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sábado, 3 de outubro de 2020

Mulheres Atuando na Vida Espiritual

A começar pela mais antiga temos: Maria Madalena. Com exceção da Virgem Maria, mulher escolhida para gerar o Cristo, Maria Madalena é, sem dúvida, a figura mais importante do Cristianismo. Sua vida é de feição enevoada, havendo sobre ela várias versões absolutamente opostas.

Annie Besant, líder
da Sociedade Teosófica.


Jeniffer Cristine diretora do Instituto Magala de Jerusalém, pesquisadora, escritora de um livro sobre sua vida, nos diz que Madalena nasceu em Magdala uma região muito prospera na época por sua indústria pesqueira, situada nas costas do mar da Galileia.

  Maria Madalena é dita como uma das mulheres que acreditando ser o Cristo o Messias esperado teria o seguido para vários locais de suas pregações a até sendo ela bem aquinhoada em bens o auxiliado e a seus apóstolos, lhes fornecendo recursos necessários para o gasto ao seu trabalho itinerante.

  Ter nascido em Magdala já justificaria o seu nome, pois sabemos que os povos antigos não davam sobrenome às pessoas, mas as distinguiam com o nome de suas cidades de origem. Assim, Madalena seria uma corruptela de Magdala.

  Uma versão diversa, contrária a ter ela vindo de Magdala, levanta a hipótese de ser ela a mesma Maria, irmã de Marta e Lázaro, aquele a quem o Cristo, num milagre, fez voltar da morte. Família que residia em Betânia.

  Em Les Saintes Maries-de-La-Mer, Veselay e Aix em Provence, todas as cidades do sul da França, Maria Madalena teria estado, quando as perseguições aos cristãos tiveram início em Jerusalém, para, num trabalho evangelizador, pregar nesta região a mensagem do Cristo. Até hoje Les Saintes Maries de La Mer cultua as quatro mulheres chegadas ali em barco. Maria Madalena, Marta, Maria Salomé e a cigana Sara. Ali é contado que Madalena teria morrido em Aix em Provence, e que suas relíquias estão em Veselay.

  O evangelho canônico de Lucas nos distingue Madalena como a mulher de quem ”Jesus teria expulsado sete demônios“. Ora, bem sabemos também que para os povos da Antiguidade todo e qualquer mal estar ou doença eram vistos como manifestações demoníacas que se apossavam do corpo de uma pessoa. Porém, ao chegar o ano 591 o Papa Gregório Magno interpretou como prostituição os demônios que Jesus lhe teria expulsado, qualificando então Maria Madalena de uma perdida prostituta. Que seria - dizia ele - estes demônios senão os seus vícios? Então a Igreja levou este pensamento adiante durante séculos.

   Modernamente, contudo, no ano 2016 o nosso Papa Francisco refutou tal ideia nomeando-a novamente de “A apóstola dos apóstolos” tal como já o fizera São Tomaz de Aquino e a intitulou de ”Santa”. Não por acaso - afirmou ele -Madalena foi a primeira pessoa a ver Jesus ressuscitado.

  As atitudes de Maria Madalena demonstravam o amor que sentia por seu mestre, o Cristo. Segundo João, ela lá estava junto à cruz acompanhando a mãe do Cristo em seu sofrimento. Conta-se que, após a crucificação, Madalena teria ido ao santo sepulcro levar ervas cheirosas, bálsamos para ungir o corpo do Cristo como era uso na época. Porém, ali não o encontrou. Foi quando ouviu uma voz a qual iria perguntar onde estaria o corpo do mestre, quando então se deparou com o próprio Jesus ressuscitado. Este lhe recomendado que fosse aos discípulos lhes revelar a sua ressurreição.

  Jesus confiava tanto na perspicácia de Madalena em entender seus ensinamentos que nos é contado que isto provocava desconforto, uma espécie de ciumeira da parte dos apóstolos. O que é compreensível, pois eles seguiam modelos patriarcais a respeito de mulheres que, na Judeia de seu tempo, eram vistas como seres de pouca inteligência, sendo que a posição oficial da Igreja de Israel contrariava qualquer liderança espiritual vinda de uma mulher.

  Contudo, por seu amor a Jesus, por sua perspicácia e auxílios a seu mestre, Madalena mereceu o epíteto de “Santa” lhe dado sabiamente por papa Francisco.

   Diaconisas: Não podemos esquecer que o Cristianismo contou com um número imenso de Diaconisas desde o tempo de São Paulo. Eram mulheres encarregadas de funções auxiliares ao culto cristão. Embora fosse vedado a elas a função sacerdotal, após a benção de um bispo, faziam também trabalhos religiosos junto às mulheres de comunidades. Instruíam-nas sobre o batismo quando estes ainda eram feitos em adultos e em corpo inteiro. Preparavam-nas, enfim, para receber todos os sacramentos. A elas também cabia visitar asilos e cárceres em nome de determinadas paróquias. Foram, enfim mulheres essenciais ao bom desempenho do trabalho cristão.

Freiras: Lembremos também das milhares de irmãs de caridade, freiras católicas e protestantes que há séculos trabalham em instituições de ensino e em hospitais, labutando abnegadamente em favor da educação e da enfermagem em vários países.

    Madre Tereza de Calcutá: Entre as religiosas católicas sobressai-se a personagem impar de Madre Tereza. Nascida em 1910, na Macedônia. Muito jovem, fez um noviciado e ainda nele com 21 anos foi para a Índia. Posteriormente, deixou este noviciado para vestir um sári branco e pedir a sua nacionalidade indiana. Exercia então ali o professorado de Geografia e História. Porém, resolveu depois dedicar-se aos pobres e doentes. Para tanto, foi fazer um curso de enfermagem e trabalhou tanto em favor dos necessitados indianos que acabou por receber do Estado a medalha “Senhor dos Lótus”.


Dion Fortune, especialista em Cabala.

   De uma simplicidade extrema, morava em favelas o que, após a sua morte aos 87 anos, lhe granjeou o título de “A Santa das sarjetas”. Esta mulher extraordinária fundou a “Congregação das Missionárias da Caridade” reunindo mulheres a favor do seu trabalho. Missionárias estas que existem em número de milhares em vários países.

Recebeu o Nobel da Paz aos 69 anos e foi beatificada pelo Papa João Paulo II que visitou diretamente seu trabalho na Índia. Em 2016 foi canonizada pelo Papa Francisco. Esta frase sua nos expõe claramente o âmago do seu ideal: ”Temos que procurar pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade”.

 Aixa. Nasceu na Arábia Saudita e foi a segunda esposa do profeta Maomé. Casou-se com ele quando tinha 10 anos (nada excepcional para sua época e local). È relatado que embora Kadhija primeira esposa do profeta, uma viúva rica, o tenha sempre provido de bens para que levasse adiante sua mensagem, Aixa foi a sua esposa mais amada o seu grande amor.

  Maomé faleceu quando Aixa tinha dezenove anos e desde então ela passou a dedicar-se inteiramente, durante quarenta anos, à divulgação de suas mensagens. Lembremos que esses primeiros anos foram essenciais no estabelecimento do Islã o que deu a Aixa o título de “A teóloga do Islamismo”. Aixa era filha do companheiro mais constante de Maomé e seu sucessor como o primeiro califa do novo credo. Porém, desde o 3º califa, tido como corrupto, Aixa se envolveu em política liderando um exército contra ele. Chegou a mandar matar 600 homens numa batalha. Aixa é a mulher mais amada pelos islâmicos Sunitas e a mais odiada pelos radicais Xiitas.

  Desde o tempo do primeiro califa, a família de Maomé deveria ter acesso à sua sucessão. Alí, o marido de Fátima, filha de Maomé, se achava com direito a isso. Então, foi iniciada uma guerra entre Alí e Aixa. Esta lutou muito, mas perdeu a guerra numa batalha que ficou conhecida como” a batalha do Camelo”, pois Aixa lutava montada neste animal. Foi nesta ocasião que Ali, vencedor, instituiu o Islamismo Xiita. Hoje, ainda estas duas facções Sunitas advinda de Aixa e Xiita de Ali lutam entre si.

Porém, se considerarmos as condições de uma mulher originária da Arábia Saudita, especialmente na época em que Aixa viveu, podemos admirar a mulher corajosa que ela terá sido.

Kwan Yin, primeiro Buda mulher.

Kuan Yin: em 696 AC. Kuan Yin era filha de um governante do norte da China, da dinastia Chou. Teria na época ingressado no convento das Freiras do Pássaro Branco. Seu pai, que preferia vê-la casada, ordenou que o convento a submetesse às tarefas mais cansativas para fazê-la desistir da vida religiosa. Porém depois, muito contrariado por vê-la persistir no convento, mandou mata-la com uma espada. Foi quando o primeiro milagre de Kuan Yin se deu: A espada ao tocar no corpo dela, despedaçou-se. Fala-se depois em um trabalho seu numa ilha, onde se dedicava à curas e atendimento a homens sobreviventes de acidentes marítimos. Quando Kuan Yin morreu, sua mente –segundo o Budismo- não possuía nenhuma marca de negatividades, então Kuan Yin não necessitava mais de reencarnar-se. Porém, ela ouviu os pedidos por misericórdia dos homens da humanidade e resolveu tornar-se um Bodhisatwa, isto é, um dos seres que renunciam a uma situação de tranquilidade, o nirvana, para envolver-se entre as mazelas humanas a bem de servir à humanidade e despertar nela as consciências para a sabedoria espiritual.

  Tal decisão granjeou-lhe o título que até hoje possui: “Aquela que ouve os lamentos do mundo”. Encarnou-se então na pessoa de Avoloktesvara, o maior Bodhisatwa nascido no Tibete.

  Hoje, Kuan yin é a figura religiosa mais cultuada na China. Criou ela um Mantra para invocar suas graças:” Om Mani Padme Hum” que significa : ‘O joia do Lótus!. Ou também: ”Da lama nasce a flor de Lotus”.

Trabalha como todo budista da linha tibetana: especificamente para difundir a Compaixão.

   O final do Sec. IX e o começo do XX foram ricos em ideias espiritualistas trazidas do Oriente para o Ocidente, da Europa para a América. Nelas se sobressaindo varias mulheres especialmente importantes para a religiosidade esotérica.

  Tivemos Helena Blavatsky, a escritora russa que no final do Sec. IX criou na Índia, junto ao coronel Henri Olcott, a Sociedade Teosófica, com sua primeira sede na cidade de Adyar.

  Blavatski atribuía seus conhecimentos à instruções recebidas por mestres da Grande Fraternidade Branca. Em especial à influência espiritual lhe transmitida pelo muito conhecido mestre dos místicos El Moria. Entre os maravilhosos livros de Blavatsky tais como “Isis Sem Véu” e “A Voz do Silêncio” o mais importante é “A Doutrina Secreta” considerada para muitos como a “Bíblia do Ocultismo”. Blavatsky foi com certeza a maior difusora das ideias esotéricas do Oriente entre nós.

  Como sua melhor discípula tivemos Annie Besant, segunda presidente da Sociedade Teosófica. Dedicou sua longa vida de 85 anos também à Maçonaria fundando lojas maçônicas em vários países. Inglesa, viveu vários anos na Índia dedicando-se lá a liberdade deste país, chegando a ser eleita presidente do Congresso Nacional da Índia. Entre os seus belos livros podemos ressaltar: A Sabedoria Antiga” e o “Cristianismo Esotérico”.

  Alice Bailey: Também inglesa, no início de 1919 começou a escrever seus livros sob a orientação do mestre tibetano Dywhal Khul. Livros seus como “Tratado sobre Magia Branca”, “De Belém ao Calvário”, “O destino das Nações”, e “O Reaparecimento do Cristo”, são imprescindíveis à formação esotérica de um espiritualista.

Alice Bailey, autora do livro "Magia branca".

 Alice Bailey fundou a “Escola Arcana” com a finalidade de treinamentos, meditações e encontros espirituais de discípulos.

  Contamos ainda trabalhando nas primeiras décadas do século vinte com Dion Fortune. Outra inglesa, que como psicóloga ocultista dedicou-se à magia cerimonial. Seus romances foram verdadeiros guias para ritos e desenvolvimento de consciência.

   Dedicou-se ao social, aos movimentos feministas e influenciou a cultura moderna como a revolução sexual da mulher. Trouxe à tona estudos da Cabala judaica. Tornou acessível à estrutura da sua “Árvore da Vida” que se conservara até o Séc. XX como estudos fechados, só em mãos de rabinos. Seu livro mais importante sobre o assunto é, sem duvida, “A Cabala Mística”.

  Essas quatro mulheres: Blavatsky, Besant, Alice Bailey e Dion Fortune engrandeceram a religiosidade de quem a busca através do esoterismo.


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

As Virgens do Sol


As Virgens do Sol
 
Os religiosos antigos aproveitavam a sensibilidade feminina para acalmar e agradecer os deuses. E, poucos povos o fizeram com tanta persistência como o povo Inca.

     “Em todas as cidades do Tahuantinsuyo (o império Inca dos quatro cantos) havia os santuários chamados “Casas das Escolhidas”,” “Casas das Virgens do Sol”, (Aquillawasi) onde residiam as Aqllas.

     Estas chegavam ali meninas, a partir de tenra idade, até com apenas 10 anos, escolhidas a serem preparadas para consagrar suas vidas ao deus solar Inti (do qual os primeiros habitantes de Cusco acreditam descender), ao deus Viracocha e ao soberano Inca.

     Eram selecionadas a partir de sua origem social, que as encaminhariam a função que exerceriam e principalmente por suas excepcionais qualidades físicas e morais. Moças belíssimas e de grande retidão. Seu número era imenso. Só Cusco, cidade sagrada, umbigo do mundo Inca, contava com 1500 Aqllas.  Eram respeitadas porque consagradas ao deus Inti e (assim nos afirma Victor Angles Vargas em sua “História do Cusco Incaico”) mesmo o seu serviço ao soberano era “apenas para confeccionar trajes, acessórios e adornos para a família imperial”, nada se entendendo então que deveriam servir o soberano em relações íntimas. Vargas discorda de escritores, quando estes dizem que os soberanos faziam com elas um harém. Pensa, ao contrario, que elas não seriam tocadas sexualmente , porque pelas crenças incaicas eram respeitadas e até temidas como “ Esposas do Sol.”

     Sua castidade era rigorosa. O grande complexo arquitetônico da “Casa das Escolhidas!”, na praça central de Cusco, que  depois, na invasão espanhola, foi ocupado , em parte,  pelo Convento de Santa Catarina, com interiores  que eram na época  incaica revestidos de placas de ouro, tinha suas portas fortemente guardadas. Mesmo os homens servidores que mantinham a limpeza e conservação das “Casas” eram castrados e não era incomum serem mutilados no nariz e orelha para não pareceram atraentes aos olhos das Aqllas.

     Caso se desse algum relacionamento que resultasse em gravidez, a Escolhida seria enterrada viva, seu bebê sacrificado em holocausto a Inti e o seu par torturado.

     Não se compreenda, contudo que nestes santuários as escolhidas viviam apenas para orações e cultos. Eles eram centros culturais e artísticos, onde as Aqllas se dedicavam a atividades diversas.

     Eram exímias dançarinas, cantoras, artistas e habilidosas tecelãs que teciam vestimentas riquíssimas com que a nobreza se apresentava em dias solenes; plantadoras de flores que enfeitavam as ruas da cidade nos Solstícios.

     No IntiRaymi (festa do sol), mostravam sua habilidade culinária e só as suas mãos consagradas podiam fazer os deliciosos Sankhu (pães de milho) de grande simbolismo litúrgico, para que distribuídos entre a população a fizesse comungar com as riquezas da Pachamama (mãe terra) e também a bebida Chicha que em jarro de ouro seria oferecida ao imperador, que após bebê-la, faria a Ablução. Quando –assim pensavam- a mãe terra recebesse e bebesse também parte da gostosa Chicha, feita pelas Aqllas, ela ficaria contentada ao ver o que era possível fazer-se com as suas doações.

     Porém, entre as escolhidas havia aquelas Virgens, já consagradas, mas não ainda Esposas do Sol, casadouras, que podiam ser dadas em matrimônio a chefes guerreiros que houvessem feito façanhas notáveis que as merecessem ou a chefes de províncias vizinhas, cujo casamento proporcionaria união política com Cusco.

     Do santuário de Machu Picchu é dito que suas Aqllas se diferenciavam das demais, pois tais como as antigas pitonisas gregas, dedicavam-se a adivinhações e oráculos e eram também feiticeiras, o que marcaria Machu Picchu como local propenso a bruxarias. Teriam sido estas Aqllas que em 1532 durante as lutas entre os dois irmãos imperadores Atahuallpa e Huáscar, teriam conseguido fugir para região do Wilcabamba que se manteve depois como o último baluarte ante os invasores espanhóis até 1572, ,quando finalmente, com a resistência vencida, as Aqllas de todos os santuários foram naturalmente mortas.

     As “Virgens do Sol” e suas famosas Mamacunas, mulheres de grande saber espiritual e artístico que as conduziam, são hoje apenas lembranças históricas que vivem como uma saudade , naqueles modernos peruanos que cultuam tanto as suas origens.

terça-feira, 6 de março de 2012

Três Mulheres Notáveis

No Dia Internacional da Mulher lembremos estas três mulheres notáveis: Aisha , Florence Nightingale e Teano.



Aisha, a 3° esposa de Maomé.


   Enquanto o Profeta do Islã foi vivo, Aisha, sua esposa favorita, a quem Maomé dizia amar sobre tudo na vida, foi a única entre suas muitas esposas que, segundo a tradição, era inteligente o suficiente para inquiri-lo  sobre os privilégios que Alá dava ao Profeta e sobre a preferência que era dada pelo Alcorão aos homens, ao considerá-los os únicos verdadeiros fieis, merecedores portanto das graças maiores de Alá.


   Nas batalhas pela implantação do Islã, as esposas do Profeta , que eram 12,o acompanhavam para suprir os guerreiros de água, alimentos e fazerem enfermagem.


   O genro de Maomé, Ali, que nunca gostara de Aisha, aproveitou-se do episódio em que ela se perdeu do grupo militar e foi salva um dia depois por um beduíno, para acusá-la de adultério. Maomé, contudo, apaixonado por Aisha, sonhou que Alá lhe dia que ela era inocente. Evitou assim que ela sofresse o castigo comum para uma mulher adúltera: ser apedrejada.



   Após a morte de Maomé, Aisha iria revelar sua personalidade guerreira. Sem querer entrar aqui no mérito de quem merecia ser o substituto do Profeta, se os seus  amigos como Abu Beck , pai de Aisha , o 1º califa islâmico,depois Omar,depois Uthman, ou os seus parentes com prioridade para Ali, seu genro,o que quero salientar é  que Aisha teve papel de destaque nesta disputa , nesta primeira guerra civil do Islamismo, luta que gerou as facções Sunitas e Xiitas que se agridem até hoje .Aisha juntou-se à facção dos amigos ( hoje Sunitas), e montada num camelo à frente de uma tropa, clamava pelo afastamento de Ali.


   Nesta batalha, chamada de “Batalha do Camelo”, pois sua líder vinha montada num deles, a vitória coube a Ali e Aisha foi feita prisioneira. Tinha na época apenas dezessete anos e viveu sempre depois confinada à uma prisão domiciliar.


   Aisha foi de grande importância para a formação da” Suna”, um código ético que guia os muçulmanos Sunitas. Possuidora de uma memória excelente, contava a respeito de suas conversas com o Profeta, das palavras que ele havia dito e de como ele agiria em determinadas circunstâncias, dedicando-se assim a resolver inúmeras dúvidas dos seguidores. Tais testemunhos chamados de Ahadith, que são numerosos, pelos menos 2.000 deles foram transmitidos por Aisha, tornando a Suna o grande orientador de um islâmico Sunita.


   Entre as tantas esposas do Profeta foi Aisha a única que contribuiu após a sua morte, para a propagação de sua obra.


   Se pensarmos que Aisha estava inserida num período histórico em que às mulheres eram confiados apenas trabalhos secundários e também inserida num novo credo que as colocavam em situação inferior aos companheiros homens, por sua inteligência, liderança política e guerreira, Aisha sobressai-se como uma figura ímpar em seu tempo.


Hoje, contudo, sua personalidade gera inúmeras contendas e divergências. Sua imagem é denegrida pela facção contrária à sua  e também religiões avessas ao Islã acusam o Profeta Maomé pelo fato de haver se casado com Aisha quando ela era apenas uma criança que acabara de fazer nove anos.

Florence Nightingale, a” Dama da Lâmpada”.


   Nascida em Florença em 1820, uma época em que a profissão de enfermagem era exercida por mulheres muito pobres, serviçais e prostitutas que seguiam os exércitos. Sendo ela de família rica, teve que lutar contra os preconceitos paternos para dedicar-se ao seu sonho de servir nesta área.


   Com trinta e um anos conseguiu tornar-se enfermeira, indo trabalhar num instituto protestante da Alemanha. Sobressaindo-se em seus serviços, foi logo convidada a superintender um hospital de mulheres inválidas em Londres. Tornou-se, porém uma personalidade notável, quando a Rússia invadiu a Turquia no conflito conhecido como “Guerra da Criméia”. Ali, chegou um número estimado em 8.000 soldados, entre eles britânicos e franceses em auxílio à Turquia.  Foi quando os jornais britânicos passaram a criticar as péssimas condições hospitalares nos campos de batalha, onde esse número imenso de militares estavam expostos a doenças contagiosas como a cólera e o tifo, que o secretário inglês para negócios de guerra, lembrou-se de nomear Florence para supervisionar as condições das instalações de atendimento de saúde na região, além de encarregá-la de escolher uma equipe de enfermeiras sob o seu comando.


   È ali em Constantinopla, em meio a 30 enfermeiras escolhidas, que Florence irá mostrar também a sua grande aptidão para Matemática e Estatística. Ultrapassava nesta ocasião aquela imagem merecida de alguém exposta a riscos entre péssimas condições de higiene, dedicada à cabeceira de doentes que lhe valeu o título de “A dama da lâmpada”. Seu conhecimento de matemática, raro nas mulheres de sua época, lhe foi ali muito útil, pois conseguiu que a taxa de mortalidade caísse vertiginosamente quando organizou um sistema de planilhas, onde calculava e acompanhava a piora e melhora dos pacientes, gráficos tão criativos que geraram uma estatística hospitalar até hoje usada.



   Muito versada em história e línguas, escreveu perto de 200 livros e panfletos. Poeta, filósofa, absolutamente desprendida de sua própria pessoa, ali exposta a doenças epidêmicas, reformou, enfim, a saúde daquelas forças armadas, com uma imensa dedicação e inteligência. Florence Nightingale foi sem dívida uma das grandes mulheres do sec.XIX .
PS Em homenagem a esta mulher dei o seu nome à uma de minhas filhas.


Teano, discípula e esposa de Pitágoras.


   O Pitagorismo foi a doutrina mais florescente do sec. VI AC e de grande influência no mundo antigo.Porém, não teria se perpetuado se sua discípula e esposa lutando contra todas as perseguições feitas a esta doutrina após a morte do mestre, não houvesse se dedicado a propagá-la.


   Só Teano era a discípula que entendia a dor de Pitágoras em relação aqueles infelizes que em barcas, saiam em grande número da Grécia, chicoteados por correias eriçadas de pregos para serem vendidos como escravos na Àsia; só ela possuía a perspicácia suficiente para ver que ele tentava com sua doutrina da Tríada Sagrada, com sua ciência dos números, elevar a alma dos homens a uma harmonia, ao respeito mútuo; só Teano  entendia que sua ciência experimental abria as portas de um desenvolvimento de consciência pois induzia a uma completa reorganização da vida , aplicando as suas idéias à educação da juventude e a vida do Estado.


   Ela mesma, em seus 28 anos, declarou-se ao mestre de 60 anos, e ligou-se a ele por um amor apaixonado e um entusiasmo sem limites. Seu casamento com Pitágoras completou as grandes realizações do mestre.


   Conta-se que alguém perguntou a Teano quanto tempo era necessário para que uma mulher se tornasse pura e ela teria respondido:Se viver com o meu marido, conhecerá muito logo a verdadeira pureza, se for com outro, talvez nunca a encontre.


   Extremamente versátil, além de cientista e filósofa, foi uma mulher de intensa dedicação familiar. Criou com a família que deu a Pitágoras (6 filho ) um verdadeiro modelo para os membros da Ordem Pitagórica.Sua casa era chamada de” O Templo de Ceres” e o seu jardim era citado como o Templo das Musas pois nele Teano promovia festas domésticas onde dirigia sessões musicais.



   Reconhecida como a primeira mulher matemática, foi autora também de vários escritos sobre o tema preferido de Pitágoras: Cosmologia. Compactuava com os ideais pitagóricos de eliminar a demagogia política existente em Crotona , quando seu mestre introduzia na escola iniciática que criara, a idéia de um governo escolhido e gerido pela ciência e pela virtude. Ideal temerário, pois quando a Ordem Pitagórica tendia a tornar-se a cabeça do Estado com ramificações em toda a Itália meridional, a grande inteligência e sedução exercida pelo grande sábio,gerou ódios violentos.Um dia em que na sede da Ordem se encontravam trinta e oito membros, o déspota  tribuno de Crotona mandou cercar a casa e lançar-lhe fogo . Todos que estavam dentro morreram, inclusive Pitágoras.


   Dali em diante, mais irá se evidenciar a personalidade atuante de Teano que reuniu os filhos e passou a manter os mesmos ideais de um estado governado por homens virtuosos, em uma nova escola.


   Entre seus livros temos “Cosmologia”,” Teoria dos Números”,  “Construção do Universo” e naturalmente uma biografia de Pitágoras.


   É contado que quando era diretora da nova Ordem, Teano foi torturada para revelar conhecimentos que seu marido achava por bem não deixar cair em mãos pouco dignas de os usarem, e que Teano resistiu calada sem nada revelar, às torturas inarráveis.


   Seu tratado filosófico intitulado “Sobre a Virtude” diz bem do pensamento que norteou o viver desta mulher mãe, matemática e cientista.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Lua Tríplice e as Deusas Lunares

   Na natureza a lua influencia as colheitas em momentos de crescimento, fertilidade e envelhecimento dos plantios e depois repouso. O relacionamento sol com a lua produz os ciclos lunares ,as fases da lua, elas são chamadas de lua jovem, lua mãe e lua anciã e a lua oculta. Como a lua é considerada uma doadora de força feminina ela pode ser representada como a mulher jovem (a lua crescente), a mulher mãe (a lua cheia) e a mulher anciã (a lua minguante.) A lua nova, por ser a oculta, geralmente não é representada. As deusas lunares da Antiguidade também eram assim divididas jovens, mães e anciãs. A lua donzela crescente, representa planos a serem realizados. A lua cheia representa o ventre da mãe grávida, a fertilidade, e a maturidade. A lua minguante anciã assinala o recolhimento da colheita de tudo aquilo que se plantou nas duas primeiras fases. A lua nova, a morte , o repouso.

Deusa lunar Ártemis, senhora da caça e das florestas ermas...

   Como exemplo de deusa lunar jovem tivemos Artemis também chamada de Diana, a caçadora virgem. Como deusa lunar mãe temos Jacy, da mitologia tupi, esposa de Tupã e ainda Killa, deusa peruana esposa do deus solar Inti.  Exemplos de deusas lunares anciãs são a Hactor egípcia, deusa de cornos de vaca que gerou o mundo e cuida dos mortos alimentando-os com o seu próprio leite. Também Nanã da afro brasileira o mais velho de todos os orixás. Quando  Nanã dança ela imita o embalar de uma criança, dizem os nagôs que Nanã embala a humanidade  em seus braços.
Um exemplo de lua nova é  Lilith, a lua negra, que segundo a tradição hebraica foi a primeira esposa de Adão. Temos também como lua negra, Yeua, dos mitos afros brasileiros.
   A Antiguidade contou com algumas deusas de aspecto tríplice ,jovens, mães e anciãs.
Um exemplo é Cerridwen deusa lunar celta, uma maga que traz nas mãos um caldeirão.Dentro dele prepara poções mágicas que nos trazem inspirações e até dons adivinhatórios. Assim aconteceu com Taliesin um membro da corte do rei Artur que ao tomar a sua poção , tornou-se o maior adivinho da corte. Segundo os Celtas, qualquer negatividade que em pensamentos e meditação colocassem dentro do caldeirão de Cerridwen era transmutada em positividade.
   Durante muito tempo o poder patriarcal masculino vem valorizando muito a razão e distanciou no ser humano o seu lado feminino, reprimiu a sensibilidade, a imaginação, a contemplação. É importante então que façamos meditações onde lidamos com forças e imagens femininas.

Lua nova formando no céu o assim chamado "Arco de Diana"
  
Como a energia lunar nos influencia?  Assim como a lua influencia as veias internas do solo, suas correntes telúricas, e influencia as correntes marítimas, ela também atinge nossa corrente sanguínea. E, nossa corrente sanguínea está diretamente ligada as nossas emoções. Notemos a mudança de humor numa mulher que menstrua,o aumento de nossa pressão arterial quando nos emocionamos. A lua atua através de nossos chacras abdominais, principalmente daquele ponto que os indianos chamam de Hara. Quando numa noite de luar nossas inspirações poéticas aparecem, elas se dão pela energização, pela limpeza que está sendo feita nas emoções retidas em nossos chacras abdominais que favorecem as idealizações, as inspirações vindas dos chacras superiores.
   A maneira como o homem recebe e se relaciona com as energias que recebe de cada fase lunar, vai definir como ele recebe as intuições, os princípios divinos dos seus corpos superiores. Cada fase nos traz um aumento gradual da percepção dos conteúdos da nossa fonte interna. O controle de nossa emoções e as nossas realizações criativas podem então ser alcançadas pouco a pouco por meio de fases, de ciclos lunares completamente cumpridos. Quando entramos na fase crescente ,este é um período para nós de lutas, de conflitos íntimos porque as nossas emoções estão entremeadas com conceitos culturais, raciais educacionais, então nossas intuições são muito confusas. Do discernimento que consigamos fazer em meio a carga social desta fase jovem, crescente, vai determinar como iremos nos comportar quando a lua cheia chegar. A lua cheia é a ocasião em que a potência solar da fertilidade, de criatividade nos é trazida com mais força pela lua.É quando acontece a nossa maior manifestação criativa. É a explosão de tudo o que temos dentro de nós. Tudo se torna explícito. Realizações boas e ruins vem á tona.
Na lua minguante nossas inspirações intuitivas caso as tenhamos conseguido, ainda se conservam fortes nos primeiros dias. Mas logo dá-se conosco  uma insatisfação das ideias mal discernidas, elas minguam. Temos o desejo de renovar nossas ideias, de  acrescentarmos a elas novas criações melhoradas. Estamos já caminhando para o início de um novo ciclo . Os três dias que antecedem à lua nova entramos na chamada lua balsâmica. Nela, as necessidades surgidas, as novas ideias esperadas são gritantemente declaradas. Sabemos que existem ciclos lunares mensais, mas existem também os ciclos maiores da nossa vida. Ciclos dentro de ciclos. Se compararmos esta fase minguante com a fase da mulher anciã, vemos que esta insatisfação pode gerar uma rabugice, uma tristeza ou uma espécie de renovação tranqüila.
   Na lua minguante, este desejo de renovação é que os indianos chamam de Shiva  que destrói o velho para por o novo  em seu lugar. Depois vem  a inatividade.
   Mensalmente quando termina um ciclo destas 3 fases o homem teve oportunidade de um encontro com os princípios divinos. Teve oportunidade de evoluir um pouco. 
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terça-feira, 10 de maio de 2011

Depoimento de uma mãe

    O amor materno é realmente o mais  completo , o mais diversificado. No dia das mães costumo receber flores dos meus filhos .Sempre vejo nelas  alguma faceta do amor materno que eles querem homenagear.Se as recebo brancas, me lembro da pureza do meu amor por eles.O amor que tenho por eles, é intocável,como se nada negativo que fizessem, conseguisse diminuí-lo. Mesmo que meus filhos fossem drogados, traficantes ,e no pior dos casos até criminosos,creio que meu amor por eles permaneceria incólume, intocado.
 Se recebo flores rosadas, que são muito delicadas ,vejo nelas a delicadeza  que  manifestava quando acalentava  os meus bebês.Eles sempre preferiam exatamente o meu colo .Não só pelo cheiro do meu corpo, que para eles devia corresponder a um perfume agradável, mas também porque sentiam a suavidade do meu toque , do meu olhar, do meu aconchego que ia diferenciar o meu colo de qualquer outro.
Se recebo flores rubras, vermelhas  que têm uma cor forte ,simbolismo de paixão, vejo a veemência com que todas nós, mães, defendemos  nossos filhos quando alguém  os ataca . Até podemos reconhecer seus erros, mas não admitimos que  os acusem. Por mais tranqüilas que sejamos ,nos transformamos em verdadeiras leoas defendendo nossas crias.
Por fim,se recebo flores amarelas que é a luz da iluminação, da sabedoria,lembro-me da sabedoria que posso alcançar como uma mãe idosa. A mãe idosa como eu, geralmente sofre por ter que conviver com uma geração que está em meio de valores que não são exatamente aqueles com os quais a sua própria geração conviveu.Mas, por amor aos filhos, para não me sentir distanciada deles ,faço meu grande esforço de aceitação às mudanças sociais.Aqui, meus filhos ,inconscientemente,  contribuem para que eu reveja os passados valores e  qualquer tipo de antigos preconceitos e atinja  a sabedoria que a minha idade me requer. Porém,  fico sempre servindo dentro do lar, como um equilibrador entre velhos e novos conceitos.Com poucas exceções, a mãe madura é aquela que  dentro de uma família de vários filhos( que é o caso da minha) ,ouve as queixas que uns fazem dos outros e silencia para mantê-los harmonizados. A mãe madura geralmente dá conselhos sutilmente, age mais em retaguarda. Mesmo quando os meus filhos pensam que  não estão mais prescindindo de meus conselhos, continuo,mesmo sem me impor, a exercer influência em seus pensamentos, pelo que plantei em suas infâncias,e pelo grande desejo que uma mãe leva por toda uma vida: o de ajudá-los.
    Como exemplo de amor materno vou servi-me da História Antiga,lembrando –me de uma passagem do Velho Testamento. Nele, trouxeram frente ao sábio rei Salomão duas mulheres que lutavam pela posse de um bebê. Todas duas diziam que o bebê era seu .Discutem e gritam.Salomão então chama uma servo e lhe ordena: “Pegue tua espada e corte o bebê ao meio e assim cada uma ficará com a sua metade”.Uma delas então começa a gritar desesperadamente: Ele não é meu!  Não é meu! O Sábio rei então ordena : “ Dê a esta mulher que está negando a sua maternidade, o filho, pois ele é dela “ .E, explica-lhe: a veemência com que defendestes a vida desta criança revelou-me que tu és a mãe dele

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia internacional da mulher

Hoje, dia 8 de março,após persistente luta feminina por seus direitos que culminou em 1857, quando 129 operárias têxteis de Nova York ,em greve pela redução de sua jornada de trabalho, foram queimadas quando a fábrica foi incendiada, comemoramos o Dia Internacional da Mulher
   Para me unir a esta comemoração, abordo aqui o tema “Mulher!” tentando  abordar nele  o papel da mulher dentro da ascensão de algumas sociedades e religiões . 
   Nos primórdios da civilização até aonde lembramos as eras mais arcaicas,vivia-se num sistema social de matriarcado. Nele ,a força feminina era bastante valorizada. A mulher simbolizava a grande mãe, a mantenedora da fertilidade do solo. Como não havia consciência de que a maternidade provinha do relacionamento entre sexos, a vida então originava-se toda dela, da Deusa. Ela mantinha os mistérios da vida.O culto à Grande deusa era a única religião. As comunidades cresciam  em um sistema coletivo onde todos os nomes de deusa menores eram cultuados.Eram mantidas relações de fraternidade entre as tribos matriarcais pois todas as deusas , representavam os atributos diversificados da grande mãe.
   Quando aconteceram as invasões de tribos com tendências autoritárias e guerreiras, o poder da Grande Deusa e consequentemente da mulher começou  a diminuir. Introduzia-se o Patriarcado. Porém, este foi um processo muito lento pois por séculos o poder feminino, com uma característica de mistério e sacralidade, ainda perdurou.Assim, vemos os Celtas Druidas da antiga Gália, ainda poucos séculos antes da era cristã seguirem denominando-se os Tuatha de Danã, ou Povo de Ana,   a grande Mãe e adorando Karentz a força cósmica feminina.Cultuavam-na num grande Menir em forma de porta que representava o útero feminino.Em seus ritos todos os Druidas passavam abaixados através deste Menir-porta,num simbolismos dos nascimentos que faziam através de seu útero.         

   Mesmo nas sociedades onde o homem já era o rei, o chefe da tribo, para que ele pudesse obter a sua soberania, precisava ser consagrado num ritual pela força divina feminina. Ele fazia um casamento sagrado com a mãe terra onde recebia o título de irmão consorte da Deusa.Chamava-se este rito de” Incesto sagrado “.Em alguns ritos , o rei necessitava   ejacular o seu esperma sobre a  terra para que tal casamento se consolidasse.
      Muitos povos antigos como os Incas e Maias, ainda guardando um respeito  por  este  grande  poder  feminino, conservaram    por     séculos o costume da Libação. Esta consistia em não ingerir qualquer líquido fosse ele vinho, óleos ou sucos sem antes despejar um pouco sobre o solo como uma reverência à Mãe Terra, mostrando-lhe o que fora capaz de fazer com o alimento que ela lhe dera.
    Também gregos e romanos ainda por séculos mantiveram templos para as suas vestais, guardadoras do fogo sagrado dos lares e das cidades.
   Adoraram musas inspiradoras da música e da poesia e as pitonisas que, com seus inigualáveis dons mágicos de profecias, atraiam para a Grécia consulentes de todos os povos  circunvizinhos, levando riquezas ao país.É verdade que pelo poder já masculino , tais dons femininos eram explorados, como no caso das vestais que por qualquer deslize sexual eram mortas pelo estado romano. Porém, por séculos, reis poderosos se dobraram ante suas previsões sagradas para terem sucesso em suas campanhas guerreiras.
    Só a entrada das religiões monoteístas pôs uma pá de cal sobre o antigo poder espiritual feminino, mormente o Cristianismo .A única exceção feita ao paganismo de teor feminino  pelo Cristianismo se deu quando uma pitonisa profetizou a chegada de um grande iluminado que poria fim as antigas crenças. Como a Igreja o identificou à figura de Jesus,o Cristianismo abriu as portas as imagens artísticas das pitonisas o que propiciou, bem mais tarde na época da Renascença, termos as magníficas figuras das pitonisas pintadas por Miguel Ângelo na capela do Vaticano .
    Nos primeiros séculos do Cristianismo , a Igreja ignorou completamente a mulher. Apesar de algumas mulheres tais como a negra Sara(hoje cultuada pelos ciganos provençais), Marta e Maria Madalena terem atravessado o Mediterrâneo para pregar a mensagem crística na Provençe, tal como nos contam as suas tradições locais, a Igreja  seguiu apresentando a mulher como o símbolo demoníaco do pecado, assegurando aquela velha idéia bíblica de que a mulher foi responsável pelo homem ter perdido o paraíso. Os Concílios Eucumênicos  realizados nos primeiros séculos de nossa era instituíram os dogmas da Virgindade e da Ascensão de Maria , temas femininos que, porém, em sendo dogmas, proibiam qualquer estudo a respeito dos trabalhos da mulher, sob pena de heresia.
   Porém, no sec. XIII, veio o advento dos Trovadores de Provençe , e  o tema mulher foi novamente levantado .O tratamento à mulher  foi renovado com o chamado Amor Cortez.   Também o aparecimento da doutrina    Cátara,crescendo e dando as mulheres acesso as suas iniciações contribuiu para uma reação da Igreja. Esta então buscou  a figura da Virgem Maria  para homenageá-la, e o culto Mariano cresceu sobremaneira .Enalteceu-a então sempre como a” mater dolorosa”, que presenciou a crucificação de um filho  e nunca com qualquer participação ativa no trabalho desenvolvido por Ele. Hoje estudos espiritualistas afirmam que tanto São José como a Virgem eram iniciados da Fraternidade  Essênia  da  Judéia.        Que ambos levaram seu filho Jesus a templos essênios do Egito. Porém, na Idade Média tais afirmações  seriam naturalmente abafadas e perseguidas.
    Durante séculos o casamento  de meninas crianças com reis e nobres serviam as questões políticas, e muitos nobres ambiciosos obrigaram suas filhas meninas a se prostituirem tornando-se favoritas dos reis para a ascensão social da família. Um bom exemplo disto é o da família inglesa dos Bolena, instigando suas duas filhas a serem as favoritas de Henrique VIII.
    No século XVII os ritos do Sabath de bruxarias se espalharam com a participação das mulheres. Os sabath  eram apenas recursos ingênuos com que as mulheres tentavam reagir e se vingarem da opressão em que viviam. Foi então desencadeada a chamada ” caça às bruxas”  uma onda inimaginável de perseguição à mulher., onde milhares delas foram queimadas.
    Somente no século XVIII, quando o poder da igreja foi igualado e até superado por outros poderes emergentes como a industrialização e a ciência,  o papel da mulher iniciou seu processo de reestruturar-se.
    A Maçonaria ,grande poder político,que  por séculos conservou  uma omissão a respeito da mulher,  iniciou sua reabilitação no final do século XIX ,criando a  Ordem Maçônica Místa Internacional  e várias lojas femininas, embora ainda hoje algumas lojas masculinas continuam presas a costumes seculares, que vedam à mulher o acesso aos seus conhecimentos.
    A emancipação feminina deu-se com o direito de voto feminino começando a surgir em vários países.O século XX abriu realmente o grande  momento das  mulheres. No Brasil, o direito de voto aconteceu em 1932 e neste mesmo século as mulheres haviam conquistado também o direito de disputar olimpíadas .Nele, tivemos na América  a primeira mulher presidente, Isabel Peron .Depois, neste  século atual, tivemos presidentas no Chile e na Argentina . Ao final do ano de 2010, tivemos no Brasil a primeira mulher a dirigir o pais desde o tempo do império. No passado século XX ainda  deu-se também entre nós  a criação da primeira delegacia de atendimento à mulher. E, por fim , em 1979 quando,o premio Nóbel da Paz é ganho por uma mulher ,madre Teresa de Calcutá,  a Igreja, que na Antiguidade dera à mulher, num conclave, o reconhecimento de ter uma alma por apenas um voto,agora enalteceu finalmente a mulher na figura de madre Tereza ,a grande protetora dos pobres da Índia. Cientistas, esportistas, escritoras e mulheres simplesmente carismáticas enriqueceram este período aberto no século XX.
Madre Teresa, Nobel da Paz.   

Hoje lutamos ainda por abolir as mutilações sexuais autorizadas por leis em alguns países como naqueles  africanos aonde persiste ainda a famigerada infibulação do clitóris. Porém, pouco a pouco a mulher vai  conquistando novamente o seu lugar na História
   Quanto aquilo que o analista Yung chamou de Ânima, referência a parte da psique feminina, é a própria África que nos trouxe algumas características desta Ânima. Ao entrar no Brasil, os afros nos trouxeram uma religião matriarcal onde apenas as mulheres tinham acesso à iniciação.( hoje algumas linhas desta religião perderam esta característica)
    Seria bastante importante para nós mulheres ,desenvolvermos os atributos das grandes deusas de seu panteão.Nanã, Yemanjá, Yansã,Oxun.
    Nanã, a mais velha dos orixás, nos remonta à matéria primordial. É a mulher com características de anciã ,é sábia,conselheira,controlada. Nas desavenças familiares  e desarmonias grupais só a retidão de Nanã purifica. Sua dança emita o embalar de uma criança. Nanã  embala em seu seio a família. Já  Yemanjá é o mar , o instinto materno,o desejo de procriar .Iansã é a mulher sedução sensual , a sua extrema sensualidade faz vir à tona o instinto dos homens com a fúria das tempestades. É por isso chamada de” orixá das tempestades”.Esta força é porém amenizada na mulher pela energia doce de Oxum ,o orixá da pureza.Ela é a esposa fiel de Xangô.  É o dengue, a faceirice natural e espontânea,  a sedução da inocência. Yansã e Oxum são as duas forças sedutoras da sensualidade e da inocência a se oporem dentro da mulher. 

Oxum, senhora das águas doces.

    São nos mitos antigos que encontramos as principais características da Ânima . Quando Prometeu terminou de fazer a imagem do primeiro homem, amassando o barro da terra com suas
lágrimas, o que fez do homem apenas corpo e emoção, achou que sua obra estava incompleta. Resolveu então ir ao Olimpo pedir aos deuses que criassem uma companheira que o complementasse com características divinas.Então, no céu do Olimpo  os deuses  deram atributos imortais à primeira mulher que criou .Venus lhe deu uma beleza sedutora com que faria o homem aceita-la  ,Mercúrio lhe deu a sutileza, o poder de persuadir, força que será muito forte na 
mulher. Que homem -pensou Mercúrio- resistiria as sutis persuasões de uma mulher? Hera  contribuiu lhe dando o rigor ético com que manteria o homem preso ao lar.Porém Minerva, deusa da sabedoria, lhe deu a principal característica de sua Ânima: A curiosidade.É verdade que tanto na alegoria bíblica de Eva onde ela fez o homem perder o paraíso, como na alegoria de Pândora, a curiosidade é vista como uma força negativa na mulher.Porém, tanto na alegoria do jardim do Eden como na da caixa de Pândora ,onde esta, ao destampá-la por curiosidade, deixou escapar os bens do mundo, a curiosidade será sempre vista negativamente.

   No entanto, os gregos nunca deram à Pândora o rótulo de pecadora como o Cristianismo deu à  Eva.Os gregos respeitavam tal dom como lhe sendo dado pela  sábia Minerva e que pela curiosidade seríamos, nós mulheres, levadas à pesquisas e perguntas existenciais com a qual atingiríamos a sabedoria.
    Será porém nas doutrinas da antiga Caldéia, divergente da doutrina oficial do Judaismo ,que encontraremos uma das maiores forças femininas: O rigor .No gráfico de sua Árvore da Vida , aparece ali como nossa primordial genitora, Mãe Biná ,equilibrando a potência masculina quando esta se torna licenciosa ou excessivamente paternalista.A força feminina do rigor seria então a grande  mantenedora das estruturas sociais. O primeiro sinal da decadência de uma cultura seria o enfraquecimento da ética feminina. Se a mulher decai, a sociedade decairá. Por outro lado, as sociedades onde a mulher deixou que um sistema patriarcal enfraquecesse a força feminina, terá sempre como resultante a sua dissolução , como vem acontecendo a várias delas. Porém, tal como profetizavam os antigos Caldeus, a grande mãe Biná faria  uma reação a tal comando. A mulher então iniciaria uma avalanche de revoltas e só quando conseguisse de novo se impor, uma nova sociedade mais fraterna surgiria.
 Iansã, senhora dos ventos e das tempestades.

   Existe uma outra faceta em nossa Ânima que exige de nós mulheres uma maior reflexão.  Encontramos em nós forças de perdão, de condescendência ante os erros de um homem, no entanto, somos intransigentes e rancorosas quando erros provêm de uma mulher. Somos defensoras e amigas fieis de um homem, dificilmente de outra mulher. Os gregos ilustraram isto muito bem  no mito de Hera . Sempre que Zeus dava suas escapadas amorosas traindo-a, Hera acabava sempre por perdoá-lo, porém castigava com crueldade aquela que fora objeto da atração de Zeus. Fosse porque sentimento fosse, ou de concorrência pela beleza da outra ou porque num sistema patriarcal aceitasse o direito do homem de errar e não o da mulher, Hera, conhecida como rigorosa, exigia sempre um comportamento ético irrepreensível na mulher mas jamais no homem.
    Hoje, ainda observamos isto nos países islâmicos. Ali,  onde a liberdade da mulher é muito cerceada, a grande barreira à reabilitação feminina são as próprias mulheres. Contam-nos as escritoras que deixaram as sociedades islâmicas, que mães, irmãs, sogras continuam a exigir das mulheres mais jovens atitudes retrógradas. São elas as verdadeiras mantenedoras de costumes antigos que ajudam as leis feitas pelos homens a prenderem as mulheres às velhas tradições. 
   Continuam intransigentes dentro dos lares estimulando os meninos da nova geração na desvalorização feminina.
    Reflexionarmos sobre este nosso comportamento, fazermos um equilíbrio entre a mulher senhora do lar, a mulher mãe, a mulher sedutora, tão bem expostos nos mitos afros. Tentarmos equilibrar a misericórdia com o rigor, como já nos pediam os antigos caldeus,sermos a mulher curiosa que busca através de estudos a sabedoria, abriria para nós todos os ramos do conhecimento humano. Chegaríamos enfim aquilo que Prometeu e os deuses do Olimpo sonharam para nós: Sermos o complemento perfeito para os nossos queridos companheiros de evolução: Os homens.