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sexta-feira, 8 de julho de 2022

Curiosidades no Caminho de Santiago de Compostela

 

Catedral de Santiago, o destino da peregrinação mística.

   
 Nesta rota que percorre perto de 900 km pelos locais mais verdes da Espanha, pegando o sol durante o dia sempre pela frente até chegar ao Finisterra, sobressaem-se lendas, ritos, arte arquitetônica história e poesia.

    A mais importante lenda do Caminho é aquela que gerou o seu próprio símbolo: A concha. Era já um grande símbolo no tempo do Paganismo, naquele em que o culto as deusas era intenso.

   A carne da concha (as Conquilles de São Jaques, iguaria tão apreciada na França), eram secas e servidas como filtro do amor, uma dádiva da deusa Vênus Afrodite nascida numa concha do mar. A Igreja, na época, lutou muito contra esta união do santo (Tiago) com a deusa, mas acabou cedendo a um culto que dura até hoje.

   As pessoas que cometiam delitos na Europa podiam fazer uma peregrinação à Compostela e assim seriam perdoados. Porém, ao retornarem tinham que trazer um comprovante de que chegaram lá. Traziam então conchas. Assim, tornou-se elas o símbolo do Caminho e a origem da Compostelana.

   O primeiro grande Rito do caminho é feito no Alto da Abaneta, em Rocenvalles. É o chamado “ritual das cruzes“. Geralmente, os peregrinos levam consigo pequeninas cruzes que ali deixam enterradas num simbolismo de que largam para trás suas mágoas e tristezas antigas, antes de começarem a caminhada. Chegar, enfim, de coração leve.

   Outro Rito, este bem emocionante, acontece na Cruz de Ferro. Ali era um antigo local de um rito pagão feito ao deus Mercúrio. Porém, os peregrinos cristãos durante séculos, levaram pequeninas pedras e virados de costas as atiravam dali. Hoje temos um monte de pedrinhas circundando a cruz.

    O conjunto delas representa uma nova humanidade tendo então cada peregrino contribuído com isso. Esta tradição provêm de uma lenda grega que assim nos conta:

   Quando o dilúvio assolou a terra, sobrou um casal grego: Decalião e Pirra. Perguntaram então ao oráculo do templo de Delfos, que ficara intato: Como viveremos agora nesta terra devastada? O oráculo respondeu: Pegue os ossos de sua mãe e atirem de costas.  Compreenderam eles então que a única mãe que agora tinham era a Mãe Terra e que as pedras eram os seus ossos. Dando as costas, foram atirando para trás muitas pedras. A umidade do dilúvio pôs sobre elas um limo que transformou-se em carne. O deus Apolo enviou um raio de luz que transformou-se na luz do espírito. Quando Decalião e Pirra se voltaram, viram surpresos uma quantidade de homens surgindo. Aparecia assim então a civilização Helênica.

O caminhante de Santiago.

   Outro Rito do Caminho é feito no Monte do Gozo, onde o peregrino, com prazer, já avista a cidade de Compostela. Faz ali uma ablução para chegar à sua catedral purificado.

   O último Rito será feito no Pórtico da Glória (entrada da catedral) onde o peregrino porá as mãos no pórtico e sente o lugar que possui a maior força telúrica do mundo.

   No setor da arte arquitetônica, não podemos deixar de citar o Gótico tão bem representado nas catedrais de Burgos e Léon.  Na de Burgos encanta-nos a porta do Sarmental, com sua belíssima escultura do Cristo instrutor cercado pelos quatro evangelistas e dos quatro animais do Apocalipse (touro, leão, águia e homem) simbolizando persistência, coragem, liberdade e consciência. Este tímpano é considerado como um dos mais perfeitos da arquitetura gótica.

   A catedral de Léon é a grande explosão de luz da arquitetura gótica com seus vitrais coloridos, suas 125 janelas de vitrais que nos dizem: “O homem medieval não é mais aquele humilhado, sombrio, do período Românico”. Deus é no novo homem luz, procura do alto, abertura.

   Importantes são, sem dúvida, as construções, geralmente de um teor místico, aquelas feitas pelos Templários. (já expulsos da França pela Igreja, enriqueceram de arte o percurso com capelas, ermidas, castelos, com hospitais de atendimento aos peregrinos. Em suas construções, deixaram o simbolismo místico com o qual desejavam encobrir da Inquisição os seus conhecimentos esotéricos).

   Uma das mais interessantes delas é a ermida de Eunates. Já seu nome fala sobre seu significado: “Eu Nato”, bem nascidos, renascidos, em latim. Tem a forma octogonal, sendo que o número 8 é o número da ressurreição. (lembremos que algumas igrejas na Europa tem a sua pia batismal em forma octogonal, fazendo referência aos bebês que ali renascem pelo batismo). Esta construção teve a influência octogonal da mesquita da Roca de Jerusalém, construída pelos Sufis no local do templo de Salomão.

  Está numa região repleta de tradições. Acredita-se que em seu subsolo passa uma corrente telúrica que vinda da França, cruza os Pirineus e a ermida de Eunates. Estas correntes energéticas da terra correspondiam a lugares de antigos cultos às divindades femininas, principalmente à Mãe Terra e as Virgens Negras da cor do telúrio.

Ao norte da ermida de Eunates, localizou-se o processo famoso das bruxas de Zagarramurdi, onde um quarto de mulheres da sua população foi queimada pala Inquisição.

O mapa do caminho.

   O Caminho é rico em história antiga medieval e moderna. Como história antiga lembremos-nos do Cristianismo primitivo, quando Tiago ,o grande apóstolo do Cristo, foi mandado a pregar suas mensagens na Espanha e o fez justamente em todo o percurso do Caminho. De volta à Jerusalém e sendo decapitado por Herodes, teve seu corpo enviado por seus seguidores de volta à Espanha.  Foi, porém, só na Idade Média, que seu corpo sendo achado, as peregrinações tiveram início.

   O nome Compostela vem de “Campo de estrelas” referido à chuva de estrelas vista sobre seu túmulo, o que o identificou.

   Quanto à história moderna do Caminho, além das grandes peregrinações feitas até hoje, temos o caso da capital de Astorga chamada de Maragataria. Ali vive um povo, os maragatos, que no século XVIII veio para o Uruguai e a Argentina e no século IX lutou na nossa revolução federalista como os Maragatos lutando contra os Chimangos. Segundo os historiadores, foram os Maragatos que trouxeram os costumes gaúchos para a nossa fronteira. Segundo se nota em sua região, os Maragatos espanhóis se vestem absolutamente iguais  à nossa indumentária gaúcha: Botas,  lenços no pescoço e na cintura, bombachas ,ponchos etc. Também são iguais quanto à alimentação, quanto ao jeito de preparar a carne para o churrasco.

   Ninguém melhor que um poeta para descrever os sentimentos de um peregrino do Caminho de Santiago. Assim temos:

                     Peregrinações 

“Polvo, barro, sol, lluvia

Es el caminho de Santiago

Milhares de peregrinos

I más de um milhar de años

 

Peregrino, quien te llama?

Que fuerza oculta te atrai?

Ni el caminho de las estrelas

Ni las grandes catedrales

 

No és la bravura  navarra

Ni  el vino de los Riojanos

Ni los mariscos galegos

Ni los campos castelhanos

 

Ni és la história e la cultura

Ni el gallo de la calzada

Ni el palácio de Gaudi

Ni el castelo ponferrada

 

Todo lo veo al passar

I és um gozo ver-lo todo

Mas la voz que a mi me llama

Lo siento mucho mas hond.

 

La fuerza que a mi empuja

La fuersa que a mi me atrai

No se explicaria  ni yo

Solo ele de arriba lo sabe

 

(Eugenio Gambay)


sábado, 14 de novembro de 2020

Machu Picchu

 Um dos momentos mágicos para um místico é usufruir o ambiente de Machu Picchu. Além de sua soberba paisagem natural , a força maior de Machu Picchu é jamais ter sido uma cidade profana. O contrário, foi projetada no tempo do império Inca para servir de santuário e ser alvo de peregrinações. Acrescentamos a isso o fato de Machu Picchu ter sido abandonada ao mato, que a escondeu durante séculos e nunca então ter sido encontrada pelo invasor branco . Esta cidade nunca viu lutas, horrores e saques de conquista, conservando por esta razão, e sendo depois encontrada em meio a um país sofrido como o Peru, como sempre foi: A cidade da Paz.

   Foi fundada pouco antes da chegada espanhola (Séc. XVI) e seu local foi escolhido para ser um santuário secreto. Recebia apenas aqueles peregrinos que passavam antes por estações – pousadas – e nelas eram testados e fossem considerados de grande pureza. Chegavam então a Machu Picchu através de salvos condutos.

    Projetado por arquitetos que professavam as crenças incas, o local foi considerado uma réplica perfeita da criação do mundo.


Machu Picchu, deslumbramento de paisagem. 

   Ali estavam os três níveis que totalizavam uma perfeita criação: O mundo de baixo, o do meio, e o de cima. O de baixo era o rio que circunda a cidade. Depois vinha o local de moradias dos homens, o meio. Se alguém se aventurasse a subir a alta montanha de Wuanya Picchu, sabia: estava alcançando o mundo de cima.

  Segundo a mitologia inca, duas serpentes sagradas formavam o local. Saiam ambas de baixo da terra. A primeira, Iacumana, ao erguer-se formava o rio, subia até a ponta de Wuayna Picchu encontrava lá em cima o deus raio e retornava em forma de chuva para regar e fertilizar o local a ser habitado. A segunda, Sacham-na, ao erguer-se enchia MACHU PICCHU de tudo que tem vida, depois transformava-se em Arco Iris para colorir todos os seus seres vivos: Pássaros, vegetais, flores, frutos.

  No santuário, pelo tempo incaico tudo era considerado então sagrado pela força divina das duas serpentes, duas deusas criadoras.

Quando hoje visitamos Machu Picchu somos contagiados também por místicos peruanos que ainda a consideram uma réplica da criação de um mundo perfeito.

(Machu Picchu foi abandonada em 1495- Os espanhóis chegaram ao Peru em 1532- A cidade foi achada no início do Séc. XX, 1911.)


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Cidades de Peregrinações

Sempre existiram locais sagrados onde o peregrino acredita estejam concentradas energias divinas. Geralmente foram locais onde viveram iluminados, homens santos, onde se realizavam cultos para se homenagear deuses, onde a fé foi demonstrada com fervor. Alguns destes lugares aqui serão lembrados.
                 
Paimpont, a Floresta Encantada

No coração da Bretanha francesa está um ponto emocionante de uma peregrinação.
Paimpont foi a floresta preferida pelos cavaleiros do rei Arthur. Ali, o sagrado Graal, perdido por José de Arimatea, o seguidor do Cristo, era buscado. Ali-contam- era o refúgio dos amores da feiticeira Viviane, a Dama do Lago, e de Merlin o maior dos magos druidas.
 Tendo perdido sua iniciação esotérica pela paixão à Viviane, que o prendeu numa círculo mágico na própria floresta, nos afirma as lendas francesas que Merlin veio a morrer ali, deixando, para todos os místicos que chegam o testemunho deste episódio numa pedra que cobre o seu túmulo. Surpreendentemente, ainda hoje, Paimpont recebe ininterruptas manifestações devocionais dos franceses modernos.
  Paimpont conta com 7.000 hectares de plantios de carvalho, a árvore sagrada dos antigos Celtas. Para esta árvore todas as homenagens eram poucas. Foi ela o grande objeto de cultos dirigidos à natureza, local das fogueiras de Beltame acesas em honra ao deus Bellenos e do recolhimento do Gy, a mais energética seiva do carvalho. Para um Druida, Paimpont era a transcendente morada dos deuses.
 Quando Carlos Magno tomou o poder, representando a Igreja, mandou por fogo às florestas de carvalho, por serem locais de cultos pagãos. Só bem mais tarde foram então replantadas.
 Em Paimpont existe um local chamado “O Vale Sem Retorno”. Se você é um amante infiel não se aproxime dele. Nele se perdem os infiéis. Quem os faz se perderem nele é a alma de Morgane, a fada, que traída por seu amado, vinga-se de todos os amantes que traem, jogando-os num despenhadeiro para uma morte certa. Assim nos afirmaram sempre as lendas locais, e ainda na Idade Média muitos traidores temerosos evitavam passar pelo “Vale Sem Retorno”.
 Contatar estas lendas e sentir a força de um lugar energizado por tantos cultos e devoções ali feitos, transformou Paimpont num grande centro de peregrinações.

              Jerusalém, a Cidade Santa

  Antiga Canaã, a terra prometida dos judeus, é hoje o grande centro de peregrinações de três importantes religiões: Cristianismo, Islamismo e Judaísmo. Cada um de seus fieis buscando ali os seus lugares sagrados.
  Judeus fazem seus cultos ante o Muro das Lamentações, único vestígio sobrado do magnífico templo de Salomão, seu rei sábio, construído mil anos antes de Jesus.
  Muçulmanos buscam ali a grande mesquita da Cúpula da Rocha, construída por Omar, o maior califa do Islã, o São Paulo do Islamismo.
 Cristãos procuram em Jerusalém a Igreja do Santo Sepulcro (túmulo de Jesus). Então, podemos ouvir das profundezas deste local santo, a voz de um padre dizer; “Cristo morreu, Cristo ressuscitou, Cristo voltará”.
  Perto dali o rabino estará proferindo as palavras do livro de Moisés: Ouve Ó Israel, o senhor nosso Deus Adonai; O senhor é um só!
 Enquanto isso, próximo ao Muro, no alto do minarete da mesquita de Omar, o Muezin estará clamando: Alá é grande, o único Deus é Alá!
  Isto tudo, esta grande energia devocional trina, faz de Jerusalém, a cidade de peregrinações por excelência.

                             Stonehenge (Inglaterra)

Excelente ponto de peregrinações, as datações arqueológicas fazem remontar a construção de Stonehenge há quase 4 mil anos. Alguns de seus blocos de pedras pesam mais de 120 toneladas e estima-se que foram trazidas de um local há 320 km de lá, no Pais de Gales. Mistério de transporte e locomoção até hoje conservado.
  A maioria dos seus estudiosos acha que tal local teria servido de templo a Druidas, onde se praticavam cultos, sendo sua inusitada formação circular aproveitada como observatório astronômico.
 Local que deveria servir para o estudo dos movimentos celestes, para fins religiosos. Demonstrou-se que a posição de suas pedras previam os eclipses solares e lunares a fim de serem ritualisticamente celebrados. Também no solstício de verão o sol se eleva justamente entre as duas principais pedras que serviam de entrada à sua formação circular.
 A tradição conta que o mago Merlin teria dado a estas pedras o poder curativo para muitas doenças, desde que se deixasse escorrer agua sobre elas e a bebesse.
  Desde o século XIX até hoje, muitos ritos passaram a ser feitos em Stonehenge por modernos adeptos do antigo Druismo, que ali se reúnem em grupo sempre vestidos de branco, numa réplica as antigas vestimentas dos Druidas.
  Muitas peregrinações continuam a acontecer neste local considerado sagrado.

                 Monte Saint Michel (França)

  Conhecido na Europa como “A Maravilha do Ocidente”, a partir da mais remota antiguidade ele é um local sagrado. Os antigos o chamavam Monte Tombe, ou da Tumba, porque acreditavam que as almas dos mortos iam ali repousar. Foi também um local onde as sacerdotisas druidas faziam seus oráculos. Toda a região era energizada por Lug , o grande deus celta do poder.
  Pelo ano 500, já destruído o paganismo, transformou-se em refúgio de eremitas cristãos. E, a Igreja lhe pôs o nome do arcanjo do poder, Miguel, para preservar o mesmo tipo de energia devocional ali cultuada. Desta época, surgiu uma das mais caras lendas dos antigos normandos.
  Entre os matagais que circundavam o monte, vivia um lobo feroz que assustava com seus uivos ameaçadores aqueles santos eremitas. Um dia o lobo comeu um asno que levava da vila próxima a alimentação que abastecia os ascetas retirados no monte. Como o asno sempre convivera com aqueles homens santos e transitava muito por aquele local sagrado, ao comê-lo, o lobo, de feroz passou a ser pacífico, dócil e fiel ajudante dos eremitas. Um milagre-diziam os gauleses, a transformação deste lobo, que só num monte tão abençoado como aquele aconteceria.
 Quando hoje, contritos, cheios de fé, subimos as suas imensas escadarias para chegar até a sua esplêndida abadia, cada degrau vencido nos parece um passo ganho em nossa própria evolução. Visitar Saint Michel é, sem dúvida, uma das mais gratificantes experiências que pode acontecer a um místico.

                         Palenque (México)

Foi este um grande centro político religioso da civilização Maia, florescendo a mais de mil anos. Desde o século VII tornou-se um centro de peregrinação, pois ali viveu o maior dos sacerdotes mais: Pacal Votan.
   Pacal transformou Palenque em um núcleo de cerimônias ritualísticas muito prestigiado. Hoje, encontramos ali uma pirâmide em cujo ápice está o chamado “Templo das Inscrições." Lembremos que as pirâmides maias são truncadas, isto é, não têm ponta. São cortadas acima por uma plataforma onde se edificava um templo.
   Em 1952 foi descoberto um túnel que saia de dentro do seu templo e descia o interior da pirâmide até o nível de sua base. Conduzia a um túmulo que continha o corpo de Pacal Votan, usando uma máscara de jade. A lápide trabalhada de seu túmulo deu o nome ao templo “Das Inscrições”, pois mostrava um desenho que, sendo estudado, já levantou diversas hipóteses sobre o seu significado.
   Espiritualistas afirmam que a tumba de Pacal na base interna da pirâmide, representa a colocação de um desencarnado nos níveis mais profundos do mundo dos mortos, de onde sua alma ascensionária até o ápice externo da pirâmide, para encontrar a divindade que está no templo acima.
  Pacal Votan completaria enfim a apoteose da subida aos céus de um dos mais cultuados chefe religioso e administrativo dos Maias. Palenque constitui-se por isso, num dos grandes centros místicos de peregrinações da América.

                           Carnac (França)

Quando os sábios Druidas tinham já estabelecido sua cultura na Gália (nome da antiga França) que uma leva de invasores romanos aportou na região da Bretanha francesa. Pressionados, aqueles sábios foram se esconder em Carnac onde encontram as pedras milenares que até hoje têm sua origem desconhecida. Datações modernas atribuem a elas ima idade de 4.000 a 3.000 AC.
   Ali, entre aqueles alinhamentos que contam com cerca de 3.000 dolmens e menhires, os líderes Druidas fizeram centros de cultos e os imantaram com seus ritos pagãos.
   Os Druidas tinham nos Dolmens a representação de falos e os veneravam como a própria potência masculina do universo.  Já os Menhires, que são em forma de portais, eram o símbolo do útero feminino, de karentz, a nossa origem cósmica materna. Nestes, eram feitos ritos de passagem, onde o postulante à iniciação druídica cruzavam estas pedras portais fazendo neles o rito do “Segundo Nascimento”.
   Os esotéricos usam até hoje esta região com a mesma finalidade: Fazer com que o simbolismo do “Segundo Nascimento” lhes desperte o desejo de evolução consciente.
  Sendo um local onde se homenageava a força feminina, quando o Cristianismo entrou na Bretanha o culto pagão que mais encontrou ali foi o da fertilidade. Contudo, passou-se séculos antes que as peregrinações pagãs de mulheres estéreis ao local diminuísse.  Mas não é raro, ainda hoje mulheres se encostarem nas pedras dos Menhires de Carnac com a intenção de engravidarem.
   Carnac é também visto como um dos centros de forças elementais mais poderosas com que conta o Velho Mundo. Lendas afirmam que algumas pessoas sensitivas vêm seres elementais, tais como gnomos, saírem à noite das proximidades destes megalitos, para banharem-se no mar próximo e retornarem a eles, conservando assim fortes e indestrutíveis suas forças elementais através dos tempos.
  Carnac é um os locais mais procurados por turistas místicos que chegam à França.

             Compostela ( Espanha)

O Caminho de peregrinações à Compostela sempre foi considerado sagrado, muito antes que o culto ao apóstolo Tiago tivesse início. Ao contrário dos redutos de peregrinação de teor exclusivamente católico, como é o caso de Lourdes ou Fátima, este Caminho une ao seu grande peso católico, também a mística profundamente esotérica vinda do Paganismo e de organizações ocultistas que ali habitaram.
   O norte da Espanha sempre contou com cultos pagãos muito fortes, neste trecho de quase 900 km que liga os Pirineus até a ponta da Galícia. È compreensível que cultos pagãos tivessem sido e perseverem até hoje ali fortes, porque o subsolo neste trecho é rico em telúrio, e é afirmado que este minério irradiando na face da terra a energia telúrica, atua na sensibilidades e emoções de que por ali passa ou habita.
  Esta crença foi muito aproveitada pelos pagãos celtas, por grupos de antigos Druidas que achavam que a força da mãe terra provinha de minérios do subsolo.  Tinham nela a sua maior devoção, pois eram povos que descendiam - segundo eles - da grande deusa Ana e se intitulavam mesmo de “Povo de Ana”. Também vemos os antigos gauleses darem as suas chamadas “Virgens Negras”, a coloração negra dos minérios da terra.  Com suas moradas no subsolo, seriam elas com sua força telúrica que emprestariam energias femininas sentidas por peregrinos que passavam pelo caminho.
   Também os Visigodos, conquistadores da Espanha, contavam com mestres de sabedoria que levavam discípulos a fazerem ascetismos nas costas da Galícia, onde mais tarde se situaria Compostela, cujo nome provem de visões posteriores, já cristãs.
  O culto ao apóstolo Tiago, atual grande patrono do Caminho, surgiu na Idade Média, no século IX. Contou para a sua difusão paradoxalmente com a ajuda de grupos pagãos que desejavam ver voltar as iniciações devocionais do Caminho, após o longo tempo que estiveram abafadas pela perseguição do Cristianismo ao Paganismo. A origem da peregrinação de teor cristão ao caminho de Compostela nos remonta a evangelização feita nos primeiros anos após a morte do Cristo Jesus.
  Conta-se que Tiago Maior, irmão de João Evangelista, teria vindo de Jerusalém para evangelizar o norte da Espanha. Investido de uma modesta pelerine, um chapéu e um cajado, e teria percorrido o Caminho em sua missão durante sete anos. Retornou depois á Judéia onde foi então decapitado por Herodes. Discípulos seus teriam embalsamado o seu corpo e o teriam trazido em barco até Iria Flavia, atual cidade de Compostela, região que tanto amava. Ali, ficou escondido dos romanos, perseguidores do novo credo cristão, e acabou esquecido.
  No século IX com o Cristianismo já estabelecido na península Ibérica, ascetas teriam avistado uma chuva de estrelas sobre um montículo da praia. Tal chuva deu então um novo nome ao local: “Campo de estrelas”, mais tarde resumido para Compostela. Verificado que ali estava o túmulo do apóstolo, desde então o Caminho passou a ser uma rota de peregrinos, agora cristãos, que de todas as partes da Europa, cruzando os Pirineus, buscavam atingir o túmulo do santo.
   O século XII veio enriquecer tal rota com a chegada dos Templários, Ordem da Igreja, mas depositária da Ciência Oculta, que se espalharam construindo albergues, hospitais e igrejas que atendiam os peregrinos. Mais tarde, o Estado francês e a Inquisição exterminariam a ordem que devido as suas pesquisas esotéricas foi acusada de heresia. Porém, até hoje, os místicos que passam pelo Caminho acham nos antigos redutos templários uma forte energia deixada pelos cultos mágicos e uma simbologia rica de significados esotéricos nas magníficas catedrais góticas que ajudaram a construir. Por sua longa extensão o trajeto todo foi tombado pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.

             Machu Picchu (Peru)

     Situa-se numa soberba paisagem do Peru em 2,050 metros de altura. Sua maior força mística é jamais ter sido uma cidade profana. Foi projetada durante o Império Inca para servir de santuário. Acrescenta-se a isso o fato de Machu Picchu ter sido abandonada ao mato por seus habitantes, após o grande receio que tiveram de que o deus do raio viesse queimar a cidade para castiga-los por seus erros. Assim, entregue ao matagal, escondida, jamais foi achada e profanada pelo invasor espanhol.   Esta cidade nunca viu os horrores da conquista, conservando intacta a sua energia devocional de paz.
   Sendo projetada por urbanistas que professavam as crenças incaicas, Machu Picchu era uma réplica perfeita do universo tal como o concebiam os incas: Dividia-se em três mundos. Ali estava o mundo de baixo, manifestado no rio que cerca a cidade. O mundo do meio, o local a ser habitado e o mundo de cima, os altos cerros da montanha de Wyana Picchu. Os Incas acreditavam em duas serpentes míticas, invisíveis e gigantescas que, levantando-se das profundezas do rio, interligavam os três mundos. A primeira, ao levantar-se, encontra no céu o deus raio e retorna como chuva, fertilizando o solo da cidade. A segunda tocando o mundo de cima transforma-se em Arco Iris colorindo tudo o que tem vida em Machu Picchu: Pássaros, flores e frutos.
   Tudo ali tendo origem nas serpentes sagradas está, portanto, impregnado de um poder divino. Por isso, no esplendor da paisagem de Machu Picchu em uma peregrinação mística onde se busca ali o sagrado, sentimos uma energia que é um misto de beleza, fortaleza e paz.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Palenque


Pirâmide na qual se localiza o túmulo de Pacal Votan.

Sempre existiram locais sagrados onde o peregrino acredita estejam concentradas energias divinas. Geralmente neles viveram iluminados, homens santos, neles se realizaram cultos para homenagear deuses, onde a fé foi demonstrada com fervor. Um destes lugares santos aqui será lembrado:

      Palenque situa-se no México. Foi um grande centro político da civilização Maia, florescendo a mais de mil anos. Desde o século VII tornou-se um local de peregrinação, pois ali viveu o maior dos sacerdotes Maias: Pacal Votan.

     Pacal transformou Palenque em um centro cerimonial muito prestigiado. Hoje, encontramos ali uma pirâmide em cujo interior está o chamado “Templo das Inscrições”. Lembremos que as pirâmides Maias são truncadas, isto é, não têm pontas como as do Egito. São cortadas acima por uma plataforma  onde se edificava um templo.

     Em 1952 foi descoberto um túnel que saía de dentro do seu templo e descia o interior da pirâmide até a profundidade de sua base. Conduzia a um túmulo que continha o corpo de Pacal Votan, usando uma máscara de jade. Estava coberto por uma lápide trabalhada em desenhos. Tal desenho, estudado, levantou hipóteses diversas sobre o seu significado. Até aquela tão estranha de que ali estaria representado um astronauta conduzindo uma nave.

     Espiritualistas afirmam que sua tumba, colocada interiormente na base interna da pirâmide, representaria o corpo do recém desencarnado Pacal Votan, posto nos níveis mais profundos do mundo dos mortos, de onde sua alma ascensionaria até o ápice da pirâmide onde está o templo, para ali encontrar a Divindade Suprema.  Pacal completaria, enfim, a apoteose da subida aos céus de um grande chefe iluminado Maia.

     Palenque constitui-se por isso, num dos grandes centros místicos de peregrinação da América Central.
 

sábado, 15 de março de 2014

Paimpont, a Floresta Encantada

   No coração da Bretanha francesa lá está um ponto emocionante de uma caminhada iniciática. Paimpont, a antiga Brocellande, floresta preferida pelos cavalheiros do rei Artur. Ali o sagrado Graal, perdido nela por José de Arimathéa, o seguidor do Cristo, era buscado.


Carvalho, árvore sagrada dos druidas em Paimpont.

Tudo em Paimpont nos leva as lembranças das lendas arturianas. Ali-afirma-se era o refúgio dos amores da feiticeira Viviane, e de Merlin o maior dos magos druidas. Tendo perdido sua iniciação pela paixão à Viviane, que o prendeu em um círculo mágico na própria floresta, Merlin, conta a lenda, veio a morrer, deixando para todos os místicos que ali chegam a pedra rústica que cobre o seu túmulo. São surpreendentes as devoções constantes ainda hoje feita pelos franceses modernos no local.

    Ao antigo druida uma árvore com sua raiz, seu tronco e suas galhadas representavam respectivamente o mundo subterrâneo, o mundo humano e o divino. Que se diria então para Brocellande com seus 7.000 ha de plantios de carvalho, a árvore sagrada por excelência? Para Brocellande todas as homenagens eram poucas. Foi ela o grande objeto de cultos dirigidos á natureza, local das fogueiras de Beltane acesas em honra ao deus solar Bellenos, e do recolhimento do “Guy” a mais energizada seiva do carvalho. Como para o antigo druida Brocellande era a transcendente morada de deuses e magos, foi perseguida pelo Cristianismo. Quando Carlos Magno pegou o domínio da França, antiga Gália, representando a Igreja, mandou queimar uma grande quantidade de carvalhos de Paimpont para exterminar tais cultos.


Tumba do mago Merlin
na floresta de Paimpont.
   Ali, hoje, o turista encontra placas com indicações para o “Vale sem Retorno”. Ele nos leva novamente às personagens arturianas. Na Idade Média, muito homem crédulo e infiel não entrava nele. Segundo a lenda, ali a fada Morgana, meia irmã de Artur, espera todos os amantes infiéis e os empurra para o fundo de um precipício. Assim se vinga de ter sido traída  em seus amores.

   Durante todos os momentos que ali permaneci em Paimpont, minha alma se gratificava por ter conduzido ali um grupo consciente da imantação de fé que podia ainda hoje ser encontrada naquele local de tantas antigas devoções.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O Monte Saint Michel

O Arcanjo Miguel e seu Monte Sagrado... 


Miguel é o arcanjo mais conhecido e procurado da legião angélica. A origem da adoração a este arcanjo nos vem do Judaísmo. È dito que foi ele o ser que ajudou Jeová no desenvolvimento da raça Semita original.
  Aparece também na” Arvore da Vida”, no estudo daquele Judeu esotérico que atuava fora do Sinédrio oficial de Jerusalém.
  Tendo a arvore cabalística dois lados de energias a serem trabalhados , o da severidade e o da misericórdia, ele vai aparecer no lado da severidade. Ali, comanda as grandes forças inibidoras e equilibrantes dos impulsos emocionais. Tais impulsos, por vezes, de uma indulgência que toca as raias da licenciosidade e quase sempre em desequilíbrio no comum dos homens, necessitam disciplina para os limitar. Arcanjo Miguel atua na consciência mental, racionalizando emoções descontroladas.
   È o guerreiro celestial que luta para manter nosso corpo emocional em equilíbrio, para que este reflita sobre as conseqüências de ações impulsivas.
  O esoterismo o vê como o principal auxiliar dos desencarnados que vivem no plano astral, para equilibrá-los num momento em que têm o emocional fragilizado pela nova situação que enfrentam. È ele quem os liberta para serem encaminhados à chamada 2° morte onde a consciência dos desencarnados atuará unicamente no plano mental. Por esta razão, é entre” almas do além” que o encontramos em quadros antigos.
  Foi genialmente retratado, entre outras figuras da obra de Miguel Ângelo “O Juízo Final”, na capela Sistina , em Roma, uma vez que ele, segundo pensamentos judaicos e cristãos, é o grande ser do Juízo.
  Se entendermos o Juízo Final como um ajuizamento, uma avaliação que faremos das ações de nossas vidas, ao término de um grande ciclo evolutivo, compreenderemos porque naquele momento ele será o ser realmente mais apropriado a nos auxiliar. Não estaremos nos então na difícil tarefa mental de avaliarmos tudo o que de errado fizemos? De necessitarmos equilíbrio emocional para aceitar, perdoar e tentar modificar nossas ações para seguirmos um novo período evolutivo adiante?

O Monte Saint Michel, refletido na água...


  Os mitólogos o comparam ao Mercúrio grego, mensageiro dos deuses, que tinha asas nos pés, pela velocidade com que agia. Também este arcanjo atua com rapidez, sendo ele de vibração mais próxima ao alcance do homem e de mais fácil prontidão a atendê-lo.
  Conta com três grandes representações que ora aparecem juntas, ora separadas. È o “Príncipe da Legião Celeste”, é o “Pesador de Almas”, é o “Guerreiro Matador do Dragão”.
  Símbolos ilustram em estátuas ou pinturas estas suas três qualificações. Como Príncipe,aparecerá com uma coroa de pedras, como Pesador, trará uma balança às mãos, como Guerreiro, empunhará uma espada com que matará o dragão, representativo de nossos instintos inferiores,
  Aqui lembramos que em sua faceta de” Pesador de Almas” tem sido freqüentemente identificado a thot, o grande juiz pós- morte do” Tribunal de Osires” que pesava o coração das almas em balanças,o que remete o arcanjo novamente à característica de um medianeiro num “Juízo Final” que traz como símbolo a balança.
  Na atualidade, escolas de ocultismo vêm citando o seu poderoso auxílio no trabalho de Moria, um dos mestres da Grande Fraternidade Branca.
Um dos maiores cultos ao Arcanjo Miguel vem sendo feito desde a Idade Média até hoje na Normandia, região francesa que conta com o magnífico Mont-Saint-Michel
  È interessante notar-se que o Cristianismo, ao espalhar-se pela Europa, apesar de ter destruído e sucedido o Paganismo, aproveitou, na implantação de seus santuários, locais de ritos pagãos e até conservou neles as mesmas energias e simbolismos que era ali evocados. Como exemplo, vemos que em muitos lugares onde os pagãos cultuavam a “Mãe Terra”, o Cristianismo edificou capelas e igrejas à Nossa Senhora.
  Assim, no citado Mont-Saint-Michel, local onde se adorava o deus guerreiro Lug, que era para os antigos Celtas o senhor do poder e que tinha como símbolo a espada, o Cristianismo passou a cultuar o Arcanjo Miguel, representante da mesma força, e que hoje tem sua gigantesca estátua sobre a torre da abadia de Saint Michel, brandindo igualmente uma espada de guerreiro.
  O monte, localizado no Canal da Mancha, nos proporciona um fenômeno impar: marés que mudam de baixas para altas, diariamente ao entardecer, e que transformam completamente o seu panorama. Sua fortaleza cercada de areia, em poucos minutos, vê-se rodeada por águas, deixando uma única passagem para lhe dar acesso. Este fenômeno belo e inesquecível, contêm todo o simbolismo para o místico que o presencia. Representa-lhe a oscilação freqüente de suas emoções, que o Arcanjo, imponente , lá de cima da torre- agulha, com sua especificação de equilibrador parece querer dominar.


Estátua do arcanjo Miguel, no topo do monte que leva seu nome .

  O Monte sempre foi, desde a Antiguidade um local sagrado. Já o era para os pagãos Celtas da antiga Gália. Seu primitivo nome era Mont Tombe(monte da tumba )pois era crença que para ali se encaminhavam as almas dos mortos que necessitavam o auxílio do deus Lug. Assim, ao substituir Lug pela arcanjo Miguel,o Cristianismo, não casualmente, pois é dito por nós esotéricos que nada é casual, colocou ali um ser dos desencarnados, conservando a mesma crença no trabalho espiritual que segundo os pagãos lá se desenrolava.
  Quando os pagãos foram afastados, o monte , que na Antiguidade contava apenas com a beleza de sua paisagem e matagais, o isolamento e uma quietude onde o único ruído ouvido era o do mar,serviu durante muito tempo de refúgio à ascetas cristãos que ali iam fazer meditações e retiros .Desta época, surgiu uma das mais caras lendas dos antigos normandos:
  Conta-se haver ali um asno que fazia o papel de carregador de mantimentos, trazendo de uma vila próxima a alimentação que abastecia os ascetas retirados do monte. Também entre os matagais vivia um lobo feroz, que assustava com seus uivos ameaçadores aqueles eremitas. Um dia, o lobo comeu o asno. Então como o asno convivera sempre com aqueles homens santos, assimilara deles e dos seus locais, vibrações sagradas. Ao comê-lo, o lobo de feroz passou a ser pacífico, dócil e fiel aos eremitas. Um milagre, diziam os gauleses, que só num monte tão abençoado como aquele ,aconteceria. Também no SEC. VIII, na edificação, ali, do primeiro oratório cristão, surge outra de suas lendas:
   No local escolhido para colocarem os seus alicerces, havia,  uma enorme pedra que ninguém conseguia mover. O bispo de Avranches, vila próxima, sonha então com o arcanjo lhe dizendo que havia um de seus habitantes capaz de retirar a pedra com o seu auxílio. Todos os homens mais robustos o tentaram então sem sucesso, quando uma criança ainda bebê, tocou com seus minúsculos dedinhos a pedra e esta rolou mar a dentro. Lenda que quer especificar a força poderosa do Arcanjo Miguel que passaria a atuar ali.
 Uma Abadia foi depois construída sobre o antigo oratório e hoje arquitetos se extasiam com seu atual esplendor. Ela sobressai-se no alto de uma graciosa cidadela medieval, obrigando os religiosos que a visitam a fazer uma longa e íngreme subida. Para estes , a subida é sempre o símbolo da busca de uma Luz Maior, do Eterno , o que empresta ao local um clima de grande misticismo.
  As maiores peregrinações para ir á “Maravilha do Ocidente” homenagear o grande arcanjo, acontecem no dia 29 de Setembro , o seu dia. Nenhum normando religioso , até hoje se esquece que na  tomada da Normandia pelos Vikings do SEC. IX ,o Mont Saint Michel foi o único local surpreendentemente respeitado por aqueles,e onde grande parte das populações vizinhas então se refugiou.
  O Arcanjo Miguel aparece também com importância na história da França , por ter sido o ser que falou à Joana D’Arc, no SEC.XIV inspirando-a a terminar com a Guerra dos Cem Anos, o que mereceu aparecer sua efígie na frente de seus estandartes.
Surgida na arcaica Judéia, a adoração a este arcanjo, porém, expandiu-se não só na Europa. Também em qualquer reduto espiritual das Américas, religiosos o cultuam com o mesmo fervor das populações antigas.

O Caminho de Santiago de Compostela

  Rota de quase 900 km que atravessa o extremo norte da Espanha, desde a França até o Finisterra. Antes que este caminho fosse chamado de Santiago de Compostela, nele transitavam povos pagãos, grupos de sacerdotes e místicos que atravessavam os Pirineus vindos da França. Eram os Celtas Druidas. Sua principal devoção era à Mãe Terra, uma vez que se consideravam originários do povo de Dana, a grande deusa da época matriarcal e se intitulavam “Tuatha Dé Danann”. Naquele caminho encontravam uma boa razão para reverenciá-la. Sob seu solo se concentrava grande quantidade do metal Telúrio que consideravam a manifestação energética desta deusa. Chamavam-na também de Virgem Negra, justamente pela cor deste metal negro. O paganismo celta sempre celebrou Virgens Negras por causa da crença de que sua força viria deste metal. À força telúrica então correspondia à da Mãe Terra, cuja concentração maior estava neste Caminho.
Catedral de Santiago de Compostela, destino dos peregrinos do caminho.

 Pela época em que os bárbaros Visigodos, lá pelos anos 400, invadiram a Espanha, o Finisterra, local isolado, considerado na época como o extremo fim do mundo conhecido, era visitado por grupos místicos que iam venerar um mestre de nome Jakim. Iam ali fazer retiros e consultá-lo. Mesmo após a sua morte, continuaram por longo tempo atravessando o norte da Espanha até o Finisterra para louvá-lo. Também na posterior invasão dos romanos,estes levantaram em todo o norte espanhol muitos locais de ritos a seus deuses, como Mercúrio ,Marte etc. Portanto, este percurso sempre foi pleno de peregrinações devocionais.
  Só pelo sec. IX começaram nele as devoções cristãs ao apóstolo Tiago Maior. Conta-nos o Cristianismo que Tiago havia saído da Palestina para pregar a mensagem do Cristo no norte da Espanha. Ao retornar á Palestina foi decapitado por Herodes. Seus adeptos então a fim de preservarem seu corpo de profanações romanas, fizeram-lhe um tipo de embalsamento e o levaram para ser enterrado na Espanha. Enterraram-no onde hoje se localiza Compostela, que na Antiguidade era um grande areal. Passou tempo ali enterrado, escondido de invasões, até que no Sec. IX alguém viu uma chuva de estrelas caindo sobre um montículo de areia.
A concha, símbolo dos peregrinos de Santiago.


 Desenterraram então seu corpo, identificado pela maneira de se enterrar na Judéia. Deram ao local o nome de “Campo de Estrelas” que depois se tornou “Compostela”. Tiveram então início as peregrinações ao corpo do apóstolo que recebeu sobre ele o 1°templo.
 Tais peregrinações foram incentivadas pela Igreja pelo desejo de exterminar com os cultos pagãos preservados ainda no Caminho. Muitas capelas e igrejas  à Nossa Senhora foram erguidas nos locais onde antes se homenageava a Virgem Negra. Assim, ritos devocionais continuaram a ser feitos em todo aquele percurso.
 A Espanha contou com três grandes religiões: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo dos Mouros. Aconteceram ali então inúmeras lutas para a manutenção do Cristianismo. Criaram-se lendas de que a alma de São Tiago participava destas batalhas em favor do Cristianismo, naturalmente. Por isto, hoje temos ali duas representações suas: São Tiago Peregrino e São Tiago Matamouros, como se fosse possível se imaginar um apóstolo do Cristo  trabalhando em batalhas.
Mais tarde, no Sec. XIII entrou no Caminho outra leva de místicos: Os Templários. Construíram em todo o percurso inúmeros hospitais, hospedarias e capelas para atender os peregrinos. Como já eram perseguidos pela Igreja, foram deixando nestas capelas símbolos onde ocultavam os seus conhecimentos esotéricos. Tal é o caso da Ermida de Eunates, localizada sobre um grande veio de Telúrio, em forma octogonal, representando o número oito, símbolo do 2° nascimento de um Iniciado.
Ermida de Eunates, construção templária.

 A outra grande contribuição artística que deram ao Caminho são as grandes catedrais góticas que, em união com a Maçonaria, ajudaram a construir, também repletas de símbolos místicos.
 Tais peregrinações foram aumentadas significativamente porque, pelas Cruzadas, as peregrinações à Terra Santa estavam suspensas. Também contribuiu o fato de aquelas pessoas que praticavam algum delito na Europa, em vez de serem presas, podiam resgatá-lo fazendo uma peregrinação à Compostela, o que na época representava um grande sacrifício. Ao voltarem, deviam trazer um comprovante de que lá estiveram. Isto é a origem da chamada” Compostelana”.
 Os peregrinos antigos costumavam trazer conchas para exibi-las para família e amigos, pois em épocas antigas o mar chegava às proximidades de Compostela. Assim, a concha tornou-se símbolo do Caminho.
 Hoje, o Caminho de Santiago é tombado pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade .Ali, se encontram habitações dos antigos Celtas (caso do Cebreiro) absolutamente preservadas, alem do Caminho ser um mina para artistas e arquitetos pelos seus inúmeros monumentos de estilo Românico e Gótico.
 Para um místico é o percurso imperdível, onde vão encontrar muita energia devocional para abastecer-se espiritualmente e uma simbologia que irá enriquecer seus conhecimentos.
 Podemos alem disso, adquirir a simplória inocência daqueles que moram no Caminho: Quando vêm uma estrela cadente gritam:” Deus te guie para o bem”. Acreditam que as estrelas cadentes são almas dos peregrinos mortos que buscam inserir-se na Via Láctea; que as vezes porem suas almas se perdem e caem de volta na terra. Gritando “Deus te Guie” tais almas acharão novamente a direção que as levará à Via láctea.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Macchu Picchu


Macchu Picchu
 
 Situa-se numa soberba paisagem do Peru à 2.050 metros de altitude. Porém,sua maior força mística é jamais ter sido uma cidade profana. Foi projetada pelo tempo do Império Inca para servir de santuário.Acrescenta-se a isso o fato de Macchu Picchu ter sido abandonada ao mato que a escondeu durante séculos .Nunca foi  encontrada pelo invasor espanhol que conquistou o Peru. Por isso, Macchu Picchu nunca viu os horrores da conquista, conservando intata a sua energia de paz.Sendo criada por urbanistas que professavam as crenças incaicas, então era uma réplica perfeita do universo dividido nos três mundos que concebiam. Ali estavam: “ O mundo de baixo”, manifestado no rio que cerca a cidade; o local a ser habitado era “ O mundo do meio”;Os altos cerros como aquele de Wuayna Picchu “O mundo de cima”.
Uma imagem da Montanha sagrada de Wuayna Picchu em Machu Picchu, tal como aparece neste meu livro "As montanhas sagradas dos Incas"

   Os Incas acreditavam em duas serpentes, invisíveis e gigantescas que levantando-se da profundeza do rio abaixo,interligavam ali aqueles três mundos . A primeira, ao levantar-se ,encontrava no céu o deus do raio e retornava como chuva fertilizando Macchu Picchu. A segunda, tocando os cerros do” mundo de cima”,transformava-se em Arco Iris,  colorindo tudo o que tem vida na cidade; Pássaros, flores e frutos.Tudo então ali, tendo origem nas serpentes sagradas, estava impregnado de um poder divino, transcendente.
   Assim , no esplendor mágico de Macchu Picchu ainda hoje sentimos uma vibração que é misto de fortaleza e paz.