domingo, 30 de maio de 2021

Mitos Nórdicos

Asgard, o palácio dos deuses nórdicos.

 Os povos escandinavos como noruegueses, dinamarqueses, suecos, islandeses e finlandeses podem se gabar de terem uma mitologia de deuses tão amados como aqueles do panteão grego.

   Entre os inúmeros que possuem, reinam como soberanos e mais conhecidos: Odin, Thor e Freya.

   Odín é o grande chefe de Asgard, sua morada, que corresponde ao Olimpo de Zeus. De lá, ele faz uma vigia constante ao mundo dos homens, sendo considerado por estes como o Pai sagrado e supremo, que lhes proporciona curas e lhes designa e determina o momento da morte.

   Odin dá uma especial atenção aos heróis mortos em batalhas, esperando que venham ao seu encontro trazidos pelas Valquírias. Estas mulheres virgens e imortais, usando lanças e escudos, protegidas por armaduras, se encarregavam de levar tais guerreiros ao Valhala, o paraíso de Odin. Ali, lhes eram oferecidas danças sensuais e muito carinho feminino, como recompensa aos seus atos heroicos. Podemos encontrar os fatos destes heróis narrados nas sagas escandinavas.

   Para irem desde Asgard, a morada celeste, para o mundo dos homens, era necessário que os deuses atravessassem a Ponte Bifrost com suas escadas que são as belíssimas cores do Arco Iris, ligação entre céu e terra.

   Através de Bifrost, os deuses desciam para dar uma constante assistência aos mortais, segundo acreditavam os nórdicos. Os deuses costumavam vir regar a grande árvore plantada por Odin e junto a ela faziam seus planejamentos para o destino da humanidade. A imensa árvore é conhecida como a Iggdrasil. Ela tem as suas raízes em profundezas que imergem em rios e poços de água. Assim aguada, é a generosa alimentadora de todos os seres vivos e de toda a natureza terrestre. Sempre permanece viçosa, pois suas galhadas jamais envelhecem.

   Thor é o poderoso filho de Odin. Com seu machado ameaçador defende os deuses contra os Ogros, seres gigantescos e maléficos, enquanto protegem os Elfos, seres benéficos, um tipo de elementais, amigos dos homens.

   É Thor o deus de um dos mais fortes fenômenos celestes: O trovão. Muito previdente, nos anuncia momentos de tormentas e chuvas torrenciais.

Odin, o deus supremo do panteão nórdico.

   Freya que é a deusa nórdica do amor e da beleza, poderíamos compara-la à Afrodite dos gregos. Como deusa do amor protege os apaixonados, e os antigos escandinavos costumavam se agrupar para cantar canções de amor em sua homenagem. Em seus cultos lhe pediam que bem acolhesse as esposas fieis no seu pós morte. Pediam-lhe ainda para as viúvas uma especial graça: Que encontrassem também, nesta ocasião, seus falecidos e amados maridos.

   A própria energia dos deuses lhes advinha de um tipo de bebida que costumavam tomar: Uma espécie de leite que lhes fornecia a cabra de Odin, de nome Heidrum.

   À semelhança dos deuses tinham também os seus Oráculos. : As Runas. Na verdade, estas foram o seu primeiro alfabeto, mas ao mesmo tempo servia de um meio de se comunicarem com o transcendente, com o espiritual. Os Vikings as escreviam em ossos e costumavam usa-las como amuletos benfazejos.

   Quanto a sua escatologia, contavam temerosamente com um fim de mundo tais como algumas religiões atuais aguardam. Sendo que um dos males que ocasionariam tal fim viria de uma serpente mítica, muito temida, que se acreditava estar postada na profundeza de um poço d’agua, junto à árvore Iggdrasil. Esta roía constantemente a sua raiz, enfraquecendo pouco a pouco a vitalidade do mundo dos homens.

   Previam, entretanto, uma batalha entre o bem e o mal que chamavam de Ragnarok. Odin, seus filhos e mensageiros se preparavam militarmente para este grande confronto final, certos de sua vitória.

   A mitologia nórdica contou com grandes escritores que narraram lindas sagas e estórias. O mais conhecido em nosso meio é o dinamarquês Hans Cristian Anderson, especialista em literatura infantil. São célebres seus contos de fadas e pouco de nós, adultos, desconhecem “O Patinho Feio” e “O Soldadinho de Chumbo” que nos entretiveram encantados em nossa infância.

   Conhecer os mitos escandinavos é algo realmente imperdível.

Apóstolos do Cristo Consagrados em Junho

 No mês de Junho a cristandade homenageia estes três apóstolos: São João Batista, São Pedro e São Paulo.

JOÃO BATISTA

    Era filho de Isabel, prima de Maria, mãe de Jesus. Muito intuitivo, previa que o Messias esperado pelo povo Judeu já estava entre eles. Desejava então, através de um rito purificador, preparar pessoas para o que aquele grande ser viria ensinar-lhes. Fazia-o então por meio de um batismo grupal nas margens do rio Jordão. A este rito compareciam dezenas daqueles que esperavam fielmente o Messias. Por isto passou a ser conhecido como João, o batista.

   A data de seu nascimento, 24 de Junho após tantos séculos passados, é comemorado com o acendimento de fogueiras, devido a esta estória que nos conta a tradição cristã:

   Maria, a mãe do Cristo, morava na encosta de um morro enquanto Isabel, mãe de João, morava lá em seu cimo. Esta estava grávida e então as duas primas fizeram uma combinação entre si: Quando Isabel começasse a sentir as dores do parto, acenderia uma fogueira para que Maria tivesse disso conhecimento e subisse a ajuda-la. Por esta razão, em frente à casa de João, quando este nasceu, havia uma fogueira acesa.

   São João Batista não foi então só aquele que propagou a vinda do Cristo, batizou-O nas águas do Jordão quando Este iniciou em sua terra o Seu ministério, querendo dar a todos o valor de uma purificação simbolizada num batismo e foi também um de seus maiores seguidores.

PEDRO

   Juntamente com o seu irmão André, foi um dos primeiros discípulos do Cristo. Quando este os encontrou lhes disse: “Sigam-me que farei de vós pescadores de homens”. Assim, o pescador Pedro passou a dedicar sua vida a trazer adeptos para as pregações de Jesus. Seu nome de nascimento era Simão, mas Jesus o chamou de “Kephas” que em aramaico significa Pedra. Pedro (A rocha).

   Tinha um imenso afeto por Jesus e mostrou isso quando, desesperado, quis agredir um dos soldados que vieram prender o Cristo, no que foi severamente impedido por este.

   Os historiadores atuais dizem que Pedro, grande nacionalista que era, pelo grande amor que tinha à sua pátria, não entendeu bem a natureza da mensagem do Cristo, imaginando que era dirigida apenas a resgatar a liberdade do povo judeu. O que viria mais tarde a fazê-lo diferenciar-se de Paulo de Tarso.

   Pedro tornou-se o amado chefe do grupo de discípulos, liderança nunca contestada. Fundou o primeiro patriarcado da Igreja em Antióquia, onde realmente nasceu a Igreja cristã. Foi depois para Roma fazendo um trabalho de gigante, evangelizando um número imenso de pessoas.

  Descoberto como o novo líder da nova Igreja que nascia, foi sacrificado no ano 64 sob o império de Nero. Pediu para ser crucificado de cabeça para baixo para não se igualar a seu mestre Jesus.

   Trezentos anos após a sua morte, foi construída pelo imperador Constantino uma igreja em Roma para conter os seus restos mortais. Tal igreja manteve-se até o sec. XVI quando então foi construída a nova basílica de São Pedro. Seus restos estão hoje sob o altar-mor. Para a sua construção contribuíram artistas famosos como Rafael e Miguel Ângelo.  È atualmente uma das catedrais maiores e mais belas do mundo. Pedro foi sem dúvida, a “Pedra sob a qual construirei a minha Igreja”, tal como dissera o Cristo.

PAULO

Nasceu em Tarso, cidade da atual Turquia. Tornou-se um grande erudito, proferindo magníficas palestras no Areópago de Atenas, o maior centro cultural daquela época (ao redor de trinta anos após a morte do Cristo) Passou também a trabalhar no grande templo, o Sinédrio de Jerusalém, encantando a todos com sua inteligência e erudição.

   Ali, veio a tomar conhecimento do movimento cristão que então se agigantava no meio judaico. Em acordo as ideias e determinações daquele próprio templo, foi encarregado de perseguir os adeptos da nova mensagem. Sua primeira vítima foi um rapaz de nome Estevão que ousou dentro do Sinédrio pronunciar defesas para aquele profeta que fora sacrificado (Jesus). Ia depois de casa em casa buscar e castigar seus seguidores.

   Um dia, soube que um grupo de cristãos ia reunir-se na capital da Síria, Damasco, e para lá se dirigiu. Foi quando a sua vida deu uma inesperada guinada que o transformou no maior seguidor do Cristo. Caminhando na estrada para Damasco, ouviu uma voz que lhe indagava: “Paulo, Paulo, por que me persegues?” e teve a surpreendente visão da figura de Jesus ressuscitado. Ele aparecia-lhe em meio à tão radiante luz que iria deixa-lo cego por dias.

Dai em diante aconteceu com ele aquela inesperada e incrível mudança que modifica súbita e completamente a personalidade de alguém. Inexplicavelmente Paulo tornou-se o incomparável propagador do Cristo que encontrara.

   De mentalidade absolutamente universalista, foi ele talvez entre os seus seguidores aquele que melhor compreendeu a Sua mensagem, direcionada à toda a humanidade não apenas ao povo judeu. Passou a viajar por todos os interiores em pregações missionárias, pela causa do Cristo, isso lhe granjeou o título de “O Apóstolo dos Gentios”.

   Convertia-os ao novo credo, sem exigir-lhes que se juntassem ao Judaísmo, fazendo o rito da circuncisão, tal como o estava exigindo Pedro. Este seu comportamento veio então a causar serias disputas entre os dois grandes seguidores do Cristo.

   Foi realmente Paulo responsável pela imensa proporção que tomou o novo credo, pois esta abrangia a todos sem fazer distinção entre ideias religiosas ou pagãs que encontrasse. Não fosse a sua figura, talvez o Cristianismo houvesse se tornado um credo exclusivamente restrito aos territórios romanos e judaicos. Não teria alcançado o mundo todo como alcançou.


quinta-feira, 6 de maio de 2021

Dia das Mães... Mulheres Inesquecíveis

Para os meus queridos alunos e alunas espiritualistas, lembro aqui algumas Mães glorificadas em Seu Dia

  MÃE MARIA


   Adorada por ser a mãe do Cristo Jesus, segundo tradição, era uma discípula da Sociedade dos Essênios, casada com um companheiro da mesma Sociedade de nome José. A história religiosa cristã afirma que o nascimento lhe foi anunciado pelo arcanjo Gabriel e que se deu por um milagre do Espírito Santo.

   Após a morte do Cristo, deu um magnífico apoio aos discípulos de Jesus. Viajou pela Turquia em companhia do discípulo João. Podendo os turistas que viajam por este país visitarem "A Casa de Mãe Maria".

   Hoje, é cultuada sob o nome de várias Nossas Senhoras, tais como Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora do Rosário e tantas outras.

MÃE DEMÉTER

   Deusa da fecundidade do solo na Grécia antiga. Tinha uma única filha de nome Prosérpina. Segundo o mito, Prosérpina foi roubada pelo deus Plutão, o senhor do subsolo da terra, o que gerou um grande sofrimento à mãe. Foi então buscar a filha e entrou em acordo com Plutão para que este deixasse Prosérpina vir visitá-la uma vez por ano. Prosérpina, no mito, representa a semente e sua atuação no ciclo das duas estações, inverno e verão. No inverno, permanece no subsolo e na primavera sobe ao solo para alegria da mãe natureza.  Deméter então se rejubila com o florescimento dos plantios. No templo de Elêusis realizou-se em Abril o festival dedicado à deusa do grão. Em Julho, acontecia a procissão das mulheres descalças segundo a crença de que assim podiam contatar diretamente com a energia da Mãe Terra.

MÃE ÍSIS

   Deusa egípcia. Representava a margem do rio mais comprido do mundo, o Nilo. Porém, Ísis jamais será compreendida se a desassociarmos de Osíris e Hórus, porque Ísis faz parte de uma tríade. Tríade aparecida também em varias divindades do Islamismo, do Cristianismo etc.

  A força que movimenta as águas do Nilo levando seus nutrientes que fecundarão Ísis e Osíris, o grande procriador. Este intercâmbio amoroso entre o casal, acontecendo periodicamente, cobrem as margens do rio e quando recuam deixam nelas um humo fertilizante. Isis, assim fecundada, gerava neste imenso terreno aquático a planta que seria para os egípcios a fonte de sua riqueza. Isis também gerava na natureza uma grande beleza: O Lótus Amarelo. Com sua flor faziam perfumes. Lembrando-nos que o egípcio foi o povo antigo que mais usou essências tanto no corpo como para cultos. O mito de Ísis foi muito teatralizado nas Escolas de Mistérios Iniciáticos. Seus estudos duravam sete anos onde em cada um deles era levantado um dos véus da sabedoria com os quais a deusa se encobria.

MÃE KUAN YIN

    Deusa chinesa que designa Avolokiteshvara, o bodhisattva da compaixão. Na Índia e no Tibete era representada como se pertencesse ao sexo masculino, mas na China veio a ser representada como do feminino.

  O nome Kuan Yin quer dizer: "Aquela que ouve os lamentos do mundo". É a padroeira dos marinheiros, porque fez um trabalho na ilha de Pooto onde se dedicou às curas e atendimento a homens sobreviventes de acidentes marítimos. Diz a história budista que depois da morte de Kuan Yin, no século VII A.C. Não tendo ela mais marcas negativas em sua mente não necessitava mais reencarnar-se. Porém, resolveu tornar-se um bodhisattva, aqueles que permanecem entre as mazelas humanas para servir a humanidade, e encarnou-se como Avolokiteshvara no Tibete. O mantra para evoca-la é: "Om Mani Padme Hum" que significa: Ó Joia do lótus.

E DO UNIVERSO

   É Prakriti, substância universal feminina, contraparte de Brama. É o aspecto feminino de todas as formas de vida.

MÃE D'ÁGUA

    Refere-se a Oxum, o orixá das cachoeiras, rios e de todas as águas doces na Afro-Brasileira. É a deusa do rio Oxum na África. Para os nossos índios é também Iara, a mãe d'água.

MÃE DE SANTO

    Nome dado às sacerdotisas que desde criança é já escolhida por suas virtudes de liderança e administração para ser a futura Ialorixá de um terreiro de Candomblé. Possui a energia chamada Axé, que passa de tempos em tempos as suas noviças.


segunda-feira, 29 de março de 2021

A Páscoa Judaica e Cristã

   A Páscoa é uma comemoração que se iniciou no êxodo do povo de Israel voltando à Terra de Canaã e se renovou na ressurreição prometida pelo Homem-Cristo aos seus discípulos.

   Em ambos os casos, guarda para nós, através dos milênios, o mesmo significado: a passagem de um estado a outro melhor, a mudança, a libertação.

   Após a vitoriosa fuga sob o comando de Moisés, de uma escravidão de 400 anos dentro do Egito, para uma nova vida de povo livre, os hebreus passam a celebrar a data-marco de sua liberdade, o nascimento de sua nação, dando a ela o nome de “Pessach” (Passagem). Para o povo de Israel o ”Pessach”, referencia á passagem dos Judeus pelas águas ”divididas” do mar Vermelho, será sempre o milagre, a benevolência divina em favor de um povo oprimido.

   Hoje, que a ecologia da região foi estudada e comprovou-se a secura periódica e repentina de uma faixa do mar Vermelho, os estudiosos espiritualistas, sejam eles ocidentais ou orientais, Judeus ou cristãos, valorizam sobremaneira o “Pessach” judaico como sendo, realmente, uma das mais autênticas manifestações da Providência divina, para um povo, num momento importante de sua evolução histórica.

   Moisés, com uma inexistência de transportes, de qualquer tecnologia e meios sofisticados de difusão para organizar chamamentos, conseguiu, dentro de um Estado social altamente estruturado como era o Egito, unir centenas de famílias que compunham a grande massa judia, vivendo ali como classe oprimida e detestada. Pelo que historicamente sabemos Moisés não era alguém que militarmente respaldado pudesse manipular uma saída de famílias de modo que isto não fosse notado. Organizou assim mesmo uma fuga em massa apenas pela força de sua liderança espiritual, conseguindo uma conscientização conjunta ao ideal de retornar à Terra de Canaã.

Tradição Pascoal judaica.

   Tem-se conhecimento de que seria um iniciado, ligado a um retiro nas imediações do mar Vermelho, sendo assim um conhecedor dos fenômenos locais. Contudo, deslocar disfarçadamente aquela grande massa judaica para as suas margens exatamente quando o fenômeno da seca se deu, foi, sem dúvida, uma sábia estratégia.

   Diante deste fato e deste homem líder que foi Moisés, será quase impossível não concluir-se que a Providência, como executora dos planos

divinos que é, estaria a seu lado para que levasse a bom termo tal façanha. Para nós espiritualistas, a explicação para fatos que mudam de maneira irreversível vidas individuais e coletivas, jamais será aceita como coincidência ou acaso.

   Entendemos que Moisés haja sido Kármicamente colocado como instrumento perfeito para liderar o momento cíclico daquele povo. Também que este povo já havia criado uma forte egrégora, isto é, uma grande força mental, indispensável às mudanças.

   A Páscoa judaica nos exemplifica uma situação onde os dois fatores, a liderança e a egrégora oportunizam a Providência atuar para que a, o “Pessach” seja cumprido.

A Pascoa Cristã

   No ano seguinte à crucificação de Jesus, justamente quando em Jerusalém os judeus celebravam sua Páscoa, seus seguidores passam a comemorar o sacrifício de seu mestre. Deram então início à Páscoa cristã. Não pretendiam com isso menosprezar as tradições de seu povo, queriam apenas aproveitar a ocasião em que grandes multidões ali se reuniam para ressaltar perante elas que uma nova e grande libertação íntima lhes fora oferecida nas ideias de Jesus. Ideias que os judeus estavam no momento a necessitar.

   Se raciocinarmos que a aceitação de tais ideias equivale a uma verdadeira Passagem, a saída de um comportamento emocional e social a outro, compreendemos que a Páscoa do Cristo celebrada por seus discípulos queria acrescentar a ressurreição que se dá dentro de cada indivíduo.

   Não é de admirar que aqueles discípulos, renascidos ao contato com o seu iluminado mestre, pudessem juntar aos seus sentimentos de judeus reverentes perante a Páscoa hebraica também um louvor àquele que lhes trouxera a ressurreição íntima.

Tradição pascoal cristã.

   Mais tarde, os anglos- saxões aproveitando o simbolismo da vida que se renova , usaram para celebrar a Páscoa, o coelho que é o primeiro animal a deixar seu abrigo de inverno para ver o reflorescer da primavera.

  A descoberta de terras produtoras de cacau proporcionou juntamente com a industrialização, os ovos de chocolate usados por nós em nossas celebrações do Pessach.

   As datas comemorativas valem pelo sentimento que nelas se preserva. A Páscoa significará sempre a ressurreição, a mudança de consciência que impulsionada pala Providência Divina é oportunizada de tanto em tanto a cada homem.


domingo, 7 de março de 2021

Mitos Femininos - Para o Dia Internacional da Mulher


   Penélope

Dois seres esperaram com fidelidade Ulisses durante vinte anos voltar de sua “Odisseia”. Seu cão Argos que já velho ia adiando a sua própria morte apenas porque desejava rever seu dono e Penélope ,sua esposa.

   Estava casada com o grego Ulisses, rei da ilha de Ítaca, quando Ulisses foi chamado a guerrear na longínqua Troia. O tempo ia decorrendo e as notícias de que o guerreiro ainda vivesse eram cada vez mais raras e o certo mesmo era que jamais regressasse.

   Muitos príncipes das ilhas vizinhas e até nobres de Ìtaca cobiçavam o seu reino e naturalmente a sua bela rainha. Pretendentes eram então inúmeros e Penélope, fiel, urdiu um estratagema para afasta-los. Mostrava-lhes um enorme dossel que tecia . Dizia ser a mortalha que preparava para quando viesses a morrer seu sogro. Comprometia-se a decidir com qual pretendente ficaria quando a mortalha estivesse pronta. Contudo, à noite, desfazia os fios que tecera de dia, assim adiando indefinidamente o seu término.

   Sem um homem forte a governar Ìtaca, seus candidatos nobres iam se instalando por todos os recantos da ilha humilhando o menino Telêmaco, filho de Ulisses e Penélope. Para livrar-se de tudo só a desistência de esperar Ulisses resolveria, mas ela preferia espera-lo fielmente.

  Quando seus pretendentes não aceitaram mais seu ardil de protelação, pressionada a resolver-se, Penélope lhes propôs então uma difícil prova de habilidade: Concorreriam no salão do palácio , num jogo onde usariam o arco de Ulisses ,quando ela bem sabia ser o único com destreza suficiente para maneja-lo.

   A sorte sorriu por fim à Penélope . Justamente neste dia Ulisses, após vinte anos, chegava de volta a seu reino. Disfarçado em mendigo , a bem de surpreender os que assediavam sua esposa, já se dera apenas a conhecer a seu filho e a seu cão Argos.   Enquanto um a um dos nobres iam sendo eliminados na prova, em seu disfarce maltrapilho, Ulisses entrou na sala e ofereceu-se a concorrer.

 Foi então muitíssimo debochado. Mostrando a sua habilidade com seu arco, ele vence e mata cada um de seus oponentes.

   A doce e fiel Penélope recupera o amor de Ulisses e sente-se plenamente recompensada de sua longa espera.

Lilith

Alguns mitólogos a têm como a primeira feminista da História. Esta figura sumério-acadiana ignorada pela Bíblia e pela maioria dos cristãos, é citada no “Livro dos Esplendores” da cabalística judaica e também em textos apócrifos , não aceitos pelas escrituras sagradas cristãs.

   Teria sido a primeira mulher de Adão que se negou a lhe ser submissa uma vez que havia sido gerada com o mesmo pó que ele e não como a segunda mulher , Eva, que, pela tradição bíblica, saíra de uma de suas costelas

   Em seu livro “Lilith” o psicanalista  junguiano Roberto Sicuteri nos chama a atenção para um trecho do Zohar onde é dito que “ Deus os criou macho e fêmea.” Trecho que leva a ideia de que o ser humano (Adão) teria sido criado  andrógino ,levando em si duas naturezas.

   Diz o mito, que Lilith ao rebelar-se  contra Adão, foi abrigar-se  longe dele , na região do Mar Vermelho. Tal mito nos fala talvez de um momento  em que as duas naturezas do homem teriam sido separadas em dois seres. Só depois então teria surgido a criação de Eva. Que não lhe sendo igual , obedeceu  à supremacia do companheiro.

   Lilith foi depois então transformada num ser satânico , demoníaco, cuja figura  é representada com patas  e escamas , características animalescas , símbolos de seus desejos sexuais, negados por uma cultura de valores agressivamente patriarcais.

   Lilith é chamada hoje pela linha astrológica de “lua negra” representando o lado oculto de um ser que guarda pensamentos e desejos reprimidos  que não podem ser expostos.

   Lilith será sempre o mito da reação feminina não conformista ,da mulher quando ela se sente reprimida para cumprir o destino que lhe cabe. O conflito enfim ,com uma força dominante masculina . Um demônio criado pelo patriarcado.

Pitonisas e Sibilas

  Ouvir profecias foi um hábito constante dos povos etruscos, romanos e gregos. Os centros proféticos se multiplicavam em suas localidades. Porém, o mais famoso foi, sem dúvida, o de Delfos, dedicado a Apolo. Situado no monte Parnaso, num magnífico cenário natural donde se descortinava boa parte da Grécia. Para lá ocorriam pessoas de muitos países para consultas, homenagens e oferendas ao deus.

 Neste templo, Apolo ,deus dos sol ,se revelava aos mortais através de suas profecias. Passado o inverno , quando o sol retornava à Grécia, o mito nos diz que Apolo voltava de seu paraíso hiperbóreo e ia para Delfos onde o esperavam as suas Pitonisas.

  O nome destas sacerdotisas provinha da serpente Pyton. Esta, após o grande dilúvio que devastara a Grécia ao primeiro raio de sol enviado por Apolo para secar o solo , havia aparecido das profundezas da terra. Alguns vêm nesta serpente a potência do mal que surgida das entranhas da terra, foi morta pela luz de Apolo. Já para outros, ela corresponde ao símbolo da sabedoria que após um grande impacto que destruiu tudo o que era negativo, encontrava-se com a luz sagrada de Apolo.

    Como as pitonisas são encarregadas de trazer a sabedoria do deus, é possível que a serpente Pyton represente a segunda interpretação.

    Elas entravam no templo situado em enorme caverna e iam mascar folhas de louro, sentadas sobre um tamborete de três pernas. Este, colocado exatamente sobre uma fenda de onde vinham vapores causadores de tonteiras, as capacitavam ao transe. Momento sublime - segundo acreditavam - quando Apolo lhes falava. Muitas delas influenciaram positivamente o desenvolvimento das cidades gregas dando informações que auxiliavam em guerras e colonizações.

   Além das pitonisas, contava-se para oráculos ainda com as Sibilas. Eram consideradas as mais capazes . A que melhor sobressaiu-se foi a de Cumes, local na Itália aonde havia uma gruta – santuário de Apolo. Esta Sibila notabilizou-se por seus famosos livros que o mito afirma terem sido escritos sobre folhas. Neles teria predito os destinos de Roma .

   A capela Sistina nos apresenta, em magníficos afrescos de Michelangelo uma série de Sibilas.

   Eram privilegiadas pelo deus solar, mas ele se tornava implacável quando alguma delas se negava a ama-lo.

    Nem a Sibila de Cumes, tão famosa, subtraiu-se à ira de Apolo. Ele a queria tanto que prometeu dar-lhe tudo o que desejasse. A Sibila então pegou do solo um punhado de terra e lhe pediu tantos anos de vida quantos grãos estivessem em suas mãos. Quando ela recusou-se a ele , Apolo usou esta promessa para tentar convence-la , pois havia notado que ela se esquecera de pedir-lhe uma paralela juventude eterna. Então, deixou que ela envelhecesse. Os anos de sua vida permaneceram por séculos incontáveis, mas seu corpo degenerou sempre. Em uma angustia terrível, a Sibila de Cumes , também retratada naquela Capela pelo grande artista, se arrepende de querer viver tanto e ter se recusado a Apolo.

Antígona

    O grande amor de Antígona por seu pai a torna uma figura marcante inserida na grande tragédia grega “Édipo ,o Rei”.

     Quando Édipo descobre que o antigo rei Laio, brutalmente morto numa estrada , era seu pai e que ele próprio o havia assassinado; que sua mãe era Jocasta, mulher por quem se apaixonara e já lhe dera filhos, num gesto de desespero , furou seus próprio olhos para castigar-se. Humilhado pelo seu parricídio e incesto, foi banido impiedosamente de seu reino e de sua cidade .

   Com a perda de sua mãe e amante ,só o amor de sua filha Antígona será seu consolo e a luz, cego como estava, a guia-lo pelas longas estradas da Grécia, a errar em busca de um lugar distante aonde esquecer os seus remorsos.

   Antígona é verdadeiramente o mito do amor filial mas também do amor a irmãos. Outra tragédia a envolverá causando-lhe a morte.

   Vago o trono de Tebas, o antigo reino de Édipo, três pessoas o ambicionavam: Creonte, seu tio, e seus dois irmãos, Etéocle e Polinice.

    Quando Etéocle rivalizando com seu irmão pelo poder, o matou, Antígona desejou sepultar dignamente Polinice. Creonte , para a humilha-la, decreta enterra-la viva se o fizesse. Antígona prefere afronta-lo. Dá sepultamento a seu irmão e depois se mata para fugir a sua condenação .

Símbolo do amor fraterno e filial Antígona é a eterna personagem de dramas teatrais gregos.

Pandora

Quando o titã Prometeu criou o primeiro homem com o barro da terra , amassou-o e esculturou-o com as suas lágrimas. Assim o homem é : Instinto corporal e emoção. Porém, Prometeu achou-o incompleto e sonhou dar-lhe um complemento. Tratou então com os deuses para que estes, no Olimpo, criassem a mulher.

   Muito foram os deuses que cooperaram para a sua feitura. Minerva , a deusa da sabedoria ,deu-lhe a curiosidade para que ela questionando tudo a pudesse alcançar e deu-lhe intuições, caminhos que a levariam a acha-la. Vênus lhe deu uma beleza sedutora e Mercúrio o poder de argumentar, de persuadir. Talentos estes últimos que convenceriam o homem a aceita-la.

   Aqui os gregos privilegiaram a mulher ,pois enquanto os homens foram criados na terra, a mulher o foi no céu do Olimpo.  Deram-lhe o nome de Pandora. Pandora vivia na Idade de Ouro (também como Eva num paraíso). Zeus enviou-lhe de presente um baú lacrado com esta advertência : “Deixa-o fechado”. Palavras tentadoras para alguém tão curioso. Sucumbindo a tentação, Pandora abriu-o. Ele continha os bens do mundo que assim escaparam.

   Com estes soltos, os homens perderam seu paraíso, regrediram,  entrando em sofrimentos para separar os bens dos males. A Idade de Ouro  findou-se.

 Este mito da curiosidade feminina completa-se com este detalhe: Quando Pandora viu os bens escapando do baú quis rapidamente fecha-lo. Porém, conseguiu guardar apenas um deles: A Esperança.

Mesmo quando todos os bens nos escapam – assim pensavam os gregos – sempre uma esperança nos restará. É o único bem que capaz de se renovar incólume em  nós,  é ela que nos impulsiona a seguir adiante.


domingo, 27 de dezembro de 2020

Templários

 

   Estava-se no século XII, época das Cruzadas e todo o sentimento religioso medieval tinha como meta fazer uma peregrinação à Terra Santa, à Jerusalém, para ir lutar contra os muçulmanos que ali habitavam.

   Nove cavaleiros franceses resolveram ir lá lutar em favor dos peregrinos. Tão bem se conduziram que em 1128, no Concílio cristão da cidade francesa de Troyes, a Ordem que desejavam criar, foi reconhecida oficialmente. São Bernardo de Claraval, um abade francês, participou do Concílio e delineou a regra monástica que guiaria os cavaleiros do Templo. Tornou-se patrono da Ordem e ficou depois conhecido como “O santo Templário”.

   O rei de Jerusalém, Balduíno II em 1131 lhes concedeu a igreja do rochedo para a construção do seu primeiro convento. Tal igreja situava-se junto ao templo de Salomão de onde lhes veio o nome ”Templários”.

   A Ordem foi criada dentro das mais estritas regras cristãs e seus membros faziam votos de castidade e pobreza. Vestiam-se de branco com uma cruz vermelha sobre o peito. Chamavam-se também “Os pobres Cavaleiros do Cristo”.

   Sua missão principal era a proteção dos peregrinos que visitavam os lugares santos do Cristianismo e zelar por sua segurança em sua travessia entre o porto de Acre e Jerusalém.

   Após anos na Terra Santa, retornaram à Europa. Com o tempo, tornaram-se uma grande potência econômica só suplantada pela riqueza da Igreja. Como o conseguiram? Haviam se tornado mestres em usar letras de câmbio. Procediam assim: Quando um peregrino desejava ir à Jerusalém, entrava em contato com os Templários. Estes lhe forneciam a quantia que necessitavam para o seu gasto na viagem. Porém, os viajantes não a poderiam levar em mãos com receio de serem roubados por assaltantes na estrada. Então a deixavam numa casa templária. Iam então, à medida que caminhavam, passando de uma casa a outra e em troca de um documento, a letra de câmbio, pegando o dinheiro que iam necessitando, pouco a pouco, até chegarem à Jerusalém, a troco de um juro conveniente, bem baixo.

   Como os Templários faziam votos de pobreza, nada deste lucro ficava para qualquer membro, mas tinha como destino os cofres da Ordem. Acrescentava-se a isso que cada vez que um novo membro entrava para a Ordem, lhe legava todos os bens que possuísse. Assim, com o passar do tempo enriqueceram e passaram até a emprestar quantias à reis e senhores feudais.

Traziam de Jerusalém a fama de serem honestos, puros e fiéis defensores das crenças cristãs. Haviam construído na Síria e na Palestina fortalezas de proteção à peregrinos e em lugares que eram tão sagrados para o Cristianismo como para judeus e maometanos.

   Comprar territórios na Península Ibérica, em Portugal e Espanha, foi a meta dos Templários ao voltarem a Europa. Aparentemente, isso era apenas uma busca de mais poder econômico, devido a relacionamentos que haviam feito com judeus e que a península habitada por muitos judeus agiotas lhes seria propícia. Mas, teria sido apenas isto?       Verificaremos que esta razão seria apenas uma maneira de tirar os olhos da Igreja de seus verdadeiros propósitos, pois a verdadeira meta deles era buscar conhecimentos esotéricos que os haviam atraído no relacionamento com maometanos (sabe-se que os Templários mantinham contato com movimentos esotéricos do Islã e também com cabalistas judaicos) Lembremos que um ressurgir da Cabala estava então acontecendo, na época, no Ocidente) “Figura entre as orações templárias nada menos que a Fatiha, oração muçulmana que abre o Corão” - dizem os historiadores -.

   Na verdade, veremos que a presença templária no Ocidente, após sua vinda do Oriente, não foi apenas um acontecimento religioso, em nível de religião oficial, mas uma verdadeira expansão de um autêntico esoterismo.

   Por que procuram a Península Ibérica? Na verdade iam tomando territórios, construindo residências e conventos nas proximidades de locais onde se encontravam as chaves de sua busca ocultista, e eles eram muitos. Estes se localizavam afastados dos núcleos de vida comunal. Estavam sempre perto de cavernas pré-históricas, fontes sagradas, ermidas milagrosas, bosques druídicos. Enfim, sempre ligados ao secreto, que é característica do esoterismo mais iniciático. Sempre localizados perto de lugares onde aconteceram fatos milagrosos, cultos antigos, locais considerados bruxescos ou mágicos contando com fenômenos inexplicáveis.

   Alguns exemplos: Ao norte da ermida de Eunates no Caminho de Santiago aconteceram as famosas perseguições às bruxas de Zagarramurdi. Em Portugal, os monges guerreiros se estabeleceram em Tomar e Leiria, próximo ao lugar mágico aonde séculos depois iriam se produzir as aparições milagrosas de Fátima .A península está cheia de locais onde se instalaram os místicos muçulmanos, Sufis. Em Navarra, Espanha, há estabelecimentos dos templários em todo o Caminho de Compostela, precisamente nas proximidades de aglomerações megalíticas (menires) que mantinham uma tradição satânica ou de bruxaria.

   São Miguel foi a grande devoção templária e a Ele dedicaram na Península mais igrejas que a qualquer outro anjo. Mas lembremos de que o Arcanjo Miguel substituiu no Cristianismo o deus Lug, a maior devoção do antigo paganismo daquela região.  Também na proximidade de Lourdes, grande centros de comarcas templárias foram erguidas.

   Os cavaleiros guerreiros haviam voltado de Jerusalém sábios em astronomia, criptografia, teologia e técnicas secretas de construções cujas medidas eram baseadas em projeções cósmicas e alquímicas destinadas a receber energias dos planos superiores.

O estabelecimento templário de Torres Del Rio fica muito perto de Borgota em Navarra, Espanha, onde aconteceu um fenômeno de teletransporte onde um pároco da povoação se deslocava dali à Roma em uma noite e voltava com notícias, o que originou uma processo rumoroso da Inquisição por bruxaria.

 Nos inúmeros bailaidos, reunião de comarcas templárias e mosteiros construídos na Península (só no reino de Castela possuíam doze conventos e vinte e quatro bailaidos) os cavaleiros deixaram os vestígios de seus símbolos esotéricos. Como exemplo temos o número oito, símbolo do infinito e da ressurreição. Assim, o vemos na ermida de Eunates e na igreja de Torres Del Rio ambas construídas em forma octogonal. Os seguidores do ocultismo sempre usaram os números como magia. A citada Eunates seguia a estrutura arquitetônica da mesquita da Roca (templo muçulmano) situada junto ao templo de Salomão na Palestina.

   Também na mesma Eunates, na porta de entrada de sua ermida, temos duas cabeças de pedra, sendo dois rostos cuja barba oculta a boca. Bem sabemos que bocas tampadas simbolizam segredos mantidos, peculiares aos segredos esotéricos escondidos aos não iniciados. Em suas edificações muito se encontra o símbolo alquímico da estrela de cinco pontas, do Pentagrama que o esoterismo vê como a trajetória da nossa evolução. Desde o nosso surgir no Absoluto Deus, nossa origem; depois nossa forma embrionária; nossas emoções; nossa mente; nossa” descida ao inferno para a purificação e por fim nossa volta à origem.

   Os Templários usavam também a chamada Geografia Oculta, sagrada. Se sobrevoarmos algumas construções próximas templárias da Espanha, mormente no Caminho de Santiago, poderemos, ligando-as com linhas imaginárias, traçar sobre elas Pentagramas, estrelas, cruzes. Tudo isto, para aquela Ordem, continha recados esotéricos. Viajar pela rota de Santiago é descobrir seus grandes símbolos ocultistas.

Muitas dúvidas e incertezas cercam a história templária. Uma delas é: Teriam estes cavaleiros contribuído monetariamente ou mesmo operativamente nas catedrais góticas? A Maçonaria toma para si a feitura de suas edificações.

   Qualquer uma das duas organizações seriam aptas a fazê-lo. Os Templários teriam fortuna suficiente para financia-las e teriam trazido do Oriente ideias de estilos de arcos inovadores na arquitetura ocidental. Teriam no abade Suger um grande mestre obreiro. Este era amigo íntimo de Bernardo de Claraval o grande protetor e patrono da Ordem, além de ter sido o arquiteto que construiu o primeiro templo gótico: a abadia de St. Denis na França. Bem sabemos que liderados por Bernardo de Claraval os monges cistercienses construíram seus mosteiros com características próprias ao estilo gótico.

   Já a Maçonaria tem como principal devoção a Arquitetura, chamando até o Ser Supremo de “O Arquiteto do Universo” e tendo como principais símbolos o esquadro e o compasso, além de seu próprio nome “Maçonaria”, que vem de um termo francês que designa “obreiro”. Mais plausível seria optarmos por um trabalho feito em conjunto, pois os Templários, na época, ligavam-se a muitos membros maçônicos atraídos pelos grandes conhecimentos esotéricos que estes possuíam.

   Assim, os cavaleiros usariam nelas sua fortuna e levariam para dentro das Góticas (verdadeiras bíblias de pedra) a sua paixão por usar símbolos e a Maçonaria estravasaria nelas a sua paixão pelo trabalho operativo arquitetônico.

   Duas boas razões tinha Felipe, o Belo, rei da França, para perseguir os Templários, julgá-los e extinguir a Ordem em parceria com a Igreja. Havia ele pedido um ingresso como membro da Ordem. Porém, existiam as rigorosas leis desta, que requeria que todos os seus membros exercessem a castidade e outras tantas regras de igual dificuldade.

   O rei não era um homem casto nem de comportamentos e hábitos simples, puros. Então como tal, foi recusado, o que muito o humilhou. Também havia pedido à Ordem uma vultuosa quantia e não tinha como pagá-la. Recorreu então à Igreja para que esta o auxiliasse a eliminá-la tendo como motivo aquilo que a Igreja não poderia concordar: Seus estudos e práticas esotéricas. Foi buscá-las e naturalmente as encontrou. Assim, elaborou um julgamento fraudulento, injusto e injurioso onde se serviu de ritos e costumes dos Templários.

   Um deles baseava-se no próprio símbolo principal da Ordem: Dois cavaleiros cavalgando juntos num mesmo cavalo. Sua acusação foi imputà-los de homossexualismo e Sodomia. Ora, sabemos nós esotéricos que tal símbolo baseia-se num dos princípios da Cabala judaica que apregoa que para melhor assimilarmos seus ensinamentos (que afinal era a meta dos Templários) o ideal é que estudemos em parceria com alguém mais, que esteja buscando entende-la e segui-la.

   Outra acusação foi quanto ao rito de entrada na Ordem. Rito novamente baseado na Cabala. Observamos que as 3 principais Sephiroth  do Caminho  da Flecha da Arvore cabalística são: Kether, Tifareth e Yesod. Assim, ao entrar na Ordem o pretendente a ela, como sinal de respeito a estas três emanações divinas, que colocadas sobre o corpo humano correspondem respectivamente à cabeça, ao coração e a área sexual, deveria dar um beijo a um companheiro desnudo na sua cabeça, no seu coração e nas proximidades de seu sexo. Este rito também foi entendido como uma prática de Sodomia e grande depravação.

   Assim, como estas provas, várias outras sobre intercâmbios com o esoterismo dos Sufis islâmicos e com os judeus cabalísticos foram mostradas no julgamento.

   Por fim, a perseguição do papa Clemente V teve início e vários membros da Ordem foram torturados (alguns até aceitando como verídicas certas acusações descabidas por não aguentarem as torturas) Depois, a maioria foi queimada publicamente.

   Em 1314 seu muito amado grão–mestre Jacques De Molay  foi  também queimado perto da catedral  Notre-Dame em Paris.

   Quando a Ordem foi extinta, todos os seus bens confiscados passaram a constituir patrimônio real e foram também dado a nobres, que por seu turno procuraram apagar toda a influência cultural e espiritual que os frades templários tiveram na época medieval.

   Foi então criada em Portugal uma outra Ordem guerreira, a “Ordem de Cristo” que foi depois a fundadora da Escola de Navegação de Sagres, fomentadora das grandes navegações pelo Atlântico. Nela, foram se refugiar alguns Templários sobreviventes da chacina.

   Atualmente, existe a Ordem dos Cavaleiros Templários cuja entrada  é restrita aos Maçons já iniciados do Rito de York. Compõem uma das ordens maçônicas. Hoje, no País de Gales e na Inglaterra a Maçonaria afirma possuir mais de 30.000 membros destes Templários.

   Os poderes estatais e religiosos da Idade Medieval aniquilaram a Ordem. Porém, o seu desejo de um saber mais superior e espiritual ficou como sua marca principal. Esta organização tem gerado obras de ficção popular como “O Pêndulo de Faucault “, “Ivanhoé”, ”O Código Da Vinci” e a belíssima “Trilogia do Templo”. Também filmes como “Indiana Jones”, “A Ultima Cruzada” e “A Lenda do Tesouro Perdido”.


sábado, 14 de novembro de 2020

A Lenda da Flor de Lótus

Uma lenda budista nos diz que quando o Buda Sidarta se iluminou os seus primeiros sete passos marcaram o loca em que depois nasceram sete flores e lótus.

   A lenda do lótus nos fala dos quatro elementos conversando: Terra, a água, o ar e o fogo. Eles resolveram então criar uma planta composta da energia de cada um deles e que combinadas harmoniosamente, apesar de serem diferentes, servisse de exemplo e modelo ao homem para que visse nela que a diversidade ,quando unida, pode atingir a beleza.

   A raiz da planta estava no fundo de um lago. Disse a Terra: Eu porei a força das minhas entranhas para alimentar uma raiz. Disse a Água: Eu farei crescer nela uma haste de sustentação, que me percorrerá. Disse o Ar: Eu a vitalizarei pondo nelas folhas que se estenderão pelo ar, movidas pelas minhas melhores brisas. Disse então o fogo: Eu lhe darei o meu calor e farei desabrochar nelas a mais bela flor existente.

Assim nasceu o Lotus, símbolo do Absoluto que é composto por varias diversidades, que é beleza total. Representa na Natureza todas as consciências e caminhos percorridos.