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sábado, 13 de dezembro de 2025

Natal

 Celebração que nos envolve e emociona.

Nele, comemoramos a mais bela festa do mundo cristão. Lembramos sempre da figura mais inspiradora para o processo da evolução de toda humanidade: JESUS. Pensar nele é fortificar nossa vontade de melhorarmos e revermos o intercâmbio que mantemos com todos nossos próximos e não próximos que aqui também vivenciam experiências. Pelo menos que bons propósitos nos motivem neste final de mais um ano. Que a oração que Jesus nos deixou encerre cada um de nossos dias. Que neste natal nossas crianças sintam a segurança que a crença em Jesus nos legou.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

São João

   João é um dos únicos membros conhecidos da família de Jesus. Sua  mãe, santa Isabel, era prima de mãe Maria. Seu símbolo é a fogueira. Nos diz a lenda que Isabel  morava no alto de um morro, e mãe Maria em seu sopé. Estando grávida, combinou com sua prima que acenderia uma fogueira quando as dores do parto começassem.  Assim, no dia que nasceu são João uma fogueira ardia  em frente à sua casa.    vi muitas fogueiras serem acesas em sua homenagem  e ouvi muitas moças  cantarem;  "Pula a fogueira Ioiô, pula a fogueira iaiá, cuidado para não se queimar, olha que a fogueira já queimou o meu amor”. Muito ajudou Jesus  em seu ministério, requisitando vivendas e abrigos onde Jesus  ficasse  para fazer suas andanças. Era um verdadeiro “abre caminho” para que o mestre cumprisse sua missão. Pelo menos no Brasil vemos muitas fogueiras serem acesas em zonas rurais, e as casas das cidades que possuem lareiras as conservam acesas. A  frase que usamos  para chamá-lo é: "SÃO JOÃO ACENDE A FOGUEIRA NO MEU CORAÇÃO"!


segunda-feira, 24 de outubro de 2022

São Francisco de Assis

 Nasceu em 1181 na cidade de Assis, na Itália, filho de um rico comerciante de tecidos, recebendo o nome de Giovane. Seu pai fazia negócios com a França e o levou menino para lá. Ele se apaixonou tanto pelas poesias, músicas e cultura francesa que acabou por receber o nome de Francesco (Francisco em italiano).

    Teve uma juventude mundana e luxuosa, mas depois o atraiu a vida religiosa. Em sua época, os frades costumavam habitar mosteiros, mas ele preferiu fazer uma pregação itinerante. “Amava a todos, e a todos chamava de irmãos” e achava que os cristãos deviam seguir à risca a humildade do Cristo.

    Perdeu o interesse pelos hábitos de vida agitada e mostrou-se preocupado com os necessitados.

    Quando um dia saiu a passear pelos campos, ouviu o som de um sino que os leprosos usavam para avisarem sua proximidade, pois eram proscritos da sociedade. O homem vestia-se de farrapos e tiritava de frio. Francisco desceu do cavalo e abrigou o homem sob o seu próprio manto. Depois vendo a emoção em que o deixara beijou-o no rosto deformado.

Certa vez entrou numa igreja e viu o estado de ruina em que estava. Quis reforma-la. Recolheu então tecidos caros da loja de seu pai, vendeu-os e a reformou. Seu pai o prendeu em correntes no porão de sua casa e ordenou-lhe uma compensação para que devolvesse o que roubara.

    Para surpresa de todos que já o julgavam louco, despiu todas as suas roupas ficando nu simbolizando a renúncia aos bens materiais, renunciou a sua herança e partiu em sua pregação itinerante, na maior pobreza.

    Quando quis fazer uma Ordem religiosa foi até o papa Inocêncio III que o repudiou dizendo que não o aborrecesse com a sua pretendida Ordem que era demasiada rigorosa. Depois, impressionado pela sua humildade finalmente permitiu a feitura.

    Francesco retornou a Assis instalou-se numa cabana onde se dedicou primeiramente ao cuidado de leprosos.  Logo a cabana se tornou pequena para tal trabalho e em 1210 o abade de um mosteiro lhe concedeu terras ao redor. Em 1212 a Ordem foi enriquecida pela entrada da primeira mulher nela; Clara, a futura santa Clara, as chamadas Clarissas.

    Os milagres de são  Francisco foram inúmeros. Durante uma viagem de navio apaziguou uma tempestade e aumentou a comida dos marinheiros famintos. Em Gúbbio,  pacificou um lobo feroz que assolava a região.

   Nas Cruzadas, foi ao Marrocos falar com o sultão tentando uma trégua na luta contra os Islâmicos e pedir benefícios  aos soldados cristãos. Não só o conseguiu, como encantado com a sua personalidade o sultão, ao invés de prendê-lo, lhe deu um salvo-conduto para chegar protegido de volta á Assis. Lá, pegou uma doença nos olhos da qual jamais se curou. Foi peregrinar nos locais santos de Jerusalém mas quando voltou a Assis teve a tristeza de ver que seus seguidores haviam se tornado vagabundos com  uma vida sexual desregrada.

    Pela Primeira vez sua reação foi violenta. Expulsou todos do colégio de Bolonha, criando um período probatório para todos que quisessem lá ingressar, enquanto permanecia como um guia espiritual. Foi então criada a Ordem Terceira com estudos de Teologia  e estabelecimentos de novas regras tais como: “Faz sempre alguma coisa boa  para que o diabo te encontre ocupado “.  “A ociosidade é a inimiga da alma”.

   No natal de 1223 foi convidado a recriar o nascimento do Cristo e criou então o primeiro presépio da história cristã.

 É conhecido como o santo que atraía para perto de si, pássaros. Em seus anos finais experimentava frequentes visões e êxtases. São Francisco é considerado a maior figura cristã após Jesus.

     De suas estadias como menino na França, guardou o amor por poesias e deixou para a posteridade esta linda oração bastante conhecida até os dias de hoje:

                          ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO

Senhor fazei-me o instrumento de vossa paz.

Onde houver ódio que eu leve o amor

Onde houver ofensa que eu leve o perdão

Onde houver discórdia que eu leve a união

Onde houver dúvida que eu leve a fé

Onde houver erro que eu leve a verdade

Onde houver desespero que eu leve a esperança

Onde houver tristeza que eu leve a alegria

Onde houver trevas que eu leve a luz

Ó Mestre fazei que eu procure mais consolar do que ser consolado,

Compreender que ser compreendido, amar que ser amado

Pois é dando que se recebe. É perdoando que se é  perdoado e é

morrendo que se vive para a vida eterna. 

Nos estudos de espiritualidade sobre reencarnações, é dito que sua primeira encarnação foi como Pitágoras em 570 a.C. na Grécia antiga. Encarnou- se também  como  Kuthumi, o grande mestre iniciador da cor dourada da sabedoria. No Séc. XIX, criou junto ao mestre El Moria a Sociedade Teosófica. Ocupa dentro da Grande Fraternidade Branca o cargo de Instrutor do mundo, contando com inúmeros alunos em discipulado.


terça-feira, 20 de setembro de 2022

Pequena Cronologia das Principais Religiões no Brasil

 1) DESCOBERTA: ÍNDIOS: TUPÃ

2) COMPANHIA DE JESUS: ANCHIETA E NÓBREGA

3)1600: CRISTOS NOVOS

4) ESCRAVOS NEGROS PERSEGUIÇÔES MANIFESTAÇÔES RELIGIOSAS DOS NEGROS: CANDOMBLÉ (Engenho Velho, Gantois, Apó Afonjá) A MENININHA DO GANTOIS MATRIARCADO, YALORIXÁS, OGANS, OLURUM, ORIXÀS.

 5) IRMANDADES DE NEGROS (Nossa Senhora do Rosário e São Benedito)

6) MAÇONARIA SÉC. XIX

7) MÓRMONS (Igreja de Jesus Cristo dos santos dos últimos dias) SÉC XIX

8) ESPIRITISMO KARDECISTA (CHICO XAVIER)


9) UMBANDA

10) CAPUCHINHOS

11) IGREJAS PROTESTANTES

12) PENTECOSTALISMO (SÉC.XX)

13) TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

14) BAHAIS – CULTOS ORIENTAIS-MEDITAÇÕES – MOVIMENTOS ESOTÉRICOS

15) JUDEUS – CABALA

16) CATOLICISMO – VISITA DE PAPAS – PAPA FRANCISCO

ENTRE AS RELIGIÕES PROTESTANTES ESTÃO AS: ANGLICLANA, PREBISTERIANA, LUTERANA, CALVINISTA, ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA.

AS RELIGIÕES PENTECOSTAIS SÃO INÚMERAS. ENTRE ELAS: ASSEMBLÉIA DE DEUS, METODISTA, EVANGELHO QUADRANGULAR, EVANGÉLICA, O BRASIL PARA CRISTO, PENTECOSTAL DEUS È AMOR, CONGREGAÇÃO CRISTÃ, CASA DA BENÇÂO, IGREJA DE DEUS NO BRASIL. 

           O BRASIL É UM PAÍS LAICO. SEM INTOLERÂNCIA RELIGIOSA  

domingo, 30 de maio de 2021

Apóstolos do Cristo Consagrados em Junho

 No mês de Junho a cristandade homenageia estes três apóstolos: São João Batista, São Pedro e São Paulo.

JOÃO BATISTA

    Era filho de Isabel, prima de Maria, mãe de Jesus. Muito intuitivo, previa que o Messias esperado pelo povo Judeu já estava entre eles. Desejava então, através de um rito purificador, preparar pessoas para o que aquele grande ser viria ensinar-lhes. Fazia-o então por meio de um batismo grupal nas margens do rio Jordão. A este rito compareciam dezenas daqueles que esperavam fielmente o Messias. Por isto passou a ser conhecido como João, o batista.

   A data de seu nascimento, 24 de Junho após tantos séculos passados, é comemorado com o acendimento de fogueiras, devido a esta estória que nos conta a tradição cristã:

   Maria, a mãe do Cristo, morava na encosta de um morro enquanto Isabel, mãe de João, morava lá em seu cimo. Esta estava grávida e então as duas primas fizeram uma combinação entre si: Quando Isabel começasse a sentir as dores do parto, acenderia uma fogueira para que Maria tivesse disso conhecimento e subisse a ajuda-la. Por esta razão, em frente à casa de João, quando este nasceu, havia uma fogueira acesa.

   São João Batista não foi então só aquele que propagou a vinda do Cristo, batizou-O nas águas do Jordão quando Este iniciou em sua terra o Seu ministério, querendo dar a todos o valor de uma purificação simbolizada num batismo e foi também um de seus maiores seguidores.

PEDRO

   Juntamente com o seu irmão André, foi um dos primeiros discípulos do Cristo. Quando este os encontrou lhes disse: “Sigam-me que farei de vós pescadores de homens”. Assim, o pescador Pedro passou a dedicar sua vida a trazer adeptos para as pregações de Jesus. Seu nome de nascimento era Simão, mas Jesus o chamou de “Kephas” que em aramaico significa Pedra. Pedro (A rocha).

   Tinha um imenso afeto por Jesus e mostrou isso quando, desesperado, quis agredir um dos soldados que vieram prender o Cristo, no que foi severamente impedido por este.

   Os historiadores atuais dizem que Pedro, grande nacionalista que era, pelo grande amor que tinha à sua pátria, não entendeu bem a natureza da mensagem do Cristo, imaginando que era dirigida apenas a resgatar a liberdade do povo judeu. O que viria mais tarde a fazê-lo diferenciar-se de Paulo de Tarso.

   Pedro tornou-se o amado chefe do grupo de discípulos, liderança nunca contestada. Fundou o primeiro patriarcado da Igreja em Antióquia, onde realmente nasceu a Igreja cristã. Foi depois para Roma fazendo um trabalho de gigante, evangelizando um número imenso de pessoas.

  Descoberto como o novo líder da nova Igreja que nascia, foi sacrificado no ano 64 sob o império de Nero. Pediu para ser crucificado de cabeça para baixo para não se igualar a seu mestre Jesus.

   Trezentos anos após a sua morte, foi construída pelo imperador Constantino uma igreja em Roma para conter os seus restos mortais. Tal igreja manteve-se até o sec. XVI quando então foi construída a nova basílica de São Pedro. Seus restos estão hoje sob o altar-mor. Para a sua construção contribuíram artistas famosos como Rafael e Miguel Ângelo.  È atualmente uma das catedrais maiores e mais belas do mundo. Pedro foi sem dúvida, a “Pedra sob a qual construirei a minha Igreja”, tal como dissera o Cristo.

PAULO

Nasceu em Tarso, cidade da atual Turquia. Tornou-se um grande erudito, proferindo magníficas palestras no Areópago de Atenas, o maior centro cultural daquela época (ao redor de trinta anos após a morte do Cristo) Passou também a trabalhar no grande templo, o Sinédrio de Jerusalém, encantando a todos com sua inteligência e erudição.

   Ali, veio a tomar conhecimento do movimento cristão que então se agigantava no meio judaico. Em acordo as ideias e determinações daquele próprio templo, foi encarregado de perseguir os adeptos da nova mensagem. Sua primeira vítima foi um rapaz de nome Estevão que ousou dentro do Sinédrio pronunciar defesas para aquele profeta que fora sacrificado (Jesus). Ia depois de casa em casa buscar e castigar seus seguidores.

   Um dia, soube que um grupo de cristãos ia reunir-se na capital da Síria, Damasco, e para lá se dirigiu. Foi quando a sua vida deu uma inesperada guinada que o transformou no maior seguidor do Cristo. Caminhando na estrada para Damasco, ouviu uma voz que lhe indagava: “Paulo, Paulo, por que me persegues?” e teve a surpreendente visão da figura de Jesus ressuscitado. Ele aparecia-lhe em meio à tão radiante luz que iria deixa-lo cego por dias.

Dai em diante aconteceu com ele aquela inesperada e incrível mudança que modifica súbita e completamente a personalidade de alguém. Inexplicavelmente Paulo tornou-se o incomparável propagador do Cristo que encontrara.

   De mentalidade absolutamente universalista, foi ele talvez entre os seus seguidores aquele que melhor compreendeu a Sua mensagem, direcionada à toda a humanidade não apenas ao povo judeu. Passou a viajar por todos os interiores em pregações missionárias, pela causa do Cristo, isso lhe granjeou o título de “O Apóstolo dos Gentios”.

   Convertia-os ao novo credo, sem exigir-lhes que se juntassem ao Judaísmo, fazendo o rito da circuncisão, tal como o estava exigindo Pedro. Este seu comportamento veio então a causar serias disputas entre os dois grandes seguidores do Cristo.

   Foi realmente Paulo responsável pela imensa proporção que tomou o novo credo, pois esta abrangia a todos sem fazer distinção entre ideias religiosas ou pagãs que encontrasse. Não fosse a sua figura, talvez o Cristianismo houvesse se tornado um credo exclusivamente restrito aos territórios romanos e judaicos. Não teria alcançado o mundo todo como alcançou.


segunda-feira, 29 de março de 2021

A Páscoa Judaica e Cristã

   A Páscoa é uma comemoração que se iniciou no êxodo do povo de Israel voltando à Terra de Canaã e se renovou na ressurreição prometida pelo Homem-Cristo aos seus discípulos.

   Em ambos os casos, guarda para nós, através dos milênios, o mesmo significado: a passagem de um estado a outro melhor, a mudança, a libertação.

   Após a vitoriosa fuga sob o comando de Moisés, de uma escravidão de 400 anos dentro do Egito, para uma nova vida de povo livre, os hebreus passam a celebrar a data-marco de sua liberdade, o nascimento de sua nação, dando a ela o nome de “Pessach” (Passagem). Para o povo de Israel o ”Pessach”, referencia á passagem dos Judeus pelas águas ”divididas” do mar Vermelho, será sempre o milagre, a benevolência divina em favor de um povo oprimido.

   Hoje, que a ecologia da região foi estudada e comprovou-se a secura periódica e repentina de uma faixa do mar Vermelho, os estudiosos espiritualistas, sejam eles ocidentais ou orientais, Judeus ou cristãos, valorizam sobremaneira o “Pessach” judaico como sendo, realmente, uma das mais autênticas manifestações da Providência divina, para um povo, num momento importante de sua evolução histórica.

   Moisés, com uma inexistência de transportes, de qualquer tecnologia e meios sofisticados de difusão para organizar chamamentos, conseguiu, dentro de um Estado social altamente estruturado como era o Egito, unir centenas de famílias que compunham a grande massa judia, vivendo ali como classe oprimida e detestada. Pelo que historicamente sabemos Moisés não era alguém que militarmente respaldado pudesse manipular uma saída de famílias de modo que isto não fosse notado. Organizou assim mesmo uma fuga em massa apenas pela força de sua liderança espiritual, conseguindo uma conscientização conjunta ao ideal de retornar à Terra de Canaã.

Tradição Pascoal judaica.

   Tem-se conhecimento de que seria um iniciado, ligado a um retiro nas imediações do mar Vermelho, sendo assim um conhecedor dos fenômenos locais. Contudo, deslocar disfarçadamente aquela grande massa judaica para as suas margens exatamente quando o fenômeno da seca se deu, foi, sem dúvida, uma sábia estratégia.

   Diante deste fato e deste homem líder que foi Moisés, será quase impossível não concluir-se que a Providência, como executora dos planos

divinos que é, estaria a seu lado para que levasse a bom termo tal façanha. Para nós espiritualistas, a explicação para fatos que mudam de maneira irreversível vidas individuais e coletivas, jamais será aceita como coincidência ou acaso.

   Entendemos que Moisés haja sido Kármicamente colocado como instrumento perfeito para liderar o momento cíclico daquele povo. Também que este povo já havia criado uma forte egrégora, isto é, uma grande força mental, indispensável às mudanças.

   A Páscoa judaica nos exemplifica uma situação onde os dois fatores, a liderança e a egrégora oportunizam a Providência atuar para que a, o “Pessach” seja cumprido.

A Pascoa Cristã

   No ano seguinte à crucificação de Jesus, justamente quando em Jerusalém os judeus celebravam sua Páscoa, seus seguidores passam a comemorar o sacrifício de seu mestre. Deram então início à Páscoa cristã. Não pretendiam com isso menosprezar as tradições de seu povo, queriam apenas aproveitar a ocasião em que grandes multidões ali se reuniam para ressaltar perante elas que uma nova e grande libertação íntima lhes fora oferecida nas ideias de Jesus. Ideias que os judeus estavam no momento a necessitar.

   Se raciocinarmos que a aceitação de tais ideias equivale a uma verdadeira Passagem, a saída de um comportamento emocional e social a outro, compreendemos que a Páscoa do Cristo celebrada por seus discípulos queria acrescentar a ressurreição que se dá dentro de cada indivíduo.

   Não é de admirar que aqueles discípulos, renascidos ao contato com o seu iluminado mestre, pudessem juntar aos seus sentimentos de judeus reverentes perante a Páscoa hebraica também um louvor àquele que lhes trouxera a ressurreição íntima.

Tradição pascoal cristã.

   Mais tarde, os anglos- saxões aproveitando o simbolismo da vida que se renova , usaram para celebrar a Páscoa, o coelho que é o primeiro animal a deixar seu abrigo de inverno para ver o reflorescer da primavera.

  A descoberta de terras produtoras de cacau proporcionou juntamente com a industrialização, os ovos de chocolate usados por nós em nossas celebrações do Pessach.

   As datas comemorativas valem pelo sentimento que nelas se preserva. A Páscoa significará sempre a ressurreição, a mudança de consciência que impulsionada pala Providência Divina é oportunizada de tanto em tanto a cada homem.


domingo, 29 de setembro de 2019

O Saudosismo Criando Mitos de Retorno

   Todos os povos prezam a memória de seus ídolos passados, mas alguns fazem mais: Seu imaginário popular acredita firmemente em suas voltas míticas para liberta-los de momentos adversos.
O retorno de Jesus...
   O Cristianismo crê na Parúsia, o segundo advento do Cristo. Já na Apocalipse a Bíblia dizia que Ele viria lutar contra uma figura bestial: O Anticristo. Introduziria uma nova era de paz conhecida como o Millennium, pois duraria mil anos. Jerusalém se tornaria então a capital do mundo e os Judeus reconheceriam por fim a figura de Jesus como o messias esperado em suas profecias.
   O Sebastianismo foi durante mais de um século o messianismo português. D. Sebastião, neto de D. João III, no século XVI gerou uma crença em seu retorno, após ter desaparecido, sem deixar vestígio de um corpo, no norte da África, durante a batalha de Alcácer-Quibir em 1578, quando foi combater islâmicos do Marrocos.
   Passou-se então a acreditar numa volta sua pondo término à crise dinástica que pôs os reis espanhóis no trono português. Afirmava-se até que ele, chamado já tanto de “Capitão de Deus” como de “O Rei Encoberto”, surgiria numa manhã de muito nevoeiro e que restabeleceria toda a glória perdida de Portugal, esperança que naturalmente nunca aconteceu.
   Também no Islã, segundo o Alcorão (43,61) Jesus retornará aparecendo em Damasco , como redentor do Islamismo. Unir-se–ia ao Madi iluminado em sua guerra contra um Anticristo inimigo do Islã. Tornar-se-ia um governante islâmico de grande justiça.
   Surpreendentemente Alice Bailey, uma renomada esotérica ocultista, fala em seu livro “Magia Branca” que a pessoa de Jesus voltaria em uma nova encarnação entre os Drusos do Líbano. Estes, Ismaelitas (Filhos de Ismael), Xiitas do Islã. Grupo muito místico que acredita em reencarnações e são também pacíficos, não se envolvendo em lutas. Enfim, Jesus retornaria como um islâmico não fundamentalista, amante da paz, para uma esperada renovação pacífica do Islamismo.
   Já no Hinduísmo, Paramahansa Yogananda em sua obra “Autobiografia de um Yogue” interpreta a Parúsia misticamente. Seria uma grande mudança interior que aconteceria brevemente em cada indivíduo, introduzindo no mundo uma era de fraternidade.
   Entre as duas facções rivais dos Xiitas islâmicos estão os “Filhos de Ismael” e os “Filhos de Musa”. Entre os últimos, estava Musa como seu mais amado Imã. Os Filhos de Musa creem que em sua descendência estarão 12 Imãs (Iluminados). O próprio Musa desapareceu de modo misterioso. Saiu a cavalo e este voltou só e Musa jamais foi visto. Então, seus “filhos” acreditam que um dia ele voltará como o duodécimo Imã, como um messias que espalhará o Islã em todo o mundo, o que é o ideal último de todo Islâmico.
   O Budismo Tibetano antecipou-se a todos os Retornos idealizando uma outra encarnação do seu grande Avatar, Bodhisatwa Avolokitsvara: Fê-lo renascer na figura impar e mais adorada do budismo chinês: Mãe Kuan Yin.
Francisco Pizarro,
invasor do reino Inca.
   No Peru, a chegada de Francisco Pizarro de pele clara, apontando no mar, trazendo seus navios cheios de cavalos, animais desconhecidos do nativo peruano, coincidiu  com a espera inca do deus Viracocha que voltaria com uma aparência diáfana para   resolver a crise civil alastrada pelo país pela desavença entre os irmãos Atahualpa e Huasca. Inicialmente, até que os incaicos se confrontassem com a crueldade e traições dos invasores espanhóis, os cabelos louros e a pele clara de Pizarro facilitou sua chegada e muito nativos  até fizeram sacrifícios em louvor ao deus que esperavam e que por fim viam chegar pelo mar .
   Ainda no Peru, Tupac Amarú foi o guerreiro mais amado do glorioso passado incaico.
   Segundo uma crença peruana, divulgada por guias turísticos, existiria no país ainda hoje uma aldeia montanhosa habitada por tecelãs tão tradicionais que se intitulam ainda de “adoradores do sol”. Em tal aldeia, se encontraria uma gigantesca tela bordada que tem como tema Tupac Amarú, ultimo resistente Inca. Trata-se de um trabalho em lã e penas do pássaro Colibri Dourado. Este, sendo um pássaro raríssimo de ser encontrado nas matas, dificulta terminar-se a tela que pretende atingir até os ombros um busto deste líder. Creem que ao terminarem a tela, Tupac Amarú, que fora decapitado pelos invasores em Cusco, renascerá. Sob a direção do reaparecimento deste guerreiro, a região peruana atingirá novamente o seu perdido e usurpado esplendor.

Em Cusco, comemoram o heroísmo de Tupac Amarú. 

   Estes mitos que expressam o desejo de perpetuarmos a vida de figuras importantes para as mudanças sociais da humanidade, na realidade expressam apenas desejos irrealizáveis. Porém, sem dívida , ao subestimarmos o valor dos mitos, certamente tocaríamos nas esperanças que vivem e alimentam o imaginário e o coração de muitos homens.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Pequena Cronologia das Religiões no Brasil


     Quando os nossos descobridores aqui chegaram, rotularam os nossos índios de “selvagens sem alma nem deuses”. Erraram. Eles tinham, sim, seus ritos religiosos e deuses. Em sua rica mitologia, contavam com Tupã, deus criador dos céus e da terra, que se manifestava nos trovões. Jacy, a lua, esposa de Guaracy, o sol. Esta sempre zelava pelos casamentos, pondo no coração dos caçadores o desejo de voltarem vivos do enfrentamento com a caça, para retornarem às suas famílias. Mas, nas várias bacias dos rios amazônicos havia também deuses menores.  O poder do mal era temido, na figura de Anhangá, grande inimigo de Tupã.


    Já dali a uns anos por volta de 1550, quando já tínhamos o nosso primeiro governador geral, chegou aqui para a catequização dos índios, a Companhia de Jesus.
 Nela, tivemos figuras ímpares como os jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega.
   Já em 1600, no tempo de Brasil colônia, recebemos uma grande quantidade de judeus os chamados Cristãos Novos, ou Marranos, que aqui encontraram refúgio contra as perseguições sofridas durante a Inquisição na Espanha. Oficialmente renunciavam ao Judaísmo, seu credo de origem, mas bem sabemos que ocultamente o professavam no recôndito de seus lares.
   Os escravos negros que aqui aportaram em 1580 para trabalharem em Pernambuco na cana de açúcar tiveram durante séculos seus cultos perseguidos pela Igreja, o que gerava muitas revoltas e mesmo quando já livres no século XIX, tivemos a grande revolta dos Malés, escravos de formação religiosa islâmica, oriundos da África Ocidental. Embora já então livres, atuando como carpinteiros, artesãos, mas ainda perseguidos, fizeram a maior revolta já acontecida no Estado da Bahia. Porém, a perderam ante as forças do governo baiano.
   A primeira grande manifestação religiosa organizada e permitida aos negros se deu neste mesmo século XIX na Bahia. Foram ali estabelecidos os três mais importantes terreiros do culto do Candomblé: Engenho Velho, Gantois e Opó Afonjá.  Hoje, ainda atuante, o Engenho Velho, o primeiro criado, tornou-se patrimônio histórico do Brasil. Entre eles se sobressaiu a carismática figura de Menininha do Gantois.

Lavagem das escadarias da igreja do Nosso Senhor do Bonfim.

   Conta-se que foram três negras que lhes deram início, caracterizando em todos eles um forte matriarcado, onde só as mulheres tinham acesso à iniciações. Administrados pelas Yalorixás, aos homens competia os toques dos atabaques, a tiragem de búzios (pequenos caramujos que na África serviam de moeda de troca) para adivinhações. Eram chamados de Ogans. Apesar de hoje os Candomblés terem como dirigentes já homens, os Babalorixás, ainda os terreiros contam com os Ogans externos, que auxiliam na sua manutenção financeira. Geralmente artistas como Caetano Veloso, Jorge Amado, Gil, o cineasta Glauber Rocha e outros, dão uma imensa contribuição ao Candomblé baiano.
   Em sua mitologia cultuam o deus supremo Olurum, mas seus deuses mais usados são seus orixás.
   Após aquelas perseguições aos cultos afros, a Igreja resolveu criar as Irmandades de Negros como as de nossa Senhora do Rosário e São Benedito, com a intenção de cristianizá-los. Porém, com algumas restrições raciais, como missas apenas para negros, e igrejas divididas internamente, com uma parte para fieis brancos outra para fieis negros.
O século dezenove foi excelente para a religiosidade brasileira. Tivemos nele o trabalho da Maçonaria, incentivando nossa Independência e, também dando uma eficaz contribuição oculta para a soltura dos rebeldes da Revolução Farroupilha, que se encontravam em presídios do Rio de Janeiro. 

Chico Xavier, o maior médium brasileiro de todos os tempos.

    Chegou depois aqui o Espiritismo Kardecista vindo da França, que grassou principalmente entre intelectuais cariocas. A literatura ganhou importantes obras deste credo, como aquelas de Chico Xavier, um dos médiuns mais queridos e eminentes aparecido entre nós.
   Logo depois surge em Niterói no Estado do Rio, a Umbanda que fará um sincretismo com Cristianismo e Espiritismo. Esta, com um forte teor de Candomblé, é muito difundida entre as populações negras. Porém, diverge dele pois além do culto aos orixás contam também com entidades de Caboclos, tantos os africanos de Luanda como os caboclos brasileiros descendentes de nossos índios.  Divergiram também do Candomblé, pois nascendo numa zona urbana como Niterói, tiveram de abdicar de certos ritos como toques de atabaque, plantios de árvores sagradas, iniciações em lagoas, mais apropriados de serem feitos em zonas rurais como as dos Candomblés baianos.
    Impossível esquecer que o Cristianismo havia já se enriquecido com a vinda dos Franciscanos Capuchinhos que desde o século XVI instruam os nossos índios. Mas no século XIX atuaram principalmente no seminário de Mariana em Minas Gerais e, com a sua música litúrgica, marcaram para sempre o mundo artístico religioso daquela cidade.
   Com a chegada da família real ao Brasil, recebemos membros das Igrejas Protestantes como os Evangélicos, Metodistas, Batistas, Presbiterianos, Adventistas, Luteranos. Hoje, o Protestantismo é o segundo maior grupo religioso do Brasil. Suas crenças são semelhantes ao do Cristianismo Católico Romano, mas se diferenciam quando eliminam de seus templos a adoração à imagens e a devoção à figura de santos.
   No século vinte aqui chegou o Pentecostalismo, também chamado de “Cristianismo Renovado” como a Assembleia de Deus, a Igreja Universal, a Congregação Cristã, o Evangelho Quadrangular etc. etc. Hoje contamos com os Neo- Pentecostais e seus inúmeros ramos e pequenas capelas por todo o país.
   Chegados dos Estados Unidos temos os Testemunhas de Jeová com suas originais pregações de casa em casa, de rua em rua, dedicados a difundir os preceitos bíblicos.
   Aqui estão também os Mórmons com seus grandiosos templos. No século XX reapareceu entre nós o culto islâmico com o trabalho dos Baha’ís iranianos, além dos cultos orientais como o Budismo chegado em 1908 com os imigrantes japoneses responsáveis por plantios nas lavouras de café paulistanas.
   Com a chegada dos orientais, proliferaram entre nós as academias de Yoga e fomos também beneficiados pelo aprendizado de técnicas de meditações.

Yoga prática física e espiritual.

   Muitos movimentos esotéricos como a Teosofia, a Gnose, O Martinismo, o Rosacruz, a Antroposofia, dedicaram-se a expandir a espiritualidade oriental.
   Os Judeus brasileiros livres das perseguições inquisitoriais de quatro séculos atrás, hoje recebem nas sinagogas orientações de seus mestres, os rabinos. Até a arcaica Cabala judaica veio à tona com muitos apreciadores.
   O Cristianismo brasileiro conta hoje com várias Igrejas Ortodoxas, mas a Igreja Católica Romana mantem-se sempre a mais numerosa com santuários muito procurados como o de Juazeiro do Norte que atrai milhares de devotos ao culto do “Padin Ciço” e o gigantesco santuário de Nossa Senhora Aparecida (padroeira do Brasil) em São Paulo.
  O Brasil foi honrado com a visita de três papas: João Paulo II, Bento VI e Papa Francisco. Este visitou o Rio de Janeiro em 2013 para atender a Jornada Mundial da Juventude. Para quem a assistiu, era comovente ver a fé, o silêncio respeitoso com que milhares de jovens vindos de toda a parte do Brasil e dos países de nossa América, o ouviam, posicionados frente a ele nas areias de Copacabana. Papa Francisco com seu inigualável carisma e sua grande perspicácia, abriu para os cristãos católicos uma onda de devoção e principalmente de esperança quanto ao futuro de uma Igreja melhorada, pois pouco a pouco, ele começa libertá-la de seus seculares erros.
   Nós brasileiros nos orgulhamos de sermos um país de religiosidade laica, recebendo em nosso seio uma variedade imensa de cultos, impossíveis de serem todos aqui enumerados. Sinagogas, Igrejas, templos, mesquitas, professam hoje livremente seus credos, sendo aqui proibidas quaisquer formas de intolerância religiosa.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Uma Pequena Cronologia das Igrejas Cristãs


SÉC. I até IV D.c.
    Após passar por suas Igrejas primitivas de Jerusalém, Roma, Antióquia, Alexandria, Corinto, Éfeso, o Cristianismo sofrerá perseguições do Império Romano. Porém, se fará forte ao ser aceita como religião oficial do Estado romano pelo imperador Constantino.
    No SÉC. IV enfrentará divergências: O Gnosticismo e o Arianismo.  Vencedora nestes conflitos, em 325 D.c, no Concílio de Nicéia lhe será oficializado o nome de “Igreja Católica Apostólica Romana”.

Vaticano, sede da Igreja Católica Apostólica Romana.

    Alguns anos após, em 395 D.c., a sede da Igreja será dividida para melhor administração. Uma ficará em Roma, outra em Constantinopla (futura Bizâncio). Tal divisão perdurará até o SÉC.XII, pois em 1054 as duas sedes se separarão ficando assim estabelecido o Cristianismo: Igreja Cristã Romana Ocidental e Igreja Cristã Bizantina Oriental. Episódio que passou a se chamar “O Grande Cisma”. Foi um rompimento violento tendo os mensageiros da Igreja Romana colocado sobre o altar da bela catedral de Santa Sofia em Istambul a bula de excomunhão do seu Patriarca.
    Muitas diferenças como estas propiciaram a separação: Ao contrário da Romana a Igreja Bizantina possuía o pensamento místico filosófico dos gregos, os cleros latinos obedeciam o celibato enquanto os do Oriente, por se quererem fiéis aos primeiros apóstolos do Cristo, casavam-se. Suas vestimentas diferiam e os orientais usavam barbas longas enquanto os latinos as cortavam.

Patriarca Krill, da igreja ortodoxa russa.

    O Grande Cisma dará origem ao nascimento das Igrejas Ortodoxas. Assim surgiram as Ortodoxas Russa, Grega, Síria, Arménia, Etíope, Copta, Indiana e Eritréia, que estão ativas até hoje.
   Nos séculos XII e XIII a Igreja entra em decadência moral, lutando contra os Islâmicos, dando início a oito Cruzadas que se estenderão por quase 100 anos. Hoje, não imaginamos que as grandes divergências Ocidente/Oriente têm raiz lá atrás, nas violências dos Cruzados contra os chamados “Infiéis”. Tivemos também em 1183 o “tribunal da Inquisição” que levou à fogueira milhares de inocentes. A Inquisição perdurará por séculos reaparecendo muito forte com o "Tribunal do Santo Ofício” ainda em 1559 na Espanha, que expulsará gerações de Judeus e Árabes de seu território.

Fogueiras da Inquisição.

    A perseguição aos heréticos do século XIII tem seu clímax com a impiedosa invasão à seita Cátara. Tal perseguição fez uma devastação no sul da França e em seus belos castelos e fortalezas como os de Beziers e Carcassone.

Fortaleza de Carcassone, reduto Cátaro.

    O século XVI nos trará uma grande mudança no Cristianismo a iniciar-se com a Reforma Luterana que implantou o Protestantismo. Tem início em 1517 com Lutero lutando contra a venda de indulgências. Lutero retira dos templos os ícones, porque estes eram também motivo de vendas exorbitantes feitas pela Igreja. Porém, muitos cristãos católicos discordam disso, achando que em momentos de oração, concentrar-se em imagens evita que se dispersem em coisas mundanas a seu redor, e também atrai para eles a energia benéfica do santo que a imagem representa.
    Após o Luteranismo, temos o surgimento da Igreja Anglicana em 1533. Esta reforma inglesa foi causada pelos reis Henrique VIII e Isabel.  Henrique VIII, em litígio com o papa porque este não lhe dava o divórcio para casar-se com Anna Bolena, organizou uma Igreja nacional: a Anglicana, sendo seu chefe religioso o próprio rei. Assim, depois em 1558, Isabel, sua filha e de Ana Bolena, impôs para sempre a nova Igreja. Até hoje todos os reis  ingleses conservam-se chefes da Igreja Anglicana.
    Tivemos entre os protestantes o Calvinismo e o Presbiterianismo. Este, que sempre fez oposição ao Anglicanismo, é uma Igreja que não possui bispos e as comunidades de fieis podem ser governadas por anciões (presbíteros) e mesmo por leigos. O Protestantismo contou também com seitas fortes como os Anabatistas que sobrevivem muito na América os Batistas e os Metodistas.
    No século XVII, ano de 1646, temos o aparecimento dos Quaker na Inglaterra. Mais tarde sendo fundada uma grande colônia dos Quaker na Pensilvânia nos E.U.A Rejeitam sacramentos, mas são muito meditativos.
    O século XIX aparece com dois grandes movimentos religiosos: Os Mórmons e os “Testemunhas de Jeová”.

Templo Mórmom em Campinas, SP.

     Os Mórmons originam-se dos Estados Unidos e acreditam no Milenarismo, isto é, a volta do Cristo que ,segundo eles, fundará na América uma nova Jerusalém. Admitem a poligamia, constituindo com isso famílias muito numerosas. Sua Bíblia e Livro seguem o pensamento protestante.
   Já os Testemunhas de Jeová surgiram também nos Estados Unidos em 1852. É uma seita muito combativa. Negam a divindade do Cristo, mas se dizem os verdadeiros cristãos. Têm o Cristo como um arcanjo que, tendo lutado contra o demônio, o venceu e tornou-se homem. Segundo eles, Satanás está no domínio do mundo. Para os Testemunhos de Jeová todos os clérigos são anticristos e o papado um império demoníaco. São contrários a todos modernismos como transfusões de sangue, direitos femininos e tantos outros.  Cada um de seus membros é encarregado de trazer uma ou mais pessoas ao seu tipo de pensamento.
    Em 1857 chega ao Rio de Janeiro o culto cristão Espírita procedente da França. A compilação das doutrinas espíritas feitas por Allan Kardec se espalha rapidamente. Mais tarde, este culto aparecerá também junto a cultos afros dando ensejo a outro movimento: a Umbanda, muito popular no Brasil.
    No Século XX proliferam as Igrejas Pentecostais surgidas nos E.U.A com origem nas Igrejas Batistas e Metodistas. Seus membros acreditam que seus ritos lhes trazem os dons do Espírito Santo, tal como receberam os apóstolos no dia de Pentecostes. A Bíblia, segundo eles, é tudo o que precisamos para nos orientar na vida. No Brasil, a primeira Pentecostal apareceu em 1910 no Pará. Entre as inúmeras cito aqui algumas:

    Igreja do Evangelho Quadrangular
    Igreja Deus e Amor
    Igreja Evangélica Pentecostal Brasil para Cristo
    Igreja Pentecostal Assembleia de Deus
    Igreja Universal do Reino de Deus
    Congregação Cristã do Brasil

    Em 1922 tivemos a fundação da Igreja Evangélica, em Michigan, nos E.U.A É fruto de dois movimentos evangélicos já existentes. Conta com várias Igrejas Evangélicas: Temos: A “Igreja Evangélica de Confissão Luterana”, que atrai para seus cultos descendentes de imigrantes alemães. A “Igreja Evangélica Reformada” vinda em 1934 dos E.U.A. A “Igreja Evangélica Pentecostal o Brasil para Cristo” fundada em 1954, possuindo um grande templo em São Paulo com capacidade para 15.000 pessoas.

Papa Francisco.

    Quanto ao papado, embora na Idade Média os papas da família dos Bórgia tenham manchado a Igreja com a sua licenciosidade, tivemos na Idade Moderna excelentes papas. Estes consagraram a doutrina social da Igreja, tal como o fez o papa Leão XIII com sua magnífica encíclica “Rerum Novarum” em 1891. Também depois em 1961 o papa João XXIII apresentando novos aspectos daquela doutrina na encíclica “Master e Magistra”.
     Hoje, o papa Francisco, figura de marcante bondade, mas grande coragem, vai pouco a pouco libertando a Igreja Cristã das amarras e erros que a prendem , trazendo aos cristãos a esperança de ver uma Igreja realmente remodelada.
    Neste nosso mundo atual, tão voltado ao consumismo e à tecnologia, aonde alguns chegaram a afirmar “Deus está morto”, aqui deixo estas inúmeras Igrejas, Seitas e Movimentos para provarem que a busca por Deus e o sentimento religioso permanece muito vivo no coração dos homens.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Três Santos que Inspiram Intensa Devoção...

São Paulo, São Francisco, São Jorge...

   São Paulo

   Foi sem dúvida o mais importante líder do Cristianismo primitivo.
      Nascido em Tarso, na Turquia, ficou conhecido como Paulo de Tarso segundo o costume antigo de atribuir-se a alguém como sobrenome o local de seu nascimento. Chamavam-no também de Saulo. Sendo de família abastada comprou a cidadania romana o que dava à alguém na época, privilégios.
    Transferiu-se depois a Jerusalém onde tornou-se um “doutor em leis” trabalhando para o Sinédrio da cidade.
   Era um erudito, grande conhecedor da cultura grega, a mais elitizada que havia, falando fluentemente o hebraico além do grego. Grande escritor, suas cartas aparecem com destaque no Novo Testamento.
São Paulo, um doutor em leis...

    Com o beneplácito do sumo sacerdote do grande Templo, passa a perseguir os cristãos tão logo é iniciada a pregação de Jesus, vendo neste um simples impostor como tantos que ali apareciam pretendendo ser o Messias esperado.
   Estevão, um diácono, grande pregador que difundia a palavra do Cristo, foi um alvo constante de sua perseguição, sendo por fim morto por apedrejamento, por ordens de Paulo. È considerado então o primeiro mártir do Cristianismo.
   Paulo levou depois suas perseguições de casa em casa buscando prender adeptos da nova crença. Porém, iria acontecer com ele a surpreendente conversão e iluminação súbita quando foi encarregado pelo Sinédrio de levar sua fúria contra os cristãos em Damasco, na Síria. Dá-se ali o grande e inesquecível milagre cristão: Seu encontro com Jesus trinta e poucos anos após a morte deste.
  Cercado de uma luz fulgurante lhe aparece o Cristo a lhe perguntar: Saulo, por que me persegues?  Envolvido nestas simples palavras e naquela luz (que o deixou sem visão durante dias) tornou-se ali o seu maior propagador. É Lucas quem no ”Ato dos Apóstolos” conta esta belíssima conversão de Paulo.


O encontro de São Paulo com a Luz do Cristo.

    Fez três anos de solidão e meditações sobre os seus muitos erros e percorre depois inúmeros locais como Chipre, Macedônia, Atenas, Corinto e muitos outros.
   Com sua erudição, foi brilhante quando pregou na Acrópole de Atenas, sendo esta a cidade mais importante da época, centro de conceituada cultura.
   Outra de suas mais produtivas palestras ele a fez em Corinto. Corinto era então a sede de uma Igreja cristã que se considerava superior aos outros setores. Os líderes Coríntios eram demasiadamente orgulhosos e chamavam a si mesmos de “Os santos de Corinto”. Paulo lhes ensinou a humildade e em uma de suas cartas os exorta a cultiva-la e a lembrarem-se dos pobres.
   Não fosse o teor universalista das pregações de Paulo, hoje o Cristianismo seria talvez apenas uma igreja local circunscrita à Jerusalém. Entrou varias vezes em divergência com os apóstolos judeus porque estes exigiam a todos que queriam seguir o Cristo que se circuncisassem, o que os impedia de segui-Lo.
   Paulo é chamado “O Apóstolo dos gentios” (palavra hebraica que significa não-judeu, não-israelita). Levava ele a mensagem cristã, sobretudo às populações pagãs, principalmente à Grécia peninsular e à atual Turquia, enfim, a todos que estivessem carentes e sedentos das palavras cheias de misericórdia do Cristo.
   Para os historiadores apaixonados pela bela história do Cristianismo, apesar dos apóstolos que conviveram com o Cristo terem percorrido também extensos espaço em prol de Sua causa, o universalista Paulo de Tarso foi, na realidade, aquele que lhe deu a extensão que o credo cristão hoje possui.

         São Francisco

   Atributos diversos o caracterizam: Despojamento, Persistência, Identidade à natureza, Coragem, Amor. É “O Trovador de Deus”
   Despojamento: Quando o jovem Francesco pôs-se nu em praça pública, na pequenina vila italiana de Assis, não demonstrava apenas a revolta contra o luxo caseiro e de comerciantes e mercadores que exploravam uma cidade repleta de mendigos. Não tratava-se apenas de um ímpeto juvenil, mas já prognosticava a vida despojada de bens que escolheria, à renúncia a confortos supérfluos em que sempre viveria. Criaria uma Ordem cujos irmãos itinerantes não contariam nem com uma cama certa aonde repousarem.
   Persistência: Mostrou-a quando tentou sensibilizar o papa Inocêncio III com as regras Franciscanas que elaborara. Penou dias após dias de espera, pois tendo diante de si um jovem em roupas rotas, o pontífice lhe deu pouco crédito. Só pela insistência de um cardeal seduzido pela pureza de Francesco, acedeu em revê-lo. Mas com ressalvas de que tais regras eram demasiadas rigorosas para que alguém as aceitasse. Finalmente, após uma avaliação de vários cardeais, a personalidade verdadeira e carismática de Francesco acabou vencendo.

São Francisco com seu frades itinerantes.

    Amor à Natureza: Deixo-o bem explicito em seu magnífico poema “Cântico das Criaturas”. Nele, louva “o irmão sol, a irmã lua, a irmã água, o irmão vento, os frutos, as flores, as ervas,” e por fim atraia a seu redor os pássaros.
   Coragem: Demonstrou-a quando numa época em que Cristãos e Islâmicos digladiavam-se (estávamos no século XIII), dirigiu-se ao Marrocos conduzido por um ideal de obter paz. Ali, foi ao encontro do grande sultão inimigo Al Kamel pelo que lhe foi atribuído o título de “O Louco de Deus”.
   O sultão impressionou-se com a sua coragem  e desejoso já também de um acordo, ofereceu-lhe presentes ricos ,o que ele logo recusou, fiel que era à sua renúncia à riquezas ,o que mais surpreendeu o sultão, acostumado à voracidade dos cristãos que haviam pilhado as riquezas de Constantinopla numa desmedida avidez.
   Al Kamel acabou por lhe conceder escolta para que voltasse sem perigos ao acampamento cristão. Após alguns anos na Terra Santa, Francisco volta à Itália em grande tristeza, pois seus esforços foram inúteis, a guerra entre os dois lados continuariam. Também por ter observado o comportamento demasiado cruel daqueles que se diziam seguidores do Cristo.
   Sua tristeza depois aumentaria, ao voltar à sua terra depois daqueles anos ausente, os seus frades itinerantes, pela tanta prática que tinham de andar pelos interiores, haviam sido aproveitados para denunciar ao braço secular da Inquisição possíveis “Infiéis” Islâmicos.
   Amor: Mostrou-o na sua convivência com os atingidos pela lepra, doença que muito se alastrava na época. Levando consolo, sua presença alegre e poética era inestimável para aqueles excluídos e renegados por sua sociedade e muitos até por suas famílias.
 “O Trovador de Deus”: Por viver sua infância e juventude entre Assis e Provence, na França, (de onde lhe veio o nome de Francesco, embora se chamasse Giovanni) herdou a poética lírica de seus trovadores. Porém, mais tarde, trocaria as canções de seus menestréis que louvavam o amor sensual e a atração feminina pelo novo entusiasmo que o tomou: A busca da espiritualidade, a busca de Deus.

              São Jorge

      Podemos considera-lo o santo da religiosidade popular.
    Em casebres humildes encontramos nas paredes em gravuras e quadrinhos toscos sua figura montada em cavalo, matando um aterrorizante dragão. É o modo encontrado de afugentar o mal que possa entrar naqueles lares.
    É o grande guerreiro nascido na Capadócia, região da Turquia, no terceiro século pós Cristo. Foi soldado do imperador romano Diocleciano, passando a ser torturado por sua adesão ao Cristianismo.

São Jorge enfrentando o dragão.

   Sua vida é, contudo lendária, mas apesar da Igreja atribuir pouca veracidade histórica à sua vida, não julgando obrigatório o seu culto, na Inglaterra seu nome foi dado a príncipes que seriam reis e continua sendo ali o seu patrono protetor. Isto desde o Séc. XIV quando foi criada a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge, também chamada de Jarreteira.
   Conta-se que em suas andanças como militar que era, chega a uma cidade assolada pela presença de um dragão. Após o recurso de oferecer a este ovelhas para matar sua voracidade tendo sido todas elas eliminadas, ofereceram-lhe jovens, e foi justamente quando iria ser sacrificada a filha do grande senhor da cidade, que surge Jorge que a salva enfrentando o dragão, matando-o.
   Naturalmente que esta lenda é bastante fantasiosa, mas o que importa aos fiéis de Jorge é o conteúdo simbólico que ela contém: O mal sendo extirpado. O simbolismo justifica o mito e o faz inesquecível. Por ele, os cristãos o identificam também ao Arcanjo Miguel, guerreiro príncipe da legião celeste, que empunhando uma espada mata um dragão. Atribuem a ambos o mesmo status de salvador.
Orixá Ogum no Camdomblé!

   No Brasil, a Afro brasileira lhe faz um sincretismo com o Orixá Ogum, este também um guerreiro protetor dos militares e combatentes. Seus cultos se estendem um mesclado ao outro nos Estados onde Umbanda e Candomblé são mais fortes como Rio de Janeiro, Bahia e Minas.

   Ter sido decapitado por querer afastar dos cristãos o mal, faz de São Jorge realmente uma figura relevante no imaginário popular.