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terça-feira, 11 de junho de 2024

Meditação dos Quatro Elementos

Comunguemos com o elemento Terra. Sentamos sobre o chão. Estamos apoiados sobre a fortaleza, sobre a fertilidade da nossa Mãe Natureza. As pedras nela são os ossos da nossa Mãe Terra. Sentimos que toda a nossa parte óssea desde nossos pés, pernas, braços, coluna, crânio está recebendo e unido à potência deste solo, dos minérios contidos nele. Somos parte dele. Dizemos agora: Salve ó seres dos minérios, salve anjos da natureza. Abrimos os olhos e descansamos

  Comunguemos agora com o elemento Ar. Respiramos profundamente, várias vezes, tornando-nos conscientes do ar enquanto ele flui para dentro e sai dos nossos pulmões. Ele é o sopro que nos estão dando os seres do ar. Deixemos que nossa respiração vá se incorporar à brisa do ar. Pensemos no ar ao nosso redor. Somos parte dele.  Vivemos nele. Agora digamos: Salve ó seres do ar, anjos da natureza! Abrimos os olhos e descansamos.

Comunguemos com o elemento Água.  Fechamos os olhos. Pensemos agora nas águas da natureza. As dos rios, das cachoeiras. Ouçam mentalmente o barulho das águas em sua movimentação. A mesma água está dentro de nós. Sintamos no interior do nosso corpo o sangue fluindo, correndo através de nossas veias. Digamos agora: Salve ó seres da Água, anjos da natureza!

  Comunguemos com o elemento Fogo. Fechemos nossos olhos. Sintamos o interior de nosso corpo cintilando como pequeninas luzes. Elas são a eletricidade da vida, luz, vigor, a vitalidade, o calor de nosso corpo.  Pensemos que no centro de nosso sistema solar lá está o sol a nos dar vida e calor. Nós e ele somos um só. Agora digamos: Salve ó seres do Fogo. Anjos da natureza! Abrimos os olhos e descansamos.


quinta-feira, 5 de abril de 2018

O Fascínio das Flores


    Inicia-se o ano de 2018.  Estou num jardim onde vicejam orquídeas variadas: brancas, roxas, amarelas. Sinto-me grata por ser de uma região do planeta onde a natureza é tão privilegiada. Nela vivem muitas e muitas flores, coloridas, perfumadas. Sou tão mal acostumada a ver tanta beleza, sou tão saciada por ela, que até me esqueço de povos que vivendo em meio a estepes eternamente nevadas, onde o sol pouco surge, fazem de qualquer pequeno musgo verde, qualquer água lúcida de um riacho eventualmente aparecidos, motivo de devoções e ritos.
    Penso neles agora admirada de que alguém viva sem nunca ter tocado os dedos nas pétalas macias de uma flor.
  Quando me absorvo na natureza, vejo que as flores têm, assim como nós, destinos e tarefas variadas a cumprir. Umas são mensageiras de amores apaixonados, outras de congratulações por vitórias obtidas, outras pretendem levar um pouco de vida aos que já faleceram, outras simplesmente alegram festividades com suas cores.
    Porém, não são apenas sua beleza e coloração que nos fascinam. Seu maior chamamento a nós é o perfume que exalam. Quimicamente nos aproveitamos dos aromas que contêm. Perfumamos com ele nosso corpo. Este é o maior intercâmbio físico que conseguimos entre nós e as flores. Mas, os momentos de meditações em que nos fixamos em sua beleza é o intercâmbio que realmente nos deixa deslumbrados.
    Assim como nós, as flores também mudam sua aparência conforme o clima aonde se desenvolve. As Tulipas podem percorrer mundo, exportadas por grandes empresas, mas será sempre na Holanda, com seu clima ameno, que estarão mais viçosas. Assim acontece com as flores de Cerejeiras japonesas; assim também com o Cravo da Ilha da Madeira; as Camélias de Sintra; a flor de Ceiba favorecida pelo clima úmido da Argentina, e a Lavanda cheirosa da região da Provença que deu a cidade de Grasse a fama de uma das maiores produtoras de perfume da França.
    Quando surge a primavera, da varanda de minha casa, vejo uma sequência de Ipês florescendo em colorações roxas, mas sei que em outros pontos de meu país os Ipês dourados estão dando uma verdadeira performance de beleza.
    O sol e seu esplendor é o grande responsável pelas mudanças contínuas de algumas flores. Reagem a ele, se abrindo e se fechando conforme a luz que lhes manda. Assim, o nosso popular “Onze Horas” está no máximo de sua abertura quando o sol está forte. Alguns “Mimo de Vênus” se fecham como um charuto quando o sol desaparece.
    Este contato entre sol e flores fez surgir na Antiguidade do imaginoso povo grego este belo mito do Girassol: Clítia era a ninfa de um bosque, apaixonada pelo deus solar Apolo. Todas as manhãs ia a uma montanha esperar quando Apolo, o sol, aparecia nos céus em seu carro de fogo, emitindo luz dourada para todos os lados. A cabecinha de Clítia acompanhava, enamorada, o movimento que o sol fazia desde seu surgimento no oriente até o seu ocaso no ocidente. Tanto fez isto, que seu corpo se enraizou no solo e ela foi tomando a cor do sol. Clítia tornou-se por fim um Girassol e hoje todos os seus herdeiros, todos os Girassóis do mundo acompanham o movimento solar. Giram, giram, seguindo o girar do sol.


    Existe uma flor, eu sei talvez a mais bela delas, para representar os quatro elementos da natureza: terra, água, ar e fogo: o Lótus. Nasce na profundidade da terra, levanta uma haste na água, levanta outra no ar e finamente abre sua beleza florida ao fogo solar.
    As religiões não são isentas da magia das flores. Escolhem-nas como princípios divinos de seus deuses, sábios e santos. Quem não sabe que as rosas brancas são o símbolo da mãe do Cristo? Quem não conhece a lenda das rosas vermelhas de santa Terezinha? Quem desconhece o próprio Lótus como a flor sagrada do Budismo? Já não viu o sábio Buda sentado sobre um Lótus de mil pétalas, isto significando que o Buda já tem o domínio sobre o seu sétimo chacra, o Sahashara, o maior centro de poder que um ser pode alcançar? A flor de Lótus é, enfim, dentro do Budismo a forma como os seres iluminados se manifestam.
    Veio-me à lembrança agora o jardim de uma casa que habitei. Ele contava com uma pequenina fonte onde boiavam minúsculas flores. Eram, sem dúvida, parentes em espécie da maior flor aquática brasileira; a Vitória Régia. É de nossa Amazônia que nos vem esta sua linda lenda: As índias de uma tribo eram apaixonadas pela beleza da lua e acontecia que a lua atraia muitas delas e as levava para o céu.  Naiá era a índia mais apaixonada de todas, mas seus irmãos a advertiam que não se envolvesse com a lua porque as jovens que subiam aos céus perdiam a forma humana, tornavam-se uma estrela e nunca mais voltavam ao seu lar na aldeia. Mas Naiá ficou tão triste de não atender os chamados da lua que passou a definhar, pois não comia mais. Uma noite de grande luar a lua estava refletida num lago. Naiá, imaginando que ela viera busca-la se atirou no lago para encontra-la e sem saber nadar, afogou-se.


    Muito comovida pelo que acontecera à Naiá, então, a lua que é uma deusa, resolveu transforma-la numa estrela da água: A linda flor Vitória Régia. Hoje, suas flores brancas, muito perfumadas, se abrem só ao anoitecer, quando a lua aparece.
    No jardim onde estou anoitece. Uma sombra de escuridão vai descendo sobre ele. Sua natureza vai repousar da ofuscante luz solar. Eu também entrarei para a sombra de um repouso, serena e grata pela generosidade das flores. Deram-me nesta divagação nada menos que o incomparável fascínio de sua beleza.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A consagração da natureza - Culto às estações


Texto extraído do meu livro
“A influência de crenças e símbolos”


    Na crença de que homem e natureza seguem os mesmos princípios divinos em suas transformações periódicas, as estações são acreditadas como fazendo correspondência com as idades do homem e gerando também cultos.
    A PRIMAVERA–Ela é o nascer, o brotar, o florescimento. Como uma semente que sai de seu casulo, o homem deixa também o refúgio uterino, manifesta-se no mundo externo, fazendo face a ele com uma fragilidade ainda infantil. Inicia a sua evolução com todo o vigor de algo novo, de uma primavera tanto bela quanto inexperiente.

   No mito da roda do ano celta, em 21 de março, homenageava-se a deusa da primavera. Já desde a véspera deste dia, fazia-se o ritual à Eostre ,quando, sobre altares, eram depositadas flores; e Kore, a deusa da escuridão invernal, recebia sua despedida. Coroas floridas enfeitavam depois os bosques e neles comiam-se ovos coloridos, símbolos da matriz da vida.
  Ali, tinha início danças ao redor de um pau de fita, danças também simbólicas do dinamismo existencial que a primavera trazia.
   O VERÃO–Braseiros eram acesos em toda parte. Principalmente na noite de São João ,por séculos, fogueiras continuaram sendo acesas,costume com que o Cristianismo substituiu as festas pagãs deste solstício. Na Bretanha, lendas afirmavam que galinhas eventualmente podiam por ovos de ouro neste dia , e na região dos dolmens e menhirs usava-se sair buscando, por sobre as pedras, tesouros em ouro que –acreditava-se- gênios solares haviam ali escondido. 

 
O verão é o explodir total da natureza. Só nele ela é capaz de resistir a emissão de raios solares poderosos. No homem, é a sua maturidade. Nela deixamos a tenra e tão sensível condição de adolescência , para sermos capazes de melhor suportar embates negativos, podemos perceber com mais facilidade situações que são apresentadas ao nosso discernir.
    O OUTONO - Na Grécia, o outono dava início aos Mistérios de Elêusis.Em seus ensinamentos e ritos,o iniciando pacificava-se quando chegava a entender porque nascia e porque morria.
 



    As celebrações eram dedicadas a Demeter e sua filha Perséfone, simbolismo de um equilíbrio entre o dinamismo de um solo que entregava frutos (Demeter) e o repouso da semente no fundo da terra (Perséfone), entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos.
   Também para o homem é o tempo de uma introspecção que lhe dá equilíbrio. É quando colhe para si o resultante de seus plantios.
   Assim como nos ritos de Elêusis, onde eram abolidas magias para obtenções materiais, assim também o ser outonal vive uma fase em que pouco pede, apenas avalia e agradece. Lembremos que no equinócio de outono dos celtas seu culto principal era o de “Ação de Graças”. Equilíbrio ,introspecção, avaliação e preparo à morte (que na natureza correspondia a diminuição do calor solar) eram os princípios atribuídos a esta estação pelos povos antigos.
   O INVERNO - Tanto para a natureza, como em relação às idades do homem, ele é o tempo de repouso que antecede um renascimento. Os povos nórdicos e gauleses costumavam obedecer a ritos nos quais, durante os dias que antecediam ao solstício de inverno, permaneciam em jejum, com suas atividades momentaneamente suspensas e paralisando todas as rodas ,uma vez que estas simbolizavam a dinâmica da vida. Pelas proximidades do dia 21 de dezembro (inverno no hemisfério norte) reuniam-se em sabbats nos quais passavam a noite numa vigília de orações, em penumbra, com as velas dos santuários apagadas,reverenciando a noite que-segundo acreditavam- guardava em si uma semente que se faria luz assim que a aurora surgisse.

 
    Pela madrugada, as rodas, nos santuários e por toda a parte, eram postas a girar ,na representação da continuidade do existir.
    Evocações eram feitas para que o rei da escuridão, do azevinho, que fora colocado sobre altares, desse lugar à luminosidade também ali representada pelo visco-parasita do carvalho. Ao amanhecer todos iam louvar em locais abertos junto à natureza, os primeiros raios de sol com efusões de grande alegria.
    Os ritos e festejos invernais do paganismo nos legaram algo muito importante: a certeza numa vida que se perpetua além do morrer e renasce continuamente.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A Voz das Cataratas

Lembrança de uma viagem à Foz do Iguaçu.


   Vem e contempla-me! Sou a força das águas, a firmeza da rocha, a maciez do musgo e a graça das Ondinas diante de ti, exibindo-se.

   Vem! Prosterna teu ser ante minha beleza! Absorve-a em toda sua plenitude! Ela é a vigorosa manifestação de um poder altíssimo e toda a fragilidade em ti se renovará, agora.

   Extasia-te no vai e vem incessante, no cair, espargir e rolar das minhas águas! Todo momento de beleza faz de ti um novo homem. Aqui, teu eu antigo morre para que outro eu mais enriquecido, o substitua.

    Neste refúgio onde a natureza revela a ti sua exuberância, deixa tua emoção externar-se toda! Se ela vem à tona, chore! Teu pranto é teu ser sofrido a pedir pureza, fé e paz. Aqui, os deuses marinhos, as Náyades, as Ondinas, saltitando nos respingos à superfície das cascatas, lavam teu pranto, imprimem em ti a alegria perfeita da comunhão entre o frágil e o potente, o homem e o Divino.



   Não olhes com temor minha força e meus abismos. Se num passo de imprudência fosses por eles arrastado, o mesmo poder que aqui se manifesta, te daria nova oportunidade, te faria renascer para outra experiência de vida.

   Ouve no marulhar das águas a voz dos deuses e tranquiliza-te! È a ti que eles dizem: ”O ciclo do sol que morre na tarde, mas renasce pela manhã em feérico Arco Iris sobre minhas águas, é o símbolo de tua própria imortalidade!”.

   Agora que deixaste a intensidade de minha beleza fluir para dentro de ti, olha a teu redor e observa teus companheiros! Errarias se julgasses que algum entre eles fosse indiferente, superficial e volúvel à grandeza do mistério que encontraste aqui.

   Nenhum homem vê a face de um Deus que não seja por ela tocado! Cada um de teus companheiros tem agora seu mais íntimo ser reverentemente prosternado ante um poder capaz de mover, com tal magnitude, rios e oceanos.

   Abençoa agradecido o êxtase que aqui tiveste e volta às tuas lidas diárias. Nenhuma partícula desta beleza que te tocou  se extinguirá! Quando a julgares distante, perdida, ela voltará a fustigar teu pensamento, te dará novo impulso de força e fé.

   Vai, na certeza agora, de que encontraste aqui a grandiosidade de um Absoluto Ser que, diante de ti desejou mostrá-la.