quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Credo Cristão - Numa Visão Esotérica

O credo é uma das mais importantes orações do Cristianismo. Porém, precisamos encontrar nele o seu significado mais profundo, o significado real das antigas fórmulas e símbolos que ele contêm. A maioria dos que recitam o Credo não conhecem a sua verdadeira origem e significado porque nele foram introduzidas frases que o materializaram, o fizeram perder o seu sentido interno, a sua sabedoria mais antiga.  A Igreja usa geralmente duas afirmações de Fé : O credo dos Apóstolos e o Credo de Nicéia,  este último mais extenso. Aqui me estenderei sobre o Credo dos Apóstolos por ser o mais usado.
A primeira menção  ao Credo dos apóstolos encontramos no século IV numa obra do escritor Rufino que afirmava:” Ele se chama assim porque consta de doze artigos que teriam sido redigidos pelos doze apóstolos de Jesus após a sua morte” Porém, esta afirmativa é vista como uma lenda, não sendo aceita. A  origem deste credo é vista então como incerta.
Já o Credo de Nicéia foi elaborado no ano 325 no Concílio desta cidade. Tal Concílio foi convocado para terminar com controvérsias sobre a natureza humana ou divina do Cristo, que dividiam as autoridades eclesiásticas. Algumas palavras foram agregadas a ele em outros Concílios que vieram depois.
    Podemos então ver o Credo através de dois pontos de vista. No ponto de vista dos espiritualistas, ele nos expõe uma antiga fórmula de Cosmogênese, criação do Universo, baseada nos ensinamentos de uma entidade iluminada muito alta. Também, em sua visão, o Credo faria referência ainda a rituais simbólicos praticados por iniciados dos antigos templos de Iniciação do Egito.
    No ponto de vista da Igreja, ele faz referência à biografia de um indivíduo, no caso, o mestre Jesus. A Igreja teria –segundo os antigos gnósticos- descartado os antigos ensinamentos de cosmogênese  e ritualística, transformando e interpretando o Credo como uma biografia. Isto teria servido aos desejos da Igreja do século IV  que vivia um momento de controversas ideológicas muito graves e enfrentava crenças espiritualistas consideradas por ela como heréticas.

Jesus Essênio

   Quanto a antiga fórmula de Cosmogênese deixada no Credo (visão espiritualista), a entenderemos melhor conhecendo a trajetória de mestre Jesus. Annie Besant escreve em seu livro” O Cristianismo Esotérico”, que Jesus, um judeu, nasceu no ano 105AC. Foi educado dentro das escrituras hebraicas. Sua grande sabedoria,que não correspondia à sua idade, fez seus pais educá-lo numa comunidade  Essênia no deserto da Judéia. Quando chega aos 10 anos, passou para outro monastério  Essênio  muito frequentado  por eruditos que vinham da Pérsia, da Índia e do Egito. (lembremos que o Essenismo era a mais intelectualizada organização da sua região). Ali havia um magnífico arquivo de obras ocultas. Dali ,ele teria passado para o Egito. Foi então  preparado como Iniciado da Loja Branca (Grande  fraternidade branca). O jovem hebreu recebeu então a Unção que lhe permitia um sacerdócio público, que mais tarde viria a exercer. Na verdade, este jovem iria sobressair-se tanto por sua extraordinária sabedoria, foi também o iniciado mais puro de sua época. Assim, o consideraram digno de ceder o seu corpo a um poderoso ser de luz, de servir como intermediário à força crística, ao próprio avatar Maitreya. Este grande ser  começa a falar através dele quando ele estava na idade de 29 anos e o usa durante 3 anos.  Voltando  Jesus já assim investido do Cristo à Judeia, já ungido , instruiu os chefes da comunidade Essênia nos mistérios do reino de Deus, sobre os princípios divinos ,deixando isso em fórmulas que viriam a ser a origem do Credo cristão.
    Ao mesmo tempo ele dedicou-se a predicar em público. Era impossível expor aos seus ouvintes aqueles ensinamentos que transmitia aos Essênios. Estes, por uma longa vida de preparação ascética eram capazes de entendê-lo. Jesus prega ao público e aos seus discípulos por meio de palavras de consolo. Eram discursos inspirados por sua grande compaixão por aquela terrível atmosfera de opressão em que o povo palestino vivia. Tais discursos ficaram conhecidos como Bemaventuranças e Paracletismo. Também pregou por meio de parábolas, estórias que continham regras de conduta moral. Alguns o seguiam por querer adotá-las, outros por sua personalidade amorável e outros porque viam nele uma esperança de revolução política. Os discípulos transmitiram mais tarde seus ensinamentos em um movimento de caráter universalista.

Jesus predicando.
  
  Nas mãos dos chefes da comunidade Essênia ficaram porém os conhecimentos de cosmogênese  e ritualística reunidos em fórmulas e princípios, no que pode se considerar então a primeira legítima fonte escrita do Credo, transmitidos a eles por aquela alta  entidade crística, falando através de Jesús de Nazaré . As seitas Gnósticas depois tiveram acesso a esses conhecimentos.
    Quanto a antiga fórmula de ritual egípcia com a qual Jesus conviveu, se manifestava por meio de ritos e teatralizações para expressar suas crenças espiritualistas. Por exemplo: a descida do 2º Logos na matéria, isto é, a criação e nascimento das mônadas, essência que era chamada de “Filho Unigênito”, porque era a única essência geradora de nascimentos. Tudo teatralizado num rito egípcio. A Igreja transformou essa palavra, dentro do Credo, em” Único Filho Jesus”.
    Em respeito à deturpação e materialização encontrado no Credo, aqueles que elaboraram o Credo dos Apóstolos e os membros do Concílio de Nicéia, no afã de organizar uma igreja que necessitava afastar  dissidências causadas pelas controversas sobre a humanidade de Jesus, o fez transformando o Credo numa biografia que apenas o divinizasse. Desconsideraram qualquer outra interpretação  do Credo e da Trindade Logóica citada nele, como heresia. Por isso, na visão da Igreja do sec.IV, os gnósticos por interpretarem diferentemente o Credo , foram perseguidos. Isto impediu os cristãos de conhecer algo transcendente limitando o Credo  a uma biografia.
    Aqui, uma interpretação esotérica das 12 frases do Credo:
1-Creio em deus Pai todo poderoso, criador do céu e da terra.
Refere-se aqui a Causa de tudo, o Absoluto, que compreende os planos, as dimensões que vemos e aqueles que não vemos.
2-E em Jesus Cristo,Seu único filho, Nosso Senhor.
Aqui o Credo católico começa a transformar  as antigas fórmulas essênias e egípcias numa biografia de Jesus, citando o seu nome e estabelecendo para ele uma natureza não humana quando o chama de Único Filho de Deus. Os arquivos gnósticos nos dizem que na antiga fórmula do Credo não era citado o nome de Jesus, mas apenas o  Filho.Seria uma referência ao trabalho do 2º Logos. O 2º Logos é um dos três princípios da Trindade Divina, chamado pelos antigos sacerdotes egípcios de Filho Unigênito. O Filho Unigênito, tal como já foi dito antes, era uma substância primordial, a única capaz de gerar nascimentos e que nos primórdios da Criação gerou as mônadas ou unidades de consciência que iriam habitar em todas as formas viventes.
3-Foi concebido pelo Espírito Santo e nasceu da Virgem Maria.
Aqui, outra citação a biografia de Jesus, nomeando a sua mãe e dando a ele um nascimento virginal que o distinguiria também de todos os homens, atribuindo-lhe novamente uma natureza não humana , criando um fato milagroso para uma religião que necessitava se afirmar sobre milagres.
    Na interpretação do Credo Essênio, a Virgem significava a matéria primordial do Caos  ainda não estruturada em formas .O Espírito Santo , o 3º Logos era a energia que criaria nesta matéria virgem as formas nas quais as mônadas, unidades  de consciência, viriam habitar.
4-Padeceu sobre o poder de Pôncio Pilatos
É uma adição feita propositalmente afim de estabelecer uma ligação maior à estória de vida do mestre Jesus, Nos antigas fórmulas do Credo esta frase não constava.
5- Foi crucificado, morto e Sepultado
    Aqui o simbolismo muito transcendente da Crucificação é transformado.
Sabemos que a Cruz já era estudada como um dos símbolos sagrados por inúmeros povos da Antiguidade muito antes de estar ligada aos sofrimentos de Jesus. Achados arqueológicos nos contam isto. A crucificação nas fórmulas do Credo essênio significava o descendo da substância monádica, o Filho Unigênito para à manifestação, o Filho crucificado na matéria.

Símbolo do homem crucificado na matéria.

    Leadbeater diz que todo aquele sofrimento de Jesus que está relacionado à cruz, aos cravos, sangue e mutilações eram enfatizados pela Igreja para sensibilizar as mentes  medievais. Isto impedia a apreciação do significado oculto da crucificação. A Igreja medieval se firmava sobre um apelo emocional.
    O antigo ritual egípcio teatralizava este descendo das mônadas, do Filho Unigênito à matéria. O Iniciando era levado a uma câmara subterrânea, símbolo da descida à matéria mais profunda. Ali, era posto numa cama em forma de cruz. Permanecia em transe sonolento onde em sonhos passava por provas emocionais e mentais muito fortes. Este rito chamava-se “Descida aos Infernos”. Lembremos do mito grego de Hércules que  antes de completar sua Iniciação teve que enfrentar o cão Cérbero que guardava a porta do inferno .
6- Ao terceiro dia ressuscitou entre os mortos
    Na “Descida aos infernos”, ao fim do 3º dia o Iniciando egípcio era retirado dali e levado ao lado leste do templo para que o sol nascente o despertasse de seu prolongado transe.Davam ao momento de acordar o nome de Ressurreição, isto é,a ressurreição de uma consciência. Estes três dias do rito egípcio foram transformados, na biografia de Jesus, nos três dias que Ele teria levado para fazer a ressurreição do corpo.
7-Onde estará à mão direita do pai e virá para julgar vivos e mortos.
    Aqui Leadbeater nos faz ver que a redação essênia do Credo assim dizia: “Será levado ao céu para que seja a mão direita daquele de quem procedeu, havendo aprendido a guiar os vivos e os mortos”. Assim pois, o Credo antigo gnóstico descartava um julgamento feito pelo Cristo, somente pela  má interpretação da palavra” julgar”. Não faltam provas- segundo ele- de que  na época em que estes documentos foram escritos a palavra ‘Julgar” tinha um significado muito mais amplo. Ela significava também governar, dirigir, guiar. Teria sido interpretado como julgar, mas era na verdade uma referência  aos Iniciados que ficavam aptos a guiar vivos e mortos.
8-Creio no Espírito Santo e na Santa Igreja Católica
    A crença no Espírito Santo foi aceita como a força que teria engravidado a Virgem Maria , uma força capaz de engravidar uma virgem. Ao passo que na visão do Credo primitivo egípcio, essênio e gnóstico, referia-se à força divina do 3º Logos que estrutura formas na matéria virgem primordial, nas quais viriam habitar toda espécie de mônadas, sejam elas minerais, vegetais, animais, ou humanas como já aqui explicado. Quanto ao “creio na Santa Igreja Católica” teria sido acrescentado na época dos Concílios como a afirmativa que ligaria para sempre o crente à organização Católica Apostólica.
9- Na comunhão dos santos
    Refere-se na interpretação da Igreja a uma associação íntima entre todos os santos e entre todos os cristãos que por suas virtudes possam ser considerados santos. Interpretação esta de grande valor. Porém, fugiu ao que se referia o Credo Essênio: o reconhecimento do trabalho de uma fraternidade de iniciados conhecida como a Grande Loja Branca ou Grande Fraternidade Branca, que tinha a seu cargo as Iniciações egípcias pelo tempo de Jesus.
10- No perdão dos pecados
    O Credo de Nicéia diz: “ reconheço um batismo para a remissão dos pecados”. Levando-se em conta que o batismo era um rito muito usado nas Iniciações  dos templos egípcios, conclui-se que o Credo antigo, dado por Jesus aos essênios, afirmava a estes que os ritos de Iniciações, incluindo o do batismo, eram um meio de teatralizar, simbolizar o poder que o Iniciando tinha de transmutar seus pecados, as ilusões do seu ego. Assim o interpreta Leadbeater.

Deserto da Judeia, Mar Morto.

11- Creio na ressurreição do corpo
    Aqui novamente vemos uma doutrina muito profunda cair  gradualmente no esquecimento e uma má interpretação  aparecer como o ensinamento cientificamente impossível da ressurreição do corpo. A ressurreição do corpo  foi para os essênios a crença na doutrina da reencarnação, sempre presente nas antigas escolas de Mistérios que assimilavam conhecimentos espiritualistas da índia e da Pérsia.

As fórmulas deixadas pelo Cristo, através de Jesus dentro da Fraternidade Essênia, sobre os ciclos de nascimento,  morte e novo nascimento se perverteu na crença das épocas posteriores de que um homem volveria a nascer na terra usando o mesmo corpo que largara, ressuscitando, ou como no caso único de Jesus subindo em corpo aos céus. Hoje, os ocultistas em seus estudos sobre “átomos registros” afirmam que estes são aproveitados no corpo de manifestação com que alguém se reencarna, porém este nunca será o mesmo corpo, uma vez que o material genético que utilizará será outro. A ressurreição dos mortos (como é dito no Credo de Nicéia) tinha também anteriormente na comunidade egípcia outro sentido : Era a ressurreição da consciência dos Iniciados que eram considerados mortos em seu transe sobre a cruz na câmara subterrânea, conforme já  foi descrito, porque despertavam deles atingindo o grau do 2º nascimento, uma ressurreição de consciência .
12- E na vida eterna.
    Esta afirmativa é interpretada pelo Cristianismo em geral, como  um tipo de vida boa ou ruim que será vivida no após morte (que o Credo de  Nicéia chama de vida no mundo que virá ) ao passo que os essênios a viam como uma simples declaração da imortalidade constante, eterna da alma humana.

         Helyette M. Rossi

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Ancestrais

 
      Aos entrarmos nesta vida somos uma trindade de passado, presente e futuro. Trazemos do passado uma bagagem de erros e acertos. Nossos erros de vidas passadas estariam gravados naquilo que chamamos de átomos registro dos corpos inferiores. Quando uma criança nasce, o catolicismo lhe atribui um pecado original que ela traria do pecado de seu pai Adão. Para nós, espiritualistas, o pecado original são as bagagens negativas que trazemos de outras vidas.
    Quanto a bagagem positiva, a traríamos gravada num corpo superior chamado Momentum (Algoides já trabalhado). A gravação que temos neste corpo superior permanente teria sofrido já uma triagem para separar e reter nele só aquilo, instintos, emoções e pensamentos que estivessem em acordo ao nosso dharma (princípios divinos) que favorecem a nossa evolução. Enfim, o que está sendo trabalhado estaria retido nos átomos registros dos corpos transitórios inferiores, e  o que já está pronto, trabalhado, está retido  no corpo permanente superior, no Momentum.
     Quanto ao presente, é aqui que entra nossos relacionamentos com os nossos ancestrais.  Recebemos deles nossos genes, nossos fatores hereditários.
     A carga referente a nosso futuro, que trazemos, corresponde ao modelo de perfeição individual que chamamos também de átomo crístico, modelo que todos temos que alcançar, nossa meta futura a totalidade do nosso Eu Sou, da nossa individualidade. Trazemos enfim uma trindade de: bagagem cármica, fatores hereditários e arquétipo individual cuja fonte  original é o que chamamos de centelha divina, Deus em nós.
     Podemos então afirmar que nossa colocação cármica familiar e racial  nos vai fornecer o instrumental físico, emocional e mental com que trabalharemos nossos instintos, sentimentos e pensamentos. Nossos corpos inferiores sendo então  nossos instrumentos nos dado pelos nossos antepassados, nossa parte genética. Nosso livre arbítrio individual está portanto limitado tanto por uma bagagem cármica como por uma carga genética.

Família ancestral: grupo formador dos nossos fatores hereditários.
    
A gratidão à antepassados, é importante em primeiro lugar porque este nosso relacionamento com eles é regido pela lei da unicidade entre seres, onde cada um auxilia o outro a evoluir. Se nós como indivíduos, estamos por exemplo desenvolvendo o senso musical, será uma família com uma  constituição física nervosa apropriada, com uma sensibilidade tanto física como emocional para sons que nos dará o gene necessário para alcançá-lo. Se fossem as potências  do 1º raio da governança do poder que estivermos desenvolvendo seremos atraídos a grupos familiares cujos genes nos dê intrepidez, audácia, liderança.  A cada indivíduo será dado então o gene ancestral que necessita para aquilo que está desenvolvendo no momento de tornar a nascer. Os fatores hereditários nos ajudarão a purificar aquela bagagem cármica que trazemos, transformando cada erro na sua virtude correspondente. Isto é importante, prioridade de entendermos em estudos sobre carma.  Todos os erros possuem uma virtude correspondente. Isto é, aonde está o nosso erro, ali também está a energia de uma das nossas virtudes. É perguntado: se um antepassado nos dá um gene  que consideramos negativo, como teimosia timidez, etc, deveríamos ser ainda assim agradecidos a este antepassado? Sim porque seu gene  está igualmente nos beneficiando. O fator que alguém nos passa, chegamos a ele por uma lei de afinidade, de atração por aquele tipo de energia que estamos trabalhando.  Vejam bem: em nossos estudos sobre energias já ficamos sabendo que as energias se desenvolvem em graus. Por exemplo, o ódio é o grau mais baixo da energia do amor. A teimosia  o grau mais baixo da persistência . São todos apenas graus de uma mesma energia. Então, se no momento de reencarnarmos estamos desenvolvendo a energia da humildade, possivelmente seremos atraídos geneticamente a uma família que sempre tiveram orgulho de seu nome e que por erros deixaram como herança a seus filhos e netos apenas limitações financeiras. Até podemos acusar um ancestral de não ter sabido preservar seus bens, mas o que não sabemos é que estão inconscientemente nos ajudando a alcançar aquilo que viemos desenvolver: a humildade. Chegamos ao grupo familiar atraídos por qualquer resquício  de orgulho que há ainda em nós para transformar-lo em humildade.
     Um antepassado nosso  dentro desta faixa de energia pode não ter conseguido vencê-la, mas nós poderemos vencê-la.
     Na época dos Beatles, os jovens costumavam ir viver em pobreza, renunciar a riqueza dos pais porque achavam que seus ancestrais a tinham ganho ilicitamente ou explorando. Erravam. Eles teriam sido atraídos ao grupo familiar para purificar a energia do dinheiro que é uma energia de troca, de multiplicação, um bem divino. Quando eles dessem um bom uso ao dinheiro  eles não só evoluiriam individualmente mas purificariam a egrégora familiar.

A egrégora familiar é regida pela lei da unicidade entre os seres.

     A egrégora é um tipo de energia liberada por um grupo  seja familiar, racial, nacional. A egrégora atrai pessoas que estão desenvolvendo um mesmo tipo de energia. É uma  outra forma de unicidade entre os seres. Por exemplo, o nosso próprio grupo  atrai pessoas cujo raio cria uma característica grupal  indêntica. Essa característica se torna a egrégora grupal, seja ela formada por  devoção,  disciplina,  harmonia, etc.
     Todo grupo familiar tem uma egrégora, também os  países a têm, e os antepassados fornecem o mesmo tipo de energia através dos fatores legados.
     Para que a nossa individualidade vença a sua bagagem cármica negativa, precisamos  as vezes atrair fatores hereditários que nos limitem. Em situações genéticas limitativas vamos viver uma situação de polaridade entre o livre arbítrio de nossa individualidade e o determinismo genético. Porém, certos determinismos genéticos, nos limitando, vão nos fazer desenvolver humildade, paciência, perseverança, solidariedade, etc.
     Discordamos de alguns astrólogos de linha determinista quando acham que a  conjunção de astros na hora do nascimento, seu mapa astral determinará as tendências do homem, como ele agirá e será em sua vida. Na verdade, as tendências do homem, aquilo que ele já era antes de nascer é o que atrai e determina a conjunção de astros que encontrará no seu nascimento. Seu mapa natal não determina necessariamente como ele agirá dali para a frente. Seu mapa natal é válido como uma ilustração reveladora do que ele necessita trabalhar, sejam positividades ou negatividades. Seu livre arbítrio individual impulsionando-o à evolução, jamais o deixaria amarrado a um mapa natal. Também os fatores hereditários o ajudarão a vencer e desenvolver o seu mapa natal. Do contrário, ele nunca chegaria à meta futura, ao seu arquétipo.
     Os momentos mais difíceis para a nossa evolução são aqueles em que nossas limitações são todas retiradas. São aqueles em que ficamos em meio ao poder, ao renome, a lisonja, a riqueza. Por isso, se diz que se passarmos pelo 1ºraio, a energia do poder, sem criar muito carma negativo teremos conseguido a maior vitória em nossa evolução. Porém, serão muitos os antepassados que nos darão esta oportunidade de passar pelo raio do poder nos legando fatores genéticos de intrepidez, liderança e vitalidade. As vezes isto acontecendo, surpreendentemente, em situações sociais nada propícias.
     Hoje a genética está sendo muito estudada, a teoria de alguns psicólogos de que o homem é fruto de educação social já está mais fraca, pois se está descobrindo a força dos genes em nós.
     Nós  e os antepassados formamos na realidade uma grande corrente mútua entre seres. A relação bagagem cármica e fatores genéticos é bastante complexa  pois só somos  atraídos por fatores que nos é possível atrair. As doenças hereditárias geralmente são atraídas por uma fraqueza daquele que está nascendo Então uma das diferenças entre o espiritualista de linha reencarnacionista que dá ao homem já um passado e religiosos não reencarnacionistas  é esta: enquanto estes últimos dizem que o gene determina o que o homem é, o primeiro diz que  aquilo que o homem já é na hora de seu nascimento é o que determina o gene que receberá. Porque naturalmente os que não  crêem na reencarnação, não contam com a bagagem de outras vidas com a qual o nascituro inicia uma vida.
     A contribuição de nossos antepassados não diz respeito apenas aquela dada ao nosso corpo físico, mas principalmente através de dos pensamentos, planos e ideais que nos legaram.
     No chamado inconsciente coletivo, grande força mental que liga os seres pela força telepática, ali estão também os planos e idéias de nossos antepassados, que eventualmente  realizamos. Alguns romances fantasiosos sobre reencarnações nos falam em almas desencarnadas a fazerem, antes do nascimento, planos para se encarnarem em determinada família para se vingarem de desafetos. Tais fantasias estão em desacordo com os estudos esotéricos. Segundo estes, o retorno dos desencarnados não se dá por escolha de ninguém mas obedecem afinidades e atrações para com os grupos com os quais irá conviver. Obedece o estagio evolutivo em que se encontra no momento a nossa individualidade. As vezes, para completar algum trabalho em algum raio ao qual pertença. No caso de missões o ascencionado nasce num grupo genético a que pertence o seu raio.
     Quando alguém reencarna, ele entra na vida inocente, mesmo que na outra encarnação haja sido um transgressor. No período de repouso da morte, ele não retorna ao reencarne sem ter feito um intercâmbio com sua centelha divina. Isto é bem ilustrado em ritos de batismo  quando é dito “Eis aqui a branca vestimenta dos anjos, símbolo da pureza com que entrastes nesta vida”. Apenas quando a criança começa a tomar posse de sua bagagem cármica, ele começa a manifestar aquilo que entendemos por pecado original, volta a ser o que era, entra naquilo que chamamos de ”noite da vida”, mas auxiliado sempre pelos genes dos ancestrais.

Um diálogo esclarecedor (Entrevista)


     Sendo tu durante mais de duas décadas orientadora de um grupo espiritualista, a que religião pertences?

R: – A nenhuma. Há pessoas que seguem crenças e dogmas de uma religião organizada, outras que apenas vivem sentimentos religiosos. Pertenço a estas últimas.

     O que entendes por sentimentos religiosos?

R: – Minha religiosidade me faz pensar constantemente que por trás de tudo o que já existiu, existe ou existirá, está uma força, um impulso, uma inteligência geradora, mantenedora e até destruidora, a que chamo  Deus,  independentemente de eu estar enquadrada ou não à uma organização.

     Por que este afastamento das religiões organizadas?

R: – Por minha cultura, nasci cristã. Porém, conhecendo depois a história do Cristianismo mais precisamente Católico, não vejo muitas razões para ligar-me a ele. No entanto, isto não afeta o respeito, o acatamento que dou as idéias de seu líder máximo Jesus, o Cristo, e até o quero por modelo. Reconheço também que existem pessoas e missionários de vidas abnegadas, ainda ligadas à Igreja. Deixando de lado e até esquecendo as querelas de caráter político dos Concílios do séc.IV e os barbarismos da conhecida era da Inquisição, jamais concordei com os entraves que o Cristianismo seguiu impondo ao progresso civilizatório. Vejamos: Todas as vezes que a Ciência viveu seus melhores momentos e com novas revelações proporcionou à Igreja a oportunidade de rever as interpretações que esta dá a seus livros sagrados( como a Bíblia, o Evangelhos, etc.), a Igreja permaneceu intransigentemente apegada à elas. Trouxe esta intransigência para os tempos modernos. No séc.XVI, quando Copérnico, abrindo o campo para a moderna Astronomia, expôs a crença no movimento da Terra, recebeu do Cristianismo todo o empecilho possível a que fosse estabelecida. Repetiu-se o mesmo quando, já no sec. XIX o inglês Darwin após anos de investigações criteriosas, revolucionou a  Biologia
com sua teoria evolucionista. Lá apareceu novamente a Igreja para menosprezá-la, lutando ferozmente para que as verdades pesquisadas fossem abafadas.

     Então entrastes neste conflito Ciência/Religião?

R: – Não. Estou fora dele. Não sou cientista nem pertenço à Igreja. Porém, é impossível não se fazer um paralelo entre o desprendimento da Ciência, cujos objetivos eram dar à luz verdades que poderiam aumentar o conhecimento com que os homens viam sua própria existência e a visão acanhada da Igreja, querendo preservar inalterados comportamentos que perseguiam outros credos, que, por isso, embora sendo uma organização grande,  se conservava circunscrita a um grupo apenas.


     Achas que após quase 2 séculos esta intransigência ainda persiste?

R: – Sim. Segue até nossos dias porque obedece a um papado conservador, contrário ao desenvolvimento de pesquisas. Parece-me que voltamos ao tempo do estabelecimento dos dogmas. Nele, à uma proposição era dada uma palavra final, fechando à especulações, tornando-a, em sendo dogma, proibida a qualquer investigação.
    As  descobertas científicas não abalam o seu sentimento religioso?

R: – Absolutamente. Não vejo nelas nada que entre em choque com minhas crenças. Ao contrário, sou uma apaixonada pelas espetaculares aquisições científicas. A cada vez que aparece uma,  mais deslumbrada fico ante as potências desta força a que chamo de Deus, meu sentimento religioso se torna mais intenso.

    Qual a diferença que achas entre Ciência e busca espiritualista?

R: – Nenhuma. Vejo apenas dois pontos de vista focalizados sobre um mesmo objeto: Deus.

    Então, neste caso, achas que aquilo que a Ciência estuda é igualmente a Deus?

R: – Exatamente. Sem que ela se dê conta disto, é evidente. Deus é, para mim, uma Unidade.Porém, podemos contatá-IO, buscá-lO através de duas faces. Uma face manifesta e outra imanifesta. A manifesta é tudo quanto  a Ciência estuda: a natureza, o cosmos, a parte genética e biológica dos seres, nosso corpo, emoções, pensamentos e tudo o
mais que seria impossível aqui enumerar.Então concluo que dedica-se, sem dar-se conta, a entender e explicar  Deus em sua face manifesta, mesmo quando esta não  é vista ( como ,por exemplo, os pensamentos )mas que enfim se expressa, podendo ser observada e analisada, utilizando instrumentos ou observações de comportamentos para chegar a comprovações. Já a busca espiritualista volta-se a Deus imanifesto. Sua face imanifesta não representa espaços  onde fenômenos materiais  ou vitais expressam-se. Sua busca é uma interiorização voluntária e pessoal. Se a busca é bem sucedida, encontra-se o que poderíamos chamar de uma consciência interna, que nada tem em comum com os estados patológicos,  mentais em desequilíbrio, encontrados pelos analistas da Psicologia. É ,ao contrário, uma consciência que nos dá muita paz, nos facilita um intercâmbio mais equilibrado, mais harmonioso com o mundo externo. Eu não saberia explicar o que seja esta consciência ,  mas apenas senti-la. Aliás, este sentir não deixa lugar para explicações ,  porque silencia pensamentos emocionais e raciocínios.É muito forte, é apenas isto : Um sentir. A busca espiritualista para encontrar esta consciência de paz, não usa como recursos instrumentos ou observações mas pode sim, ser facilitada através de meditações e contemplações ao belo como a música, nuances de cores etc. É no silêncio, na contemplação que acalma a mente que esta face imanifesta de Deus surge. Estava aqui referindo-me a interiorização para a qual a busca espiritualista nos leva e não à crenças, em sua maioria supersticiosas e fantasiosas a que os membros  de muitas religiões e seitas estão sujeitos.


Qual das “duas faces” a científica (manifesta) ou a espiritualista (imanifesta) é a ti a mais importante?

R_ As duas são igualmente importantes. Creio numa força única, absoluta, que inclui tudo. Se fosse dizer que ela exclui,  minimiza algo, que existe algo fora de Deus , Ele deixaria de ser para mim o Absoluto.

- O que achas enfim do trabalho científico?

R_ Qualifico-o como uma tarefa sagrada porque, de acordo ao meu pensar, ela envolve um aspecto de Deus (tudo o que se refere a esta força incognoscível que move o universo, está ante os meus olhos   sacralizado) È sobretudo um trabalho imprescindível ao nosso evoluir,porém ainda incompleto pelo tanto que sempre tem à frente à pesquisar. Muitos contudo acham a Ciência ainda frustrante pois não respondeu as questões existenciais que nos  fazemos , como: De onde viemos? Por que estamos aqui? Para que vivemos? Para onde vamos? Porque afinal se costuma achar que cabe à Ciência responde-las.  Mesmo algumas afirmativas filosóficas que tentam silenciar tais indagações dizendo taxativamente: “Não existe um início, não há um porque, não há finalidade no existir”, elas não conseguiram calar tais questões essenciais. No íntimo de muitos homens elas permanecem teimosas. No entanto, não creio que cabe ao cientista nem tampouco ao espiritualista desvendar tais questões existenciais.

     Qual o caminho que em tua visão, nos tornaria capazes de desvendá-las?

R: –Aquele que nos levasse á Unidade. Isto é, aquele onde buscássemos a face manifesta de Deus através da Ciência mas ao mesmo tempo buscássemos sua face imanifesta pela experiência espiritual. Só trabalhando suas duas faces concomitantemente venceríamos esta dualidade que nos biparte, encontraríamos a nossa unidade individual, única, que tal como Deus é, nós, afinal, também somos.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Solstício nos Andes

No Andes, o culto ao solstício de inverno nasceu na Bolívia, na região próxima ao lago Titicaca, na cultura milenar do Tiauanaco, que é anterior a cultura inca. Ali, até hoje milhares de nativos, turistas , místicos e historiadores assistem todos os anos, contritos, o nascer do dia 22 de junho, na Porta do Sol, acendendo fogueiras para saudá-lo. Tal costume milenar passou ao Perú, quando o deus Viracocha fez do barro do lago o casal  Manco Capac e Mama Occlo e os fez deixar o lago Titicaca para irem a região de Cusco fundar o Império Inca. Hoje, é ali nos 3.440 m de altitude de Cusco que acontece a mais bela tradição andina do solstício.
     Os indígenas do antigo império incaico anterior a invasão espanhola, viviam aninhados ao sopé de montanhas, isolados em altitudes áridas e desde os tempos imemoriáveis da sua criação possuíam uma religiosidade extremada. Tinham também uma atenção muito voltada para as mudanças das estações anuais, mudanças solares e lunares porque delas dependiam seus plantios ,sua sobrevivência. Um dos principais alimentos da cultura inca era a batata.O solstício de inverno iniciava para aquela região um período seco, de poucas chuvas em que se colhia a batata . A gratidão a Inti ,o deus solar se fazia então necessária. Afinal, a semente que fora concebida no equinócio do outono, em março, agora nascia. De sua quietude no útero da terra, a Pachamama  era iniciado um movimento de doação para fora, a colheita surgia. Então, o ano novo para os incas era nesta data que tinha início.

Romance que transcorre no cenário andino.

    Os historiadores, antropólogos e filósofos concordam que este sentimento espiritual de ligação à mãe  natureza Pachamama está até hoje impregnado  em cada esquina e cada montanha do Perú e no olhar do homem andino. Cusco  foi a capital do império incaico, cidade sagrada pois ali residia o imperador dos” Filhos do Sol” e era ali então ali que aconteciam as maiores homenagens a Inti e sua companheira Killa, a lua.
    As festividades do solstício duravam quase uma semana. Principiava no dia 20 quando o imperador, sua família e a nobreza iniciavam uma purificação pessoal abstendo-se de sexo, e iniciando um jejum preparatório de 2 dias para elevarem o seu espírito. Lembremos que os imperadores incas sentiam-se responsáveis por seu povo, consideravam-se não só um descendente direto do deus Inti, mas também seu representante na terra e ele, o imperador, era quem intermediava a energia solar que abençoava seus súditos e suas colheitas.
    Durante o dia 21, ele proibia o acendimento de qualquer fogo em Cusco, simbolizando o momento de recolhimento, de supremo repouso e obscuridade para o mundo, como se fosse o final de um ciclo. Só depois ao amanhecer do dia 22 podiam ser novamente acesos sinalizando uma nova dispensação de luz e renovação de vida .Na data de 21, toda a população de Cusco era convidada a se retirar, só permanecendo ali o imperador , sua família e a nobreza a se prepararem espiritualmente.Na noite do solstício o imperador fazia uma gesto de humildade. Retirava a sua coroa e só a poria após estar purificado. Ali ele tornava-se apenas um filho do sol. Passava esta noite acordado em orações . Pelo dia 22, lhe era entregue uma lhama branca. À ela ele confiava uma mensagem aonde explicava as necessidades mais prementes do seu povo. Em seguida a sacrificava para que a alma do animalzinho levasse essa mensagem ao deus solar Inti. Um sacerdote  adivinho era também chamado para ler as entranhas da lhama e fazer os vaticínios para o ano que se iniciava.
    Enquanto isso acontecia, no grande templo de Aqlla-Wasi, a Casa das Escolhidas, as Mamas Kunas e as Aqllas, Virgens do Sol,preparavam bebidas ( Chicha)  e os Sankhu que era uma espécie de pão de milho que seriam depois distribuídos à população para que, num repartimento, todos comungassem com as riquezas da mãe terra.
    Dia 23 a população era chamada de volta para enfeitar as ruas de Cusco e todo o trajeto que o imperador faria, com flores. O auge do festival acontecia quando  este, com toda a pompa de um representante da divindade solar na terra, passava pelas ruas para fazer um trajeto até o forte de Saqsaywaman.


Ainda em Cusco, a comitiva imperial parava em frente à Praça de Armas para a cerimônia da bebida Chicha. Num jarro de ouro era oferecido ao imperador a Chicha .Após bebê-la, ele fazia no idioma quechua esta saudação ao sol: “ Oh! Deus pai sol, te brindo com esta chicha preparada pelas Aqllas. Chicha espumosa feita com o dourado milho , muito doce, que desde aqui chegue como louvação a ti, para que sempre aqueças com muita força a terra, a Pachamama, e a faças frutificar para que as colheitas do império sejam sempre boas, afim de evitar a fome dos meus súditos.”
    Humildemente, depois o imperador fazia a libação: Devolvia o restante que ficou no jarro à mãe terra, para mostrar-lhe o que os homens podiam fazer com as riquezas que a Pachamama  lhe dava.
    Seguindo contritamente o rito, a comitiva ia depois para o templo de Colcampata ( templo cujas paredes eram forradas de ouro e foi destruído pelos espanhóis, seu ouro foi levado e em seu lugar construiu-se a atual igreja de São Domingos.) Depois, dava-se início a um ritual chamado Musoccina  com o qual se acendia oficialmente a pira do fogo sagrado. Este fogo deveria ficar aceso até a próxima festa de solstício. Nele,  os sacerdotes seguravam um disco côncavo com um material inflamavel faziam diversos movimentos como uma dança mágica, pedindo  que o deus sol mandasse seus raios. A luz solar entrando no disco acabava por acendê-lo com fogo. Era então acesa a pira.
    Ali, num altar de holocausto frente à pira, eram sacrificadas lhamas agora negras para que servissem de intermediários nos pedidos particulares do povo de Cusco. A carne das lhamas sacrificadas seriam assadas e distribuídas à população.  A pira era depois levada ao templo e ali cuidada por devotos que a conservariam acesa até o próximo ano.
  Celebração do Inti Raymi no forte de Saqsaywaman.

    Desde o dia 24 na esplanada de Saqsaywaman súditos do imperador vindo de todas as partes do Tuantisuyo , império dos quatro lados, o esperavam vestidos com trajes  feitas com lã de Vicunha e muitos adornos de  prata, um metal muito abundante naquela época no Perú. Muitas tribos vestindo-se de palhas. Ali também em homenagem ao  representante de Inti,  cantavam e dançavam em grande alegria.
    Mais de 500 anos se passaram desde que Pizarro fez o trágico arrasamento da cultura inca. Nela, viviam perto de 15 milhões de pessoas e segundo os relatos dos cronistas espanhóis nenhum homem passava fome ou estava privado de trabalho. Hoje, está acontecendo ali um resgate  desta cultura. Tenta-se chegar à maneira religiosa deste povo pensar. Muitos nativos, retirados nas montanhas, querem voltar as suas raízes. A festa do solstício chamado Inti Raymi que significa festa do sol, está sendo muito celebrada Também o símbolo inca do sol criança que nasce neste dia se popularizou .

Depoimento de uma mãe

    O amor materno é realmente o mais  completo , o mais diversificado. No dia das mães costumo receber flores dos meus filhos .Sempre vejo nelas  alguma faceta do amor materno que eles querem homenagear.Se as recebo brancas, me lembro da pureza do meu amor por eles.O amor que tenho por eles, é intocável,como se nada negativo que fizessem, conseguisse diminuí-lo. Mesmo que meus filhos fossem drogados, traficantes ,e no pior dos casos até criminosos,creio que meu amor por eles permaneceria incólume, intocado.
 Se recebo flores rosadas, que são muito delicadas ,vejo nelas a delicadeza  que  manifestava quando acalentava  os meus bebês.Eles sempre preferiam exatamente o meu colo .Não só pelo cheiro do meu corpo, que para eles devia corresponder a um perfume agradável, mas também porque sentiam a suavidade do meu toque , do meu olhar, do meu aconchego que ia diferenciar o meu colo de qualquer outro.
Se recebo flores rubras, vermelhas  que têm uma cor forte ,simbolismo de paixão, vejo a veemência com que todas nós, mães, defendemos  nossos filhos quando alguém  os ataca . Até podemos reconhecer seus erros, mas não admitimos que  os acusem. Por mais tranqüilas que sejamos ,nos transformamos em verdadeiras leoas defendendo nossas crias.
Por fim,se recebo flores amarelas que é a luz da iluminação, da sabedoria,lembro-me da sabedoria que posso alcançar como uma mãe idosa. A mãe idosa como eu, geralmente sofre por ter que conviver com uma geração que está em meio de valores que não são exatamente aqueles com os quais a sua própria geração conviveu.Mas, por amor aos filhos, para não me sentir distanciada deles ,faço meu grande esforço de aceitação às mudanças sociais.Aqui, meus filhos ,inconscientemente,  contribuem para que eu reveja os passados valores e  qualquer tipo de antigos preconceitos e atinja  a sabedoria que a minha idade me requer. Porém,  fico sempre servindo dentro do lar, como um equilibrador entre velhos e novos conceitos.Com poucas exceções, a mãe madura é aquela que  dentro de uma família de vários filhos( que é o caso da minha) ,ouve as queixas que uns fazem dos outros e silencia para mantê-los harmonizados. A mãe madura geralmente dá conselhos sutilmente, age mais em retaguarda. Mesmo quando os meus filhos pensam que  não estão mais prescindindo de meus conselhos, continuo,mesmo sem me impor, a exercer influência em seus pensamentos, pelo que plantei em suas infâncias,e pelo grande desejo que uma mãe leva por toda uma vida: o de ajudá-los.
    Como exemplo de amor materno vou servi-me da História Antiga,lembrando –me de uma passagem do Velho Testamento. Nele, trouxeram frente ao sábio rei Salomão duas mulheres que lutavam pela posse de um bebê. Todas duas diziam que o bebê era seu .Discutem e gritam.Salomão então chama uma servo e lhe ordena: “Pegue tua espada e corte o bebê ao meio e assim cada uma ficará com a sua metade”.Uma delas então começa a gritar desesperadamente: Ele não é meu!  Não é meu! O Sábio rei então ordena : “ Dê a esta mulher que está negando a sua maternidade, o filho, pois ele é dela “ .E, explica-lhe: a veemência com que defendestes a vida desta criança revelou-me que tu és a mãe dele

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Macchu Picchu


Macchu Picchu
 
 Situa-se numa soberba paisagem do Peru à 2.050 metros de altitude. Porém,sua maior força mística é jamais ter sido uma cidade profana. Foi projetada pelo tempo do Império Inca para servir de santuário.Acrescenta-se a isso o fato de Macchu Picchu ter sido abandonada ao mato que a escondeu durante séculos .Nunca foi  encontrada pelo invasor espanhol que conquistou o Peru. Por isso, Macchu Picchu nunca viu os horrores da conquista, conservando intata a sua energia de paz.Sendo criada por urbanistas que professavam as crenças incaicas, então era uma réplica perfeita do universo dividido nos três mundos que concebiam. Ali estavam: “ O mundo de baixo”, manifestado no rio que cerca a cidade; o local a ser habitado era “ O mundo do meio”;Os altos cerros como aquele de Wuayna Picchu “O mundo de cima”.
Uma imagem da Montanha sagrada de Wuayna Picchu em Machu Picchu, tal como aparece neste meu livro "As montanhas sagradas dos Incas"

   Os Incas acreditavam em duas serpentes, invisíveis e gigantescas que levantando-se da profundeza do rio abaixo,interligavam ali aqueles três mundos . A primeira, ao levantar-se ,encontrava no céu o deus do raio e retornava como chuva fertilizando Macchu Picchu. A segunda, tocando os cerros do” mundo de cima”,transformava-se em Arco Iris,  colorindo tudo o que tem vida na cidade; Pássaros, flores e frutos.Tudo então ali, tendo origem nas serpentes sagradas, estava impregnado de um poder divino, transcendente.
   Assim , no esplendor mágico de Macchu Picchu ainda hoje sentimos uma vibração que é misto de fortaleza e paz.

sábado, 2 de abril de 2011

Isis

Embora Isis seja também uma mãe natureza ela diferencia-se muito de Demeter.  Esta era uma  força exclusivamente ligada ao abastecimento de sobrevivência que nos dá o solo, e o amor  materno que amamenta os homens, os conduz em seus primeiros passos.
    Isis porém jamais será compreendida se a desassociarmos de Osiris e Horus, pois Isis é parte integrante de uma Tríade.Tríade aparecida também nas divindades  primordiais An, Em Ki, Em Lil da Mesopotânia, na Tríade Brama Vishinu e Shiva do Induismo e na Trindade Pai , Filho e Espírito Santo do Cristianismo.
    Isis é a margem do rio  mais comprido do mundo e também suas águas.
Porém, a força que as movimenta, levando seus nutrientes que fecundarão Isis é Osiris, o grande procriador. Este intercâmbio amoroso entre Isis e seu esposo Osiris acontece periodicamente na subida e retração das marés do Nilo (as cheias que ocorrem de junho  a outubro cobrem suas margens e quando recuam deixam nela um humo fertilizante), Assim, é possível compreender-se que um povo cuja base religiosa era a Fitolatria, a natureza personalizada em deuses, visse neste contato rio-margens que garantia seu próprio viver, um ato de amor acontecendo entre um ser masculino divinizado e sua deusa consorte.
    Após este grande amplexo entre o casal , boa parte do Egito torna-se lagos e pântanos (Pois o Nilo banhando-o do norte ao sul da África percorre 6.450 km de extensão) Isis então assim fecundada, gerava , neste imenso terreno aquático a planta que seria para os egípcios a fonte de sua riqueza: O papiro.
    Foram eles,os egípcios, os únicos fornecedores desta planta  para todos os povos da Antiguidade. Com ela, garantiam o fabrico de embarcações, sandálias, esteiras, e sobretudo do papel. Só ele já seria suficiente para os inúmeros cultos de agradecimento à grande mãe, que se davam em templos cercados por verdadeiras florestas de papiro
    Pelos benefícios que trazia, o papiro tornou-se um dos grandes símbolos de Isis. É o cetro de seu poder, que aparece em estátuas  empunhado por deusas e rainhas e foi adotado como emblema do Alto Egito.
    Também o Baixo Egito representava-se homenageando Isis, com aquilo que acreditava ser o que de mais belo ela gerava na natureza: O Lótus amarelo. Hoje, visitando estas regiões, encontramos ainda uma lembrança perene da mãe Isis, em inúmeras colunas esculpidas com Lótus.
    Com sua flor se fazia perfumes e só podemos imaginar como importante era aos egípcios, lembrando-nos que foi o povo antigo que mais usou tanto para o corpo como para cultos, essências perfumadas.  O perfume do Lótus era visto como intensamente rejuvenescido. E, lá estava novamente Isis garantindo seu uso, a requerer devoções e mais devoções. Das sementes do Lótus tirava-se também um alimento tranquilizante , que empregava-se para evitar impulsos eróticos descontrolados . Porém, a grande importância desta flor era o seu valor simbólico. Fechando-se a noite para desabrochar ao clarear do dia, foi desde os recuados tempos de Hermes Trimegisto, o símbolo da luz que Osíris intermediando o deus solar Rá, trazia em seu barco todas as manhãs para iluminar o corpo de sua esposa Isis, as margens do Nilo.
Lótus, flor que representava os quatro elementos naturais.

Também o fato das sementes do Lótus conterem antes de germinarem a miniatura das folhas e do aspecto que a flor terá um dia, foi estudado pelos iniciados como o arquétipo, o modelo de manifestação que todos os seres sejam eles homens, animais ou plantas trazem dentro de si. No Lótus, segundo eles, a mãe Isis, quisera nos mostrar este princípio divino: o arquétipo. Porém, mesmo os egípcios não iniciados, que ignoravam estes estudos transcendentes, viam no Lótus que nasce dentro da terra, passa seu caule dentro da água, tem suas folhas respirando no ar e abre sua flor pelo calor do fogo solar, símbolo dos quatro elementos da mãe natureza: Terra, água ar, e fogo. Por causa do Lótus, Isis era então também chamada de “Deusa dos quatro elementos”.
    O papel de Isis na Trindade egípcia será exaltado no mito da luta eterna entre ela e Osíris contra seu irmão Seth. A geografia do Egito, no seu lado ocidental, apresenta um deserto árido, assolado pelo terrível vento Khansim perigo sempre eminente, pois que, ao soprar, pode engolir,levantando areia, todas as criações feitas pelos homens da parte fértil. Foi personalizado num irmão de Osíris e Isis, o implacável deus Seth. Este lutava contra a  fertilidade e a vida dos protegidos de Osíris. Esse é enfim o sentido do mito Osíris, Isis e Seth. Porém, é neste mito que Isis se sobressai como amante desvelada e mãe cuja  fecundidade promove o ciclo eterno do renascimento.
    O mito nos conta que Seth, sempre querendo destruir Osíris, posto que este possuía razões regionais mais fortes para merecer cultos de agradecimentos e adorações, urdiu um plano para matá-lo. Manda construir em segredo um cofre belíssimo com as medidas exatas de Osíris. Numa festa expõe aquela obra de arte e todos se encantam com sua beleza. Ele promete então dá-lo a quem entrando nele correspondesse ao seu tamanho. Quando Osiris deitou-se nele ,Seth e seus comparsas fecharam rapidamente o cofre e foram atirá-lo no Nilo.
A Deusa Ísis resgata o corpo de seu marido Osíris.

    Sem Osires, todas as margens do rio entram em pobreza, as margens não são mais fertilizadas , o Nilo se paralisa num cenário de morte.Aqui é que surge forte o amor conjugal de Isis. Desesperada, corta os longos cabelos negros, rasga as vestes e esmurra o peito em sinal de luto. Sai depois a procurá-lo em toda a parte  Chega longe , até uma praia da Fenícia. É de lá que encontrando o sarcófago de Osires morto , o traz de volta ao Egito. Ao abri-lo porém, viu que o seu corpo não sofrera decomposição, Estava intacto. Pega-o então nos braços e beija-o na boca ,passando o seu alento de vida para ele. Osíris ressuscita.
    Toda a natureza de novo se rejubila, os ciclos de enchentes das águas cobrem novamente as margens, todas florescem, Contudo, lá estava Seth observando desconfiado esta pujança de solo e depois tendo a certeza de que Osires estava de novo vivo. Numa oportunidade, mata-o agora , retalhando seu corpo em 14 pedaços que espalha no Nilo.

Isis não esmorece. Quer ainda recuperar o corpo desmembrado do marido. Historiadores acham que esta parte do mito refere-se a um momento de centralização das províncias, que eram 14 .Numa outra busca desesperadora, vai juntando um a um os seus pedaços encontrados. É com este corpo de Osíris morto, que ela conseguira recompor, que Isis quer ao menos vê-lo sobreviver num filho que para sempre o represente.
    Aqui a Trindade egípcia se completará, pois por meio de uma metamorfose desta deusa, Hórus nascerá. Conta-nos o mito que Isis, com palavras mágicas, transforma-se num falcão fêmea que, batendo as asas, deita-se sobre Osíris. Quando ela volta à forma humana, está grávida de Hórus. Ele será sempre chamado de “deus falcão” aquele gerado entre Osíris e um falcão fêmea.
    Este filho, que Isis fez nascer de um corpo morto, assimila dela para sempre a energia da ressurreição. Quando Hórus luta com Seth para vingar seu pai, perde na luta um dos olhos. Coloca-o sobre a múmia de Osíris como uma oferenda de amor filial. É, com a energia do olho de Hórus que Osíris ressuscita no reino dos mortos, no Amenti, tornando-se ali o soberano supremo (hoje, a Arqueologia já encontrou o amuleto “olhos de Hórus sobre inúmeras múmias que lhes seria a garantia de uma ressurreição no além morte.)

O olho de Hórus, símbolo da ressurreição.

    Na crença egípcia, enquanto Osíris era o Pai transcendente que eternamente movimentaria as marés do Nilo, e Isis a deusa da natureza, Hórus podia fazer uma encarnação viva, humana, na pessoa dos faraós, uma vez que estes eram, segundo o seu “Livro dos Mortos”, energias que zelavam pela sobrevivência do império e intitulavam-se “Servidores de Hórus”. Aqui a Trindade egípcia parece ter inspirado a cristã, pois enquanto o Pai e o Espírito Santo são forças sutis invisíveis, o Filho que representa o Pai, encarna-se na pessoa de Jesus. O mito de Isis, tal como o de Demeter, também foi muito estudado e teatralizado nas Escolas de Mistérios Iniciáticos.
    Os estudos dos Mistérios menores, os de Isis, duravam sete anos onde em cada um deles era levantado um dos sete véus da sabedoria que a deusa encobria. Era dito que seus véus tinham cores diferentes. Seus véus representando as qualidades que os iniciados tinham que obter para chegar à luz total de Osíris.
    Como tudo o que se refere à Isis tinha um envolvimento com seu par Osíris, nestes seus Mistérios a deusa preparava a evolução espiritual dos homens egípcios, para que entrassem depois nos Mistérios Maiores de Osíris. Introduzia-os também nos conhecimentos do Amenti, o mundo dos mortos governado pelo deus. Contava-lhes as bem-aventuranças que por amor à natureza lá desfrutavam.
    Na Iniciação, chegava-se a compreender a escrita sagrada dos Sacerdotes de Isis, um tipo de linguajar secreto onde se ocultavam ensinamentos que, lidos por um prisma profano, jamais seriam compreendidos. Pouco se sabe dos ritos e cultos à Isis pelos juramentos de silêncios feitos pelos iniciados. A recompensa que estes mais esperavam era um dia ter a visão gloriosa da deusa que lhes aparecia, e os levavam a êxtases inefáveis.
    Descendente direto de Num, uma água primordial que deu origem ao mundo e de Net, o céu, que se estendia como uma grande abóboda azul e estrelada sobre a cabeça dos egípcios (figura representada como um grande corpo arqueado sobre a terra), Isis é a deusa das muitas faces. É a água do Nilo, é a sua margem, são os quatro elementos, é enfim a alma do mundo formalizado na natureza. Porém, sem dúvida, a sua colocação na Triada que, segundo Pitágoras, equilibra o universo, está o seu maior papel. Alem de ser a esposa fiel de Osíris que a fertiliza, traz na cabeça os chifres de Hátor, a vaca sagrada, porque seu seio alimentava Hórus, seu filho e todos os egípcios.

Helyette Rossi