terça-feira, 6 de março de 2012

Resposta a Meu Seguidor Mattews

 Tua dúvida a respeito do tema “Cronos, deus do tempo”

Quando ingressaremos na” fase Zeus” citada no texto?



   R_ Em cada encarnação nossa, o nosso ser, a nossa individualidade monádica, se apresenta sujeita à duas faces: a da Individualidade e a da personalidade. Nesta última, estão somados a nossa parte genética e os hábitos culturais que externamos. À medida que evoluímos a nossa parte de ser, de individualidade (de espiritualidade) vai aparecendo mais forte.

   Como na época atual estamos ainda pouco evoluídos, externamos mais a nossa parte de persona (material), parte que no texto chamo de ” fase Cronos”

   Nada melhor para se entender estas duas faces com as quais nos apresentamos, do que estas palavras do Cristo: ”Quando alguém te bater na face esquerda, apresenta-lhe a direita”. Isto é; mostra que tens uma face espiritual que é invulnerável, intocável.

   Voltando então ao Cronos grego: Na fase de Cronos em que estamos (Isto é, pouco evoluídos) tudo é regido pelo tempo, tudo é impermanente. Nosso corpo se deteriora, nossas criações tornam-se ultrapassadas, a maioria de nossos pensares não resistem ao tempo, porque criamos nossos conceitos com nossa mente inferior,concreta, ilusória.

   Porém, é certo que contamos também com nossa pare de individualidade, com nossa mente abstrata superior e com ela podemos emitir conceitos que são eternos, imutáveis, com ela podemos transcender o deus do tempo Cronos e assim ir entrando na fase de Zeus.

   Quando emitimos um conceito com nossa mente inferior, impermanente (A da personalidade). passado um tempo este conceito poderá nada mais significar, não se enquadrar às gerações que nos seguem. Os seres evoluídos ,no entanto, quando emitem conceitos, porque os fazem com sua mente superior, abstrata eterna, desenvolvida, tais conceitos , sendo imutáveis, transpassam o tempo, são válidos em qualquer época.

Exemplificando: Por que tomamos as palavras do Cristo (ser evoluído) como exemplos, mais de mil anos após a sua morte? Porque elas valem tanto para nós hoje como valiam para as pessoas de sua época.

   Então respondendo a sua pergunta: Quando sairemos da fase Cronos e entraremos na fase Zeus?

   A mudança de uma fase à outra não se dá repentinamente, mas progressivamente. Todos os dias, passo a passo, vigiando nosso próprio comportamento, vamos transpondo a nossa evolução e entrando nela.

   Como?  Usando os valores eternos da mente superior e principalmente _dizem os Budista_ atingindo os sentimentos de Compaixão, (a Grande bandeira do Dalai Lama) Fraternidade e Respeito Humano. Em outras palavras ditas pelo Cristo, será através do “Amai-vos uns aos outros”.
           

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O Simbolismo das mãos

  
Extraído do livro  "A Influência de Crenças e Símbolos"

As mãos curam, abençoam, evocam,louvam, defendem, se comunicam e molestam. Assim as várias crenças as vêem.

   É, sem dúvida, nos estudos sobre “Mudras, nas yogas de origem indiana e nas práticas do Budismo, principalmente o Mahayana (grande veículo), que encontramos, a maior diversidade simbólica dos gestos. Tal palavra, em sânscrito, significa “sinal”.  Segundo tais linhas, as mãos manifestam o estado de consciência em que estão os seus praticantes, e o objetivo a que se propõem no momento.Acreditam que as posições  de suas mãos retêm energias dentro do ser humano, produzindo nele transformações não só em seu físico mas também em seu emocional e mental. Os Mudras -assim crêem- podem captar energias da natureza. Então, caso um seu praticante faça um gesto representando um nascer do sol, estará atraindo para si a energia solar, podendo depois transmiti-la com outro Mudra.Os mudras  podem também representar a movimentação dos peixes, dos insetos, e trazerem assim a energia desta movimentação.

Mudra da paz.

   As Hatha Yogas usam também os Mudras aliando-se com as Asanas (posturas corporais) e a respiração, despertando, assim os seus adeptos para as forças cósmicas. Os Mudras aparecem com freqüência nas danças indianas, em sua arte, e nas esculturas e imagens de seus deuses. È bastante comum então se ver as estátuas de Buda ou de seus Bodisatwas emitindo diversificados sinais sobre a humanidade.

   O Cristianismo, ao representar Jesus, e algumas vezes apóstolos como Paulo e Lucas, os põe emitindo energias divinas, os Mudras de bênçãos.

As interpretações esotéricas dos gestos que aparecem em imagens cristãs, onde geralmente os dedos mínimo e anular estão abaixados para a palma da mão, nos dizem que são pelos outros dedos, o polegar, o indicador e o médio, que fluem as potências mais superiores do homem, sendo então, estes os escolhidos para o uso das bênçãos. Os sacerdotes cristãos estão investidos pela Igreja do poder de as transmitirem embora algumas linhas espiritualistas ampliem estas transmissões. Baseadas num princípio possível da troca energética entre todos os seres acham que uma pessoa que evoca forças divinas, poderá igualmente abençoar outrem e até curá-lo, difundindo tais forças pelo simples poder de suas próprias mãos.


A importância dos dedos, não só nos Mudras indianos, mas também em quaisquer crenças de outras procedências, é imensa. No Islã, um de seus símbolos mais sagrados é a “Mão de Fátima” (filha do Profeta). É um talismã onde a sua palma aberta propõe um gesto de defesa contra perigos. Os cinco dedos representam os cinco pilares da devoção islâmica; Peregrinação, profissão de fé, esmola, prece e jejum.

   Vindo da idéia de que a figueira é uma árvore de poderes mágicos, o simbolismo do “gesto da figa” onde com a mão fechada o dedo polegar é colocado entre o índex e o médio aparece como o amuleto contra mal olhado nas regiões que receberam influência africana, como o nordeste brasileiro. Tendo sua procedência nos negros escravos aqui vindos da Guiné, é também conhecido entre nós como a “Figa de Guiné”. Os objetos que a representam, principalmente em nosso estado da Bahia, são inúmeros e valem, segundo a crença, por um esconjuro.

A linha mística do Budismo Mahayana trabalha com as cores do prisma solar. Faz de cinco raios dele uma correspondência com os cinco dedos da mão. Chamam a isto a “Mão do Maha Chohan” porque crêem que exista um grande ser que administra espiritualmente o mundo, os setores ativos de amor, arte, ciência , união e liberdade, a que correspondem as características daqueles cinco raios estudados, dando assim, à mão e seus dedos , um simbolismo de atividade espiritual.


   Do séc, XIV ao sec. XVIII alguns países da Europa, particularmente a França e a Inglaterra, foram tomados pela crença de que o rei tinha o poder de curar pelas mãos. Isto advinha da idéia, estranha a nossa modernidade, do caráter sagrado atribuído às monarquias de outrora, ao poder régio, o qual –segundo acreditavam- era investido por virtudes divinas. O contato com mãos reais curavam, em especial as Escrófulas (uma doença de pele, causada pela inflamação dos gânglios linfáticos) que em certas regiões francesas e inglesas em razão da pouca higiene eram endêmicas. No livro do professor Marc Bloc, é narrada com detalhes a crença nestes poderes miraculosos das mãos reais.

    No simbolismo das mãos, os significados da direita e da esquerda são divergentes.

A Cabala judaica em sua diferença bíblica de um deus da justiça, e um da misericórdia os faz representar respectivamente pela mão direita e esquerda.

Dando um caráter benéfico à mão direita, e maléfico á esquerda, as feiticeiras africanas usam sua mão direita para manipular ervas amuletos e apetrechos usados em rituais sagrados, mas usam a esquerda para prepararem venenos e fetiches maléficos.

   Já no Corão Islâmico é citado: “Aquele que recebe o Livro (O livro da vida do pós morte , onde estão as ações humanas ) com sua mão esquerda dirá : serão reveladas desgraças para mim! Aquela que receber seu livro com a mão direita será julgado com mansuetude.”  Vamos também encontrar no latim a palavra sinistra referindo-se á mão esquerda.


Os espiritualistas afirmam: A mão esquerda recebe (as bênçãos do céu) e a direita dá. A primeira é passiva e a segunda ativa, e é assim que as usam em seus ritos de bênçãos.

Há quem creia que as linhas da mão formam um gráfico que revela nosso destino. São os quiromantes. A Quiromancia, tal como a Astrologia, acredita que as forças planetárias atuam no indivíduo. Porem, a Quiromancia afirma ainda que tais forças estão marcadas nas palmas das mãos e por elas podemos estudar talentos , tendências e futuro.O povo cigano sempre se dedicou a esta crença.

Seguindo o mesmo raciocínio da influência planetária vibrando nas mãos, o Afro Brasileira, em sua linha umbandista, usa como recurso de intercâmbio entre médiuns e seus orixás e caboclos, um estalar de dedos que produz um som semelhante ao bater de um castanhola. Cada um dos orixás trazem a força de um dos planetas do nosso sistema, e os caboclos se inserem também nas sete linhas dos orixás. Entre os planetas, crêem que é Venus aquele cuja influência é mais forte. Ao concordarem então com a Quiromancia , quando esta diz que na elevação que temos  junto ao pulso, é onde se encontrará a influência de Venus , chamando-a até de” Monte de Venus “. O médium recebedor do orixá ou do caboclo estala o dedo tocando fortemente este monte excitando-o provocando reações vibratórias que fortificam a sua relação com o orixá ou o caboclo que está recebendo.

Em sua conotação de comunicadoras , as mãos encontram o seu intercâmbio simbólico mais importante na linguagem usada pelos surdos –mudos. Numa linguagem gestual, estes encontram a oportunidade de prescindirem da comunicação verbal por meio de sinais que substituem com perfeição os sinais fonéticos.

Sejas tu um Yoga a levantar as mãos numa saudação ao sol, sejas tu um sacerdote a abençoar, estejas unindo-as em formato de lótus para orar, ou movimentando-as graciosamente numa dança ritual ,  se perante teu hino pátrio ,as tiver sobre o peito em fervor nacional, se as estenderes a alguém em sinal de amizade, sempre tuas mãos estarão usando um simbolismo revelador do teu estado psicológico ou espiritual.     

  Do sec. XIV ao sec. XVIII alguns países europeus, particularmente a França e a Inglaterra, foram tomadas pela crença de que os reis tinham o poder de curar pelas mãos. Isto advinha da idéia estranha à nossa modernidade

   Do caráter sagrado atribuído às monarquias de outrora, ao poder régio, o qual –segundo acreditavam- era investido por virtudes divinas.

 O contato de mãos reais curava em especial as Escrófulas (uma doença de pele causada pela inflamação dos gânglios linfáticos), que em certas regiões francesas e inglesas medievais, em razão da pouca higiene, eram endêmicas. No livro “Os reis Taumaturgos” do professor francês Marc Bloch são narrados em detalhes, a c

Crença nestes poderes miraculosos das mãos reais.

No simbolismo das mãos, os significados da direita e da esquerda são divergentes.

A Cabala judaica em sua diferença bíblica de um deus da justiça e um deus misericordioso os faz representar respectivamente pela mão direita e esquerda.

Dando, um caráter benéfico á mão direita e maléfica à esquerda as feiticeiras africanas usam a sua mão direta para manipular ervas, amuletos e apetrechos usados nos rituais sagrados, mas usam a esquerda para preparar venenos e fetiches maléficos.

Já mo Corão islâmico é citado: “Aquele que recebe o Livro (o Livro da Vida do pós morte , onde estão as ações humanas feitas no mundo) com sua mão esquerda dirá: serão reveladas desgraças para mim Aquele que recebe seu livro com a mão direita ,será julgado com mansuetude.  Vamos também encontrar no latim a palavra sinistra, referindo-se á mão esquerda.






Os espiritualista afirmam: “A mão esquerda recebe (as bençãos do céu) e a direita dá”.A primeira é passiva e a segunda é ativa, e é assim que as usam em seus rituais de bençãos.
A quem creia que as linhas da mão forma um gráfico que revela nosso destino. São eles os quiromantes. A Quiromancia, tal como a astrologia, acredita que as forças planetárias atuam no indivíduo, mas vão além, afirmando que tais forças estão marcadas nas palmas de suas mãos, e por elas podemos estudar seus talentos ,tendências e futuro.
Seguindo o mesmo raciocínio da influência planetária vibrando nas mãos, a afro-brasileira, em sua linha umbandista, usa como curso de intercâmbio entre seus médiuns e seus orixás e caboclos, um estalar de dedos que produz um som semelhante ao bater de castanholas. Cada um de seus orixás trazem a força de um dos sete planetas do nosso sistema, e os caboclos se inserem também na sete linhas dos orixás. Entre os planetas, é Vênus aquela cuja influência é mais forte assim creem. Ao concordarem então com a Quiromancia, quando esta diz que na elevação que temos junto ao pulso é onde se encontrará a influência de     Vênus,chamando-a até de “monte de Vênus”, o médium recebedor do orixá estala o dedo, tocando fortemente este monte, excitando provocando reações vibratórias que fortificam a sua relação como orixá ou caboclo que está recebendo.
Em sua conotação de comunicadoras as mãos encontram seu intercâmbio simbólico mais importante na linguagem usada pelos surdos-mudos. Numa linguagem gestual, esses encontram a oportunidade de prescindirem da comunicação verbal, por meio de sinais que substituem com perfeição os sinais fonéticos.
   Sejas tu um yogue a levantar as mãos numa ‘saudação ao sol”, sejas um sacerdote a abençoar, estejas unido-as em formato de lótus para orar, ou movimentando-as graciosamente numa dança ritual, se perante teu hino pátrio as tiver sobre o peito em fervor nacional, se as estender a alguém em sinal de amizade, sempre tuas mãos estarão um simbolismo revelador do teu estado psicológico ou espiritual
Os espiritualista afirmam: “A mão esquerda recebe (as bençãos do céu) e a direita dá”.A  primeira é passiva e a segunda é ativa, e é assim que as usam em seus rituais de bençãos.

A quem creia que as linhas da mão forma um gráfico que revela nosso destino. São eles os quiromantes. A Quiromancia, tal como a astrologia, acredita que as forças planetárias atuam no indivíduo, mas vão além, afirmando que tais forças estão marcadas nas palmas de suas mãos, e por elas podemos estudar seus talentos ,tendências e futuro.
Seguindo o mesmo raciocínio da influência planetária vibrando nas mãos, a afro-brasileira, em sua linha umbandista, usa como curso de intercâmbio entre seus médiuns e seus orixás e caboclos, um estalar de dedos que produz um som semelhante ao bater de castanholas. Cada um de seus orixás trazem a força de um dos sete planetas do nosso sistema, e os caboclos se inserem também na sete linhas dos orixás. Entre os planetas, é Vênus aquela cuja influência é mais forte assim creem. Ao concordarem então com a Quiromancia, quando esta diz que na elevação que temos junto ao pulso é onde se encontrará a influência de     Vênus,chamando-a até de “monte de Vênus”, o médium recebedor do orixá estala o dedo, tocando fortemente este monte, excitando provocando reações vibratórias que fortificam a sua relação como orixá ou caboclo que está recebendo.
Em sua conotação de comunicadoras as mãos encontram seu intercâmbio simbólico mais importante na linguagem usada pelos surdos-mudos. Numa linguagem gestual, esses encontram a oportunidade de prescindirem da comunicação verbal, por meio de sinais que substituem com perfeição os sinais fonéticos.
   Sejas tu um yogue a levantar as mãos numa ‘saudação ao sol”, sejas um sacerdote a abençoar, estejas unido-as em formato de lótus para orar, ou movimentando-as graciosamente numa dança ritual, se perante teu hino pátrio as tiver sobre o peito em fervor nacional, se as estender a alguém em sinal de amizade, sempre tuas mãos estarão um simbolismo revelador do teu estado psicológico ou espiritual. 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A Alma Gêmea de Júlia

Para minha amada neta Júlia                   



   Júlia nunca poderia adivinhar que a demora na chegada do ônibus que esperava, a levasse finalmente ao encontro daquilo que mais queria: encontrar a sua” alma gêmea”.

   Ela acreditava piamente nisto: que neste mundo onde todas as coisas pareciam duais, tinham suas polaridades de negativo e positivo, esquerdo e direito, também o feminino e o masculino deveriam ter uma correspondência harmoniosa, que pudesse formar um par perfeito. Trazia em si a certeza que em algum lugar deste planeta o seu complemento masculino deveria andar às soltas esperando apenas o momento exato de se unir a ela.

   O caso, porém era que tivera já experiências amorosas e todas haviam redundado em decepcionantes fracassos. É bem verdade que encontrar “alma gêmea” pra Júlia não era fácil.

 Ela era alguém muito sensível. Sua sensibilidade tocava às raias do incomum. Possuía uma imaginação que se poderia considerar de transcendente.

   Naquele seu cotidiano onde suas amizades masculinas pareciam viver porque viam os outros viverem, onde ninguém demonstrava estar preocupado com indagações existenciais como ela se fazia,encontrar um homem-complemento que se lhe ajustasse, vamos convir que era procurar agulha em palheiro.
 Isto tudo preenchia o pensar de Júlia durante a espera do ônibus e este demorava... demorava... Entre a quantidade de linhas que faziam parada ali, quase todas já haviam passado. A 15 que levava ao mercado, a 21 que ia ao campus universitário, a 33 margeando a orla marítima e tantas outras. Somente a sua não apontava.

   Neste momento, um vento forte fez mover um papel no chão, próximo a seus pés e Júlia baixou os olhos atraída pelo ruído que fizera. Era um papel tipo ofício, dobrado, novo como se alguém o tivesse perdido há poucos instantes.

   Embora a imaginação de Júlia a fizesse também acreditar que o acaso não existe; que pequenos detalhes aparentemente sem importância nos encaminham às circunstâncias maiores que vivemos, ali, porém ela não percebeu: aquele papel era justamente o que faltava para desencadear tudo o que lhe estava por vir.

   Sua curiosidade a fez apanhá-lo e abri-lo. E, porque o ônibus custou a chegar, ela teve tempo suficiente para ,ali mesmo, ler o longo texto que continha: uma monografia datilografada, não assinada e que levava este título singular:  Quem sou eu?

   De início, seguindo a leitura apenas para passar o tempo, Júlia acabou por absorver-se profundamente nela, embevecida no relato tão sincero que o autor fazia sobre si mesmo. Ali era desnudada uma personalidade masculina tão ou mais sensível que a dela própria. As minúcias emocionais deste homem ignorado eram contadas com cativante simplicidade, de molde mesmo a impressioná-la.

Veio o ônibus e ela pegou-o com o escrito entre as mãos para dali em diante fazer dele o motivo de seus pensamentos, nos próximo dias e noites.

   Em muitas delas, Júlia o poria ao lado da cabeceira de sua cama para reler seus trechos e se indagar: Quem seria este homem que se descrevia como o retrato fiel daquela “alma gêmea” que ela sonhava para si?

 Um dia afinal, após haver dissecado nas suas entrelinhas todas as nuances daquela personalidade invulgar, chegou a evidente conclusão que se apaixonara por seu autor. Contou até as suas preocupações a sua melhor amiga. E o que ela lhe disse?  Que talvez ele fosse alguém careca, vesgo , barrigudo e muito velho para ela. Mas Júlia teimava em idealizá-lo como uma imagem de beleza masculina. Só tinha um desejo agora: Achá-lo.

Por tal desejo, começou a sofrer uma serie de pesadelos. Sonhou uma noite que voltava a parada de ônibus. Ali, com o papel à mão, abordava cada passageiro que subia , indagando quem o perdera , mas só via rostos que balançavam em negativas.

   Em outro sonho embarcara no coletivo que levava ao mercado. Lá, as bancas não vendiam frutas ou verduras, eram cheias de monografias e estavam todas assinadas.  Quando viu a primeira assinatura vibrara. Finalmente, descobrira-lhe seu nome, mas logo a decepção: cada uma trazia um nome diferente. Qual seria  entre eles o do  seu amado? Acordou gemendo, suada, agitada.

   Porém, numa coisa acreditava: seus sonhos a alertavam para uma conclusão óbvia: Sua “alma gêmea” era alguém que tomara o ônibus naquela parada. Resolveu confiar nos sonhos. E esperava ansiosamente pelas noites e depois seguia certo rito. Lia um trecho da monografia e a punha sob o travesseiro e aguardava o sono vir apenas para sonhar. Nem sempre isto funcionava, mas Júlia, tão fantasiosa, teimava. Teve um novo sonho quando leu pela décima vez aquele autor desconhecido descrever o que pensava sobre o amor.

   - Vejo o amor- dizia ele- como uma plenitude que deverá somar atração física e um dialogar que acuse uma afinidade muito ajustada de pensamentos e emoções. Sem esta plenitude, o amor entre um homem e uma mulher estará castrado, não alcançará suas possibilidades totais e trará mais frustrações e sofrimentos do que júbilos a ambos.
O Beijo de Klimt

   Nunca Júlia se sentiu tão identificada à sua “alma gêmea” e isto a levou a um sonho assim: Estava novamente na parada do ônibus e quando fez sinal para que o motorista que conduzia à orla marítima a levasse, este a advertiu: Este não o levará a quem queres! Deverás ir ao Campus!  Nunca um despertar lhe trouxera tanta alegria. Possuía agora a chave do seu dilema. Conseguira achar o espaço onde encontraria o seu homem.

   Sem por limites à sua fantasia, concluiu que o motorista do seu sonho deveria ser uma daquelas entidades que ela supunha viver em algum plano transcendente e cuja finalidade única de existir era auxiliá-la em suas metas.

   Por acaso ocorreu-lhe alguma vez o mais simples: por um anúncio em jornal comunicando haver achado a monografia?  Não. Não lhe ocorreu.  Isso, aliás, não combinaria nem um pouco com o seu modo de ser. Preferia mesmo continuar conduzida por seus sonhos. Atraiam-lhe coisas que ultrapassassem as fronteiras da razão. O desvendar daquele mistério, através dos esforços de seu subconsciente lhe parecia muito mais excitante. E, foi compensada.Veio por fim a noite que sonhou ter chegado ao Campus.  Ali, lembrou-se que o seu amado escrevia com muita fluência e que por seu estilo deveria pertencer aos estudos humanísticos. Como aluno ou professor seria naquele setor que o encontraria e assim restringiu em muito a área de sua busca. Finalmente, ainda em sonho, foi até a Faculdade de Letras e viu afixado na porta um enorme cartaz que dizia: Concurso de monografia. Tema: Quem sou eu? Seguia-se uma lista de professores inscritos e ao lado do nome, Gabriel Alencastro, um lembrete a lápis vermelho: Impedido de participar.

  Só nesta ocasião, absolutamente convicta de que Gabriel Alencastro era o seu homem, que Júlia conseguiu passar do terreno quimérico dos sonhos para o da realidade. Resolveu procurá-lo. Na verdade, partia ali da estaca zero. Contava apenas com um papel sem assinatura em mãos,  porque o resto, todas as indicações que possuía, vinham apenas de sonhos. Porém, lembremos,  Júlia era alguém para quem a fantasia era algo muito consistente, portanto nem chegou a questionar a validade daquilo tudo.

   E Gabriel Alencastro? Afinal existia? Sim. Era ele mesmo. Sem ter uma cópia do escrito que fizera, tomara o ônibus do Campus exatamente minutos antes de esgotar-se o horário do concurso. Ao querer apresentar-se, constatou que perdera a monografia e está visto também a chance. E, que tal era ele? Velho, estrábica, barrigudo?  Nada disso.  Correspondia com perfeição ao que Júlia ideara pra ele: Jovem e charmoso. Amou Júlia e ela amou-o. Afinal, vamos permitir que no mundo de Júlia o romantismo tenha lugar; que as suas imaginosas fantasias consigam uma solução inusitada para coisas que parecem impossíveis de serem concretizadas. Que ela encontre enfim aquilo no que acredita: Possuir uma “alma gêmea".



                                                                Da vó

                                                     Porto Alegre, janeiro de 2012.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O mito de Cronos deus do tempo

   Existem 3 momentos de nossa evolução – segundo a mitologia grega. Somos primeiramente filhos de Urano e Geia, que geraram filhos primitivos com fortes instintos selvagens. Já teríamos sido gigantes de um olho só, sátiros, centauros, faunos, enfim seres animalescos, sem consciência. O mundo em que vivíamos era inóspito, feio, sem cores, sem flores.

    Depois, Cronos, um destes filhos, revoltou-se por ver seu pai Urano fecundar incessantemente sua mãe fazendo nascer aqueles filhos horríveis, violentos.  Castrou-o então cortando com uma foice os seus testículos e o destronou.
    Abre-se então o segundo período evolutivo, este que agora estamos vivendo, em que somos filhos de Cronos, o deus do tempo. Do seu nome nos vem à palavra cronologia, marcação do tempo. Cronos que substituiu o pai organizou o mundo impondo nele o tempo que dá fim às coisas. O que isto passou a significar para nós? Que tudo, todas as coisas, teriam um momento para começar e outro para terminar. As fases más terminariam e também as boas terminariam. Teríamos então uma lei de ciclos, como etapas em que se divide o tempo. Necessitaremos então observar quando um ciclo já se fechou para não ficarmos presos a ciclos passados Poderá nos acontecer que um ciclo cármico como de um relacionamento afetivo, profissional etc já tenha terminado e nós, erradamente, ainda estarmos presos a ele. Estaríamos então remando contra as ondas do tempo instituído por Cronos. Observamos muito isso em relação aos ciclos familiares. Para muitos pais há o momento em que os filhos enchem a casa com risos infantis, mais tarde com suas festas de adolescentes.  Eles se sentem úteis, imprescindíveis. Depois entram em outro ciclo. Os filhos tomando seus próprios rumos. Muitos pais não conseguem se adaptar a esta nova etapa que lhe é apresentada. Sofrem, não admitindo que o tempo tenha passado e introduzido outro ciclo diferente.
    Muitas vezes deixam assim de perceber muita beleza e felicidade que o novo ciclo lhes poderia trazer.
    O mundo, neste segundo período em que estamos fazendo nossa evolução, é lindo, cheio de flores e cores. O mito explica que  o último sêmen do antigo deus Urano  que foi castrado por Cronos , caiu no mar e dele nasceu Venus a deusa da beleza. Então Venus se revolta ,o mar se agita, causa maremotos quando o homem desrespeita a natureza com bombas guerras, tornando o solo árido e devastado.

A figura de Cronos é esta: O pai que engole seus filhos.  O mito profetiza, porém para nós um terceiro período em nossa escalada para evoluir, quando Cronos será também destronado por um de seus filhos de nome Zeus.  Zeus representa a espiritualidade, a nossa luz interna, a força divina dentro de nós, que um dia viveremos plenamente.
    Como Zeus esse filho de Cronos conseguiu salvar-se de não ser engolido pelo pai? Diz o mito que foi pela força da compaixão de Réa, esposa de Cronos. Réa vê com compaixão os corpos de seus filhos irem se desgastando por doenças, os vê morrerem e as coisas que começaram ficarem inacabadas. Então, quando nasceu Zeus, ela enrolou uma pedra num chalé bem grosso e entregou a Zeus simulando que fosse um bebê. Ele, iludido, pensando que fosse um de seus filhos, engoliu rapidamente aquela pedra. Enquanto isto Réa escondeu Zeus numa caverna. Para um esotérico a caverna simboliza o nosso coração onde se esconde Zeus, a luz da nossa espiritualidade. Só ficaremos estão livres do desgaste corporal e do ciclo do tempo que causa a morte, quando atingirmos esta luz espiritual O mito ainda nos diz que o caminho de escapar ao ciclo do tempo e a Cronos que engole seus filhos,será apenas através da compaixão.   

Ter Fé

Alguém perguntou-me : O que é ter fé?       

Aqui respondo:

Ter fé é saber que no mais íntimo de teu ser és puro e dotado, quando  te acreditarem impuro e incapaz.
Ter fé é contar com um bem espiritual reserva que te equilibrará nas horas em que outros bens te escaparem.
Ter fé é crer num universo conduzido por leis perfeitas, que atuam por trás dos bastidores do mundo, quando em seu palco tudo te parecer confuso e desarmônico.
Ter fé é transcender a raciocínios que te evidenciam fracassos, sentir dentro de ti uma força que não deixa esmorecer tua esperança.
Ter fé é contagiar outros com a emanação do teu entusiasmo.
Ter fé é confiar num alvo de pureza, num plano de perfeição que será, por fim, cumprido por cada homem, porque:
Ter fé é ser capaz de alçar voo além das circunstâncias humanas.
Ter fé é já ser livre em pensamento.

domingo, 18 de dezembro de 2011

As Palavras de Jesus na Visão Esotérica


  1º “Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo”

   Esta afirmação tem dois sentidos: Reencarnação e Iniciação. No 1º, afirma-se as várias voltas às atividades terrenas (morrer e renascer, morrer e renascer) às várias vidas que cumprimos para irmos evoluindo até atingirmos a felicidade de sentirmos o” Reino dos Céus” dentro de nós, isto é, quando houvermos cumprido o nosso modelo individual . O 2º refere-se a que ninguém poderá sentir este “Reino de Deus” se não atingir a sabedoria dos grandes iniciados, Existe um degrau na Iniciação chamado: “O segundo nascimento”. Quando o atingimos, começamos a observar tudo por um prisma não mais emocional, mas sim espiritual, como se a nossa consciência nascesse de novo.

   2º “Procura o Pai dentro de ti e tudo o mais te será dado em acréscimo.”

   Referência a luz interna que cada um traz dentro de si. Ao trabalho conosco mesmo, com as nossas potencialidades originais que, em não sendo trabalhadas, são desperdiçadas. Priorizando a busca da sabedoria, da beleza que trazemos, libertamos o nosso Deus interno. Esta procura do Pai (Deus em nós), sendo priorizadas, nos liberta de preocupações com mágoas, revoltas, concorrências que nada nos acrescentam em felicidade. Jesus chama a atenção para aquilo que temos que priorizar: O trabalho com a própria luz interna a bem de adquirirmos  o acréscimo de toda a tranqüilidade que buscamos.

   3º “Muito será pedido há quem muito já se houver dado”

   Não será exigida a um ignorante a mesma responsabilidade do que para aquele a quem foi oportunizado acesso a estudos. A este último será atribuído um maior resultante cármico quando errar. Lembremos o tribunal de Osires do antigo Egito onde governantes faraós davam conta, na pós-morte, do que haviam feito com o seu povo, responsabilidade requerida há quem muito foi dado. Referem-se também as tarefas e testes espirituais mais difíceis e complexos aos quais fazemos face à medida que mais evoluímos.

   4º “Ajuda-te que o céu te ajudará”

   Lembramos a inutilidade das rezas quando nenhum esforço faz paralelamente para conhecermos nossos erros e mudarmos em esforços contínuos a nós mesmos.

   5º “Muitos são os chamados e poucos os escolhidos”

   Uma referência ao chamamento espiritual. Muitos entram no caminho espiritual, mas muitos se perdem em seus atalhos. Nele, encontramos atoleiros como o da vaidade de quem adquire maior conhecimento neste campo; como o do deslumbramento pelos poderes psíquicos que eventualmente adquiram; como o da exploração monetária das energias curativas; como o da manipulação de pessoas através da fé. Poucos então são os escolhidos para a entrada num discipulado, numa autêntica Iniciação. Lembremos que Jesus foi o grande Iniciado de sua época e que em muitas de suas afirmações fica evidenciada sua ligação com um caminho iniciatório.

   6º “Na casa de meu Pai, há muitas moradas”

    Comporta dois sentidos: Esta afirmação comporta dois sentidos: A multiplicidade do universo (a casa do Pai) com suas enumeráveis galáxias, mas também a” Casa do Pai”, quando referida a totalidade das várias consciências do homem com seus vários planos de atuação como o plano físico, o astral, o mental etc.etc...

   7º “Por que vês o arqueiro no olho do teu irmão e não reparas na trave que está no teu próprio?”

Aqui um chamamento a vigiarmos nossos próprios atos e deixar que cada um cuide dos seus. Na vigia não há que se temerem os atos alheios, mas sim o carma que nós próprios criamos com os nossos erros.

   8 º “ Se tiveres fé e não duvidares dirás a este monte: Ergue-te e lança-te ao mar e ele se lançará “

   Aqui o monte é uma alusão aos obstáculos que encontramos na vida e o mar a é a água, a grande purificadora.Com confiança e fé nos planos divinos , sem ansiedades, afastaremos os obstáculos e os teremos purificados agindo a nosso favor.

   9º “ Se alguém vos bater na face direita, apresenta-lhe a esquerda”

 Esta é uma menção clara à personalidade e à individualidade que nos constituem. Se alguém te agredir, mostra-lhe que só a tua parte humana (tua personalidade) foi tocada. Mostra-lhe que tens uma parte divina (tua individualidade) que é inatingível.

   10º “Olhai os lírios do campo! Nem Salomão em toda sua grandeza vestiu-se de tanto esplendor!

Referência à visão do belo. Um conselho a verem-se as belezas da Criação Divina, mesmo entre as terríveis agressões, tristezas, erros, sofrimentos que o próprio homem criou. Se nos lembrarmos que Jesus viveu na região mais oprimida e conturbada do império romano, plena de sofrimentos, vemos que seus olhos de iluminado voltam-se para a beleza dos lírios dos campos galileus. Também ao olharmos o interior de um irmão que desviou-se do bem, devemos acreditar que ele possui como nós um esplendor interno em essência, que ainda não foi despertado. Só desenvolvendo a visão da beleza, nos fixando, trabalhando e reforçando o belo, podemos destruir um dia a violência e o sofrimento do mundo,e, o que é mais, estaremos sempre em sintonia com o nosso Eu espiritual.

   11º ”Quando virá o reino de Deus? - Ele já está dentro de vós”

    Não necessitamos sair em busca de Deus longe de nós. Menção clara a crermos que nosso corpo é o templo onde o Divino habita. Necessitamos saber que somos reis de um reino interno, poderoso, que sempre esteve dentro de nós e que possui força suficiente para modificar a nós mesmos e ao mundo em nosso redor.

   12º "É mais fácil um camelo entrar no fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”

   Primeiramente devemos saber que Camelo era o nome de uma corda grossa que amarrava os barcos dos pescadores na Judéia de Jesus. Aqui uma referência à dificuldade de alguém, em meio ao poder, a supremacia que lhe dá o dinheiro, a preocupar-se em buscar o “Reino de Deus”. Seu envolvimento com o reinado que obteve neste mundo é muito envolvente e lhe tomarão todas as horas e pensamentos. Poderá então desenvolver ganância, vaidade, sentimentos que o afastarão da busca espiritual. O Raio do poder é o que gera mais carma negativo.

   13º “O que é semelhante ao Reino de Deus? - O grão de mostarda que um homem plantou em sua horta, cresceu, fez-se árvore e sob seus ramos as aves do céu vieram abrigar-se.”

   Referente a que esse Reino (dentro de nós) é semelhante a uma semente que contém toda a pujança, toda a floração, todo o abrigo de uma árvore. É necessário que a cultivemos para que ela se desenvolva e se torne plena, realizada em nosso interior.

   14º “Não saiba a tua mão esquerda o que deu a direita”

    Só conta para a nossa evolução aquela doação que fizemos por amor. Nada vale aquela que fizemos por ostentação, para nos promovermos socialmente e nos vangloriarmos. Esta última será espiritualmente perdida, pois não a moveu o sentimento do amor, não nos ligamos à nossa consciência superior ao fazê-la. A vaidade em meio às campanhas beneméritas tira das doações o seu valor evolutivo.

   15º “Daí a Cesar o que é de Cesar e de Deus o que é de Deus”

   Em qualquer situação. Sempre existe algo transitório (de Cesar, a parte humana) e algo permanente (de Deus, da parte divina) O transitório é a situação em si. O permanente é a qualidade que vamos desenvolver dentro dela e o que realmente deverá importar para nós. Geralmente, nos fixamos nos detalhes da situação e nos perturbamos sem nos atermos, sem valorizarmos ao que ela está espiritualmente a nos pedir. Esta frase é um chamamento claro a que demos valor somente ao que somará para a nossa evolução, dentro de uma situação.

   16º “Bate, e a porta vos será aberta”

   Alusão ao valor da oração. A porta referida é a da Providência Divina. Sempre que recorremos a ela um canal se abre entre nós e as forças internas, que possuímos e uma oportunidade nos surgem. O resultante da oração sempre dependerá de aproveitarmos ou não a oportunidade que a porta da Providência nos traz; da intensidade da fé e da pureza em que estejamos no momento de nos dirigirmos a ela.



   17º “Não atireis pérolas aos porcos porque eles a comerão”

  Não se pode exigir dos seres um entendimento além do seu grau evolutivo Assim como um animal não reconhece o valor de uma pérola, também nós homens se somos pouco evoluídos, não temos condições de reconhecer o valor do bem que alguém está nos oferecendo. Por isso jamais deveríamos nos melindrar com a falta de entendimento de alguém.

   18º “Conheçais a Verdade e ela vos libertará.”

   O valor da busca por conhecimento. Evoluímos nos libertando de nossas aflições através da sabedoria. Se dentro do sofrimento não buscamos as suas causas, ele apenas nos revoltará e nunca cresceremos nele, ele se repetirá com freqüência. Só o entendimento dos Princípios Divinos de causa e efeito, nos libertarão de nossos males.

   19º ”Nem todos os que dizem Senhor! Senhor! Entrarão no Reino de Deus”

Primeiramente entendamos que entrar no Reino de Deus é encontrar-se a paz, a alegria, o bem estar que buscamos. Para buscá-lo, muitos de nós, espiritualistas, apelamos à pessoa de um mestre. Porém, lembremos: o corpo mental de um mestre iniciado é todo constituído e voltado para o Dharma, para a vontade divina. O mínimo que necessitamos para entrarmos em ligação, em sintonia com ele é que estejamos nos trabalhando para cumprirmos os conhecimentos espirituais que nos são revelados; que nossos apelos saiam sempre acompanhados por um objetivo altruísta. Por isto Jesus diz: Nem todos os que clamam por ajuda, conseguem encontrar a paz que buscam.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Os Três Reis Magos

A figura dos três reis magos é, sem dúvida, um dos mais importantes símbolos natalinos. Diz a tradição, que eles levaram presentes ao menino Jesus que nascia na Galileia. Também é contado que atravessaram desertos, vindos de terras distantes. Vejamos se podemos dar uma consistência histórica a estes personagens.
   A região da Palestina era na época, em termos de cultura sem expressão alguma, mas existiam grandes centros culturais espalhados pelo Egito,Pérsia e Etiópia de onde, nos diz a tradição, tiveram origem os nossos personagens .Neles, se estudava matérias como Geometria, Filosofia, e Astronomia.  Muitos homens passavam suas vidas nestas terras a bem de estudarem, pois estamos falando de uma época em que escolas  quase não existiam em todas cidades. Sendo a educação assim tão rara, aqueles que a possuíam eram respeitados, acatados. Aqueles que estudavam a difícil matéria da Astronomia, considerada então mágica, levando-se em conta o pouco recurso de aparelhagem técnica para estudá-la, eram chamados de magos.

Melchior, Gaspar e Baltazar.


   Os três reis magos bem poderiam ser estudiosos de Astronomia guiando-se em seu caminho, como era de costume, pelas estrelas. Estranhamos o fato de virem três sábios de tão longe para adorarem uma criança. Vemos nisso apenas lenda,fantasia, mas esquecemos que a espera da vinda de messias que trariam reformas à humanidade era bastante comum na tradição dos povos antigos. Naturalmente que a vinda de um messias trazia indicadores, referências que uma vez conhecidas, dentro daqueles centros culturais, poderiam ter se enquadrado ao menino que nascia naquela família da Galileia. A adoração a uma menino distante é perfeitamente compreensível na mentalidade da época.
Estes três magos trazem em mão três presentes: O ouro, o incenso e a mirra. Entender a simbologia destes presentes é enriquecedor para nós, no natal. Para os povos antigos, os elementos, as plantas, as resinas simbolizavam sentimentos humanos. Assim temos: O ouro significava o clímax de todo o esforço que um homem faz para sobreviver. Em resumo, a nossa energia física. O incenso é resultante da queima de uma planta aromática que volatizando-se  sobe aos céus. Representava para os antigos as nossas energias emocionais que uma vez trabalhadas, queimadas,pode nos levar a um céu interno que , ao espalhar-se, beneficia outros. A mirra é uma goma resinosa, amarga, usada para mirrar, encolher materiais. Significava o encolhimento das amarguras de nossos pensamentos, tudo o que angustia a nossa mente, que pode ser encolhido, mirrado, para que cresçamos espiritualmente, enfim, a nossa energia mental purificada.

   A tradição nos diz que os três reis magos chamavam-se Melquior, Gaspar e Baltazar; que teriam vindo da Pérsia, do Egito e da Etiópia; que caminharam por desertos guiados pelas estrelas, para vir recepcionar o menino que julgavam fosse o messias esperado, oferecendo a ele a sua energia física, emocional e mental trabalhadas. Podemos então imaginar os três a dizer ao menino Jesus; - Trago a vós, messias, ao vosso serviço, a minha energia física trabalhada representada neste ouro. O outro:- trago ao vosso serviço, messias esperado, a minha energia emocional purificada, representada neste incenso. E, ainda o terceiro:- Trago a vós, messias, o meu corpo mental purificado que ponho a vosso serviço, representado nesta mirra.
   Para os esotéricos estes magos são a primeira e mais bela recepção feita ao grande Avatar cristão: Jesus de Nazaré.