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sábado, 30 de novembro de 2024

A Iniciação do Mestre Sufi Malik Dinar

Dinar foi um dos primeiros mestres sábios dos dervixes. E, numa história, ele conta como atingiu aquela sabedoria e tornou-se um sufi prestigiado. Sua história ilustra também como às vezes o conhecimento que nos pode dar o mestre está ao nosso lado e nós não percebemos. Como o conhecimento depende de nos dedicarmos as coisas  que estão ao nosso alcance, bem as nossas mãos. O que lhe aconteceu foi isto: Um dia Dinar entendeu que havia chegado o momento dele ir à busca do seu mestre e do conhecimento oculto, da sabedoria essencial.

A Mesquita de Malik Dinar é uma das mesquitas mais antigas
da Índia, situada em Thalagara, na cidade de Kasaragof,
no estado de Kerala.
 

   Logo que ele saiu de casa para iniciar a sua busca, encontrou um velho dervixe que começou a caminhar a seu lado silencioso por um tempo, mas depois lhe perguntou:

 - Quem és tu? E para onde vais?

 - Sou Dinar e inicio uma busca para encontrar o meu mestre e atingir a sabedoria.

 - Eu sou Fatih e caminharei contigo.

 - Podes, dervixe, me ajudar a encontrar o meu mestre e a sabedoria?

 - Bem - respondeu o dervixe - o saber oculto está dentro de ti e encontrá-lo depende de como vais enfrentar as experiências que encontras pelos caminhos da vida. E qualquer companheiro de caminhada como eu ou qualquer mestre só pode transmitir o saber através de indicações, nunca vai entregá-lo totalmente, só parcialmente.

   Depois de caminharem um pouco, encontraram uma árvore que balançava muito apesar de não ter vento, e rangia. O dervixe parou e disse: Esta árvore está nos dizendo alguma coisa, nos fazendo alguma queixa. Já sei, ela diz: Algo está me machucando, façam, por favor, uma pausa em sua caminhada e me ajudem!

 - Estou com muita pressa – respondeu Dinar – tenho que encontrar o meu mestre. E de qualquer modo é um absurdo uma árvore falar.

   Seguiram os dois o caminho. Depois de uns quilômetros o dervixe comentou: Quando cheguei perto daquela árvore eu senti um cheiro forte de mel. Talvez uma colmeia de abelhas tenha sido construída dentro daquela árvore.

   Então- disse Dinar - devemos voltar, pois se encontrarmos mel poderemos comê-lo e até vendê-lo.

   Voltaram. Porém, ao chegarem lá encontraram uma porção de homens felizes ao lado de inúmeros toneis de mel. Chegaram tarde, não havia mais mel para eles. Dinar ficou desapontado, mas seguiram seu caminho.

   Chegaram depois ao sopé de uma montanha e ouviram um forte zumbido. O dervixe colocou o ouvido no solo e disse: Debaixo de nós milhares de formigas estão construindo uma colônia para elas. Este zumbido é um pedido de ajuda coletivo. Elas estão dizendo; Ajudem-nos! Estamos cavando para fazer um refúgio para nós, mas umas pedras estão barrando o nosso caminho. Cavem por favor! Ajudem-nos a removê-las!

   O dervixe perguntou a Dinar – Devemos parar e ajudá-las ou queres ir adiante?

- Ora, dervixe, formigas e seus problemas não são de nossa conta. Eu, por mim, o que quero mesmo é seguir, encontrar o meu mestre e beber de sua sabedoria.

 - Mas – argumentou o dervixe – dizem que todas as coisas do universo estão conectadas, será que também estas formigas não podem ter alguma conexão conosco?

   Dinar não deu a menor importância às palavras do dervixe e só disse: Vamos, Vamos adiante! Fizeram uma pausa para dormirem e pela manhã Dinar viu que havia esquecido sua faca perto da montanha junto ao formigueiro. Vamos voltar lá  - disse - para buscá-la. Ao chegarem lá, viram um grupo de homens ao lado de uma pilha de moedas de ouro. Essas moedas agora são nossas - disseram - à noite estávamos aqui, mas apareceu um velho dervixe que nos disse: Cavem ai. Uns acharão que isto são pedras, mas outros acharão nelas um tesouro. E engraçado, este dervixe que o acompanha é curiosamente parecido com o que nos indicou o tesouro.

- Ora – disse o dervixe – todos os dervixes se parecem.

   Dinar lamentou sua pouca sorte e queixou-se: Que azar! Hoje poderíamos estar ricos!

   Prosseguiram viagem e depois chegaram às margens de um rio e pararam para esperar o barqueiro que os transportaria à outra margem. Enquanto estavam ali sentados, viram um peixe que subiu à superfície da água várias vezes, abrindo e fechando a boca em direção a eles.

   Este peixe - disse o dervixe - está querendo nos dizer algo. Ele diz; Engoli uma pedra. Peguem-me e me dêem uma erva ai da margem para eu comer Quando eu a comer vomitarei, e a pedra será vomitada junto. Por favor, tenham compaixão! Tenham piedade de mim!

   Neste momento, a balsa chegava e Dinar impaciente para encontrar seu mestre e o saber oculto empurrou o dervixe para dentro do barco dizendo: Deixe o peixe pra lá, deixe!

   Após pernoitarem na outra margem, pela manhã viram de novo o barqueiro que estava radiante. Dizia; hoje é o dia mais afortunado de minha vida! Vi um peixe de boca aberta que tentava com muito esforço pegar uma erva que estava na margem do rio. Eu então a coloquei em sua boca. O peixe vomitou uma pedra e voltou feliz para a água. Imaginem que a pedra era um enorme diamante! Estou riquíssimo – gritava.

   Dinar voltou-se enfurecido para o dervixe, dizendo: Tu és um demônio! Sabias de todos estes tesouros, do mel, das moedas de ouro, do diamante por meio de um saber oculto que possuis, mas nada me dissestes. Quando acabou de dizer estas palavras, um clarão de luz se fez em sua mente: O velho dervixe era o seu mestre que tanto procurava!  Sempre estivera ao seu lado, ao seu alcance, desde que iniciara a sua busca. Não o reconhecera mesmo quando ele tentara aumentar a sua sensibilidade, a percepção sobre cada coisa que vinha a seu encontro. Lembrou — se dos homens que lhe disseram que o dervixe que lhes mostrou um tesouro parecia-se com este. De fato, todos os mestres se parecem. Todos orientam discípulos que percebem ou não percebem as indicações que eles lhes dão para atingir os tesouros da sabedoria.

   Deste dia em diante Dinar tornou-se ele próprio um grande dervixe, e depois um dos maiores mestres do Sufismo. 

Extraído do livro “Historias dos dervixes” de Idries Shah.


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Por que me Apego à Jesus

Porque suas mensagens tratam da imanência divina, Isto é: Deus está dentro de nós. Ao contrário de religiões que tratam da transcendência: Deus está longe de nós. Jesus é bem claro quanto cita várias vezes Deus e o “Reino dos Céus”. Quando seus discípulos o interrogam: Quando virá o” Reino dos Céus”? Ele responde:” Na verdade ele já está dentro de vós.” E, diz mais “Procura o Pai (Deus) dentro de ti e tudo o mais te será dado em acréscimo”.
   Não me apego à história factual de Jesus. Importa-me apenas as suas mensagens de amor. Hoje, historiadores dedicam-se a mostrar os erros que aparecem nos evangelhos de Marcos, Lucas, Matheus e João, a respeito da vida de Jesus, fatos que não têm fundamento histórico se colocados na sociedade judaica de sua época. Acredito, sim, que estes apóstolos que tanto amaram seu mestre, quisessem fazer dele o messias esperado, pondo nos evangelhos fatos que coincidissem com as escrituras judaicas que profetizavam a vinda de um messias. Contudo, continuo tão somente me apegando ao grande amor, muito raro que ele mostrou pela humanidade. Penso nestas suas palavras: ”Perdoa o teu inimigo não sete vezes, mas sete vezes sete.” Também nesta: ”Amar a Deus (Deus como força que ele considerava interna a nós) sobre todas as coisas, e amar ao próximo como a si mesmo, nisto reside todas as leis e todos os profetas”.
   Não sou deslumbrada pelos seus “milagres”. Acredito que Jesus tivesse um completo domínio sobre a sua mente, conseguindo os fenômenos que ela produz. Hoje, muitos paranormais realizam fenômenos semelhantes. Porém muitos também cobram absurdos por seus trabalhos e exibem muita vaidade. Poucos mostram a misericórdia e a grandeza amorosa de Jesus.

   Quando o Sufismo, uma dissidência do Islã, aderiu à imanência divina, com seus membros voltando-se para o seu Deus interno, o Islamismo viu nisto uma heresia e o perseguiu. Quando Rumi, o grande mestre sufi, deixou claro em seus versos que após procurar Deus de templo em templo, o foi encontrar em seu coração, muitos não reconheceram a sua verdade.
 Não me apego às teorias como as aparecidas no livro “O Código da Vinci” ou as do livro “O Santo Graal e a Linhagem Sagrada”. Sucessos de vendas, que tal como um sensacionalismo jornalístico, rendeu a seus autores altas tiragens.
  Não me importa se Jesus era casado ou solteiro, se teve ou não filhos, que tipo de relacionamento tinha com Maria Madalena, qual a sua descendência. Não me importo tampouco com os dogmas da Igreja. Nasceu-se de uma virgem, se subiu em corpo aos céus. A única coisa que realmente me impressiona em Jesus é a sua profunda humanidade, a sua universalidade, a sua visão de uma força divina a que chamava de Pai, Deus, presente nele e em nós.
  Surpreende-me a preocupação de Jesus em levar seus discípulos a se interiorizarem dizendo-lhes; “Orai e Vigiai” Orar: o contato com sua fonte interna. O Vigiai: o cuidado com seus próprios comportamentos.
   Lendo os evangelhos, faço como um agricultor que procurasse o trigo entre um campo minado de mato e joio. Separo apenas as palavras plenas de amor de Jesus, são, enfim, elas que me contagiam.

sábado, 15 de março de 2014

Paimpont, a Floresta Encantada

   No coração da Bretanha francesa lá está um ponto emocionante de uma caminhada iniciática. Paimpont, a antiga Brocellande, floresta preferida pelos cavalheiros do rei Artur. Ali o sagrado Graal, perdido nela por José de Arimathéa, o seguidor do Cristo, era buscado.


Carvalho, árvore sagrada dos druidas em Paimpont.

Tudo em Paimpont nos leva as lembranças das lendas arturianas. Ali-afirma-se era o refúgio dos amores da feiticeira Viviane, e de Merlin o maior dos magos druidas. Tendo perdido sua iniciação pela paixão à Viviane, que o prendeu em um círculo mágico na própria floresta, Merlin, conta a lenda, veio a morrer, deixando para todos os místicos que ali chegam a pedra rústica que cobre o seu túmulo. São surpreendentes as devoções constantes ainda hoje feita pelos franceses modernos no local.

    Ao antigo druida uma árvore com sua raiz, seu tronco e suas galhadas representavam respectivamente o mundo subterrâneo, o mundo humano e o divino. Que se diria então para Brocellande com seus 7.000 ha de plantios de carvalho, a árvore sagrada por excelência? Para Brocellande todas as homenagens eram poucas. Foi ela o grande objeto de cultos dirigidos á natureza, local das fogueiras de Beltane acesas em honra ao deus solar Bellenos, e do recolhimento do “Guy” a mais energizada seiva do carvalho. Como para o antigo druida Brocellande era a transcendente morada de deuses e magos, foi perseguida pelo Cristianismo. Quando Carlos Magno pegou o domínio da França, antiga Gália, representando a Igreja, mandou queimar uma grande quantidade de carvalhos de Paimpont para exterminar tais cultos.


Tumba do mago Merlin
na floresta de Paimpont.
   Ali, hoje, o turista encontra placas com indicações para o “Vale sem Retorno”. Ele nos leva novamente às personagens arturianas. Na Idade Média, muito homem crédulo e infiel não entrava nele. Segundo a lenda, ali a fada Morgana, meia irmã de Artur, espera todos os amantes infiéis e os empurra para o fundo de um precipício. Assim se vinga de ter sido traída  em seus amores.

   Durante todos os momentos que ali permaneci em Paimpont, minha alma se gratificava por ter conduzido ali um grupo consciente da imantação de fé que podia ainda hoje ser encontrada naquele local de tantas antigas devoções.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Solstício nos Andes

No Andes, o culto ao solstício de inverno nasceu na Bolívia, na região próxima ao lago Titicaca, na cultura milenar do Tiauanaco, que é anterior a cultura inca. Ali, até hoje milhares de nativos, turistas , místicos e historiadores assistem todos os anos, contritos, o nascer do dia 22 de junho, na Porta do Sol, acendendo fogueiras para saudá-lo. Tal costume milenar passou ao Perú, quando o deus Viracocha fez do barro do lago o casal  Manco Capac e Mama Occlo e os fez deixar o lago Titicaca para irem a região de Cusco fundar o Império Inca. Hoje, é ali nos 3.440 m de altitude de Cusco que acontece a mais bela tradição andina do solstício.
     Os indígenas do antigo império incaico anterior a invasão espanhola, viviam aninhados ao sopé de montanhas, isolados em altitudes áridas e desde os tempos imemoriáveis da sua criação possuíam uma religiosidade extremada. Tinham também uma atenção muito voltada para as mudanças das estações anuais, mudanças solares e lunares porque delas dependiam seus plantios ,sua sobrevivência. Um dos principais alimentos da cultura inca era a batata.O solstício de inverno iniciava para aquela região um período seco, de poucas chuvas em que se colhia a batata . A gratidão a Inti ,o deus solar se fazia então necessária. Afinal, a semente que fora concebida no equinócio do outono, em março, agora nascia. De sua quietude no útero da terra, a Pachamama  era iniciado um movimento de doação para fora, a colheita surgia. Então, o ano novo para os incas era nesta data que tinha início.

Romance que transcorre no cenário andino.

    Os historiadores, antropólogos e filósofos concordam que este sentimento espiritual de ligação à mãe  natureza Pachamama está até hoje impregnado  em cada esquina e cada montanha do Perú e no olhar do homem andino. Cusco  foi a capital do império incaico, cidade sagrada pois ali residia o imperador dos” Filhos do Sol” e era ali então ali que aconteciam as maiores homenagens a Inti e sua companheira Killa, a lua.
    As festividades do solstício duravam quase uma semana. Principiava no dia 20 quando o imperador, sua família e a nobreza iniciavam uma purificação pessoal abstendo-se de sexo, e iniciando um jejum preparatório de 2 dias para elevarem o seu espírito. Lembremos que os imperadores incas sentiam-se responsáveis por seu povo, consideravam-se não só um descendente direto do deus Inti, mas também seu representante na terra e ele, o imperador, era quem intermediava a energia solar que abençoava seus súditos e suas colheitas.
    Durante o dia 21, ele proibia o acendimento de qualquer fogo em Cusco, simbolizando o momento de recolhimento, de supremo repouso e obscuridade para o mundo, como se fosse o final de um ciclo. Só depois ao amanhecer do dia 22 podiam ser novamente acesos sinalizando uma nova dispensação de luz e renovação de vida .Na data de 21, toda a população de Cusco era convidada a se retirar, só permanecendo ali o imperador , sua família e a nobreza a se prepararem espiritualmente.Na noite do solstício o imperador fazia uma gesto de humildade. Retirava a sua coroa e só a poria após estar purificado. Ali ele tornava-se apenas um filho do sol. Passava esta noite acordado em orações . Pelo dia 22, lhe era entregue uma lhama branca. À ela ele confiava uma mensagem aonde explicava as necessidades mais prementes do seu povo. Em seguida a sacrificava para que a alma do animalzinho levasse essa mensagem ao deus solar Inti. Um sacerdote  adivinho era também chamado para ler as entranhas da lhama e fazer os vaticínios para o ano que se iniciava.
    Enquanto isso acontecia, no grande templo de Aqlla-Wasi, a Casa das Escolhidas, as Mamas Kunas e as Aqllas, Virgens do Sol,preparavam bebidas ( Chicha)  e os Sankhu que era uma espécie de pão de milho que seriam depois distribuídos à população para que, num repartimento, todos comungassem com as riquezas da mãe terra.
    Dia 23 a população era chamada de volta para enfeitar as ruas de Cusco e todo o trajeto que o imperador faria, com flores. O auge do festival acontecia quando  este, com toda a pompa de um representante da divindade solar na terra, passava pelas ruas para fazer um trajeto até o forte de Saqsaywaman.


Ainda em Cusco, a comitiva imperial parava em frente à Praça de Armas para a cerimônia da bebida Chicha. Num jarro de ouro era oferecido ao imperador a Chicha .Após bebê-la, ele fazia no idioma quechua esta saudação ao sol: “ Oh! Deus pai sol, te brindo com esta chicha preparada pelas Aqllas. Chicha espumosa feita com o dourado milho , muito doce, que desde aqui chegue como louvação a ti, para que sempre aqueças com muita força a terra, a Pachamama, e a faças frutificar para que as colheitas do império sejam sempre boas, afim de evitar a fome dos meus súditos.”
    Humildemente, depois o imperador fazia a libação: Devolvia o restante que ficou no jarro à mãe terra, para mostrar-lhe o que os homens podiam fazer com as riquezas que a Pachamama  lhe dava.
    Seguindo contritamente o rito, a comitiva ia depois para o templo de Colcampata ( templo cujas paredes eram forradas de ouro e foi destruído pelos espanhóis, seu ouro foi levado e em seu lugar construiu-se a atual igreja de São Domingos.) Depois, dava-se início a um ritual chamado Musoccina  com o qual se acendia oficialmente a pira do fogo sagrado. Este fogo deveria ficar aceso até a próxima festa de solstício. Nele,  os sacerdotes seguravam um disco côncavo com um material inflamavel faziam diversos movimentos como uma dança mágica, pedindo  que o deus sol mandasse seus raios. A luz solar entrando no disco acabava por acendê-lo com fogo. Era então acesa a pira.
    Ali, num altar de holocausto frente à pira, eram sacrificadas lhamas agora negras para que servissem de intermediários nos pedidos particulares do povo de Cusco. A carne das lhamas sacrificadas seriam assadas e distribuídas à população.  A pira era depois levada ao templo e ali cuidada por devotos que a conservariam acesa até o próximo ano.
  Celebração do Inti Raymi no forte de Saqsaywaman.

    Desde o dia 24 na esplanada de Saqsaywaman súditos do imperador vindo de todas as partes do Tuantisuyo , império dos quatro lados, o esperavam vestidos com trajes  feitas com lã de Vicunha e muitos adornos de  prata, um metal muito abundante naquela época no Perú. Muitas tribos vestindo-se de palhas. Ali também em homenagem ao  representante de Inti,  cantavam e dançavam em grande alegria.
    Mais de 500 anos se passaram desde que Pizarro fez o trágico arrasamento da cultura inca. Nela, viviam perto de 15 milhões de pessoas e segundo os relatos dos cronistas espanhóis nenhum homem passava fome ou estava privado de trabalho. Hoje, está acontecendo ali um resgate  desta cultura. Tenta-se chegar à maneira religiosa deste povo pensar. Muitos nativos, retirados nas montanhas, querem voltar as suas raízes. A festa do solstício chamado Inti Raymi que significa festa do sol, está sendo muito celebrada Também o símbolo inca do sol criança que nasce neste dia se popularizou .

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Macchu Picchu


Macchu Picchu
 
 Situa-se numa soberba paisagem do Peru à 2.050 metros de altitude. Porém,sua maior força mística é jamais ter sido uma cidade profana. Foi projetada pelo tempo do Império Inca para servir de santuário.Acrescenta-se a isso o fato de Macchu Picchu ter sido abandonada ao mato que a escondeu durante séculos .Nunca foi  encontrada pelo invasor espanhol que conquistou o Peru. Por isso, Macchu Picchu nunca viu os horrores da conquista, conservando intata a sua energia de paz.Sendo criada por urbanistas que professavam as crenças incaicas, então era uma réplica perfeita do universo dividido nos três mundos que concebiam. Ali estavam: “ O mundo de baixo”, manifestado no rio que cerca a cidade; o local a ser habitado era “ O mundo do meio”;Os altos cerros como aquele de Wuayna Picchu “O mundo de cima”.
Uma imagem da Montanha sagrada de Wuayna Picchu em Machu Picchu, tal como aparece neste meu livro "As montanhas sagradas dos Incas"

   Os Incas acreditavam em duas serpentes, invisíveis e gigantescas que levantando-se da profundeza do rio abaixo,interligavam ali aqueles três mundos . A primeira, ao levantar-se ,encontrava no céu o deus do raio e retornava como chuva fertilizando Macchu Picchu. A segunda, tocando os cerros do” mundo de cima”,transformava-se em Arco Iris,  colorindo tudo o que tem vida na cidade; Pássaros, flores e frutos.Tudo então ali, tendo origem nas serpentes sagradas, estava impregnado de um poder divino, transcendente.
   Assim , no esplendor mágico de Macchu Picchu ainda hoje sentimos uma vibração que é misto de fortaleza e paz.