sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Tristão & Isolda

Versão medieval de Tristão e Isolda.

Desta linda estória permanece a dúvida: Seria ela lenda ou realidade?  Tristão seria um príncipe de um pequeno reino francês. Ganhara este nome porque sua mãe morrera no seu parto. Como sua madrasta o desprezava foi criado na Inglaterra por seu tio, um homem muito rico de nome Mark.
   Um dia, o tio teve um problema com um homem irlandês que queria mata-lo em razão de uma dívida. Então, Tristão já rapaz, desafiou tal homem a um duelo e acabou por mata-lo. Seu tio resolveu que Tristão deveria ir á Irlanda contar sobre o duelo, porque uma combinação feita com a família deste dizia que uma vez o irlandês morto, a dívida estaria salda. Lá chegando, conheceu Isolda, a sobrinha do irlandês morto. Quando, porém a pediu em casamento a mãe de Isolda, que via nele apenas o matador de seu irmão, rejeitou o seu pedido.
   Voltando Tristão à Inglaterra, passou a falar ao tio Mark sobre a grande beleza de Isolda, sua delicadeza finura. Enfim, em todos os seus dotes que o maravilhara. Falou tanto e tanto que o próprio tio Mark acabou por apaixonar-se por Isolda. Vendo a impossibilidade de um pedido de Tristão ser aceito, resolveu ele próprio pedi-la para si em casamento.
   Tristão era sempre tão grato ao tio, que não quis concorrer com ele. Voltou à Irlanda e fez o pedido. A mãe de Isolda o aceitou de pronto, pois via no riquíssimo senhor inglês um pretendente para ninguém desprezar. Porém, ela sabia que Isolda era apaixonada por Tristão.
    Arquitetou então o seguinte: Mandou fazer um filtro afrodisíaco mágico e entregou-o a serva que acompanharia Isolda a Inglaterra para encontrar o noivo. Bem recomendada à serva de por o filtro nas taças de Mark e Isolda quando estes fossem brindar o noivado para que se apaixonassem.
   Tão tola, contudo, foi a serva que enganou-se, pondo o filtro nas taças de Tristão e Isolda. O não esperado então aconteceu: a paixão entre ambos cresceu e Tristão que, continuando leal ao tio havia renunciado a ela, embora o casamento entre o tio e Isolda acontecesse, passou a ser seu amante.
   O tema passa a versar sobre o sentimento de culpa de Tristão e o ciúme do tio. Quando comentários sobre o relacionamento dos dois amantes veio à tona o tio desesperou-se. Apesar de amar muito o sobrinho o afastou, mandando-o de volta para a França.

Tristão e Isolda mirtos de Amor...

    Tristão chegou a casar-se com uma mulher de nome Isolda, na esperança de assim ser feliz, mas não conseguiu. Participou de batalhas para expor a vida, e acabou sendo ferido e ficou à morte. Enviou então um escudeiro ao tio na Inglaterra lhe fazendo um pedido: Que o deixasse ver Isolda antes de morrer. Combinou então com o escudeiro que se o tio aceitasse seu pedido, quando a embarcação que a traria estivesse chegando que fosse hasteada uma bandeira branca, porque da janela onde estava ele já se alegraria. Quando ouviu o apito do barco, ele ansioso da cama, antecipadamente já perguntou a esposa: Que cor de bandeira traz? Esta, sabedora da combinação feita, ciumenta, respondeu: Negras. Pelo choque tão violento de não mais ver Isolda, antes que o barco chegasse trazendo-a, já havia morrido.
   Ela, enfraquecida pelos anos de sofrimento pela distancia que viveu de Tristão, morreu pouco depois ali mesmo na França.
   O tio Mark, sempre dividido pelo amor que tinha ao sobrinho e a Isolda, quando soube da morte de ambos ,mandou buscar seus corpos e os enterrou em duas sepulturas paralelas.
    Diz a estória que ao lado da sepultura de Tristão nasceu um pé de uva e no lado de Isolda nasceu uma roseira Quando as duas árvores cresceram, se entrelaçaram uma na outra. Então, o ciúme do tio aparecia novamente.  Cortava-as com frequência, mas elas tornavam a crescer e se entrelaçar. Quando, em desespero, elas foram arrancadas. Tornaram a nascer. Enfim, nem após a morte aquele casal dava-lhe descanso.
Tristão e Isolda é um magnifico drama de Richard Wagner.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Atlântida - Realidade ou Fábula?

Visão de uma Atlântida submersa.

De todos os locais misteriosos que levantam especulações, tais como Stonehenge, a pirâmide de Quéops e a Esfinge egípcia, as linhas peruanas de Nasca, Atlântida, sem ter deixado, como estes, vestígios visíveis, é certamente o que mais fascínio vem exercendo no imaginário dos povos.
   Muitos o vêm como um Éden perdido, dedicando-se até as incansáveis buscas para encontra-la ,outros a têm como um paraíso mítico, lendário.
   A divergência entre a realidade ou não de sua existência teve início desde que o filósofo grego Platão, no século IV AC., descreveu-a em sua obra Timeu e Crítias. Nesta obra ,em um diálogo, o personagem Crítias revela como num continente submerso , o seu povo conseguira um governo perfeito, harmonioso, tal como idealizado pelo próprio Platão em sua genial “República”, obra que fora recentemente terminada.
   O conhecimento de tal sociedade paradisíaca lhe teria sido revelado por Sólon, sábio grego, que por sua vez o obtivera de um sacerdote quando estivera no Egito.
   A exposição de tal sociedade foi feita na obra platônica com tais detalhes que levantou uma grande dúvida: Teria Platão desejado através de uma ficção, por à tona uma narrativa que ele realmente ouvira e dera crédito?
   A repercussão do escrito de Platão teve tal relevância na época, que tanto os seus seguidores platônicos como os aristotélicos entraram em acirradas disputas verbais, os primeiros optando pela veracidade do que fora narrado e os outros concluindo que Platão achara um bom tema que lhe resultaria num sucesso literário.
   Uma realidade histórica fluía das minúcias com que Platão descrevia aquele imenso território insular, localizado-dizia ele- além do estreito de Gibraltar, em pleno oceano Atlântico e que contava com cidades de mansões e templos revestidos de prata, ouro, cobre, e marfim.
   Além disso, Platão insere em textos de sua obra, que poderiam ter ficado apenas como ficcionais, afirmativas próprias de que tudo era realmente referência a fatos verdadeiros. Segundo o sacerdote egípcio informara a Sólon - dizia Platão - os egípcios guardavam em sua memória histórica, que retrocedia há nove mil anos, a lembrança de uma grande catástrofe diluviana, que pusera término a adiantada sociedade de Atlântida, levando seu continente a submergir no fundo das águas. Acrescentando ainda que isso se deveu a uma decadência moral, que levara os Atlantes sábios e virtuosos a uma arrogância onde se tornaram desejosos de estender seu poderio e dominar outras terras.
   No entanto, toda esta aparência verdadeira imprimida em seu relato, dava também margem às controvérsias, uma vez que Platão introduzia nele partes absolutamente míticas. Dizia que Atlas, o mais forte dos Titãs mitológicos, fora o responsável pela construção do imponente templo de Atlântida, erguido em homenagem a Poseidon. E, que este aliás ,foi quem escolhera gerar parte de sua descendência naquela região de Atlanta, na ocasião em que - segundo os mitos gregos - os três irmãos Zeus, Poseidon e Hades, dividiram o mundo entre si. Também atribui ao próprio Zeus castigar os desmandos dos Atlantes com a submersão de seu território.

Localização de uma presumível Atlântida.
   
Assim, Platão conseguiu levantar esta dúvida: Atlântida é realidade ou fábula?
   Modernamente, nos séculos XIX e XX, mitos defensores da veracidade de Atlântida surgiram para levantar apaixonadamente a questão. Todos ligados não à ciência, mas ao esoterismo. Tivemos a russa Blavatsky, famosa por sua obra ocultista “A Doutrina Secreta”. Nela, corrobora todo o relato platônico. Também o filósofo austríaco Rudolf Steiner, criador do movimento místico da Antroposofia e principalmente o trabalho detalhado sobre o continente submerso, de um agricultor americano Edgar Cayce que já granjeara projeção por seus notáveis poderes paranormais.
   Estes três estudiosos e mais uma quantidade imensa de escritos surgidos nestes séculos, levantaram novamente tal assunto.
   Quanto à posição científica, alguns sismólogos já se dedicaram e ainda se dedicam a uma busca mais direcionada para o relato do grande dilúvio. Porém, em sua grande maioria, os grupos científicos conservam-se céticos a respeito preferindo jogar a Atlântida para o terreno do imaginário, do mito.
   Sem dúvidas, pensar em Atlântida é por à tona uma questão milenar que continua fascinando muitos.

O Mito de Ganesha


Parvati, deusa indiana, era esposa de Shiva, mas cada um deles vivia em seu próprio palácio.
    Parvati possuía um Gana (espécie de anjo tutelar, gênio protetor, que a defendia de todos os males) Ele se chamava Ganesha.
    Shiva era um marido muito apaixonado e impaciente que, com frequência, invadia, sem a permissão da deusa, o seu castelo para vê-la, incomodando a privacidade de Parvati. O que a contrariava muito.
    Parvati encarregou então Ganesha de impedi-lo de entrar a não ser que ela própria chamasse Shiva.
    Shiva entrou então em luta aberta contra o Gana. Mesmo com a intervenção do Deus Brahma, ser supremo de extrema bondade, que tentava acalma-los, a luta cada vez se intensificou mais, resultando por Shiva cortar a cabeça de Ganesha, o degolando.
    Parvati ficou desesperada com a morte do seu gênio protetor. Shiva, por sua vez, sentiu-se muito arrependido por tê-la feito sofre tanto e foi pedir-lhe perdão. Ela porem, lhe exigiu: Só o perdoaria se ele ressuscitasse Ganesha.
   Contudo, o corpo do gênio não contava mais com a cabeça. Shiva então ordenou a um subordinado que lhe trouxesse a cabeça do primeiro ser que encontrasse. Este primeiro ser encontrado foi um elefante, e sua tromba foi colocada no morto e Shiva com o seu poder de um grande deus o ressuscitou. É por esta razão que Ganesha com sua cabeça de elefante é o Gana, o deus gênio, mais amado dos indianos.

domingo, 29 de julho de 2018

Três Iniciados


Apolônio de Tiana

     Célebre iniciado, filósofo e professor neo pitagórico nascido na Capadócia no ano dois antes de Cristo, morto em Éfeso, quando a cidade de Tiana era integrante do Império Romano. Foi iniciado no templo de Esculápio, onde além da medicina, se dedicou às doutrinas pitagóricas, tendo adotado então o ascetismo como hábito de vida. Alimentava-se apenas de frutas e legumes, andava descalço.

     
Manteve então um juramento de fazer silêncio durante cinco anos. Depois desta ascese, partiu da Grécia, visitou a Babilônia e a Índia absorvendo o misticismo oriental dos Brâmanes. Lá, foi recebido e participava em seus cultos já como um grande sábio. Sua vida é repleta de milagres descritos por seu discípulo mais importante, Damis. Previa o futuro, curava enfermos.
     Quando ainda em Éfeso, previu e acertou na vinda de uma grande epidemia de peste que assolaria a cidade, o que lhe aumentou muito o prestígio. Viajou pela Espanha e Itália, tendo nesta restituído a vida do filho de um senador romano. Faleceu com 100 anos numa vida de muita compaixão. Afirmava sempre aos políticos: Se você deseja governar, abstenha-se do sangue dos inocentes! Seja misericordioso!
   Sua fama continuou grande até aproximadamente 272 D.c. Muitos comparam a sua personalidade à de Jesus. Sua mensagem não teve, porém a mesma sorte do Cristianismo, pois este, no quarto século depois de Cristo, conseguiu que Constantino, imperador do império Romano, o tornasse a religião oficial do Estado, criando assim o alicerce de onde cresceria o grandioso movimento do Cristianismo, magnífica religião atual.
    A única grande obra que temos sobre Apolônio, nos veio do famoso escritor ateniense Flavio Filóstrato. Um escrito romanceado intitulado “A vida de Apolônio”. Nela, Filóstrato afirma que, assim como Jesus, Apolônio também nasceu de uma virgem.
    O Espiritismo o vê como um dos grandes exemplos de Médium dos tempos antigos. Num episódio, um governador seria linchado em meio a uma grande feira, por uma multidão enfurecida, acusado de um crime que não cometera. Apolônio (então em período de silêncio) apenas ergueu os braços e a sua figura de asceta e a majestade de seu porte tranquilizou o povo e salvou o governador. O Espiritismo atribuiu seus muitos milagres a uma poderosa mediunidade. A doutrina de Apolônio seguiu sempre os pensamentos doutrinários de Pitágoras. Foi ele um de seus maiores difusores.

Pitágoras

   Nasceu em Samos na Ásia Menor (então chamada de Grécia Asiática). Sua mãe foi ao templo de Delfos fazer a costumeira consulta aos nascituros pela Pitonisa. A Pítia, sentada num banquinho sobre uma fenda aberta no chão de uma caverna, aspirava os vapores de folhas de louro queimadas, entrava em transes dos quais lhes vinham as respostas. Eram então chamadas de “Sacerdotisas de Apolo”, pois segundo a crença geral, era este deus que as inspirava.
   Na consulta da mãe de Pitágoras, lhe foi dito que seu filho seria útil para todos os homens em todos os tempos. Como rapaz, foi estudar no famoso templo de Mênfis no Egito e ali iniciou-se durante longos vinte e dois anos. Passou pelos medos e êxtases das iniciações de Isis, depois fez a iniciação da catalepsia (morte aparente) e a ressurreição ofuscante de Ozires. Dedicou-se ao principal culto egípcio, aquele do sol em Heliópolis.


   Quando Cambises, rei persa, invadiu o Egito, saqueou os templos de Mênfis e Tebas e destruiu o de Amon em Carnac. Pitágoras assistiu ainda o faraó Psamético ser arrastado a ferros e foi ele próprio exilado para a Babilônia. Lá, Pitágoras encontrou uma babel de línguas e três grandes religiões: A dos antigos Caldeus, o magismo dos Persas e o Judaísmo dos sobreviventes do cativeiro judeu na Babilônia.
   Isto lhe proporcionou um imenso campo de sabedoria e observações que se somaram àquelas já assimiladas no Egito.
   Após doze anos cativo ali, conseguiu voltar à Grécia, terra que sempre fora abençoada por abrigar o santuário de júpiter em Olímpia e o de Ceres em Elêusis durante os tempos homéricos. Principalmente voltava após trinta e quatro anos, ao local que tanto amava: o sagrado templo dórico de Apolo. Ali, o templo era belíssimo, porque sendo visitado por toda a Grécia, recebia oferendas muito ricas como aquelas estátuas de ouro puro que faziam fileiras em sua alameda.
   Chegando, reabilitou as reuniões das assembleias dos idosos (Anfictiões), que ali existiam desde o tempo de Orfeu, mas já estavam, porém em decadência. Fez ressurgir o templo ao seu antigo prestígio com suas maravilhosas instruções e palestras. Após ter instruído sacerdotes, dedicou-se a preparação de sua mais capacitada discípula, Teocléa, em sua doutrina esotérica e idealista. Deixou-a depois encarregada da continuidade de seu trabalho e foi para a Itália, para a cidade de Crotona.
   Em Crotona, mostrou a sua fascinante personalidade. Chegou pelo fascínio com que pregava ser chamado pelas mulheres de “Júpiter” e pelos homens de “O Apolo Hiperbóreo”.
   Sua sedução era tão forte que o Senado de Crotona o convocou para explicar e justificar os meios magos que ele usava para atrair tanto o espírito das pessoas.
   Criou em Crotona uma Ordem, com uma sessão para mulheres onde lhes proporcionava uma iniciação paralela à dos homens. Em pouco tempo erguia-se na cidade um edifício com jardins. Os crotonenses chamavam o edifício, pelo seu trabalho com mulheres, de “templo das Musas”.
O instituto pitagórico ficou conhecido principalmente pelas suas simbologias da matemática do universo e da “música de suas esferas”. Ensinava artes, espiritualidade, filosofia e cosmogonia. Suas iniciações constituíam-se em 4 degraus: Preparação (0 noviciado); Purificação (os números, teogonia); Perfeição (evolução da alma); Epifânia (a mulher iniciada, o adepto, o casamento).
   Aos sessenta anos Pitágoras casou-se com uma discípula: Teana. Com ela teve três filhos e após a sua morte aos noventa e poucos anos Teana foi o centro do que sobreviveu da Ordem pitagórica.
   A Ordem sucumbiu à cólera e a inveja de uma cidade inimiga: Sibaris.  Aconteceu que quinhentos exilados, fugindo aos horrores em que viviam,
pediram refúgio aos crotonenses. Estes os receberam. Quando o governo de Sibaris exigiu a extradição dos refugiados, Crotona com receio de represálias ia manda-lo de volta, mas Pitágoras, homem de extrema bondade, influenciou os de Crotona para não devolver para os horrores aqueles pobres refugiados. Sibaris então mandou um exército para cercar o Instituto pitagórico e incendiá-lo. Pitágoras morreu queimado junto a mais 38 iniciados que ali estavam. Apenas dois escaparam. Há, porém versões que dizem ter Pitágoras se salvado e existem cidades que durante um tempo disputavam ser proprietários de suas cinzas.
   A Ordem depois se dispersou e as sementes de espiritualidade deixadas por este magnífico mestre espalhou-se muito na Grécia e na Sicília. O trabalho durou ainda uns 250 anos e suas ideias ainda vivem hoje. A principal obra antiga que temos de Pitágoras foi: “Timeu” de Platão.

Krishna, o Verbo Divino


   Principal figura do Hinduísmo, é o oitavo Avatar de Vishnu (o deus preservador da Trindade Hindu). Nasceu em 3228 A.c. Há mais de 5000 anos, em Mathura, norte da Índia. Nasceu sem ser fruto de união sexual, mas por uma mentalização feita pelo marido de sua mãe, Devaki, sobre o ventre dela.
   Já rapaz, tem profundo amor ao sábio Vasixta e quando este morre se recolhe durante sete anos apenas meditando e sai depois a pregar. Entre os seus muitos jovens ouvintes encontraria o seu maior discípulo: Arjuna. Este era um príncipe que teve o seu trono perdido, usurpado por seus parentes os Kurus. Arjuna era agora da tribo dos Pandavas mas também descendente do rei Kuru. Porem, não tem força suficiente para lutar pela reconquista de sua tradição familiar, do trono que perdera.
   Este será o enredo da belíssima epopeia guerreira do Bhagavad Gita (A Canção do Senhor), parte da antiga obra hindu, o Mahabharata. Ali aparecerá a personalidade divina de Krishna, os seus magníficos ensinamentos à Arjuna.
   Muitos não entendem ao lê-lo, porque Krishna, a suprema bondade, manda que Arjuna mate os seus parentes. Porém, luminares como Mahatma Gandhi e Rabindranath Tagore interpretam o Bhagavad Gita em seu sentido simbólico. Compreenderam que Arjuna é o Eu humano cujo reino da felicidade foi tirado pelo Ego e que este não tem força para reavê-lo. Seus parentes representam o orgulho, o desrespeito, a maldade, a traição. Enfim, todos os males de sua consciência que Arjuna tem que vencer. Krishna chama a atenção de seu discípulo para que ele faça sua autorrealização. Através de belos diálogos da epopeia lhe aconselha a não deixar que lhe tirem os seus poderes divinos.
   Só compreendemos o Bhagavad Gita, a luta entre Kurus e Pandavas quando entramos em seu sentido simbólico, nos lembrando sempre que os povos antigos tinham como hábito usar alegorias, parábolas e símbolos para expressarem as suas Verdades .
   Krishna, rapaz, era um sedutor tocador de flauta que apaixonava todas as pastoras. Porém Krishna é o amor impessoal que ama igualmente todas as pastoras e todos os seres. As pastoras tem que ter por ele o amor devocional por um ser superior, para com um Avatar, amor que é chamado no Hinduísmo de Bhakti. Hoje, organizações espiritualistas promovem o desenvolvimento de seus adeptos através apenas da devoção, da Bhakti, usando como um dos recursos a Bhakti Yoga. Existem muitas imagens de Krishna entre as pastoras e em companhia de vacas, o seu animal predileto, muito sagrado então na Índia.
   Krishna apaixona principalmente a pastora Rhada e a poesia indiana fala muito nesta relação muito estreita entre os dois. Também este amor é estudado alegoricamente como o simbolismo do par feminino e masculino existente em cada Ser, que em Krishna já atingiu uma complementação harmoniosamente perfeita.
   A doutrina de Krishna ensina que o homem vive uma estrutura tríplice: Satwa, Radja e Tamas. Se alcançou a total sabedoria ou um estado de deslumbramento entrou em Satwa. Se está ainda indeciso passando de um conceito a outro, da matéria à espiritualidade vive o círculo vicioso de Radja. Se abandonou-se completamente aos seus instintos está em Tamas, a ignorância total. Porém, dizia que a consciência da Unidade é o que supera tudo, até mesmo a sabedoria.
   Segundo as escrituras, a morte de Krishna se deu em 3102 a.C. e marca o fim da” Idade de bronze”, o Divapara Yuga e iniciou a “Idade do ferro”, o Kali Yuga , a 4° e última de um Kalpa (ciclo evolutivo) que dará início a uma nova “Idade de Ouro”. O Kali é a idade das trevas, da degradação, esta em que estamos.
   Tal como afirmou Krishna para seu discípulo Arjuna no Bhagavad Gita, todas as vezes que o homem decai, entra em necessidade espiritual, Ele, como o Avatar da preservação das leis perfeitas de Brahma, toma forma humana para vir auxilia-lo.
  Em 1966 foi fundado em Nova York o movimento do Hare Krishna que possui hoje uma quantidade imensa de seguidores no Ocidente, identificados pelo mantra, que emitem cantando repetidamente. Tal Movimento está baseado no Hare Krishna  das escrituras védicas dos tempos arcaicos da Índia.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

O Povo Cigano de Sara

Santa Sara.

O dia 24 de Maio é aquele consagrado à santa Sara padroeira dos ciganos.
             Em regiões como a de Camargue na França e especialmente na Provence, as peregrinações para onde ocorrem ciganos do Egito e da própria Europa, já é uma tradição secular.
             Tais homenagens à Sara se estendem até o dia 25, levando em procissões sobre andores enfeitados de cores vivas, a imagem da santa de pele tão escura quanto à dos ciganos e em muitas tendas espalhadas pelo mundo ela é cultuada.
         Lembrei-me então de minha visita anos atrás á Provence onde cheguei a assistir tais festividades e me foi narrada a seguinte história, talvez lendária:
           Por volta do ano 70 após o Cristo, fugitivos das perseguições aos cristãos na Judeia, a deixou, tomando um barco muito tosco, com poucas condições de navegar, o que provavelmente os teria afogado. Porém, por um milagre, através do Mediterrâneo conseguiram aportar numa praia ao sul da França, ficando depois o grupo abrigado na região do Camargue. O grupo contava então com 3 Marias: Maria Madalena, Maria Salomé, Maria Jacobé e Marta.

Igreja de Les-Saint-Maries-de-la-Mer.
              
Lenda ou não, o certo é que o local, que ao chegarem chamava-se “Le petit Rhone”, passou a chamar-se “Les-Saintes-Maries–de-la Mer”. Com elas veio também uma cigana egípcia de nome Sara, serviçal de uma das Marias.
             Na convivência com elas certamente foi quando a cigana adotou o Cristianismo que se espalhou depois entre o seu povo, hoje constituído de agrupamentos devotamente cristãos (lembremos que a estátua de Nossa senhora Aparecida do Norte é também intensamente venerada pelos ciganos brasileiros).
            Como a tradição cigana é absolutamente oral (jamais registraram por escrito a sua História) todas as conjecturas sobre a origem do povo de Sara são enevoadas, envoltas em mistérios. Contudo, os ciganos contam entre eles com muitos anciãos que são exímios narradores. Esses afirmam ter o povo cigano a sua origem na Índia. Isto será bem possível, pois os estudiosos de línguas nos dizem que o Romanê, língua cigana, tem incontestes raízes nos idiomas mais antigos da Índia.
             Ali, teriam sido nômades, sempre em movimentação. Não eram bons cavaleiros, mas criavam, tinham e negociavam cavalos, que usavam para puxar suas carroças condutoras de apetrechos de suas tendas, à cada mudança feita. Quando pararam por um tempo mais longo, foram perseguidos por tribos muito aguerridas, o que os obrigou a se espalharem pelo mundo, sendo o seu primeiro lugar a habitar, o Egito.
            Outras narrativas de anciãos jogam suas tradições também para um tempo bem distante pois contam que já pela época de Júlio Cesar (Séc.V A.C.) já havia ciganos em Roma. São descritos trabalhando ali em circos, fazendo mágicas e bruxarias, contando histórias, prevendo catástrofes através de símbolos. Era lá uma classe social marginalizada a qual os tributos devidos à Cesar eram cobrados com violência . A eles só cumpria obedecer.


Crianças ciganas.

            Aliás, os ciganos sempre foram perseguidos. Na Idade Média, a Inquisição os perseguiu pois suas práticas de tarólogos, astrólogos, quiromantes, seus trabalhos com pêndulos, leituras em copo d’água, jogos moedas, eram todos rotulados de bruxaria.
            Na Idade Moderna tiveram as perseguições do Nazismo. Por elas morreram 600.000 ciganos.  Suas peles escuras nada os favorecia em meio a uma doutrina arianista que refugava aqueles que não a tivessem clara para serem considerados da “raça pura” ariana. Assim como os judeus, também foram levados à Campos de Concentrações.
            Há uns séculos atrás a maioria cigana eram analfabeta, mas a modernidade a contagiou e já no Séc. XX  encontramos muitos de seus descendentes estudando. São já ciganos sedentários. Há uns 27 anos, uma pesquisadora, diretora do Centro de Estudos Ciganos no Brasil, publicou várias obras e inúmeros artigos sobre a sua cultura. Nele, nos conta as entrevistas que teve com ciganos formados em advocacia, medicina, professorado, psicologia, antropologia  e entre eles já mulheres com cursos secundários.
          No entanto, mesmo influenciados que sejam pela modernidade, não abandonam seus hábitos diários seculares. Quando constroem uma casa já a situam em grandes terrenos para colocarem ao lado uma tenda. Alguns entrevistados  da pesquisadora lhe afirmaram se sentirem emparedados, tolhidos em sua liberdade se não se proporcionarem de tanto em tanto dormir na tenda. Geralmente dormem pouco e o importante é saírem à noite para sentirem as estrelas sobre suas cabeças.
          A selva de pedra de nossas metrópoles não os atrai. Preferem viver em cidades pequenas onde através de suas organizações administrativas (e hoje elas já são algumas) podem recorrer a vereadores e prefeitos amigos para lhes proporcionarem local onde colocar suas tendas
          Pela própria vivência de percorrerem países,  assimilam alguns de seus hábitos, do que resulta grupos diferentes entre si. Assim temos os grupos Calon, o Rom, o Kalderashi, o Ragare. Porém, são pacíficos e nunca ouvimos notícias de lutas entre eles.
          Prezam a amizade e quando uma afinidade é grande entre duas pessoas, podem sacraliza-la fazendo entre si um pacto. Dão uma picada de agulha nos dedos de ambas  e depois uma chupa uma gota de sangue da outra, estando assim ritualizada uma amizade eterna. Costumam firmar relações com amigos  com encontros chamados “brodes”, espécie de saraus onde dançam, contam historias e declamam poesias.


Cartomante cigana.

         Quanto a sua religiosidade são monoteístas, nunca se envolveram com deuses. Cristão, creem na vida pós a morte, não exatamente como faz o Espiritismo no seu intercâmbio com desencarnados, mas como supersticiosos que são os ciganos, temem as almas de falecidos que podem, conforme pensam, vir a lhes cobrar algo. Acreditam na alma imortal que chamam de “Mulé”.
          Seus casamentos são monogâmicos e as meninas são dadas em casamento muito cedo, logo que lhes aparece a primeira menstruação. Geralmente é requerida a virgindade a mulher noiva. Dificilmente veremos um cigano casado com uma não cigana e vice versa, pois são muito zelosos da preservação genética da sua raça.
        Sobrevivem com homens (refiro-me aos não letrados) fazendo lindos tachos, utensílios e pingentes de cobre, colchas, tapetes. As mulheres (que são mães amorosas) contribuem para as finanças domésticas com a Quiromancia e a Cartomancia. Com elas asseguram ter sempre belas  bijuterias que tanto gostam de usar.
        As lendas narradas pelos anciãos são de grande beleza como esta: Um cigano violinista sonhava que um dia um pássaro conseguisse reproduzir as suas belas melodias. Esperou por isto toda a sua vida. Um dia ficou velho e morreu. No mesmo dia, sobre uma galho, surgiu um pássaro muito amarelo e cantou, cantou, imitando a melodia do violinista. Assim nasceu o Canário que reproduz, com perfeição, toda a magia de um violino cigano.
       Aqueles ciganos já letrados, devido talvez pelo seu milenar amor pela natureza, tendem a ser poetisas e poetas inspirados. Aqui, reproduzo um verso  de Any Reis do grupo Ragari, tirada do livro “Lendas e histórias ciganas” pág.154.
                                     
                                             Somos  
                                                           
Livres como os campos                     imprevisíveis como a estrada
Misteriosos como o mar                    leves como o ar
Andantes como o rio                         Argutos como a raposa 
Secretos como os bosques                 Sentimentais como a musica
Ligeiros como os ventos                   Verdadeiros como as crianças
Ardentes como o fogo                   Incompreendidos como a verdade
Cautelosos como a noite                   Assim somos nós, ciganos.


       Em um povo onde os seus fatos históricos não foram registrados, que suas tradições se difundem de boca à ouvido, é possível que o destino de sua cultura seja ir pouco a pouco se perdendo.
       Porém, mesmo que o povo de Sara desapareça, nós jamais o esqueceremos. Nossas crianças continuarão a lembrar de suas habilidades de acrobacias nos circos, a lembrarem da paixão dos ciganos pelos picadeiros; teremos no pensamento a inigualável destreza e graça com que dançam numa  apresentação de Flamenco; Continuaremos a sonhar com a sorte que nos foi favorável numa leitura de mãos; E, podemos ainda, seguindo o exemplo dos ciganos, pedir à santa Sara que esta sorte favorável nos seja concretizada.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Uma Pequena Cronologia das Igrejas Cristãs


SÉC. I até IV D.c.
    Após passar por suas Igrejas primitivas de Jerusalém, Roma, Antióquia, Alexandria, Corinto, Éfeso, o Cristianismo sofrerá perseguições do Império Romano. Porém, se fará forte ao ser aceita como religião oficial do Estado romano pelo imperador Constantino.
    No SÉC. IV enfrentará divergências: O Gnosticismo e o Arianismo.  Vencedora nestes conflitos, em 325 D.c, no Concílio de Nicéia lhe será oficializado o nome de “Igreja Católica Apostólica Romana”.

Vaticano, sede da Igreja Católica Apostólica Romana.

    Alguns anos após, em 395 D.c., a sede da Igreja será dividida para melhor administração. Uma ficará em Roma, outra em Constantinopla (futura Bizâncio). Tal divisão perdurará até o SÉC.XII, pois em 1054 as duas sedes se separarão ficando assim estabelecido o Cristianismo: Igreja Cristã Romana Ocidental e Igreja Cristã Bizantina Oriental. Episódio que passou a se chamar “O Grande Cisma”. Foi um rompimento violento tendo os mensageiros da Igreja Romana colocado sobre o altar da bela catedral de Santa Sofia em Istambul a bula de excomunhão do seu Patriarca.
    Muitas diferenças como estas propiciaram a separação: Ao contrário da Romana a Igreja Bizantina possuía o pensamento místico filosófico dos gregos, os cleros latinos obedeciam o celibato enquanto os do Oriente, por se quererem fiéis aos primeiros apóstolos do Cristo, casavam-se. Suas vestimentas diferiam e os orientais usavam barbas longas enquanto os latinos as cortavam.

Patriarca Krill, da igreja ortodoxa russa.

    O Grande Cisma dará origem ao nascimento das Igrejas Ortodoxas. Assim surgiram as Ortodoxas Russa, Grega, Síria, Arménia, Etíope, Copta, Indiana e Eritréia, que estão ativas até hoje.
   Nos séculos XII e XIII a Igreja entra em decadência moral, lutando contra os Islâmicos, dando início a oito Cruzadas que se estenderão por quase 100 anos. Hoje, não imaginamos que as grandes divergências Ocidente/Oriente têm raiz lá atrás, nas violências dos Cruzados contra os chamados “Infiéis”. Tivemos também em 1183 o “tribunal da Inquisição” que levou à fogueira milhares de inocentes. A Inquisição perdurará por séculos reaparecendo muito forte com o "Tribunal do Santo Ofício” ainda em 1559 na Espanha, que expulsará gerações de Judeus e Árabes de seu território.

Fogueiras da Inquisição.

    A perseguição aos heréticos do século XIII tem seu clímax com a impiedosa invasão à seita Cátara. Tal perseguição fez uma devastação no sul da França e em seus belos castelos e fortalezas como os de Beziers e Carcassone.

Fortaleza de Carcassone, reduto Cátaro.

    O século XVI nos trará uma grande mudança no Cristianismo a iniciar-se com a Reforma Luterana que implantou o Protestantismo. Tem início em 1517 com Lutero lutando contra a venda de indulgências. Lutero retira dos templos os ícones, porque estes eram também motivo de vendas exorbitantes feitas pela Igreja. Porém, muitos cristãos católicos discordam disso, achando que em momentos de oração, concentrar-se em imagens evita que se dispersem em coisas mundanas a seu redor, e também atrai para eles a energia benéfica do santo que a imagem representa.
    Após o Luteranismo, temos o surgimento da Igreja Anglicana em 1533. Esta reforma inglesa foi causada pelos reis Henrique VIII e Isabel.  Henrique VIII, em litígio com o papa porque este não lhe dava o divórcio para casar-se com Anna Bolena, organizou uma Igreja nacional: a Anglicana, sendo seu chefe religioso o próprio rei. Assim, depois em 1558, Isabel, sua filha e de Ana Bolena, impôs para sempre a nova Igreja. Até hoje todos os reis  ingleses conservam-se chefes da Igreja Anglicana.
    Tivemos entre os protestantes o Calvinismo e o Presbiterianismo. Este, que sempre fez oposição ao Anglicanismo, é uma Igreja que não possui bispos e as comunidades de fieis podem ser governadas por anciões (presbíteros) e mesmo por leigos. O Protestantismo contou também com seitas fortes como os Anabatistas que sobrevivem muito na América os Batistas e os Metodistas.
    No século XVII, ano de 1646, temos o aparecimento dos Quaker na Inglaterra. Mais tarde sendo fundada uma grande colônia dos Quaker na Pensilvânia nos E.U.A Rejeitam sacramentos, mas são muito meditativos.
    O século XIX aparece com dois grandes movimentos religiosos: Os Mórmons e os “Testemunhas de Jeová”.

Templo Mórmom em Campinas, SP.

     Os Mórmons originam-se dos Estados Unidos e acreditam no Milenarismo, isto é, a volta do Cristo que ,segundo eles, fundará na América uma nova Jerusalém. Admitem a poligamia, constituindo com isso famílias muito numerosas. Sua Bíblia e Livro seguem o pensamento protestante.
   Já os Testemunhas de Jeová surgiram também nos Estados Unidos em 1852. É uma seita muito combativa. Negam a divindade do Cristo, mas se dizem os verdadeiros cristãos. Têm o Cristo como um arcanjo que, tendo lutado contra o demônio, o venceu e tornou-se homem. Segundo eles, Satanás está no domínio do mundo. Para os Testemunhos de Jeová todos os clérigos são anticristos e o papado um império demoníaco. São contrários a todos modernismos como transfusões de sangue, direitos femininos e tantos outros.  Cada um de seus membros é encarregado de trazer uma ou mais pessoas ao seu tipo de pensamento.
    Em 1857 chega ao Rio de Janeiro o culto cristão Espírita procedente da França. A compilação das doutrinas espíritas feitas por Allan Kardec se espalha rapidamente. Mais tarde, este culto aparecerá também junto a cultos afros dando ensejo a outro movimento: a Umbanda, muito popular no Brasil.
    No Século XX proliferam as Igrejas Pentecostais surgidas nos E.U.A com origem nas Igrejas Batistas e Metodistas. Seus membros acreditam que seus ritos lhes trazem os dons do Espírito Santo, tal como receberam os apóstolos no dia de Pentecostes. A Bíblia, segundo eles, é tudo o que precisamos para nos orientar na vida. No Brasil, a primeira Pentecostal apareceu em 1910 no Pará. Entre as inúmeras cito aqui algumas:

    Igreja do Evangelho Quadrangular
    Igreja Deus e Amor
    Igreja Evangélica Pentecostal Brasil para Cristo
    Igreja Pentecostal Assembleia de Deus
    Igreja Universal do Reino de Deus
    Congregação Cristã do Brasil

    Em 1922 tivemos a fundação da Igreja Evangélica, em Michigan, nos E.U.A É fruto de dois movimentos evangélicos já existentes. Conta com várias Igrejas Evangélicas: Temos: A “Igreja Evangélica de Confissão Luterana”, que atrai para seus cultos descendentes de imigrantes alemães. A “Igreja Evangélica Reformada” vinda em 1934 dos E.U.A. A “Igreja Evangélica Pentecostal o Brasil para Cristo” fundada em 1954, possuindo um grande templo em São Paulo com capacidade para 15.000 pessoas.

Papa Francisco.

    Quanto ao papado, embora na Idade Média os papas da família dos Bórgia tenham manchado a Igreja com a sua licenciosidade, tivemos na Idade Moderna excelentes papas. Estes consagraram a doutrina social da Igreja, tal como o fez o papa Leão XIII com sua magnífica encíclica “Rerum Novarum” em 1891. Também depois em 1961 o papa João XXIII apresentando novos aspectos daquela doutrina na encíclica “Master e Magistra”.
     Hoje, o papa Francisco, figura de marcante bondade, mas grande coragem, vai pouco a pouco libertando a Igreja Cristã das amarras e erros que a prendem , trazendo aos cristãos a esperança de ver uma Igreja realmente remodelada.
    Neste nosso mundo atual, tão voltado ao consumismo e à tecnologia, aonde alguns chegaram a afirmar “Deus está morto”, aqui deixo estas inúmeras Igrejas, Seitas e Movimentos para provarem que a busca por Deus e o sentimento religioso permanece muito vivo no coração dos homens.

O Fascínio das Flores


    Inicia-se o ano de 2018.  Estou num jardim onde vicejam orquídeas variadas: brancas, roxas, amarelas. Sinto-me grata por ser de uma região do planeta onde a natureza é tão privilegiada. Nela vivem muitas e muitas flores, coloridas, perfumadas. Sou tão mal acostumada a ver tanta beleza, sou tão saciada por ela, que até me esqueço de povos que vivendo em meio a estepes eternamente nevadas, onde o sol pouco surge, fazem de qualquer pequeno musgo verde, qualquer água lúcida de um riacho eventualmente aparecidos, motivo de devoções e ritos.
    Penso neles agora admirada de que alguém viva sem nunca ter tocado os dedos nas pétalas macias de uma flor.
  Quando me absorvo na natureza, vejo que as flores têm, assim como nós, destinos e tarefas variadas a cumprir. Umas são mensageiras de amores apaixonados, outras de congratulações por vitórias obtidas, outras pretendem levar um pouco de vida aos que já faleceram, outras simplesmente alegram festividades com suas cores.
    Porém, não são apenas sua beleza e coloração que nos fascinam. Seu maior chamamento a nós é o perfume que exalam. Quimicamente nos aproveitamos dos aromas que contêm. Perfumamos com ele nosso corpo. Este é o maior intercâmbio físico que conseguimos entre nós e as flores. Mas, os momentos de meditações em que nos fixamos em sua beleza é o intercâmbio que realmente nos deixa deslumbrados.
    Assim como nós, as flores também mudam sua aparência conforme o clima aonde se desenvolve. As Tulipas podem percorrer mundo, exportadas por grandes empresas, mas será sempre na Holanda, com seu clima ameno, que estarão mais viçosas. Assim acontece com as flores de Cerejeiras japonesas; assim também com o Cravo da Ilha da Madeira; as Camélias de Sintra; a flor de Ceiba favorecida pelo clima úmido da Argentina, e a Lavanda cheirosa da região da Provença que deu a cidade de Grasse a fama de uma das maiores produtoras de perfume da França.
    Quando surge a primavera, da varanda de minha casa, vejo uma sequência de Ipês florescendo em colorações roxas, mas sei que em outros pontos de meu país os Ipês dourados estão dando uma verdadeira performance de beleza.
    O sol e seu esplendor é o grande responsável pelas mudanças contínuas de algumas flores. Reagem a ele, se abrindo e se fechando conforme a luz que lhes manda. Assim, o nosso popular “Onze Horas” está no máximo de sua abertura quando o sol está forte. Alguns “Mimo de Vênus” se fecham como um charuto quando o sol desaparece.
    Este contato entre sol e flores fez surgir na Antiguidade do imaginoso povo grego este belo mito do Girassol: Clítia era a ninfa de um bosque, apaixonada pelo deus solar Apolo. Todas as manhãs ia a uma montanha esperar quando Apolo, o sol, aparecia nos céus em seu carro de fogo, emitindo luz dourada para todos os lados. A cabecinha de Clítia acompanhava, enamorada, o movimento que o sol fazia desde seu surgimento no oriente até o seu ocaso no ocidente. Tanto fez isto, que seu corpo se enraizou no solo e ela foi tomando a cor do sol. Clítia tornou-se por fim um Girassol e hoje todos os seus herdeiros, todos os Girassóis do mundo acompanham o movimento solar. Giram, giram, seguindo o girar do sol.


    Existe uma flor, eu sei talvez a mais bela delas, para representar os quatro elementos da natureza: terra, água, ar e fogo: o Lótus. Nasce na profundidade da terra, levanta uma haste na água, levanta outra no ar e finamente abre sua beleza florida ao fogo solar.
    As religiões não são isentas da magia das flores. Escolhem-nas como princípios divinos de seus deuses, sábios e santos. Quem não sabe que as rosas brancas são o símbolo da mãe do Cristo? Quem não conhece a lenda das rosas vermelhas de santa Terezinha? Quem desconhece o próprio Lótus como a flor sagrada do Budismo? Já não viu o sábio Buda sentado sobre um Lótus de mil pétalas, isto significando que o Buda já tem o domínio sobre o seu sétimo chacra, o Sahashara, o maior centro de poder que um ser pode alcançar? A flor de Lótus é, enfim, dentro do Budismo a forma como os seres iluminados se manifestam.
    Veio-me à lembrança agora o jardim de uma casa que habitei. Ele contava com uma pequenina fonte onde boiavam minúsculas flores. Eram, sem dúvida, parentes em espécie da maior flor aquática brasileira; a Vitória Régia. É de nossa Amazônia que nos vem esta sua linda lenda: As índias de uma tribo eram apaixonadas pela beleza da lua e acontecia que a lua atraia muitas delas e as levava para o céu.  Naiá era a índia mais apaixonada de todas, mas seus irmãos a advertiam que não se envolvesse com a lua porque as jovens que subiam aos céus perdiam a forma humana, tornavam-se uma estrela e nunca mais voltavam ao seu lar na aldeia. Mas Naiá ficou tão triste de não atender os chamados da lua que passou a definhar, pois não comia mais. Uma noite de grande luar a lua estava refletida num lago. Naiá, imaginando que ela viera busca-la se atirou no lago para encontra-la e sem saber nadar, afogou-se.


    Muito comovida pelo que acontecera à Naiá, então, a lua que é uma deusa, resolveu transforma-la numa estrela da água: A linda flor Vitória Régia. Hoje, suas flores brancas, muito perfumadas, se abrem só ao anoitecer, quando a lua aparece.
    No jardim onde estou anoitece. Uma sombra de escuridão vai descendo sobre ele. Sua natureza vai repousar da ofuscante luz solar. Eu também entrarei para a sombra de um repouso, serena e grata pela generosidade das flores. Deram-me nesta divagação nada menos que o incomparável fascínio de sua beleza.