma grande cruz do Cristianismo que representa a entrada do homem no processo reencarnatório, na matéria, chamado de Crucificação. Simboliza o momento em que entramos em experiências de dualidades, representadas na cruz pelo braço vertical e horizontal. Em nossa entrada na matéria temos que harmonizar o antagonismo dos opostos. Entendendo-os como frio e calor, tristeza e alegria, ódio e amor e vários outros. No nosso cotidiano temos várias dualidades a serem discernidas Temos aquilo que chamamos de “os dois lados de uma moeda”. Adquirimos algo importante, por outro lado aumentamos nossa responsabilidade, a nossa chance de errar torna-se maior. Se alguém toma um cargo de poder, ele vai evidentemente ter momentos de homenagens, de satisfações, confortos maiores, porém a cobrança do mundo sobre sua pessoa será maior podendo lhe trazer sofrimentos. A intensidade de seu carma, que sendo a lei das ações e reações, se torna maior porque envolve maior energia aplicada. Caso cumpra bem este momento fará o equilíbrio entre satisfações e sofrimentos. Quando alguém adquire conhecimentos, sua responsabilidade perante as leis evolutivas é maior que a do ignorante. Ainda, numa situação lastimosa sempre se perde algo, ou seja dinheiro, ou horas de sono, ou até perda de entes queridos, mas também se pode ganhar algo para o nosso evoluir, seja paciência, entendimento, persistência etc. Caso consiga  passar bem por tudo isto terá feito o equilíbrio entre perdas e ganhos.


Na Cruz Hermética encontramos as quatro consciências que estruturam o homem durante suas encarnações: a mental, a emocional, a física e a molecular.

Como parte central desta Cruz estão outros elementos presentes no nosso existir. Bem em seu centro está o ponto da Unidade de onde tudo partiu.

Podemos considerar este ponto como a Mônada individual, Deus em nós como origem de tudo o que somos. Depois temos formando com ele uma rosa de cinco pétalas. Representa nossos 5 sentidos. Através deles estabelecemos contato com o mundo externo em que viveremos. As percepções que temos dele são enviadas à nossa parte emocional e depois a mental para que estabeleçamos conceitos. Caso as percepções que temos do que nos rodeia não forem muito profundas, os nossos conceitos sairão também errados. Depois vemos ali as quatro direções do espaço a que temos de estar ligados São os quatro pontos cardiais. A nossa percepção do mundo material não pode ser unilateral. Com o adiantamento do processo civilizatório precisamos ter ideia do que se passa nos quatro cantos do mundo. Se alguém vive num ambiente bonito, pacífico, fértil e não sabe que do outro lado existe a guerra, a aridez, e a miséria então a nossa percepção sobre o viver da humanidade e o nosso amor por ela estará prejudicado.

Encontramos depois os círculos que rodeiam a rosa interna. O 1º círculo está dividido em três partes. Representa o mundo superior e nos revelam as três forças da Trindade: Vontade, Sabedoria e Amor.  No 2° círculo está o mundo intermediário. Nele estão os sete planetas sagrados: Sol, lua, marte, mercúrio, Vênus, júpiter e saturno. No último círculo estão os 12 signos zodiacais que indicam nossas tendências no momento de nosso nascimento, nosso mapa natal. Este três círculos juntos, Trindade, Planetas e Signos, exibem neles as 22 letras do alfabeto hebraico, ou os 22 caminhos da Cabala. Este caminhos são os atalhos que escolhemos trilhar para concretizarmos dez potências que são os dez sephiroth cabalísticos.

Na parte molecular vemos o pentagrama, isto é, a estrela de cinco pontas o uso mais antigo do pentagramas data de 3.500 AC que foi descoberto pela Arqueologia em cerâmicas da Mesopotâmia. Celtas, egípcios, gnósticos e antigos cristãos adoravam este símbolo para eliminar o mal. Era usado em curas. Já os gregos da Academia de Pitágoras o usavam como emblema de perfeição.  O ilustravam no homem perfeito; nas pernas abertas, os pés estão pisando objetivamente a terra a cabeça volta-se para o alto, para o transcendente e seus braços abertos abençoam a humanidade. Como símbolo do homem perfeito sua forma é traçada com uma única  linha Esta linha representa  a trajetória da nossa evolução. Parte-se do ponto 1 (parte espiritual), vai-se ao ponto 2 abaixo (forma embrionária), Subimos a lateral direita nº3 (1º plano da existência) nascimento do emocional. Depois vamos  a lateral esquerda n°4 (2° plano da existência) nascimento do mental, Seguimos com a linha para baixo novamente ao n° 5 (plano da purificação) por fim retornamos ao número 1 retornando ao espírito.
    Na magia negra costuma-se usar  o pentagrama invertido que é o símbolo do espírito sujeito à matéria, o homem sujeito aos instintos.

    Na Arquitetura templária haviam alinhamentos formando pentagramas  geomânticos onde eram construídos santuários  e capelas. Porém, durante o período da Inquisição  o Pentagrama foi visto como símbolo do demônio por serem usados por grupos perseguidos como heréticos, como os templários. Começou então a ser chamado de “A estrela do Diabo”, a ser relacionado com a magia negra.

Ao lado do pentagrama estão os símbolos dos quatro elementos da natureza e que estruturam o nosso corpo físico: água, terra, ar ,e fogo. Acima do pentagrama encontra-se o símbolo da 5° essência  ou o 5º elemento que é na Cabala o éter Yesódico, a quinta essência da matéria. É a parte vital da matéria , o corpo etérico.


Na ponta da parte molecular, estão os símbolos alquímicos manipulados na Alquimia: Enxofre, Mercúrio e Sal. O enxofre era chamado em latim Sulfor. Era o elemento ígneo, chamado” Fogo Criador”. Seria a alma do universo que deseja manifestar-se mas necessita dos outros dois elementos para a sua expressão. A operação alquímica enxofre sobre mercúrio seria o próprio elixir da longevidade e imortalidade. O enxofre não foi usado só em Alquimia, mas também nos ritos de magia negra, nos sabaths  medievais, onde o seu cheiro tão forte era aproveitado para evocar seres satânicos. O mercúrio é a matéria volátil, com sua mobilidade expandia no universo a potência criadora do enxofre. Ao gregos personalizavam a força deste elemento em seu deus mercúrio que tem asas nos pés, isto é, se difundia por toda parte. Era o mensageiro dos deuses. O sal fez a matéria primordial se agregar, é o grande mantenedor da forma. O sal, dissolvido no oceano, simbolizava o homem que embora inserido num infinito oceano cósmico do Absoluto pode ser isolado, separado como uma individualidade.

    Os três elementos enxofre, mercúrio e sal foram também chamados de “elementos filosóficos” posto que correspondiam na Alquimia à doutrina pela qual  o homem é visto como um ser trino onde Criação (enxofre), Expansão(mercúrio), e Manutenção (Sal) totalizam o seu ciclo evolutivo. Para visualizarmos melhor o papel dos 3 elementos imaginemos que queimemos  o corpo de um pássaro  que morreu. O enxofre seria o fogo, o mercúrio seria a fumaça volátil saída da queima, e o sal seria a cinza. A cinza é eterna. O sal como a cinza preserva  a primitiva autenticidade, a verdade original de algo. Lembremos Jesus dizendo a seus discípulos: “vós sois o sal da terra”, isto é, cabia a eles preservar a verdade, a autenticidade da sua doutrina. Quando em rituais de magias é  jogado sal em braseiros, se quer afastar qualquer coisa que possa perturbar a ideia original do culto, preservar a sua característica.

    Esta parte molecular está na Cruz Hermética dividida em 4 partes coloridas que levam as cores do mundo material da esfera de malkuth na Cabala: Amarelo, oliva, castanho e preto

    Observando o plano físico encontramos nele a Estrela de Davi também chamado Símbolo de Salomão. É composto por 2 triângulos entrelaçados. Um é o triângulo, da individualidade, outro o da personalidade. É um símbolo judaico e propagou-se na idade média como um amuleto muito benéfico, pois representa o equilíbrio do material (o triângulo de vértice para baixo) com o espiritual (o triângulo de vértice para cima). Ele é rodeado pela representação dos planetas sagrados. Todas as pontas da cruz repetem a ponta da molecular.

Aparece ainda na cruz as letras I.n.R.I.   Nos conta a tradição cristã que por deboche soldados romanos pregaram sobre a cruz do Cristo” Jesus nazareno rei dos judeus “. Já os rosacruzianos nos dizem que a sigla I.N.R.I. que vem da frase latina: Ignie Nitrium Roris Inventur que significa: Por meio do fogo se descobre o nitro do rocio ou ainda: A natureza é completamente renovada pelo fogo.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A Concha (Grande Símbolo do Caminho de Compostela)


(Trecho extraído do meu livro:” A Influência de Crenças e Símbolos” .Informações sobre o livro pelo fone 051- 33462285)


  A chamada “Vieira” que se conserva até hoje como o emblema dos peregrinos deste caminho, tem origem do seu culto no Paganismo.

   No estudo semântico de sua palavra, aparece primeiramente nomeada de “Concha Veneriae”, o que na língua galega transformou-se em Concha Vieira. È possível que devido a ser o símbolo da fertilidade, dizendo respeito à sexualidade, portanto a palavra venéreo seja

esta a sua significação correta. Porém, lhe dão também outros significados, como Veneriae com o sentido de venerar e ainda Vieira, com o significado de Via, Caminho.


   Foi um símbolo pagão indissoluvelmente ligado à deusa Venus, que segundo o mito, surgiu na ilha de Chipre, gerada dentro de uma concha, por geração direta do céu Urano e da umidade do mar. Era chamada por isso pelos gregos de Venus Genitrix.

   Venus foi na Antiguidade a patrona das enseadas marítimas e também dos navegantes. Acreditava-se que recebia com amor maternal em seu seio os náufragos. Foi cultuada, sobre uma concha pelos Druidas que cruzavam o Caminho de Compostela e iam fazer suas asceses no Finisterra, extremo de praia galega, conhecido então no continente europeu onde , segundo crenças pagãs, sobreviventes sábios de um dilúvio ali haviam aportado e deixado suas energias espirituais.

   Na crença de que o mar seja a origem geradora da vida, e tendo a deusa de um amor tão carnal como espiritual saído de uma concha, esta passou a representa a fecundidade. A concha é então relacionada ao seio materno, à vagina feminina, ao útero, lugares de nascença.


   Quando na Idade Média os cultos pagãos do Caminho se transformaram no culto ao apóstolo Tiago, a Igreja no afã de apagar ali os ritos que tinham sempre a presença da concha entre eles, fez difundir lendas que lhe davam origem mais recente. Numa delas é contado que um cavaleiro arrastado com seu cavalo mar adentro, teve a visão do apóstolo Tiago, que surgindo o salvou empurrando-o de volta às areias. Ao chegar ali, o cavalo e o corpo do cavaleiro estavam cobertos de conchas.

Esta e outras lendas cristã fizeram com que elas passassem a ser não mais o símbolo da Venus pagã, mas do apóstolo.

   As praias da Galícia já foram ricas em conchas, e como os peregrinos que no Medievo, iam ali ao túmulo de Tiago, ao retornarem a seus países, levavam uma concha como testemunho de terem estado lá, isto as ligou definitivamente à figura do apóstolo.


   Por ser a concha o símbolo materno da concepção, é relacionada também à deusa do amor Iemanjá do culto Afro que, segundo seus mitos, foi escolhida por Olurum, o seu deus supremo, como mãe de todos os seus orixás. Hoje, no Caminho de Compostela, pela grande conotação apenas  de lembrança turística que se fez em torno da concha, sendo sua representação encontrada   em todas as espécies de materiais, ela é muito mais um recurso de comércio do que a busca sincera de um milagre espiritual. Contudo, a concha, que também deixa sair de dentro de si a mais bela das jóias, a pérola, que possuindo uma forma oval representa também o órgão gerador feminino, continua ainda sendo para muitos homens o amuleto mais perfeito da fecundidade.


   Uma das lendas do mito de Atlântida conta que seus moradores possuíam como amuleto uma gigantesca concha. Ela recebia dentro de si energias celestes que tornavam fecundos todos os empreendimentos dos atlantes. Porém estes passaram a exorbitar do poder que lhe estava sendo conferido, fazendo os mais surpreendentes desatinos no campo da magia. Um dia a concha caiu no oceano adentro e eles a perderam. Desde então a civilização atlante passou a decair, sua fecundidade material e espiritual os abandonou, Depois, de cataclismos em cataclismos o continente acabou também por afundar no mar.

   Lendas e cultos para a concha existem inúmeros, porém o que realmente imortalizou com mais perfeição este símbolo de fecundidade foi a arte de Boticelli, co seu magnífico quadro “O Nascimento de Venus”.