domingo, 4 de agosto de 2019

A Metamorfose das Espécies nos Três Reinos


  As visões espiritualistas de linhas orientais nos apresentam uma evolução que passa pelos reinos mineral, vegetal e animal antes de atingirem a forma humana. Assim, também pensam linhas como os maçons, os rosacrucianos, os martinistas e outros.
  Tal crença é milenar e podemos encontra-la na Antiguidade de vários povos. Em inúmeros museus, um imaginário de seres que atestam este pensar, enriquecem suas coleções não deixando que o percamos. Também tapeceiros, ceramistas, pintores contribuem para nos expor metamorfoses. Fabulosos seres em transições formais são inúmeros e aqui tentarei apresentar alguns.

Centauro atirando a sua flecha.
O CENTAURO - Metade homem, metade cavalo, é encontrado nos mitos gregos. Conta-nos Homero que tais seres híbridos usavam um discernimento e um raciocínio já humano, mas entravam numa violência agressiva quando estavam embriagados. A bebida afetava-lhes a consciência e sua parte animalesca, seus instintos prevaleciam. O mito grego nos fala num centauro, o Quiron, cuja evolução já estava tão próxima à humana que ele tornou-se o companheiro constante do herói Aquiles, chegando a lhe ser um verdadeiro mestre.
 Tal mito nos diz que ao morrer Quiron, Zeus, o senhor do Olimpo, o transformou, por seus esforços, na linda constelação de Centauro, que inspira o homem para o bem quando este a encara. No zodíaco, o centauro é o signo de sagitário, mantendo sua forma híbrida e carregando uma flecha direcionada ao céu. Segundo os estudos astrológicos, quem nasce sob a sua influência, além da praticidade terrena, possui também uma busca por transcendência, uma ânsia de ascender sempre.

O pássaro/alma "Bo" sobre um morto.
O "BA" EGÍPCIO - Deste pássaro minúsculo com face humana, encontraremos sua figura nas ruínas dos templos egípcios, em pinturas murais e junto às cenas de embalsamentos. Para um egípcio antigo o pássaro BA representava a alma do homem que na hora da morte fazia uma metamorfose neste pássaro, porque, segundo suas crenças, ao morrermos, atingíamos uma libertação. Nos libertaríamos de preconceitos e apegos que nos prendem. Ao término de uma vida atingiríamos enfim, a liberdade de um ser alado.

Tritão assoprando sua concha.
TRITÃO – Um fabuloso híbrido, metade homem, metade peixe. No mito grego era filho de Netuno, o deus do mar. Quando colocamos um caramujo nos ouvidos e ouvimos um ruído, um zumbido contatamos uma marca deixada nele por Tritão. Segundo o mito, Tritão soprava dentro dos caramujos, emitindo um som que alertava os marinheiros de obstáculos, de perigosos rochedos que estivessem próximos a eles. Principalmente isto acontecia no mar Egeu e no Mediterrâneo. Entre as criaturas das fábulas marinhas Tritão é o protetor por excelência.

Sereia atraindo navegantes.
AS SEREIAS - Também as sereias são seres imaginários que povoam os mares. Mulheres peixes da cintura abaixo. Formam uma dualidade de frigidez e fascinação. Sentem desejos de atrair homens para um acasalamento. Porém, não conseguem tal intento, pois não contam com órgãos genitais femininos e são da cintura abaixo frigidas como o são os peixes. Contudo, são imensamente sedutoras. Seu recurso de atração é o canto. Cantam muito sobre os rochedos para atrair homens.
Lembremos que na epopeia homérica da Odisseia, Ulisses precisou amarrar-se ao mastro de seu barco para fugir a atração enganosa do canto das sereias. Estas, ele o sabia bem, não lhe dariam prazeres sensuais e apenas o afundariam no oceano.
  O folclore brasileiro conta também com uma sereia, Iara, que vive nos rios amazônicos. É perversa. Atrai os incautos homens e depois os afoga no rio. Diz o mito que o homem que escuta Iara enlouquece. Seus familiares costumam então afasta-los das cachoeiras, riachos e fontes, pois o homem obcecado por Iara a procura em todos estes lugares.
O único odor capaz de afastar Iara é o do alho. Então, ainda hoje, o homem crédulo da Amazônia que necessita anoitecer na pesca, esfrega alho no corpo para evitar sua sedução.
 O culto Afro nos legou a crença em Iemanjá, porém não existe nela a perversidade de Iara. Também metade mulher, metade peixe, ela, vaidosa, só requer de seus adoradores adereços, colônias cheirosas, espelhos e pentes que são atirados então no mar em seu dia.
No sincretismo com Nossa Senhora das Candeias ela é a bondosa Mãe D’água possuidora de grande instinto materno que protege os pescadores dos perigos do mar. Estes, gratos a reverenciam com a Saudação afro: “Ado Iya”.

A mítica imagem do lobisomen.
O LOBISOMEM - Numa inversão ao processo evolutivo do animal para o homem, temos o mito do lobisomem. Nele, o homem se transforma em lobo. O grego antigo acreditava tanto nesta metamorfose que passou a estudar uma doença mental que intitulou de Licantropia. Esta levava o homem à profunda depressão e isolamento até sua transformação em um lobo.
  No norte e nordeste do nosso país, esta crença é ainda mantida. Nela, é dito que o sétimo filho de um mesmo sexo nascido de um casal, tem a tendência de tornar-se um lobisomem. Ainda mais: diz ela que a lua cheia auxilia este tipo de metamorfose.

Bacanal com a presença de um sátiro.
SÁTIROS - Metade homem, metade bode. Tais híbridos influenciam os comportamentos sexuais animalescos nos seres humanos. Faziam-se presentes nos bacanais gregos e romanos do deus Baco. Provocavam nas mulheres do cortejo de Baco, as bacantes, instintos sensuais muito primitivos. Apareciam esses híbridos também nos Sabats medievais com a conotação de seduzir mulheres. Nos processos contra bruxarias, inúmeras mulheres, acusadas de manterem relações com estes seres caprinos, foram queimadas em fogueiras.

A ORIGEM DO POVO HELENÍSTICO - O melhor exemplo da metamorfose de um ser vindo de um minério para o ser humano, nós encontramos na formação deste povo grego. Conta-se que o único casal que sobreviveu ao dilúvio grego, Decalião e Pirra, sozinhos e desesperados, pediram à deusa Diana que lhes desse uma nova humanidade para ajuda-los. A deusa então lhes disse que pegassem os ossos de sua mãe e tirassem por trás de seus ombros. Porem, a única mãe que agora possuíam era a Mãe Terra. Compreenderam então que seus ossos eram as suas pedras. Passaram a pega-las e as lançavam. Então, a umidade das águas do dilúvio criou sobre elas musgos que logo se tornavam em carne. Também, no céu apareceu o deus solar Apolo, que com os seus raios iluminadores deram aqueles novos seres, em transformação, a consciência iluminada dos homens. Assim foi como Decalião e Pirra viram surgir diante deles a civilização muito sábia dos Helenistas.

domingo, 26 de maio de 2019

O Mundo Divino e o Mundo Humano

A escada da evolução ao mundo Divino.
Muitas vezes, nós que cremos num Deus absoluto, num universo ordenado, provindo de uma inteligência perfeita, ficamos sem argumentos diante de pessoas incrédulas a quem é difícil crer devido aos caos que observam em seu mundo, também por desilusões com pessoas ditas religiosas e ainda pela confusão entre os conceitos de religiões estabelecidas e a verdadeira espiritualidade.
    Primeiramente, para termos argumentos é necessário aceitarmos a hipótese esotérica de dois mundos, isto é, um Deus manifesto nas expressões do mundo material, outro Deus imanifesto, o mundo do nosso Deus interno, mundos que não são, contudo desassociados. Enfim, nossa face divina e nossa face humana. Se os desassociarmos cairemos nos erros que fazia a Igreja na Idade Média e também seitas como o Maniqueísmo e o Catarismo.  Aqui era o mundo da danação, do erro, do pecado e só no após morte encontrava-se o estado paradisíaco, divino.
   Segundo a hipótese ocultista, o mundo espiritual, interpenetra o mundo humano e a isto se dá o nome de Onipresença Divina. Podemos então pensar na imagem de um copo que contivesse água, areia e azeite, nele cada um desses elementos conservando sua identidade, mas se interpenetrando e ocupando o mesmo espaço. Precisamos aceitar também que como personalidades humanas que somos, temos uma consciência elemental (provinda dos elementos que nos estruturam fisicamente) capaz de perceber os fluidos, as ondas vibratórias do nosso mundo material como o calor, a eletricidade, ondas de rádio, etc.
   Todas aquelas percepções que se alteradas ou intensificadas causam o chamado psiquismo ou poderes anímicos. Aceitarmos também que temos uma consciência emocional capaz de perceber ondas vibratórias de tristezas e alegrias. Enfim, aquela consciência capaz de causar todos nossos distúrbios emocionais. Contamos ainda com uma consciência coletora de informações culturais que contatando ainda ondas telepáticas pode ser causadora de distúrbios os mais variados.
   Essas seriam nossas consciências materiais capazes de atuar no mundo humano. Percebemos então, este como um mundo instável sujeito à lei da ação e reação, a lei do Carma que nós próprios com nossas três consciências inferiores provocamos.
   No entanto, temos em nosso íntimo, à nossa disposição a essência de uma origem superior, divina, que absolutamente não está sujeita a lei do Carma. Por esta razão se lê em obras esotéricas como “O Caiballon” que os mestres ascencionados se colocam acima das leis do Carma.
   A Complexidade do mundo humano é imensa. Fazem parte dele, heranças ancestrais e raciais. Nele, sempre estamos envolvidos num todo de humanidade. Muitas experiências materiais e psicológicas que passamos e não achamos a causa, estão às vezes ligadas a situações distantes de nós. Um terremoto em locais longínquos aparentemente não nos toca, mas ondas vibratórias emocionais e mentais que causa poderão nos alcançar.
   Nosso mundo humano é repleto também de dificuldades. Enfrentamos momentos cíclicos em que fazemos face aos acúmulos de germens negativos, miasmas provindos tanto de nossa infância como da adolescência. O analista Jung chamava tal acúmulo de negatividades que carregamos de “A Sombra”.
   Como, porém, temos uma alma divina que cuida de nossa integridade, a volta destes germens se dá em hora certa, para não nos sobrecarregar com os Carmas que já tenhamos acumulado. Grande perigo a esta nossa integridade psíquica, pode acontecer quando precipitadamente vamos burilar chacras inferiores em técnicas esotéricas que pretendem aliviar tais germens, mas não levam em conta o preparo espiritual, a evolução das pessoas.
   A tendência de nos fixarmos em erros e circunstâncias desagradáveis do passado nos prende ao mundo da negatividade. Mestre Jesus nos chama a atenção para a necessidade de percebermos o positivo nos meio do erro, de desenvolvermos uma sensibilidade ao bom e ao belo, quando entre os graves momentos de perseguições e carências do ambiente da antiga Judéia dizia a seus discípulos: “Olhai os lírios do campo, nem Salomão em toda sua grandeza vestiu-se com tanto esplendor”. Naturalmente que o carma que criamos joga-nos por vezes em situações tão dolorosas que se torna difícil perceber a Beleza. Porém, é dentro de situações relativamente tranquilas que devemos formar o hábito de valorizarmos o que a vida nos trouxe de bom.


Lírios, uma visão da Beleza.

   Sempre existirão diferenças entre o homem que tem sua consciência focada no mundo humano e o que tem no mundo espiritual. O primeiro será um homem passional ou mais frágil às tristezas, o segundo será o homem com um percebimento mais amplo, mais total do que está por trás das circunstâncias, mais resistente emocionalmente.
   O campo da consciência divina é o corpo causal. Como seu nome já nos diz, achamos nele a origem, a causa do que nos acontece. Proporciona-nos o aspecto forma do homem pensador, tão bem representado na escultura “O Pensador” de Rodin. Naquela consciência está o arcabouço, o receptáculo de todas as ideias permanentes, abstratas, eternas, que conseguimos elaborar. No encontro com o plano causal, vamos achar também o nosso arquétipo, termo platônico que significa modelo, matriz original. Conhecemos o que nos é requerido como papel a cumprir na vida.
   Ao contrário do que se dá com a consciência material que pode nos levar a abismos, a consciência que confia nas leis divinas nos leva a momentos de revelações. Todos os profetas, gênios científicos e artísticos alcançaram o nível causal, arquetípico.
   O plano divino é também a porta da Providência. Aquela porta a que Jesus se referiu quando disse; “Bate e a porta te será aberta”. È justamente a porta atrás da qual os ventos do Carma não atuam. Não vivemos num mundo criado por uma consciência masoquista que nos obriga a evoluir através do sofrimento. Os sofrimentos são criados por nós. Evoluímos através da busca da sabedoria, só os momentos de encontro com nossas consciências divinas nos fazem crescer. Quando através da oração, batemos na porta da Providência ela nos oferece oportunidades. . Porém, se nosso pedido não levar em conta o respeito humano que devemos a outrem, naturalmente não sendo feito então com uma consciência superior, a porta não será tocada. Todo pedido traz a possibilidade de resposta duradoura ou não duradoura. Quando um de nossos apelos é satisfeito, mas o erro que gerou a nossa situação lastimosa é retomado, com o tempo a situação voltará a ser igual, pois teremos um processo Kármico idêntico.

Krishnamurti, autor do livro "Aos Pés do Mestre".

   No livro “Aos pés do Mestre” de Krisnamurth, são explicitadas lições preciosas de como atingir o mundo divino. Entre elas prioriza: "Vermos a transitoriedade das coisas humanas”. Quando nos angustiamos por determinada situação, melhor seria não nos desgastarmos nela, se ela não está correspondendo à perfeição, pois por si mesma cairá e será modificada com o tempo. O tempo é uma característica do plano humano que não é eterno. Ele se encarrega de dar fim as coisas. Quando olhamos para trás, vemos que nos desgastamos por algo provisório. Vivemos no mundo do deus Cronos, o deus do tempo que dava fim a seus próprios filhos.
  “Livrar-nos da maledicência”. O falar-se negativamente de outrem, cria um hábito que prejudica, desarmoniza o som que alimenta nosso corpo etérico. É o chamado “poder da palavra” Muitas doenças nos vem do hábito da maledicência. Ela é um vício que cria uma marca no corpo etérico, além de reforçar na pessoa que é o objeto da maledicência aquilo que ela tem de pior.
“Jamais nos esquecermos da Onipresença Divina”. Isto é, não podemos estabelecer horas para o divino e horas para o humano, Todas as horas deveriam ser para nós sagradas. Todos os nossos momentos são igualmente importantes porque Deus está presente em todos eles. Não podemos ter uma postura de santidade quando entramos em um templo e a perdermos quando saímos dele. A fé, a devoção, nem deveriam ser em nós algo momentâneo, mas um estado de ser permanente.
“Discernirmos entre o intelecto e a espiritualidade”. Podemos ter uma cultura grande, sermos brilhantes, impressionarmos auditórios e não termos vencido os entraves que nos atrasam. O intelecto por si só jamais nos levará à consciência superior, ao encontro com o nosso orientador espiritual.
   Mestre jesus deixou bem claro que temos duas faces: A humana e a divina e que esta última deverá se apresentar, ser o recurso quando a nossa face humana for agredida, magoada. Quando disse “Se alguém te bater na face esquerda, apresenta-lhe a direita”.

Tensões nos Corpos


Os sete corpos e os chakras
correspondentes.
Com o reino humano, com o homem, o estágio consciente começa. Antes que a consciência surgisse, não havia individualidade, apenas espécies. No estágio da espécie, do animal, da planta, a existência é mecânica, não há escolha. O existir é sempre dependente do clima, do trato que alguém lhes dá, enfim, de qualquer influência externa. Com o homem, aparece o livre arbítrio, o conhecimento do bem e do mal, a escolha consciente para evoluir. Ai então, é que surgem as tensões, os conflitos íntimos, as incertezas. Para a maioria dos psicólogos as tensões originam-se entre os desejos do homem e a carga social sobre ele (família, cultura, etc.) que o impede de concretiza-los. Para o esoterismo, embora não despreze a carga social, afirma que existe outra origem para a tensão. Vê, sobretudo o conflito existente entre os nossos desejos e aquilo que os indianos chamam de “Dharma”, que são as leis dois nossos corpos superiores. A evolução seria então a harmonia feita pelo indivíduo entre os corpos do desejo e aqueles corpos que trazem o Dharma. Assim é a divisão destes corpos: Corpos do desejo, Físico, etérico, emocional e mental. Corpos da Vontade ou superiores: Causal, Búdico e Nirvânico.
   Os corpos do desejo são receptáculos que nos fazem assimilar elementos para abastecer cada corpo inferior. Ao mesmo tempo, os corpos superiores possuem vontades que de certa forma vêm controlar os abusos que cometemos quando desejamos algo. Exemplificando; o corpo físico pode ingerir uma quantia de alimentos e ingerimos duas vezes mais. Então, tensões, desconfortos físicos aparecem causados pelo uso de desejos incorretos contra as leis do Dharma, da vontade correta. A vontade é uma energia imanente que vem do mais íntimo ser. É o nosso Dharma.

A Roda do Dharma.

   Tanto os corpos inferiores como os superiores estão em evolução. Ambos criam tensões em nossa consciência. Os inferiores quando seus desejos não são satisfeitos com correção, os superiores quando eles não conseguem controlar a qualidade dos desejos dos inferiores.
O corpo físico se abastece com alimentos, com posturas, repouso, atividades, prana, etc. Qualquer um destes abastecimentos não sendo satisfeitos podem nos causar tensões.
  O corpo etérico é o grande vitalizador. Vitaliza o físico com algo sutil, não tocável como sons perfumes e cores.
  O corpo emocional se abastece de relacionamentos afetivos e sociais. Sente, tensiona-se quando tais relacionamentos não estão corretos.  Respondendo positiva ou negativamente aos impactos emocionais dependendo do quanto já evoluímos. Impactos emocionais infantis pode nos tornar um infrator.
   Quanto ao corpo mental, ele se abastece de filosofias, doutrinas ou qualquer elemento cultural ou intelectual que o ajude a analisar os seus impactos emocionais.
Os três corpos superiores se abastecem com a sabedoria que possamos obter através do nosso viver, da tranquilidade e felicidade obtida, enfim da concretização do nosso Dharma individual.
  Nossas tensões aparecem com frequência nos nossos sonhos. Eles são como alertas acusando um desconforto, uma tensão num dos corpos. O corpo físico expressa em sonho o desconforto que está passando no momento do sono ou desequilíbrios que estão sendo vividos pelo corpo. Exemplificando: se durante o inverno o nosso pé ficando fora da coberta e esfria, podemos sonhar que estamos caminhando num campo de neve. Se a nossa alimentação não foi correta, se foi posta uma sobrecarga maior em nossa digestão se estamos dormindo com o pescoço muito curvo, se os nervos estão tensos por demasiada atividade diurna, tudo é motivo para que nos sonhos surjam estes desconfortos.
 O sonho do desconforto físico geralmente é o mais lembrado porque segundo o estudo esotérico dos corpos é o sonho mais perto da consciência física. Na medida em que as tensões são pertinentes aos corpos mais elevados, diz o esoterismo, o sonho tensional não é apreendido pela consciência física, não é lembrado.

Posições da Hatha yoga.

   Já o corpo etérico capta, percebe vibrações desconfortáveis no ambiente: Sons, perfumes etc. Percebe, por exemplo, o som de uma torneira pingando, de uma janela batendo. Podemos então forjar sonhos a partir de ruídos e perfumes fortes.
   Os sonhos pelos desconfortos do corpo emocional são frequentes. São causados pela sensibilidade demasiada a toda violência acontecendo em nossa sociedade. Também por remorsos pelos erros que fizemos, por acumulações de mágoas passadas. Tais sonhos geralmente nos levam a passado, sonhamos com pessoas falecidas que se relacionaram conosco.
   As tensões no corpo mental dizem respeito às preocupações futuras, inseguranças financeiras, mudanças repentinas de conceitos aos quais estamos apegados.
Nossos corpos superiores também elaboram sonhos porque assim como os inferiores, delatam nossas tensões, os superiores expressam a vontade divina, o Dharma individual de cada um de nós que não foram ainda concretizados. O corpo causal em seus sonhos retrata belezas futuras , a que nenhuma realidade se compara. O corpo Búdico é o plano intuitivo que nos leva ao nosso papel, ao nosso arquétipo individual. É o plano em que vive a consciência dos profetas. Nos sonhos do plano Nirvânico o sentimento é de paz e de identidade com o Todo, com o Samadhi, o repouso.
   As várias Yogas nos auxiliam a vencer as tensões. A Hatha Yoga ajuda o corpo físico, a Karma Yoga atua no corpo emocional, a Raja Yoga equilibra as tensões mentais, A Jnana Yoga nos leva a elaborar conceitos eternos, pacificando nossas tensões e os corpos búdicos e nirvânicos são auxiliados pela Bhakty Yoga através da devoção e da contemplação.

sexta-feira, 29 de março de 2019

Palavras Esotéricas e seus Significados


CATÁBASE - Rito usado nas “Escolas de Mistérios Iniciatórios” onde o iniciado “descia aos infernos”, isto é: ao seu próprio inferno interior para eliminar as negatividades que ainda existisse no âmago de seu ser.

SEGUNDO NASCIMENTO - Estado em que ficava um iniciado após prolongados testes iniciatórios, atingindo uma ressurreição de consciência.

O FRUTO DO BEM E DO MAL - A maçã. Contem em seu interior um pentagrama. Tê-la em mãos, após iniciações, era receber o símbolo do homem perfeito.


O pentagrama dentro da maçã.

LIBAÇÃO -  Jogar na terra o restante de uma bebida ingerida, querendo dizer ao solo; “eis aqui Mãe terra o que consegui fazer com a riqueza que me destes”. Na Afro Brasileira este rito é chamado de “dar bebida ao santo”.

MÔNADA - A centelha divina, em nós. A primeira unidade de consciência colocada num ser. Fagulha que incorpora formas do reino mineral, vegetal, animal e humano num processo de involução, para depois retornar numa subida evolutiva, atingindo novamente a unidade.

O ANCIÃO DE UMA FACE SÓ - Representação de Deus, segundo antigos rabinos e filósofos caldeus. Teoria pela qual de Deus só vemos uma face apenas.

FILHO UNIGÊNITO - Primeiro átomo nascido num indivíduo, chamado de “átomo crístico” e trás em si o nosso modelo de perfeição. Quando um iniciado era considerado perfeito recebia o título de “Cristos” ou “filho unigênito” isto é: o primeiro nascido. A Igreja chama Jesus de unigênito porque recebeu este título.

ABLUÇÃO - Ato de lavar-se antes de praticar um rito ou entrar num local santo. Podendo ser a lavagem apenas dos pés, ou das mãos, ou do corpo todo.

ORÓBORO - Representa a volta de um ser à sua origem divina, simbolizada numa serpente que morde a sua própria cauda. Simboliza a unidade final entre Deus e o homem.

Oroboro, a serpente que morde a cauda.

CARMA - Efeito de um ação ou de uma soma total de ações passadas.

SAMADHI - O êxtase total de consciência que um místico pode atingir durante uma prática da meditação.

ÁRVORES DE JESSÉ - A genealogia do Cristo a partir de seu ancestral Jessé pai de Davi.

CHACRA - Palavra sânscrita que significa roda. Centros energéticos que vitalizam nossos corpos.

NIRVANA - A bem-aventurança total atingida pela eliminação de todos os erros quando alguém chega ao estado de Buda.

RELIGARE - Origem da palavra “religião”. União com o Sagrado.

ASCENSÃO - Estado atingido por indivíduos muito evoluídos que, tornando-se mestres espirituais, são chamados de Iluminados ou Ascensionados.

GUNAS - As três qualidades da matéria, isto é: energias que estão por trás de todos os nossos atos materiais. Em sânscrito são chamadas de Tamas, Satwa e Rajas.

MONTES SAGRADOS - Locais montanhosos onde se desenrolaram episódios religiosos ou milagrosos. São eles: Ararat, Moriá, Sinai, Carmelo, Tabor, Gólgota e Oliveiras.


Jesus meditando no Monte das Oliveiras.

ECTOPLASMA - Energia vinda do corpo vital (etérico) que propicia fenômenos de materializações.

BODHISATWAS - Seres ascencionados ou Avatares que se dedicam a reforma espiritual dos homens. Muito citados no Budismo Mahayana.

CONSAGRAÇÃO - Transmissão de energias sagradas a objetos, através de ritos, objetos que servirão de defesa e proteção a necessitados, como se fazia na sagração das armas e utensílios dos cavaleiros medievais.

DHARMA - Lei espiritual. Força que nos chama a cumprir as vontades divinas e que entram em confronto com nossos desejos materiais.

CORDÃO DE PRATA - Fia de luz que liga o Eu Real ao Eu inferior a partir do chacra pituitário. É também conhecido como “Fio Aka”.

ALGÓIDES - Aura humana original ainda não trabalhada, também chamada de “Ovo Áurico”. Quando já trabalhada, torna-se o chamado “Momentum”. Reserva colorida de conhecimentos internos que podemos ascensar em  necessidades.

SHAMBALA - Local místico situado ,segundo a mitologia budista, nas redondezas do Tibete, frequentado por homens muito evoluídos que preparam ali um futuro reino universal de muita paz e bem-aventurança.

ÁGUA BENTA  - Água santificada por energias divinas, usadas em várias religiões. A Igreja a usa em ritos batismais e em pias de abluções manuais na entrada de seus templos. No Candomblé, é chamada de “água de Oxalá” com a qual se lavam pedras e fazem ritos purificadores. Na Índia é chamada de Prakti, a raiz da vida.

HIPERBÓREOS - Segundo a mitologia grega ,uma terra paradisíaca situada além dos gelados ventos boreais , onde viviam homens de grande sabedoria.

OLHO QUE TUDO VÊ - A visão superior que ultrapassa tempo e espaço. Símbolo da clarividência também chamado de “Terceira Visão”. Na Índia o chamam de “Olho de Shiva”.

SABÁ - Ritual onde se reuniam feiticeiras na noite de sábado, liderado pela presença diabólica de um bode negro.

Sabá das feiticeiras do pintor espanhol Goya.

SARÇA ARDENTE - A manifestação de Deus em um determinado local em forma de fogo, apenas vista por um iluminado, como foi o caso de Moisés no Monte Sinai.

ZUMBI - Superstição de um fantasma que, segundo a afro brasileira e as crenças haitianas, vaga sem rumo, durante as noites, por locais ermos.

CURUPIRA -. Entidade que tem os pés virados às avessas, e amedronta os homens amazônicos por seus assobios estridentes, mas que é um grande protetor da floresta.

CAMARINHA - Local fechado onde ficam isoladas iniciantes religiosas durante seu aprendizado, seja na Afro Brasileira, seja em outros ritos.

RESSURREIÇÃO - Termo muito contravertido. É visto tanto como um ressurgimento não só do espírito, mas também do corpo, como apenas uma ressurreição de consciência.

HIDROMEL - Mistura de água e mel, tanto para o antigos Celtas como para tribos africanas é visto como a bebida dos deuses. Seu uso leva à participação nos conhecimentos divinos.

Psiquismo, Espiritualidade, Discipulado & Mediunidade


Resumo de uma aula dada 
ao meu grupo em 14 de março...

Quero aqui abordar o acontecido na cidade de Abadiânia. Sem querer julgar o médium João de Deus, pois nada sou para julgá-lo. Não sabemos se  ele foi de início alguém muito honesto e casto e com a fama que obteve depois, decaiu. Porque a fama é um teste muito raro de alguém vencer. O Poder é o raio mais difícil de alguém transpor sem se corromper. Apenas temos de lastimá-lo e desejar que seja perdoado e que evolua muito com os sofrimentos porque passa agora. Quero apenas ver se tiramos do que se passou ali algum ensinamento para nós. Vamos começar pelo Psiquismo.

Ramana Maharshi e seu doce olhar,
um verdadeiro Mestre espiritual.

  Bem sabemos que possuímos sete corpos ou consciências: O físico, o etérico, o emocional e o mental. Que chamamos de “quaternário inferior” e três corpos superiores: Átmico, Búdico e Causal. Se dividirmos estas três consciências superiores na divina Trindade, isto é, em três categorias, as veremos assim:
  O corpo Átmico é o mais espiritual. É a Vontade de criar, o impulso criativo e o representamos na cor azul. O Búdico é a consciência que nos leva à bem aventurança, à tranquilidade e consequentemente à Sabedoria. Representamos esta consciência na cor Amarela.  No Causal, está o nosso modelo individual de perfeição, que buscamos alcançar, o nosso código genético divino e o representamos na cor rosa.
  Já os corpos inferiores físico, emocional e mental são nossos instrumentos, eles trabalham as maneiras, as atividades materiais como arte, ciência, cura, instrução, trabalho social etc, com as quais manifestamos as potências das consciências superiores.
 O etérico é o nosso corpo vital, a energia que vitaliza todas as nossas ações.
 Os corpos inferiores são os responsáveis pelos fenômenos do Psiquismo. O que é o Psiquismo? É a facilidade de obtermos através dos corpos inferiores os fenômenos conhecidos como ”paranormais”. Quando acontecem os fenômenos psíquicos? Quando o corpo vital está vitalizando demasiadamente os corpos inferiores, quando estes estão sendo muito solicitados. Como exemplos, temos o período posterior a um parto, ou à atividades braçais muito pesadas.
  Podemos considerar o paranormal alguém já evoluído, espiritualizado? Absolutamente não. Temos os chamados “magos negros”, que lidam muito bem com o psiquismo, mas são muito pouco evoluídos.  As vezes, algumas pessoas se comprazem em exibir tais poderes psíquicos, causando o deslumbramento naqueles que os cercam, que os confundem então com grandes mestres. Isto leva geralmente estes pretensos mestres à muita vaidade. Por isso Helena Blavatsky diz que “o Psiquismo é o atoleiro da Espiritualidade”.

Levitação, um fenômeno psíquico.

 Os fenômenos psíquicos são inúmeros. Com este poder fazemos coisas assombrosas. Entre elas: Levitações, levantar objetos de um lugar a outro, combustões, materializações, domínio da temperatura corporal. Com os corpos muito vitalizados, podemos perceber ruídos vindos de ondas vibratórias ambientais como rachaduras em madeiras, em cristais etc. Fenômenos vêm também do corpo emocional. Percepções de ondas de tristezas acontecendo à distância. Ainda do corpo mental, por exemplo, temos a Telepatia, acontecendo entre cérebros transmissores e receptores. Já os corpos superiores vitalizados produzem fenômenos espirituais também.
 A Cabala judaica fala muito bem da diferença entre um fenômeno psíquico e um espiritual. Exemplos disso são: a Preconização e a Intuição.  Ambos falam de um acontecimento por vir. Parecem ser iguais, mas não o são. É diferente se preconizar um acontecimento e se intuir um acontecimento.
 A Cabala explica assim: No gráfico da Árvore da Vida cabalística, temos os corpos inferiores representados por: Malkuth, Netzach, Hod e Yesod.  Respectivamente os corpos físico, emocional e mental e Yesod o vital. Yesod é chamado “a caixa de imagens”. Qualquer fenômeno onde vemos imagens é psíquicos, vindos da vitalização de Yesod.
 Assim, na Preconização, vemos a imagem do acontecimento por vir. Já na Intuição, sendo ela um fenômeno espiritual, sem vermos imagem alguma, inconscientemente, agimos como se estivéssemos nos preparando para algo que, sem sabermos, depois acontecerá. Por exemplo: Alguém irá embarcar num avião que cairá. Então, por alguma razão é impedida ou desiste de embarcar. Mas jamais verá antecipadamente a imagem do avião caindo. Outro exemplo: Alguém irá sem saber, viver um sofrimento e, é levada a ler um livro que fala no sofrer, é conduzido a assistir uma palestra cujo tema é o sofrimento. Tudo como se estivesse sendo preparada para ir vivê-lo depois. Isto é Intuição, são as nossas consciências superiores agindo a nosso favor.

Intuição, um fenômeno espiritual.

 Quanto às curas: Aquelas onde o recebedor não está muito imbuído de se melhorar espiritualmente e cuja fé é apenas uma crença cultural sem muita intensidade, geralmente a cura é provisória. Quando a causa que gerou a doença  é novamente feita, a doença retorna. A cura permanente é conseguida através das mudanças em nossas emoções e comportamentos. A cura geralmente requer um objeto de devoção.  Devoção a um santo, a um deus, à alguém ou a um local com grande energia devocional.
  Vejamos o caso de Abadiânia. O local tinha tudo para que curas acontecessem. Contava com alguém que era um objeto de devoção, por sua fama de médium que recebia espíritos de luz. Havia a devoção a um santo. Acreditava-se estar ali o espírito de santo Inácio de Loyola, um santo muito prestigiado na Igreja, escolhido para dar nome à casa de trabalhos mediúnicos. Era também um local onde a força votiva de centenas de pessoas era imensa. Muita gente já sentia isto ao entrar na cidade. Era, além disso, feita uma corrente de pessoas devotas, unidas para auxiliar voluntariamente o trabalho.
 A Fé é a grande energia espiritual da qual Jesus dizia: “Se tiverdes Fé do tamanho de um grão de mostarda, direis a este monte: Move-te! E ele se moverá” (naturalmente que o monte aqui se referia a obstáculos). A Fé verdadeira é uma confiança nas graças divinas.
 Acho que em Abadiânia eram oferecidos dois tipos de fenômenos. O Psíquico (fenômenos de cortes sem sangue e indolores, inclusive também remoções cirúrgicas de tecidos doentes do corpo através de incisões que se curavam imediatamente), práticas vistas as vezes em Yogas indianos, mas que eram dominadas pelo enorme poder psíquico de João de Deus, independentemente dos seu comportamento errôneo.
  Paralelamente a esta acontecia as curas espirituais. Estas conseguidas através da potente Fé de centenas de pessoas ali presentes.

O poder transformador da Fé.

  Bem, agora falemos sobre o relacionamento entre mestre e discípulo, que chamamos de Iniciação ou Discipulado. São votos, e desejos pessoais de conscientemente, dia a dia, nos dedicarmos a obter, a desenvolver a tranquilidade para obter a Sabedoria.
 É possível sempre apelarmos e contatarmos, através de um processo telepático, alguém mais evoluído que nós, mesmo estando à nossa distância. Porém, para tanto, é necessário existir uma afinidade entre nós e quem será o nosso mestre. Podemos com o seu auxílio atuarmos em qualquer campo de atividade escolhido. Seja elas a arte, a ciência, a instrução, a cura, etc. O importante neste relacionamento é termos, nós e o mestre, um objetivo igual quanto a atividade que iremos realizar.
  O propósito daqueles mestres que no esoterismo chamamos de “Mestres da Luz” é sempre a evolução pessoal do seu discípulo. Então, o comportamento externo do discípulo é importante nesta relação, pois  ele é o que vai determinar se é realmente um” Mestre da Luz” que o está orientando.  Um objetivo puro e o  seu comportamento é o que nos manterá ligados ao mestre.
Exemplificando: Digamos que algum de nós queira abrir um grupo espiritualista. Apelará como guia do trabalho algum mestre. Ele será um patrono para o grupo. Enquanto o grupo se mantiver puro, isto é, livre de concorrências com outros grupos, livre de desejos de ganhos financeiros e de vulgarizações do sexo, nosso orientador estará nos facilitando o trabalho. Porém, se o discípulo enveredar por estes atalhos perniciosos, o mestre se afastará. O relacionamento é rompido por falta de igualdade de propósitos.


O Mestre Buda e seus discípulos.

 Poderá acontecer que o trabalho grupal, sem mais o mestre, até tenha continuidade e venha a atingir até grandes proporções, como se constata em alguns gurus que mesmo já desviados do Bem, reúnem centenas de seguidores a seu redor. Estes geralmente continuam presos à lembranças de belas palavras ditas em livros, e palestras enganosas.  Porém, não se trata mais de um Discipulado, pois ali nenhum Mestre da Luz atua mais.
  O Discipulado nem sempre é fácil de levarmos adiante, porque usando de nosso livre arbítrio pode nos desviar do caminho proposto. Porém, é também gratificante, pois vivemos com a certeza de termos dado a mão à alguém que tenta evitar entramos em atalhos perigosos e sem retornos.
 Quanto à Mediunidade, que foi o trabalho de Abadiânia, o médium era, como sempre, o medianeiro entre o guia espiritual e quem buscava melhoria. Só que a Mediunidade é diferente do Discipulado. Neste, o aluno já chega com o desejo apenas de se melhorar, evoluir espiritualmente, então já conta com um bom mestre. Já o médium é mais frágil, pois podem receber as entidades tão boas quantas aquelas maléficas. Não creio que um guia, uma entidade de luz permitisse comportamentos de desrespeitos às pessoas e a exploração da Fé como o acontecido em Abadiânia.
  Para completar esta exposição, quero me referir à minha própria experiência com Abadiânia. Li livros muito elogiosos ao médium João de Deus e pus então muita Fé nele. Tomei então água magnetizada vinda de lá, e me senti com ela bem melhor de saúde.
  Porém, depois que perdi a Fé, principalmente nas entidades que o médium recebia, responsabilizei-as também pelos comportamentos errôneos do médium. Não acreditei mais na presença do espírito de santo Inácio no local.  Acho que seu nome foi usado para dar prestígio à casa mediúnica. Raciocinei assim: que seria impossível exatamente a um antigo sacerdote, que passou uma encarnação inteira fazendo votos de castidade, depois de quinhentos anos passados, não ter evoluído nada, e vir até orientar um aluno para desrespeitar justamente a energia sexual. Deixei então imediatamente de tomar a água vinda de lá, pois sem a minha Fé ela de nada me adiantaria.
  Então, meus queridos, se vocês optarem por seguir um caminho de Discipulado ou por um trabalho mediúnico, meu conselho é que sigam a frase de Jesus “Orai e Vigiai” (não a vigia nos comportamentos alheios, mas os de si mesmos).
  O Afro Brasileira que pode ser tão sábia nos diz que a vigia nos deixa de “corpo fechado” (isto é: imunes à influências maléficas). Contudo, sempre teremos à mão os magníficos conselhos do grande mestre que foi Jesus.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Pequena Cronologia das Religiões no Brasil


     Quando os nossos descobridores aqui chegaram, rotularam os nossos índios de “selvagens sem alma nem deuses”. Erraram. Eles tinham, sim, seus ritos religiosos e deuses. Em sua rica mitologia, contavam com Tupã, deus criador dos céus e da terra, que se manifestava nos trovões. Jacy, a lua, esposa de Guaracy, o sol. Esta sempre zelava pelos casamentos, pondo no coração dos caçadores o desejo de voltarem vivos do enfrentamento com a caça, para retornarem às suas famílias. Mas, nas várias bacias dos rios amazônicos havia também deuses menores.  O poder do mal era temido, na figura de Anhangá, grande inimigo de Tupã.


    Já dali a uns anos por volta de 1550, quando já tínhamos o nosso primeiro governador geral, chegou aqui para a catequização dos índios, a Companhia de Jesus.
 Nela, tivemos figuras ímpares como os jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega.
   Já em 1600, no tempo de Brasil colônia, recebemos uma grande quantidade de judeus os chamados Cristãos Novos, ou Marranos, que aqui encontraram refúgio contra as perseguições sofridas durante a Inquisição na Espanha. Oficialmente renunciavam ao Judaísmo, seu credo de origem, mas bem sabemos que ocultamente o professavam no recôndito de seus lares.
   Os escravos negros que aqui aportaram em 1580 para trabalharem em Pernambuco na cana de açúcar tiveram durante séculos seus cultos perseguidos pela Igreja, o que gerava muitas revoltas e mesmo quando já livres no século XIX, tivemos a grande revolta dos Malés, escravos de formação religiosa islâmica, oriundos da África Ocidental. Embora já então livres, atuando como carpinteiros, artesãos, mas ainda perseguidos, fizeram a maior revolta já acontecida no Estado da Bahia. Porém, a perderam ante as forças do governo baiano.
   A primeira grande manifestação religiosa organizada e permitida aos negros se deu neste mesmo século XIX na Bahia. Foram ali estabelecidos os três mais importantes terreiros do culto do Candomblé: Engenho Velho, Gantois e Opó Afonjá.  Hoje, ainda atuante, o Engenho Velho, o primeiro criado, tornou-se patrimônio histórico do Brasil. Entre eles se sobressaiu a carismática figura de Menininha do Gantois.

Lavagem das escadarias da igreja do Nosso Senhor do Bonfim.

   Conta-se que foram três negras que lhes deram início, caracterizando em todos eles um forte matriarcado, onde só as mulheres tinham acesso à iniciações. Administrados pelas Yalorixás, aos homens competia os toques dos atabaques, a tiragem de búzios (pequenos caramujos que na África serviam de moeda de troca) para adivinhações. Eram chamados de Ogans. Apesar de hoje os Candomblés terem como dirigentes já homens, os Babalorixás, ainda os terreiros contam com os Ogans externos, que auxiliam na sua manutenção financeira. Geralmente artistas como Caetano Veloso, Jorge Amado, Gil, o cineasta Glauber Rocha e outros, dão uma imensa contribuição ao Candomblé baiano.
   Em sua mitologia cultuam o deus supremo Olurum, mas seus deuses mais usados são seus orixás.
   Após aquelas perseguições aos cultos afros, a Igreja resolveu criar as Irmandades de Negros como as de nossa Senhora do Rosário e São Benedito, com a intenção de cristianizá-los. Porém, com algumas restrições raciais, como missas apenas para negros, e igrejas divididas internamente, com uma parte para fieis brancos outra para fieis negros.
O século dezenove foi excelente para a religiosidade brasileira. Tivemos nele o trabalho da Maçonaria, incentivando nossa Independência e, também dando uma eficaz contribuição oculta para a soltura dos rebeldes da Revolução Farroupilha, que se encontravam em presídios do Rio de Janeiro. 

Chico Xavier, o maior médium brasileiro de todos os tempos.

    Chegou depois aqui o Espiritismo Kardecista vindo da França, que grassou principalmente entre intelectuais cariocas. A literatura ganhou importantes obras deste credo, como aquelas de Chico Xavier, um dos médiuns mais queridos e eminentes aparecido entre nós.
   Logo depois surge em Niterói no Estado do Rio, a Umbanda que fará um sincretismo com Cristianismo e Espiritismo. Esta, com um forte teor de Candomblé, é muito difundida entre as populações negras. Porém, diverge dele pois além do culto aos orixás contam também com entidades de Caboclos, tantos os africanos de Luanda como os caboclos brasileiros descendentes de nossos índios.  Divergiram também do Candomblé, pois nascendo numa zona urbana como Niterói, tiveram de abdicar de certos ritos como toques de atabaque, plantios de árvores sagradas, iniciações em lagoas, mais apropriados de serem feitos em zonas rurais como as dos Candomblés baianos.
    Impossível esquecer que o Cristianismo havia já se enriquecido com a vinda dos Franciscanos Capuchinhos que desde o século XVI instruam os nossos índios. Mas no século XIX atuaram principalmente no seminário de Mariana em Minas Gerais e, com a sua música litúrgica, marcaram para sempre o mundo artístico religioso daquela cidade.
   Com a chegada da família real ao Brasil, recebemos membros das Igrejas Protestantes como os Evangélicos, Metodistas, Batistas, Presbiterianos, Adventistas, Luteranos. Hoje, o Protestantismo é o segundo maior grupo religioso do Brasil. Suas crenças são semelhantes ao do Cristianismo Católico Romano, mas se diferenciam quando eliminam de seus templos a adoração à imagens e a devoção à figura de santos.
   No século vinte aqui chegou o Pentecostalismo, também chamado de “Cristianismo Renovado” como a Assembleia de Deus, a Igreja Universal, a Congregação Cristã, o Evangelho Quadrangular etc. etc. Hoje contamos com os Neo- Pentecostais e seus inúmeros ramos e pequenas capelas por todo o país.
   Chegados dos Estados Unidos temos os Testemunhas de Jeová com suas originais pregações de casa em casa, de rua em rua, dedicados a difundir os preceitos bíblicos.
   Aqui estão também os Mórmons com seus grandiosos templos. No século XX reapareceu entre nós o culto islâmico com o trabalho dos Baha’ís iranianos, além dos cultos orientais como o Budismo chegado em 1908 com os imigrantes japoneses responsáveis por plantios nas lavouras de café paulistanas.
   Com a chegada dos orientais, proliferaram entre nós as academias de Yoga e fomos também beneficiados pelo aprendizado de técnicas de meditações.

Yoga prática física e espiritual.

   Muitos movimentos esotéricos como a Teosofia, a Gnose, O Martinismo, o Rosacruz, a Antroposofia, dedicaram-se a expandir a espiritualidade oriental.
   Os Judeus brasileiros livres das perseguições inquisitoriais de quatro séculos atrás, hoje recebem nas sinagogas orientações de seus mestres, os rabinos. Até a arcaica Cabala judaica veio à tona com muitos apreciadores.
   O Cristianismo brasileiro conta hoje com várias Igrejas Ortodoxas, mas a Igreja Católica Romana mantem-se sempre a mais numerosa com santuários muito procurados como o de Juazeiro do Norte que atrai milhares de devotos ao culto do “Padin Ciço” e o gigantesco santuário de Nossa Senhora Aparecida (padroeira do Brasil) em São Paulo.
  O Brasil foi honrado com a visita de três papas: João Paulo II, Bento VI e Papa Francisco. Este visitou o Rio de Janeiro em 2013 para atender a Jornada Mundial da Juventude. Para quem a assistiu, era comovente ver a fé, o silêncio respeitoso com que milhares de jovens vindos de toda a parte do Brasil e dos países de nossa América, o ouviam, posicionados frente a ele nas areias de Copacabana. Papa Francisco com seu inigualável carisma e sua grande perspicácia, abriu para os cristãos católicos uma onda de devoção e principalmente de esperança quanto ao futuro de uma Igreja melhorada, pois pouco a pouco, ele começa libertá-la de seus seculares erros.
   Nós brasileiros nos orgulhamos de sermos um país de religiosidade laica, recebendo em nosso seio uma variedade imensa de cultos, impossíveis de serem todos aqui enumerados. Sinagogas, Igrejas, templos, mesquitas, professam hoje livremente seus credos, sendo aqui proibidas quaisquer formas de intolerância religiosa.