sábado, 24 de agosto de 2013

O Cristo: Uma Revolução do Pensamento. Uma ideia Antecipada do Humanismo.



Ignorando o persistente debate entre facções de historiadores do Novo Testamento sobre esta questão: Seria o Cristo consciente de ser ele o Messias esperado pelas Escrituras Hebraicas e assim sempre, justamente, se autointitulando, como em muitas passagens do Evangelho o faz?  Ou talvez tais passagens seriam apenas enxertos, feitos posteriormente pela Igreja que se estruturava, para fazer de Jesus um mito que servisse aos seus propósitos?

    Sem fixar-me em tais ideias contrárias, e também deixando fora as partes do Novo Testamento em que acontecem as curas feitas por Jesus, e ainda as especulações sobre a época certa de seu nascimento, meu desejo aqui é apenas abordar os ensinamentos, transmitidos por este inigualável mestre aos seus apóstolos, segundo nos são relatados nos evangelhos daqueles dois discípulos que com ele conviveram: Matheus e João. Ensinamentos estes de uma profunda universalidade e humanidade, que não só auxiliaram seus discípulos a viverem melhor dentro de sua conturbada sociedade, mas que a nós, homens atuais, também valerão como poderosos recursos que nos tranquilizarão e guiarão para fazermos face à nossa confusa modernidade.

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 Para melhor entendermos os ensinamentos do Cristo, é necessário nos reportarmos à época que o antecedeu e com a qual ainda convivia: A do Velho Testamento, grande livro da tradição judaica.

    É de se notar o sentido absolutamente diverso que o Cristo dava as palavras: Deus, Senhor, Pai e Reino dos Céus, daquele que lhes davam os judeus do Velho Testamento.

    Para estes, Deus, Senhor, Pai, era um autoridade altamente nacionalista, pois sempre atuava em favor de Israel; senhor de um Reino, de um Céu distante a quem obedeciam a fiel e fanaticamente, sem que lhes fosse dada a oportunidade de pensarem por si próprios ,uma vez que isso ocorrendo, resultaria em uma culposa desobediência.

     Tal autoridade era algo imaginado externo a eles, que os obrigava a atos os mais cruéis, mas pelos quais recebiam sempre o beneplácito do perdão, que os isentava de culpas, uma vez que provinham de normas da autoridade daquele Senhor Deus distante, sendo, portanto inquestionáveis.

    Assim, as grandes figuras do Velho Testamento, como Josué e Moisés, os vemos inseridos em episódios onde o extermínio de uma inteira comunidade eram atos justificados por serem vistos como benéficos à Israel.

    Vemos então Josué, na tomada da cidade de Jericó, matando tudo o que encontrasse pela frente à fio de espada, nada poupando, nem crianças, velhos ou animais. Após amaldiçoar com castigos do Senhor a quem ousasse reconstruir a cidade, a queimou. Ali, para um homem de nome Acan, que ousou esconder para si bens como prata e ouro, os enterrando, o Senhor ordenou à Josué que os israelitas o apedrejassem e depois lançassem ao fogo ele, sua família e tudo que lhe pertencesse.

   Era a visão do “Olho por Olho e Dente por Dente” do Senhor justiceiro do Velho Testamento, ali se cumprindo. Por estes e outros cumprimentos de ordens, Josué, é cultuado como um modelo de perfeita obediência.

    O próprio episódio belíssimo de Moisés, atravessando o Mar Vermelho e percorrendo, numa jornada árdua, um grande deserto para salvar os israelitas do cativeiro egípcio, deixa enfraquecido o seu mérito próprio, quando é contado que ele apenas obedecia a um Senhor externo a ele. Senhor este que, surpreendentemente, o induzia também a atos os mais cruéis.

     Já ali mesmo, o Senhor lhe ordena para conclamar todos os homens pertencentes a tribo de Levi, para se vingarem daqueles que adoravam a estátua de um bezerro de ouro, que para eles representava o Senhor. “Assim havia sido ordenado a Moisés: “Mate todos os adoradores do bezerro, fossem eles irmãos, mães ou amigos” O que, naturalmente, Moisés fez”.

    Ele, por tradição hebraica de obediência às normas autoritárias do Senhor, deixou de utilizar sua própria consciência de grande líder que, por sua história passada no Egito, sabemos que era, e que lhe possibilitaria resolver por meios muito mais brandos, estes problemas que surgiam na condução do povo que levava à Terra de Canaã.

    Sempre obediente Moisés em seu 5º Livro, o “Deuteronômio” nos fala sobre os castigos dados por este terrível Deus do Velho Testamento (lV 26-14-46).

    “Se não deres ouvido à voz do Senhor teu Deus, não cuidando em cumprir tudo o que ordena , virão todas estas maldições sobre ti e te alcançarão:

     Maldito serás na cidade ou no campo, maldito será o fruto do teu ventre e as crias de tuas vacas e ovelhas. O Senhor fará que a pestilência te pegue. O Senhor te ferirá com a tísica, a febre, a inflamação, o calor ardente, com o crestamento e isto te perseguirá até que pereças. O Senhor te ferirá com úlceras do Egito, com tumores, com sarnas e pruridos de que não possas curar-te. O Senhor te ferirá com loucuras, com cegueira e perturbação de espírito.”.
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   Aquelas ordens altamente punitivas e rigorosas nada pareciam estar conseguindo para mudar as muitas infrações cometidas pelos homens de Israel.

    O Cristo, numa revolução pacífica, dirigida unicamente ao despertar de uma autoconsciência interna em cada indivíduo, tentou reverter estes episódios que enchiam de atos cruéis e vingativos o Velho Testamento e sua própria cidade.

    É de supor-se que o Cristo concebesse uma inteligência suprema magnânima que conduzia o universo e que-segundo disse- “fazia nascer igualmente o sol sobre maus e bons e cair chuva sobre justos e injustos” chamando-a conforme a linguagem de seus contemporâneos judeus, de Pai Celeste, como muitas vezes aparece nos Evangelhos, um Deus este muito diverso daquele crudelíssimo do Velho Testamento.

    É, contudo surpreendente que Jesus atribua também a nós uma consciência pensante em nosso íntimo, a que chama também de Pai, Deus e Reino dos Céus, como se fossemos nós uma extensão daquela soberba inteligência universal, que ela estivesse também a desenvolver-se dentro de nós. Senão, vejamos o que diz claramente a seus discípulos:


“Procura o Pai dentro de ti e tudo te será dado em acréscimo”

    Ideia absolutamente nova para aqueles discípulos israelitas para quem o Pai, Deus, era algo distanciado deles.

    Ao ser indagado: Quando o Reino dos Céus vai chegar?

 (promessa feita pelo Velho Testamento a quem obedecesse ao Senhor)

    O Cristo contesta:

    “Na verdade vos digo que o Reino dos Céus já está dentro de vós”

    Aqui, Jesus dá uma conotação absolutamente contrária ao Velho Testamento, ao colocar o Reino dos Céus como uma força, um verdadeiro reino que internamente possuímos e que nos traria a liberdade de pensarmos por nós e concretizarmos atos conscientemente.
    “Mestre- também lhe indagaram os discípulos- O que se assemelha ao Reino dos Céus?
   O cristo responde:

   “Ele é como um grão de mostarda que um homem plantou em sua horta, cresceu, fez-se árvore e sob seus ramos as aves do céu vieram abrigar-se.”



  Quanto a este céu interno, diz ainda Jesus:


   “Não vos preocupeis em acumular tesouros na terra, mas ajuntai para vós tesouros no céu (o que ele entendia por céu) onde as traças não comem e a ferrugem não corrói, e os ladrões não podem roubar.”

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    Quando o Cristo falava sobre dar-se valor, não à normas autoritárias, mas à uma consciência pensante interna, os Fariseus maliciosamente quiseram enredá-lo em suas próprias palavras contra o Sinédrio Judaico e lhe perguntaram: “É certo pagarmos nosso imposto, nosso tributo à Cezar?”.

   Jesus que conhecia com que malícia o arguiam lhes disse:


   “Mostrem-me um denário” 
(moeda romana)


   Assim , quando mostrado, havia nele uma efígie de Cezar. Jesus então respondeu:


“Daí á Cezar o que é de Cezar e a Deus o que é de Deus”

    Além do Cristo –como ele próprio disse- considerar também Deus como uma consciência oculta em nós, sabemos que, nesta ocasião, os judeus haviam feito deste tributo uma questão religiosa de grandes proporções, criando partidos opostos que, segundo as leis mosaicas, e se resolvida pelo Sinédrio, poderoso templo administrativo e religioso judaico, iria gerar conflitos sangrentos, principalmente contra os Publicanos, judeus empregados como cobradores de impostos para os romanos.

   O Cristo, grande pacificador, então colocou este pagamento em seu devido lugar e importância. Mostrou-lhes que aquela era apenas uma questão material e que nada tinha também a ver com as questões de foro íntimo que eram o propósito de suas pregações.  Repetiu que aquilo que desejava de seus discípulos era tão somente o desenvolvimento daquela consciência pensadora que lhes daria discernimento próprio, para distinguirem o que tinha valor material daquilo que possuía um valor espiritual. Enfim, que os seus discípulos dessem a este episódio apenas a importância que lhe era devida.

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    Completando suas ideias de termos uma voz material não discernidora e uma voz interna, duas faces distintas, o Cristo nos deixa essas palavras ditas a seus apóstolos e seguidores:


  “Ouvistes o que foi dito pelos antigos: ”Olho por Olho, Dente por Dente”. Pois eu vos digo: Não resistais a um malvado. Se alguém vos esbofetear numa face oferece-lhe a outra.”.



   Aqui, Jesus é enfático, é incansável, ao mais uma vez lhes chamar a atenção para as duas faces que possuíam: uma material, outra espiritual, abstrata, pensante, que ainda desconheciam. Enfim, se alguém lhes agredisse na face material, lhe mostrassem que possuíam uma face mais resistente, intocável. Que recorressem enfim a uma fortaleza interna para serem invulneráveis à calúnias, incompreensões, a tudo que pudesse vindo do externo, lhes abalar emocionalmente.

   A reforma às leis justiceiras do Velho Testamento, que pretendia Jesus, neste episódio, torna-se perigosamente explícita.

   Dali a muitos anos será Paulo de Tarso, seu grande divulgador, que irá novamente falar nestas duas vozes, faces, que sentia nele serem conflitantes, quando diz: “Deixo de fazer o bem que Eu quero, para fazer o mal que eu não quero”.   Lastimando Paulo, não seguir a voz interna que o levaria a praticar boas ações.


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   É verdade que do Cristo originou-se um grande tronco religioso: A Igreja Cristã. No entanto, revoltando-se contra as regras religiosas do Sinédrio, Jesus antecipou-se em mais de mil e quatrocentos anos a Thomas More, o grande humanista inglês, que em sua “Utopia” se rebelava contra os castigos cruéis, as perseguições religiosas, sendo depois decapitado pelo rei Henrique VIII.

   Antecipava-se também ao “príncipe dos humanistas”, Erasmo de Roteada, que censurava os costumes, o fanatismo, os preconceitos e todas as manifestações de ignorância de seu tempo.

     Não tendo se dedicado à Ciência ou as Artes (grandes revoluções humanísticas do sec. XIV) antecipou-se, contudo, ao pensamento humanista da entrada da idade moderna, preocupando-se com a felicidade íntima e com o relacionar-se social perfeito de um homem para com outro homem.

    Tal preocupação permeou todo o seu trabalho, seja nas palavras dadas a seus discípulos e seguidores, seja através de Parábolas.

   

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    Aproximando-se Pedro do Cristo, lhe perguntou: “Mestre, quantas vezes perdoarei a meu irmão, quando houver pecado contra mim? Até sete vezes?”.

   Responde Jesus:


  “Não digo para perdoares até sete vezes, mas, até sete vezes sete.”



    Sucedeu que estando o Cristo à mesa, muitos Publicanos e infratores vieram e tomaram lugar junto a ele. Vendo isto, os Fariseus perguntaram aos discípulos: Por que come o vosso mestre com estes pecadores?

    Jesus ouvindo, disse: 

   “Os sãos não precisam de médicos e sim os doentes. “Ide e entendei o que quero: Misericórdia e não holocaustos.  (Sacrifícios exigidos no Velho Testamento) Não vim chamar só os justos, mas também os pecadores.”.


   É de notar-se que Matheus, seu discípulo, era um Publicano, cobrador de impostos para Roma, que gerou por isso resistência dos outros discípulos para integrar-se ao grupo. O Cristo, porém, lhe abriu os braços, o escolheu, já vendo nele o que futuramente seria: Um de seus mais puros seguidores.


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    Escribas e Fariseus trouxeram a Jesus uma mulher que fora surpreendida em adultério. Pondo-a no meio do povo, disseram-lhe: “Mestre, esta mulher acaba de cometer adultério! Ora, Moisés, pela lei e em obediência ao Senhor, ordena que se apedreje as adúlteras. Qual sobre isto é a vossa opinião?”.

  O Cristo que estava abaixado escrevendo alguma coisa na areia, apenas disse:


  “Aquele entre vós que estiver sem pecado, que atire a primeira pedra.”


    Os homens foram então um a um se retirando, ficando a mulher a sós com Jesus e este lhe perguntou:


  “Nenhum homem te condenou?”


   Ela respondeu: Não, senhor.

   Pois eu também não te condenarei. Vai-te e não peques mais."


   Seu espírito indulgente, sempre pedindo a seus apóstolos que não se absolvessem do mesmo mal com que condenavam os outros; seu poder benéfico sobre quem o ouvia era tão grande, que esta mulher, Maria de Magdala, regenerou-se e seguiu-o como fiel discípula até sua morte.


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    Enfatizava o Cristo a necessidade de termos o coração livre de mágoas e rancores quando queríamos obter graças. Dizia:


   “Se fores ao altar dar a tua oferenda e lá te lembrares de que teu irmão tem queixa contra ti, vai primeiro reconciliar-te com ele, e só então depois voltes para depositar a tua oferenda.”


   Falava, sobretudo sobre a oferta dada por amor e aquela dada por ostentação.

 Segundo ele, esta ultima nada nos somava espiritualmente. Era claro neste pensar: 

“Não saiba a tua mão esquerda o que deu a direita”

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    À todas estas pérolas de sabedoria juntemos estas:


  “Por que vês uma trave no olho do teu irmão e não percebes a que trazes no teu próprio?”



  “Tudo o que desejais que os homens vos façam, fazei-o vós também a eles. Nisto é que consiste toda a lei e todos os profetas.”


  “Digo a vós outros que me ouvis: Amai o vosso inimigo. Fazei o bem a quem vos odeia. Se amais apenas aquele que vos ama, qual é o vosso mérito?”


   Quando Israel desdenhou aquele Reino dos Céus interno, aquela consciência pensante oferecida por Jesus; quando os romanos temeram sua grande influência e o Cristo foi conduzido à cruz, deixou ele esse pedido a seus discípulos, e a todos que ali já o seguiam:


   “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”


   Já na cruz, perdoou seus algozes, e minimizando aquele ato cruel, dirigiu-se talvez a seu Deus interno (ninguém sabe) lhe dizendo:


    “Pai perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem”.


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     Parábolas foram histórias em que ilustravam suas ideias humanitárias e foram elas imprescindíveis para se fazer entender por pessoas muito humildes.

    Nesta, o Cristo alertava aqueles que se consideravam muito justos e capazes, mas desprezavam os demais:


  “Dois homens subiram ao templo com o propósito de orarem. Um Fariseu, e o outro um Publicano. Ficaram lado a lado. O fariseu orava assim: Ó Senhor, graças vos dou porque não sou tão ignorante e impuro como este Publicano!

  Já o Publicano apenas batia no peito para, humildemente, pedir: Senhor sê propício e misericordioso comigo, porque sou um grande pecador!”


   Qual dos dois- perguntaram-lhe os discípulos- mereceu uma graça?  Jesus responde:


  “Só o Publicano é merecedor dela, pois só o humilde, o modesto, poderá ser exaltado.”


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    Após tantos séculos em que mantivemos um culto à figura deste mestre, através apenas de um apelo emocional, enfatizando sobremaneira seus sofrimentos na cruz (vendo-o como um Cristo esquálido e mutilado), sem darmos a atenção devida as suas mensagens humanitárias, nossa juventude cristã, volta-se agora finalmente para elas.

    Já hoje, lembram um Cristo não fixado apenas em adversidades, que conclamava seus numerosos seguidores para que em meio à atribulação de suas vidas, percebessem nelas qualquer detalhe positivo para amarem, algo que desse a elas sentido.

    Era mesmo lá, naquela situação de adversidades em que se encontrava a Judéia de seu tempo, que mostrava a seus discípulos como, em meio à vicissitudes, sempre encontrariam o que os iria encantar e entusiasmar. Assim lhes dizia:


  “Olhai os lírios do campo! Nem Salomão em toda sua grandeza, vestiu-se com tanto esplendor!”.


   Sua simplicidade ao conviver com leprosos, prostitutas e toda sorte daqueles conhecidos como “pecadores” e a lição de humildade que dá, no episódio em que lava os pés de seus discípulos, são qualidades que passam agora a ser reconhecidas como grandes valores cristãos.


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    Hoje, mais de dois mil anos após seu trabalho, uma das maiores organizações mundiais, a Igreja Católica, as vezes por bem, as vezes por mal, estruturou-se sobre a sua extraordinária personalidade. Porém, a maioria de seus seguidores ainda sentem dificuldade em concretizar seus ensinamentos.

   É, no entanto, o próprio Cristo Jesus, que ilustra, em uma de suas mais belas Parábolas, as dificuldades que um instrutor, como ele, tinha em ser entendido: A Parábola do Semeador.

   Numa visão espiritualista, o Semeador é o próprio Cristo e a terra são os homens da humanidade, acessíveis ou não à semente de sua mensagem.

  “Um semeador saiu com um cesto a semear. A primeira remessa de sementes cai fora da terra. Não germina.

    A segunda semeadura cai em meio a um solo confuso, cheio já de entulhos, de pedras que a esmagam. Também não germina.

   O terceiro cesto de sementes é jogado sobre uma terra com tão pouca profundidade, com tão pouca base, que ao primeiro dissabor, ao primeiro raio de sol mais forte , a semente que já florescera, morre. 

    Finalmente, o semeador encontra uma terra fértil, acessível, de imensa profundidade. Suas sementes então frutificam e se fazem árvores frondosas que todos em sua sombra podem abrigar-se.”.

terça-feira, 16 de julho de 2013

São Francisco e Jesus


São Francisco, o "Trovador de Deus".
Muitos veem semelhanças entre os dois. Existem , contudo, semelhanças e diferenças.

Diferenças:  Vida e organização

   A vida de ambos são bem diversas .Jesus nasceu numa cidade ocupada e pobre e num meio familiar muito humilde.  São  Francisco nasceu numa cidade próspera ,no meio familiar de um rico comerciante de tecidos que lhe dava todo o luxo possível.

Jesus não criou uma organização, uma Igreja . Ela se estruturou muito tempo após a sua morte. S. Francisco criou a Ordem Franciscana dos Irmãos Menores.

Igualdades: Divergências pós-morte, mulheres, separativismo, semelhança no pregar, intocabilidade.

   Após a morte  de Jesus, seus dois  maiores seguidores entraram em divergência, criando duas linhas cristãs contrárias a se debaterem durante longo tempo e imprimindo assim depois na doutrina uma das linhas com maior força.

   Quando Jesus morreu,  Pedro e Paulo entraram em grande luta, querendo cada um deles imprimir o seu pensar ao Cristianismo. Pedro era um nacionalista ferrenho que só admitia fossem convertidos pelo batismo  à nova ideologia quem se submetesse ao ritual judeu da circuncisão. Paulo, ao contrário, um universalista que introduzia no novo credo, qualquer pessoa , mesmo aquelas que ainda professavam o culto pagão, que quisesse aderir às ideias de Jesus. Fazendo batismos que Pedro naturalmente não aceitava. Felizmente para o Cristianismo, como a pregação de Paulo abrangia assim muito mais gente, sua linha venceu e o Cristianismo não ficou restrito apenas aos seguidores  circuncisa dos,  espalhando-se por todo o mundo ocidental, numa ideia mais universalista, tal como Paulo o desejou

   Após a morte de S. Francisco, também os seus dois grandes seguidores Frei Eloi e Frei Elias

Desejaram também estabelecer linhas diferentes. O primeiro achava que a Ordem Franciscana deveria conservar a humildade, a simplicidade e a aversão ao luxo que era a ideia básica de um santo que renunciou aos seus bens. Já Frei Elias preferia ver a Igreja abolir aquela simplicidade máxima do santo, achando que cercar-se de luxo daria à Igreja muito maior pompa, dignidade e respeito.

   Quanto à mulheres, ambos, Jesus e S. Francisco, foram seguidos por uma discípula que os seguiram até á morte.
Robert Powell no papel de Jesus de \Nazaré,
filme de Franco Zeffirelli de 1977.

   S. Francisco contou com uma jovem de família muito rica de Assis, St. Clara, que aos dezoito anos ,após ouvir uma única prédica dele, ficou tão impressionada pelo amor que se expandia dele ,que renunciou a tudo para dedicar-se a criação de um ramo feminino dentro do Franciscanismo: A Ordem das Irmãs Clarissas , que eram também conhecidas como” As damas pobres”. Em 1976 foi descoberto um cântico chamado “Auditi Poverelli” composto por S. Francisco para Clara e suas irmãs quando ele estava á beira da morte.

   Jesus contou também com a discípula Maria Madalena que esteve com ele em seu momento mais importante: O da descida da cruz junto à Virgem.Também foi ela que encontrou o seu túmulo vazio, com certeza o rodeando com saudades do seu Mestre e correu a avisar os discípulos, que o acreditaram então ressuscitado. No evangelho apócrifo de Maria Madalena, guardado no museu de Egiptologia de Berlim desde o sec. XIX e posto á tona no sec. XX , Maria Madalena surge como uma  discípula que mais entendia o mestre.

Separativismo: Ambos, S. Francisco e Jesus lutavam contra o separativismo  . Pelo tempo de Jesus, as regiões da Judéia e a da Samária (região limite) viviam em brigas. Judeus e samaritanos se odiavam. Narra-se então o episódio  que deixou os discípulos muito surpresos e indignados. Jesus chegou-se a um poço de água onde uma mulher samaritana bebia e Jesus, com sede, pediu-lhe um poço d’água e bebeu de sua caneca. Isso indignou os discípulos pois eles consideravam os samaritanos tão asquerosos que ninguém devia nem dirigir-se a eles e muito menos compartilhar um utensílio com eles. Jesus lhes deixou assim uma lição de amor sem limites com os seus vizinhos.

O Altar e seus Símbolos





O altar nasceu num tempo em que duas tribos de épocas arcaicas lutavam por um território. Um dia, chegando a um acordo, delimitavam a fronteira que separaria seus territórios. Colocavam uma grande pedra que marcaria o limite que a cada um pertencia. Esta pedra é a origem do altar. De tanto em tanto, se encontravam para comemorar o seu acordo. Cada um trazia então ao outro oferendas  de frutas, alimentos  animais e sobre a pedra, agora aplainada como uma mesa, as colocavam.
   O altar irá ganhar um sentido sagrado quando puseram um pedaço de cobre com a intenção de que o sol que era para os antigos o símbolo da Divindade, refletisse seus raios nele, estando assim presente, testemunhando e abençoando a sua união.  A pedra seria depois elevada sobre degraus, pois –segundo os antigos- quanto mais alto estivesse, mais perto da Divindade estaria.
   Assim, o altar é o local mais sagrado do templo. Perante ele, um grupo em harmonia, contata o Divino. Ele é o ponto focal mais energético do templo, concentra as energias devocionais dos fieis.
   Pantena:  Ela é o símbolo daquele pedaço de cobre que refletia para os antigos a presença do sol, da Divindade.
   Taça:  É o receptáculo que recebe e transmite as forças do Cristo. Quando preenchida pelo vinho, este simboliza o Seu sangue, a Sua vitalidade. Quando traz  o pão eucarístico, a hóstia carrega a energia do Seu corpo.
   O uso do sangue e do corpo do Cristo repete dentro do Cristianismo um rito pagão dos povos totêmicos. Os povos tribais costumavam ter os seus totens (que geralmente era um animal) como seu modelo de comportamento e fonte de energia. Em suas atividades sagradas, em seus ritos, matavam um animal que representava o totem  e deixava que seu sangue lhes escorresse pelo corpo, as vezes o bebiam.  Sua carne era distribuída como alimento entre a tribo. Assim, achavam que absorviam a energia do totem ,que, afinal, era o seu modelo de  perfeição, representando tudo o que a tribo necessitava para sua sobrevivência . Hoje, também absorvemos com o simbolismo do pão eucarístico e o vinho tomado pelo sacerdote também a vitalidade do sangue e do corpo do Cristo, nosso grande e sagrado modelo.
   A Cruz: Conforme já escrevi em meu texto intitulado “Símbolos nos Templos Cristãos”   representa o homem espiritual crucificado no limite da matéria. Vindo viver no mundo físico, a dualidade da vida, vindo vivenciar opostos como tristeza e alegria, bondade e maldade, amor e ódio, frio e calor etc. Opostos representados nos dois braços da cruz.

sábado, 25 de maio de 2013

OsTrês Reinos Espirituais


O reino Elemental é dividido em: 1º essência Elemental, 2º essência Elemental, 3º essência Elemental, Elementais naturais e Elementais Artificiais. O reino Angélico divide-se em: Anjos, Devas, e Seres da Natureza.    O reino humano contem todos os três reinos.
A Essência Elemental é aquela que estrutura as formas dos homens da natureza e do universo. Passa por uma evolução onde é 1º, 2º e 3º essência. Essa essência por coesão, por agregação, molda a forma humana que subsiste por algum tempo para depois se dispersar (pela morte).
Reino angéloco.
 A essência, porém é eterna e ao dispersar formas vai formar outros corpos. A 3º essência é a que se encontra em estado mais evoluído. Ela sempre submete a 1º essência à idéia de manter a forma corporal física. Exemplificando: Se ferimos uma perna, esta essência Elemental física tentará cicatrizar o local atingido, seguindo sempre  aquela idéia de conservar a integridade da forma. Na hora da morte enquanto a 3º essência luta para conservar a forma viva, a 2º essência chamada também de Elemental do Desejo tenta manter a forma viva através de emoções de seu corpo astral depois da morte a forma física fenece, mas a forma e a essência astral mais sutil permanecem. Depois da  chamada 2º morte,  a 3º essência  dará ao ser uma forma ainda mais sutil.
    Entre os elementos que estruturam a matéria do nosso habitat terreno e a de nossos corpos contamos com o que chamamos de Elementos Naturais: fogo, água, ar e terra. Segundo a Astrologia, os signos em que alguém nasce, trazem-lhe a predominância de um destes elementos naturais.
Nos signos de Áries, Leão e Sagitário predomina o elemento fogo. Nos de Libra, Aquário e Gêmeos o elemento Ar, Nos de Capricórnio, Touro e Virgem os da terra. Nos de Câncer, Escorpião e Peixes predomina o elemento água.
    Os gregos antigos representavam a força dos elementos naturais em seus deuses. Vulcano comandava o fogo. Era o deus forjador. Com o fogo ele forjou as primeiras ferramentas para a agricultura, também os elmos e os escudos protetores dos guerreiros. Géia era a terra, o poder receptivo feminino que recebe em seu seio os outros elementos. Está sempre a espera de uma semente para desenvolver. Netuno era o deus do elemento água, responsável por umedecer a terra. Comanda os rios, as correntezas que vão encher o mar, os vapores saídos das águas que sobem aos céus e descem em forma de chuvas. Quando é necessário, Netuno finca o seu tridente no fundo do mar e faz vir dilúvios. Aélo era o deus do elemento ar. Tem o papel fecundante de transportar o pólen. Muitas plantas nascem porque Aélo leva-lhes sementes. No mito Aelo encarcerava os ventos, seus súditos, em cavernas. Então, eles uivavam desesperados para se soltarem. Era a explicação mitológica para o rugido dos ventos. Quando Aélo queria castigar os homens, solta os ventos e eles correm enlouquecidos arrasando tudo o que encontra. Foi ele que sugeriu aos homens a criação da vela de embarcações para as antigas navegações que seus súditos os ventos acionavam.
Iemanjá, elemental artificial da água.
    Também a mitologia Afro possui seus orixás que comandam os elementos da natureza. Temos nela Ogum que burila a potência do fogo. É o protetor dos ferreiros. Com o fogo forjou os sete instrumentos com os quais ajuda os homens a vencer as sete forças do mal. Forjou também instrumentos bélicos de defesa. Yemanjá, Nanã e Oxum são os orixás das águas. Yemanjá cuida do mar, das Ondinas. Nanã umedece a terra com a chuva e Oxum é o espírito das águas doces, rios, lagos e cachoeiras. Oxossi é o elemento terra, espírito das matas dos bosques e é ajudado por Xangô a força dos minérios, das pedras. O espírito do ar é Iansã. Ela comanda os ventos, as tempestades. É responsável por mudanças climáticas bruscas. Assimilada pelos homens, esta força é tão forte que gera paixões violentas.
     A flor de lótus que tem sua raiz sob a terra passa parte de seu caule na água, outra dele no ar e desabrocha sua flor ao calor do fogo solar, é o grande símbolo dos quatro elementos.
    A natureza é um grande manancial de energia entre nós. Podemos nos abastecer na natureza por esta energia desprendida pelos elementos. Os elementais do fogo sempre nos fortificarão o espírito, o sangue que é a nossa seiva vital ligada ao espírito. Veja bem que a força do fogo do calor
É tão potente para o nosso sangue que se expusermos demasiadamente a cabeça ao sol chamando o fluxo sanguíneo à ela, como é o caso de alguns homens que cruzam o deserto, nos acontece o delírio, as chamadas “miragens do deserto”. Para as inspirações poéticas sempre usamos o sol através de sua imagem intermediária ,a lua.Ela nos dará a medida certa para as inspirações mas sempre é a força solar que estará por trás nos inspirando. Os elementos do ar fortalece nossa mente, à aprendizagem. Então, as montanhas expostas ao vento, as planícies muito abertas, uma praia ventosa nos favorece a criação porque inalando seu ar puro, favorecemos a meditação que, acalmando a mente, nos leva à criação. Os elementos da água atuam em nossas emoções. Junto à nascentes, rios, córregos, cachoeiras, robustecemos nossos sentimentos de esperança, coragem, paz etc. Os elementos da terra fortificam nosso corpo físico, nossa capacidade de trabalho. Encontraremos tal elemento num contato direto com o solo, em cavernas, grutas, pedras, cristais, bosques etc.
    Como o homem possui uma parte mental criativa ele é também um construtor. Ele idealiza formas. Como ser mais evoluído que é, o homem manipula com sua mente a Essência Elemental criando formas-pensamentos que podem ter duração muito fugazes ou também duradouras, dependendo do quanto o homem mantenha sua força mental sobre elas. Tais formas duradouras, mas que não são eternas,  chamam-se então Elementais Artificiais ,uma vez que se a concentração mental sobre elas pararem, elas se desintegram.Seres elementais seriam então os silfos, as fadas,os deuses  gregos e afros .Seres que vivem enquanto os homens pensarem neles.
Salamandra, elemental do fogo.
    Já a revelação do mundo dos anjos nos expande a consciência para as dimensões super-físicas nos fazem descobrir um existir de mensageiros divinos tão real como o nosso . Mensageiros que vivem entre nós com suas energias sutis e formas diáfanas invisíveis aos nossos olhos. O significado grego e hebraico da palavra anjo é Mensageiro.São eles as forças intermediárias entre criador e criatura, entre universo e habitat humano.São os impulsionadores dos ciclos geológicos, raciais e culturais.
   A realidade do existir dos anjos ainda é pouco percebida por nós.Porque apenas as nossas consciências físicas, emocionais e mentais concretas estão desenvolvidas,nossa consciência mental abstrata, espiritual é ainda muito tênue,pouco profunda.Porém à medida que a nossa espiritualidade vier a crescer,iremos aos abrindo pouco a pouco, como flores que desabrocham,para percebimentos maiores. Então, futuramente, nos igualaremos aqueles sensitivos do Velho e do Novo testamento também ao profeta do Alcorão, que tiveram intercâmbio direto, para eles indubitável com o mundo angélico. Das revelações dos profetas, uma certeza nos ficou: que suas previsões que ultrapassam o raciocínio, mormente em se tratando de homens de eras tão arcaicas, só podem ter justificativas numa consciência intuitiva .Para os estudiosos de suas épocas o céu sobre as suas cabeças era nada mais do que uma abóboda fechada onde pontos luminosos estavam colados. Esta abóboda era o seu limite. Suas previsões foram alem da capacidade racional do seu tempo,. Não podemos por em dúvida de que existia neles uma intuição verdadeira para as previsões feitas, que vieram realmente a acontecer .Porque então não lhes dar crédito quando citam a existência de anjos?
    Intuitivos das tradições de vários povos que os seguiram colocam os anjos atuando em vários setores do desenvolvimento humano. Assim ,teríamos : Anjos raciais, anjos guardiãs. Anjos da cura, da música do cerimonial e da natureza.  Os anjos da natureza são as energias que dirigem os chamados seres da natureza. São ligados aos quatro elementos naturais,fogo, ar água e terra.  Assim teríamos as Salamandras , pequeninas consciências que habitam o elemento fogo, as Sílfides,do ar que o habitam, as Ondinas que pertencem á água e os Gnomos que habitam o elemento terra.
    Tais consciências emitem ondas vibracionais e como o homem possui também dentro de si os quatro elementos naturais ele pode entrar em contato com os seres da natureza. É por este intercâmbio que magos conseguem produzir fenômenos como desviar chuvas, baixar neblinas como é contado que os antigos Druidas faziam; acalmar águas revoltas e até caminhar sobre elas como nos é descrito o domínio que Jesus possuía sobre o elemento água. 

Os discípulos de Jesus


O primeiro mártir do Cristianismo foi Estevão. Após a morte do Cristo, na sinagoga de Jerusalém, num debate com Paulo de Tarso, Estevão afirmou que as revelações de Moisés, e os ensinamentos do Templo judaico não eram definitivos; que elas teriam continuidade nos ensinamentos de Jesus. Numa grande reação dos judeus presentes, suas palavras foram consideradas uma blasfêmia Pelas leis do Sínodo deveria então ser apedrejado. Competia ao doutor em leis Paulo dar a ordem para ser atirada a primeira pedra.
   Após a morte de Jesus seus discípulos fizeram um trabalho de gigantes percorrendo todo o imenso império romano. Sempre retornavam à Jerusalém dando com isso justificativas aos que dizem que Jesus não teria morrido na cruz; que eles viriam ali buscar instruções com o seu mestre que se abrigaria entre os Essênios e teria vivido até os oitenta anos. Eram favorecidos pelas ótimas estradas com que contava no império.
   Dizer-se que os discípulos de Jesus eram pescadores ignorantes e analfabetos não minoriza o seu trabalho porque a localização aonde viviam, não era um interior fechado, mas um passagem comercial que ligava a Síria, Ásia Menor e Fenícia à Judéia no Sul. Assim, eles possuíam aquela esperteza, aquela visão cosmopolita de quem vive em região que recebe muita gente.

São Pedro.
 
   O primeiro discípulo de Jesus foi André que lhe trouxe o seu irmão Pedro. Foi a esses pescadores que Jesus disse: “Farei de vós pescadores de Homens”. Pedro foi logo após a morte do mestre reconhecido como o chefe do grupo Quando a Igreja estabeleceu o seu primeiro patriarcado em Antioquia, na Síria, Pedro ficou encarregado dele, por isto se diz que Pedro foi o primeiro papa da Igreja. Um ano após a morte de Jesus Pedro converteu muita gente na festa de Pentecostes. Se lembrarmos que Pedro era um pescador inculto compreendemos que só um grande entusiasmo à nova mensagem lhe daria tal poder de persuasão.
   Matheus chegou ao grupo mal visto por todos porque era um coletor de impostos para Roma. Mas Jesus foi firme lhes dizendo que não viera conviver só com os justos, mas também com os pecadores. Esta atitude dos discípulos mostra também a grande distância que havia entre a humanidade deles e a divindade de Jesus. Matheus escreveu depois o evangelho que difundiria o Cristianismo.
   João, que segundo o evangelho foi o único que realmente compreendeu o Cristo, desterrado depois para a ilha de Pátmos, ali escreveu o seu evangelho e também o Apocalipse. Era irmão de Tiago Maior. Foi o único que acompanhou Jesus até a cruz. A ele confiou Jesus a sua mãe. Seu evangelho destaca-se dos outros porque enfoca o aspecto espiritual de Jesus, o verbo feito carne. Foi também o único dos apóstolos que não foi sacrificado. Morreu em Éfeso na Ásia Menor.

São João Evangelista.
 
   Judas Tadeu pertencia à seita dos Galileus. Evangelizou varias regiões até à distância da Pérsia ,atual Irã. A seita dos Galileus uniu-se depois ao trabalho dos apóstolos.
   Tomé ficou conhecido pelo homem que precisava ver e tocar para crer.
   Tiago Menor, primo de Jesus, irmão de Judas Tadeu, dirigiu a escola cristã criada em Jerusalém.
   Tiago Maior evangelizou o norte da Espanha até Compostela, local hoje chamado de caminho de Santiago Morreu decapitado por Herodes.
   Bartolomeu foi até as distâncias da Índia.
   Judas Escariote A tradição diz que entregou o Cristo aos soldados romanos por trinta moedas. No entanto, no ano de 1970 numa caverna do Egito foi achado um manuscrito de 31 páginas de papiro do sec. IV. Ficou conhecido como o evangelho de Judas.Foi divulgado pela revista National Geografic e é motivo de acalorados debates dentro e fora da Igreja. Nele é afirmado que o próprio Jesus teria pedido a Judas que o entregasse Tal manuscrito teria sido escrita por uma seita cristã do início do Cristianismo chamada de Cainita, seita gnóstica, considerada herética pela Igreja. faz parte dos  chamados evangelhos apócrifos, não reconhecidos pelo Vaticano .Segundo este evangelho Judas não teria se enforcado como reza a tradição, mas sim fugido para meditar em desertos.
   Simão, o Zelote, era o psíquico do grupo. Convertia pelas curas e milagres que fazia.
   Felipe não era pescador.  Era aquele que introduzia o mestre em pessoas de classe mais elevada mais de Jerusalém. Foi o incansável ajudante de Paulo na Ásia Menor.
   Os discípulos que não conviveram com o Cristo foram Paulo, Marcos Lucas e Barnabé.
   Lucas era médico em Roma.  Impressionou-se, sobretudo pelos milagres feitos por Jesus.
  Marcos era discípulo de Pedro Se ocupou das congregações cristãs em Roma. Fazia reuniões em casas particulares e eram chamados de” discípulos do caminho” trabalhou depois em Alexandria onde formou a igreja copta (hoje uma Igreja Ortodoxa) trabalhou também em Veneza onde hoje se encontra a sua basílica.
Barnabé foi discípulo de Paulo. Grande propagador ,seu braço direito.
Finalmente temos Paulo, considerado por muitos como a maior figura na implantação do Cristianismo. Era natural da cidade de Tarso, na atual Turquia. Doutor em leis grande erudito e professor no Sínodo de Jerusalém. Foi de início uma voz importante do Sínodo contra os Cristãos. 25 anos após a morte de Jesus, se dá o encontro dele e o cristo e se transforma na figura principal para a implantação do cristianismo.  Lendo o livro Paulo de Tarso ficamos apaixonados por sua figura. Evangelizou principalmente a Ásia menor, atual Turquia. Pregou a nova mensagem no maior estádio da época, o areópago de Atenas onde só os grandes eruditos eram aceitos. A primeira grande divergência da Igreja se deu entre Paulo e Pedro. Este era um que judeu ferrenho nacionalista, como é a maioria os judeus, que não compreendia a mensagem universalista do Cristo. Pedro divergia sobre o modo de converter e batizar de Paulo. Achava que só os que eram circuncidados deveriam receber o batismo, então isto restringia a conversão apenas aos judeus ou aos que quisessem se converter ao Judaísmo.

Tiago Maior que deu nome ao Caminho
de Santiago de Compostela.
 
Quando Paulo afirmava que Jesus era um salvador para toda a humanidade e não só de Israel, tocava no orgulho nacional dos Judeus. Paulo teve que ausentar-se da Judéia para iniciar sua pregação. Paulo batizava a qualquer um que quisesse seguir o Cristo. Como Pedro era alguém muito amado na Palestina e pensava como os judeus, muitos deles não aceitavam o trabalho de Paulo. Acusavam-no de querer se igualar aos discípulos, parentes, e amigos que haviam convivido com o Cristo. Contudo, Paulo , um apaixonado pela  mensagem de Jesus, seguia fora da Judéia, convertendo  muita gente com a sua notável erudição. Fundou centenas de comunidades cristãs com sua formação grego-helenística mas muitas destas comunidades não foram reconhecidas pela comunidades de linha judaica . Para muitos judeus Paulo era um homem polido pela gnose e filosofia grega dos mistérios pagãos. Em suas epístolas, Paulo escreveu contra as divergências geradas por este espírito partidário. Barnabé foi contra esta hostilidade às idéias de Paulo e deu-lhe uma irrestrita amizade e cooperação. Em” Isis sem Véu”,helena Blavastky diz que Paulo, em seus ensinamento das epístolas, usava expressões das iniciações pagãs gregas , consideradas heréticas pelos judeus da linha de Pedro.
   Hoje ainda pouco conhecemos a respeito da vida de Jesus e muitos continuam a ser os questionamentos a respeito. Os principais são estes: a data de Seu nascimento; Sobre a traição de Judas. Desde a descoberta dos manuscritos egípcios, ninguém sabe se foi um traidor ou um herói ;Fala-se muito se Jesus seria ou não um homem casado. Alega-se que só os homens casados, pelos hábitos da Palestina, eram chamados de Rabi e ouvidos na sinagoga com o respeito com que Jesus era ouvido; O modo de execução de Jesus alguns alegam que teria sido apedrejamento; Quanto a sua mãe Maria ter sido ou não enterrada em Éfeso.

sábado, 16 de março de 2013

A Escada de Jacó

Interpretação Rosa Cruz
de uma alegoria bíblica
   
Jacó, o neto de Abraão, teria nos deixado uma alegoria que nos fala dos vários passos que damos durante a trajetória da nossa evolução. Ele sonhou que via uma escada que, estando apoiada no chão, era tão alta que tocava o céu. Tal escada teria sete degraus. No alto dela, lá estava Jeová, o deus de Israel, convidando Jacó a subi-la. “Jacó entendeu que aquela escada era a porta para a “terra prometida”, entendendo-se a ” terra prometida” como o clímax da espiritualidade que o homem atingirá.
O Rosa Cruz nos apresentam os degraus da escada como se cada um deles estivesse relacionado com uma montanha que aparece em sete episódios históricos vividos pelo povo judeu. Melhor dizendo, a história judaica, desde o episódio de Noé até a chegada de Jesus, teria requerido dos povos judeus sete grandes esforços evolutivos, que todo homem tem que passar em sua existência.
    Os degraus corresponderiam aos montes Ararat, Moriá, Sinai, Tabor, Gólgota e Oliveiras.
    No primeiro degrau, depois de um dilúvio devastador, Noé, reuniu todos os seus bens e chegou ao monte Ararat, onde encontra refúgio. Dali soltou depois uma pomba que voltou com um ramo de oliveira no bico. Isto lhe revelava: As terras não estavam mais cobertas pelas águas, estavam lhe esperando para fazer um novo plantio. Também nós quando, por erros nossos passamos por problemas devastadores, recebemos de Deus uma nova oportunidade de recomeçarmos levando conosco os bens espirituais que já tenhamos conquistado.

    Depois, Abraão dirigiu-se ao monte Moriá. Neste episódio lhe era requerido por Jeová um sacrifício. Sacrificar num holocausto seu único filho Isaac. Ele o pôs então sobre o altar do sacrifício, mas, por sua grande Fé, Deus o poupou. Este é o degrau da fé em Deus, da certeza de que os nossos sacrifícios serão compensados.
    O terceiro degrau da escada evolutiva refere-se ao episódio de Moisés subindo o monte Sinai. Ali ele receberia o Decálogo, um código de leis. Ninguém se adianta se não tiver disciplina, da obediência.  Geralmente quando, falamos em obediência não sabemos o que é sermos obedientes aos princípios divinos. Como exemplo, poderíamos citar o que fazemos com um animal que tem demasiada energia, tem capacidade para correr em grande espaço. Então, desobedecendo as leis de seu corpo, o pomos numa jaula minúscula onde ficará cerceado de sua verdadeira natureza.
    No quarto degrau encontramos os judeus, após atravessarem o deserto, vindos de uma escravidão no Egito, chegando ao monte Carmelo. Ali encontraram verdadeiros e falsos profetas. Como distinguir os falsos? É o degrau dos conflitos íntimos entre as nossas duas vozes internas Ele são nossos verdadeiros e falsos profetas. É o degrau do discernimento. Como exemplo podemos citar a dificuldade que os estudantes esotéricos encontram em distinguir entre psiquismo  e espiritualidade.
    Só após passar o degrau do discernimento poderemos subir o monte Tabor. Ele é o monte da Transfiguração de Jesus. È o degrau do nascimento espiritual. Neste monte Jesus leva consegue representa a obediência aos princípios divinos, Tiago representa a valentia e João é o amor.
    Depois desta transfiguração, onde transcendeu todas as diferenças religiosas e culturais, o homem terá que subir o monte do Gólgota. É o calvário da sua solidão, da incompreensão por parte de todos que o cercam. Mesmo estando em meio a um grande grupo, se sentirá só. Terá que persistir em seu ideal sem ajuda. È o teste de sua persistência e a renúncia a reconhecimentos. Como exemplo, temos o caso de Jesus seus discípulos Pedro, Tiago e João. Para transportá-lo somos ajudados por 3 forças superiores simbolizadas nas características dos discípulos. Pedro subindo sozinho o Calvário, incompreendido e abandonado.
    Porém, o último degrau refere-se aos momentos de maior paz e felicidade que um homem pode atingir. É o momento da entrega total. É Jesus no Monte das Oliveiras, onde ele se abastecia na unidade com Deus.

O Três Logos e a Santíssima Trindade


    Para um espiritualista o início da Criação foi a Unidade. Um ponto que continha tudo
Uma criação feita em três momentos, em três fases distintas chamadas de “Logos”. Assim nasceu o que chamamos de Trindade.
   O primeiro Logos é o momento criativo. È a matéria virgem que contem tudo.  É a fonte de onde proviemos, a parte mais superior do nosso ser, é a nossa substância primordial. É enfim o nosso espírito. Neste primeiro momento o movimento, as Mônadas, as formas ainda não existiam.  Por isso quando eventualmente numa meditação alcançamos esta parte superior do nosso ser a chamamos de “O Grande Silêncio”. O Cristianismo chama esta nossa substância primordial de “Pai”.
 
Deus limitando-se a si mesmo para criar os três Logos.
 
   No segundo Logos, segundo momento da Criação, são criadas as Unidades de Consciência, a que chamamos “Mônadas” (que somos cada um de nós). Com elas, quando formos nos relacionar com o habitat que seria posteriormente criado para vivermos, poderemos chegar à Sabedoria, conhecer os mistérios divinos , todos os mistérios da Criação.  Aqui, já teremos que começar a distinguir a Consciência de nossa Mônada da nossa mente ( como explicarei mais adiante).
   Sendo a Mônada criada da substância primordial, do Pai, contem naturalmente todos os poderes latentes que a constituíam. Enfim, aqui temos explicada a frase: “Somos feitos à semelhança de Deus Pai criador”. O Cristianismo chama esta parte do nosso ser, o Segundo Logos, de “Filho”. A chamamos também de “Alma”.
   No Terceiro Logos, terceiro momento da Criação, surge então o universo formal, as formas que irão envolver as Mônadas, aquelas unidades de Consciência. Formas que passarão por um processo evolutivo através dos reinos minerais, vegetais e animais até as mônadas chegarem a ser envoltas numa forma humana. A Consciência da Mônada (que chamamos também de “Centelha Divina”) irá penetrar nossos corpos formais humanos, desde o chamado” Ponto Central de Nosso Ser”.
   Estas formas que envolvem as Mônadas, os seus corpos, obedecem também a grande energia da Trindade. Serão: físicos, emocionais e mentais. Vemos aqui então que a mente apenas percebe sensorialmente o habitat em que vive, não ultrapassa este limite. Não tem o percebimento dos mistérios da criação, não atinge à plena sabedoria como o pode fazer a Consciência da Mônada. Numa meditação fazemos então eventualmente o contato com nosso eu superior, através do Segundo Logos, da Consciência da nossa Alma, do Filho, tal como o disse Jesus: “Ninguém vai ao Pai a não ser através de Mim”. Referindo-se a ele mesmo como um representante do Filho, do Segundo Logos. Então, em meditação, jamais atingiremos o Pai através da mente, ao contrário, temos que ali transcender aos nossos três corpos inferiores, dos quais a mente é um deles.
   No momento do Terceiro Logos todo o universo formal manifestado é então criado. Por isso os espiritualistas costumam dizer que apesar dos cientistas dizerem que não acreditam em Deus, na medida em que  se dedicam a estudar o universo manifestado ,estão, sem o saber,estudando a Deus em seu terceiro aspecto: O universo formal.
   Esta grande força criativa da Trindade está também presente em nosso desenvolvimento social e religioso, tal como nos afirmou Hermes Trimegisto na antiguidade: “Assim como é acima assim é abaixo”. Caminhamos sempre sob a tutela desta força trina.
 
Pai, Filho e Espírito Santo; a Força Trina.
 
   A religião indiana busca o Pai. Com suas interiorizações nos trouxeram esta maravilha que é a meditação. No entanto, observamos que amiúde fazemos com ela um erro: A alienação, a desvalorização e o desligamento dos valores do plano físico em que vivemos.
 As religiões cristã, islâmica e judaica dedicam-se a energia do Segundo Logos, do Filho. Representam o relacionamento ético entre as mônadas. Seu erro é o grande rigor que às vezes requerem de seus adeptos, principalmente no que se refere a seus vestuários, participação em festas etc.
   As religiões de cunho egípcio, africanas, atuam com a força do Espírito Santo. O Terceiro Logos, a forma, a matéria, o externo. Então vemos predominar nelas a magia. Trazem-nos amuletos, oferendas, ervas etc. Naturalmente recursos que a natureza coloca a nosso dispor para nos auxiliar. Porém, seu grande perigo é achar que todos os nossos problemas podem ser resolvidos apenas pela magia, sem a preocupação da vigia de comportamento sobre nós mesmo, como nos pede o Segundo Logos.
   Observamos que os ciclos civilizatórios obedecem também à força da Trindade. Já passamos pelo ciclo do Pai (o Patriarcado), pelo ciclo do Filho e agora estamos no ciclo do Espírito Santo. Sendo este a representação da nossa parte formal, do feminino em nós, desta força que tenta exteriorizar tudo, seremos por ela levados a manifestar, a concretizar por fim as doutrinas, os ideais que nos foram deixados pelos representantes das religiões do Segundo logos.
   Não só a nossa civilização segue a força da Trindade, como também nosso sistema solar ilumina e dá a vida ao nosso mundo através das três cores básicas de seu prisma de luz: Azul, amarelo e vermelho.
Quando nós espiritualistas: Eu sou Luz! Minha Mônada é Luz!  Referimos-nos à força da Trindade nos atingindo através do prisma solar.
   A Trindade era um assunto muito estudado no Gnosticismo antigo. Para amenizar a atração que este estudo exercia nas pessoas, ou talvez por não querer interpretações errôneas sobre a figura de Jesus, a Igreja criou o dogma da Santíssima Trindade, que, em sendo dogma, não podia ser estudado sob pena de heresia. Assim tivemos por séculos este assunto posto de lado.
   No século XIX, a Cromoterapia foi rebuscar o que já havia sido estudado tanto na Gnose antiga como em outras escolas iniciáticas. Dedicou-se às propriedades destas três cores básicas, como elas atuam em nosso ser. Assim, desde então nos foi dito que a energia vinda de tais cores atinge nossas capacidades de ter Vontade, de adquirirmos Sabedoria e de termos Amor. Por esta razão é com estas cores, que representam nossas três principais capacidades, que trabalhamos em ritos e meditações espiritualistas.